Mário Crespo chamou Menezes aos estúdios da SIC-N para que o autarca comentasse a intervenção da líder no exame final da Universidade de Verão do PSD. Menezes parecia possesso. Nada do que a senhora disse está em conformidade com o que o partido deve reivindicar. Sócrates também comentou as tiradas de Manuela. Esforço escusado. Menezes trata melhor do assunto.
Luís Filipe Menezes regressou a Gaia e é agora um militante de base, mas adoptou o vocabulário da oposição à liderança do seu partido como gente grande. Manuela Ferreira Leite vai ver-se em palpos de aranha para fazer as limpezas de Verão. Com amigos assim, os inimigos até podem ir tomar café lá a casa.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Novas oportunidades
Manuela Ferreira Leite falou. O que disse não aqueceu nem arrefeceu. Adversários políticos continuam sem assunto. Contestatários internos não encontram motivos de aproximação: este casamento não procria.
Por agora nada a acrescentar. Novas oportunidades surgirão.
A vida política continua como ontem.
Por agora nada a acrescentar. Novas oportunidades surgirão.
A vida política continua como ontem.
domingo, 7 de setembro de 2008
Os detectives de Bolaño
Roberto Bolaño escreveu um romance extraordinário. Este é provavelmente um dos mais deslumbrantes livros publicados este ano em Portugal. "Os Detectives Selvagens" é uma viagem pelo mundo de quem vagueia pela Literatura. As personagens deste livro são escritores e aprendizes do ofício. Aqui se passeiam as angústias, as desilusões e as alegrias do acto criativo. Tudo em verdadeiro desalinho. O humor é cruel e requintado. As vivências que nos prendem página a página estão encharcadas de sentimentos pouco comuns mas fascinantes.
Uma obra notável.
Há, contudo, uma prestação negativa por parte da editora portuguesa, a Teorema, que não pode deixar de ser assinalada. A tradução aparenta problemas. As gralhas abundam. A mancha de texto quase preenche a página, ameaçando esconder-se na dobra do livro. Não existe, portanto, a elegância gráfica que um trabalho literário desta qualidade merecia. Fica a nota de apreço por finalmente se ver publicado em Portugal um dos textos mais brilhantes da Literatura contemporânea da América Latina.
Titulo Os Detectives Selvagens
Autor Roberto Bolaño
Tradução de Miranda das Neves
Revisão de José Costa
Edição Teorema
512 páginas
Preço 25,00 euros
sábado, 6 de setembro de 2008
Autarcas modelo
Os autarcas do Barreiro e do Seixal deixaram escapar milhões de euros destinados a melhorias nos concelhos que dirigem. A uma candidatura - QREN: Quadro de Referência Estratégico Nacional -, responderam no último dia aprazado já com o limite horário ultrapassado. É evidente que o pedido não foi aceite. Regras são regras e são iguais para todos.
A estúpida desculpa ainda os enterra mais: parece que o sistema informático não deu respostas atempadamente.
Quando se fala de autarcas de um partido que não reconhece esforços individuais, devem-se atribuir as culpas a quem? Ao partido, evidentemente. Se os presidentes dos executivos do Seixal e do Barreiro tivessem o direito de decidir, era natural que perante esta inabilidade escandalosa se demitissem. Revelariam dignidade e responsabilidade política. Mas para isso teriam de abdicar daquela religião a que chamam ideologia. Assim, será o partido, entidade abstracta que paira sobre as militâncias colectivas, que irá decidir... se decidir alguma coisa. Os responsáveis directos limitam-se a fazer a triste figura de quem cometeu um erro numa actividade do infantário.
Já agora: por favor não nos venham atazanar mais com aquela tanga dos "autarcas modelo do PCP".
Tenham vergonha.
A estúpida desculpa ainda os enterra mais: parece que o sistema informático não deu respostas atempadamente.
Quando se fala de autarcas de um partido que não reconhece esforços individuais, devem-se atribuir as culpas a quem? Ao partido, evidentemente. Se os presidentes dos executivos do Seixal e do Barreiro tivessem o direito de decidir, era natural que perante esta inabilidade escandalosa se demitissem. Revelariam dignidade e responsabilidade política. Mas para isso teriam de abdicar daquela religião a que chamam ideologia. Assim, será o partido, entidade abstracta que paira sobre as militâncias colectivas, que irá decidir... se decidir alguma coisa. Os responsáveis directos limitam-se a fazer a triste figura de quem cometeu um erro numa actividade do infantário.
Já agora: por favor não nos venham atazanar mais com aquela tanga dos "autarcas modelo do PCP".
Tenham vergonha.
Democracia à angolana
Observadores europeus dizem que eleições são um desastre. Os dirigentes angolanos asseguram que existem apenas uns erros de funcionamento. Os governantes são capazes de ter razão: com eleições de dezasseis em dezasseis anos, é natural que a falta de prática provoque alguns problemas.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
Boa companhia
O DN oferece-nos hoje o último livro desta muito interessante colecção. Passaram o Verão nisto. Por aqui andaram alguns dos maiores autores de sempre. Foram trinta livrinhos, ao todo. As traduções são assinadas por quem sabe da poda. Não há gralhas. A apresentação gráfica é honesta. Para o DN e para a Quasi, editora que produziu a colecção, vão daqui os meus cumprimentos por este desempenho.
O livro de hoje é de Rainer Maria Rilke - "Cartas a um Jovem Poeta".
Por agora acabou-se o fornecimento. Para o ano há mais. Digo eu...
Mudança? Que mudança?
MacCain não perde uma para rebaixar o seu adversário pela fraca experiência executiva. Numa entrevista que vi há pouco, apontava as mesmas deficiências ao candidato a vice-presidente proposto por Obama. O jornalista, atento, disparou com a falta de exercício governativo dele próprio, MacCain, ao que o candidato repubicano retorquiu que tinha experiência sim senhor: dirigiu uma armada.
O homem confunde a liderança de batalhões em guerra, com a governação de um país. Será que é a mesma coisa?
Prognóstico preocupante.
O homem confunde a liderança de batalhões em guerra, com a governação de um país. Será que é a mesma coisa?
Prognóstico preocupante.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Big Brother
Têm razão, os incansáveis defensores das liberdades individuais, revoltados com a ideia da aplicação de um "chip" nas lusas viaturas. Há por aí desabafos que nos descansam: "É uma afronta à privacidade de cada um. Ninguém tem nada que saber onde vou com o meu carro", li por aí. Justa reinvidicação, diga-se, e recomendável. Resta acrescentar que ninguém está minimamente interessado em saber onde qualquer um de nós foi com o carro ontem à noite. A não ser que um de nós pegue no carro para ir onde lhe apetecer e pelo caminho lhe apeteça roubar um Banco, atropelar um vizinho, ou cometer outra qualquer saudável leviandade. Este chip limitador da liberdade individual também limita os movimentos dos amigos do alheio que, coitados, assim vão ver a sua acção perigosamente reduzida. É uma injustiça.
Já agora, porque não proibir os cartões multibanco e de crédito, a via verde, o cartão FNAC, a internet, e todas as formas de facilitação do acesso à nossa vida privada? Há países onde algumas destas proibições, zeladoras das nossas liberdades mais íntimas, já se aplicam.
Aprendamos, pois.
Já agora, porque não proibir os cartões multibanco e de crédito, a via verde, o cartão FNAC, a internet, e todas as formas de facilitação do acesso à nossa vida privada? Há países onde algumas destas proibições, zeladoras das nossas liberdades mais íntimas, já se aplicam.
Aprendamos, pois.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Investigações perigosas
Paulo Pedroso foi condenado antes do julgamento. É sempre assim, num país onde a justiça funciona mal e porcamente. Agora parece que tudo não passou de um susto. Só que sustos destes não se limitam a brincadeira de circunstância. Um erro grosseiro afastou Pedroso da vida política activa. Uma investigação grosseira atirou-o para uma prisão durante meses a fio. Quem investiga desta forma atabalhoada não é investigado?
Silêncio pouco inocente
Manuela Ferreira Leite gere muito naturalmente o silêncio que a sua conduta dita. A ideia de que fazer oposição é morder as canelas do Governo a cada instante não encaixa no manual de normas da senhora. Acho muito menos razoável o banzé produzido pela oposição interna. Menezes, que prometeu estar calado, não fecha a matraca. Ângelo esgrime, retalia e sugere que as coisas sejam como ele acha. Marcelo faz o que lhe está na natureza: estar calado? Antes o poço da morte... Um malabarista, portanto. Ferreira Leite limita-se a ignorar o ruído. Chegará a sua vez. Mas este silêncio sai-lhe caro. Parece que o PSD está demasiado habituado aos Santanas e Menezes desta vida, que são como o burro que acompanha Shrek: calá-los é que é difícil.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Mudanças
McCain arranjou um número dois e pêras. É mulher, é gira, e é detentora de uma enérgica juventude. Se for a imagem a decidir, Obama já tem companhia. Só que há coisas que ultrapassam as performances pontuais dos candidatos. Os especialistas em comunicação já estão no terreno. A campanha eleitoral que espreita vai mostrar ao mundo o melhor e o pior da política-espectáculo. A senhora que vem do Alasca disse, assim que saltou para o estrado, que a mudança está na candidatura que integra. A coisa corre-lhe de feição: o furacão Gustav surgiu na altura certa para evitar o hipócrita reconhecimento de Bush. Perfeito.
Seja com Obama, seja com MacCain, a mudança está assegurada.
É só esperar para ver. É melhor esperarmos sentados.
Eleições americanas 2008. Acompanhe aqui.
Eu também
Gostava de conseguir dizer coisas assim
O ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem, no Porto, que o silêncio da presidente do partido nos últimos dois meses "é mau, mas tem mais vantagens do que inconvenientes". Jornal Público, 2 de Setembro de 2008.
Luis Paixão Martins | Lugares Comuns
O ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ontem, no Porto, que o silêncio da presidente do partido nos últimos dois meses "é mau, mas tem mais vantagens do que inconvenientes". Jornal Público, 2 de Setembro de 2008.
Luis Paixão Martins | Lugares Comuns
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Setembro
Setembro é o mês do ano de que mais gosto. Há muito que é assim. O futuro é agora. É agora que desenho o que quero que me aconteça.
Se vai acontecer ou não, veremos nos próximos capítulos. Mas sabe bem iniciar projectos, decidir movimentos improváveis, contornar o efémero. O telefone recorda que novas ameaças de trabalho surgem.
O calor já não incomoda. Apetece estar na cidade.
As férias já não passam de uma agradável recordação.
Cromos de Verão
A silly season oferece trabalho a incansáveis profissionais de várias áreas. Os cantores de feira correm as aldeias. Os bombeiros apagam fogos. Os ladrôes atacam casas desocupadas, desocupam os carros dos seus proprietários, subtraem lucros de delegações bancárias.
Depois há quem se especialize em comentar tudo isto. E também há especialistas em tudo isto e muito mais. Assim de repente recordo-me de Moita Flores e Ângelo Correia. O que dizem não ultrapassa a banalidade, mas não há nada que lhes escape: ele é a pequena Maddie, ele é a onda de assaltos, ele é a oposição ao Governo e a falta dela, enfim, assunto não falta. Mas tanta sabedoria satura.
Depois há quem se especialize em comentar tudo isto. E também há especialistas em tudo isto e muito mais. Assim de repente recordo-me de Moita Flores e Ângelo Correia. O que dizem não ultrapassa a banalidade, mas não há nada que lhes escape: ele é a pequena Maddie, ele é a onda de assaltos, ele é a oposição ao Governo e a falta dela, enfim, assunto não falta. Mas tanta sabedoria satura.
Divórcio da realidade
Houve uma proposta de lei que Cavaco não aprovou: divórcios a torto e a direito, nem pensar. O casamento é para a vida. Quem casa só tem que se aguentar. Nem que seja à força. À porrada, mesmo. As que caem no chão é que se perdem.
Angústia do atleta antes do salto
Olimpíadas de Verão
Um atleta de alta competição reage com humor a uma inesperada derrota. Toda a "inteligência" desportiva o condena. Como é que um atleta de grande gabarito pode pensar no vale de lençóis em vez de se limitar a pensar na actividade física? O desporto é coisa séria. E para os comentadores desportivos é tão fácil corrigir os erros dos outros...
Vencedores
Nós podemos ficar muito contentes com as vitórias dos atletas que desfilam com as cores da bandeira, mas a vitória é só deles. Só eles a devem sentir como coisa sua. Como país não fomos longe. Mas não encontro aí grandes motivos de preocupação. O jogo da vida promove campeonatos constantes. O que ainda nos falta caminhar...
Quem se quiser demitir, demita-se. Só cá faz falta quem corre para a frente.
Estreia numa televisão perto de si
A gente regressa de férias, liga a televisão e repara que o país está a ferro e fogo. Tudo começou com o assalto ao BES de Campolide. Transmissão em directo. Dois rapazes resolveram brincar aos assaltos e, pensando que aquilo era como limpar o rabo a meninos, fazem reféns e exigências exibindo armas de fogo. A polícia fez-lhes o favor de levar a coisa a sério e actuou em conformidade: antes que os rapazes cumprissem a promessa de eliminar os funcionários do Banco que não escolheram ser figurantes naquele filme, resolveram retirá-los de cena, entrando no jogo, ou seja, disparando armas a sério. Os rapazes viram assim a brincadeira estragada. Depois tornou-se moda. Há assaltos de todo o tipo e para todos os gostos. Comentários em directo, por quem viu e por quem não viu, são transmitidos logo a abrir os noticiários. Até Cavaco veio fazer-nos queixa antes de falar com o Governo. É preciso tomar medidas, disse. E então? Será que o homem estava a pedir o número de telefone do Ministro da Administração Interna?
O país está a ferro e fogo. A violência está na moda. São precisas soluções. De queixinhas e novelas televisivas já estamos fartos.
O país está a ferro e fogo. A violência está na moda. São precisas soluções. De queixinhas e novelas televisivas já estamos fartos.
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