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| Em volta de comedorias e beberagens. |
sábado, 11 de janeiro de 2025
Al Berto 77
sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
Composição, roubo e auroria
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
Passear em silêncio
Miguel Navas inventa outras paisagens. Nem precisa de observar a realidade próxima para ver e perceber o que nos quer transmitir. Diz-nos com o seu olhar representado nestas telas que a paisagem que observamos é única. Só nós vemos o que ali está. O pintor mostra-nos assim a sua própria maneira de encarar estas novas realidades ali reveladas. A pintura tem esta vantagem: melhora a realidade.
É como a literatura. Estas telas são páginas de uma publicação em execução. Passeamos por estes ambientes percebendo diferenças. São os novos olhos de que fala Proust. Os tons ocre, os azuis, os verdes densos e esbatidos, os tons neutros, denotam a preocupação em se alterar a realidade com sugestões de uma outra leitura, uma outra maneira de olhar a paisagem sugerida ao nosso olhar.
As imagens que o artista recolhe em ambientes que referem ora o óbvio, ora o inesperado, parecem ser ensaios para a experiência maior que é a pintura acabada. Sombras, objectos que se sobrepõem em situação de abandono, imagens brutas que se transformam pela sua observação em aparência sofisticada, são o modelo que forma uma certa maneira de pensar a arte. Para Miguel Navas a Arte com A em caixa alta é esta acumulação de sobras. A urbe fornece a ideia para o ambiente criativo, e o artista encontra aí os tinteiros para os seus pincéis, trinchas e espátulas. Telas de uma intensidade viajante que nos apelam a um deambular sem guia. Sentimo-nos guias nestas paisagens tão novas que parecem novos trilhos para um renovado passeio. Sentimos-nos livres de expressar sentimentos, preocupações, atitudes.
A beleza instalou-se. A liberdade está a passar por aqui, como diria o Sérgio.
O auto-retrato representa o laboratório de Miguel Navas. Experimenta com a sua imagem a utilização dos materiais. Insinua, sem medo de desagradar, traços e pinceladas. Estes retratos revelam ousadias. Não existe aqui a necessidade fotográfica, mas o artista está sempre lá. Parecido com o real mas simultaneamente distante. É este afastamento das realidades que molda o trabalho de Navas. O esforço compensa. Observar estes esboços de retratos em evolução experimental anima-nos. Dentro do possível, é claro. Uma atormentada ideia de caos rodeia-nos. Esta pintura afasta-nos desse tormento. Estas paisagens são muito frequentáveis. Em território de percepções não confirmadas, em que “Há quem viva sem dar por nada / Há quem morra sem tal saber”, como percebeu José Afonso, frequentarmos os ambientes que nos fazem reflectir fornece-nos novos rumos para o futuro. Pelo menos é o que eu sinto.
Ainda bem que é verdade, ainda bem que é mentira
O facebook deixa de moderar. Agora a mentira é possível. Muita coisa que não nos pareceria normal ontem, passa a ser encarado com a maior normalidade hoje. Por exemplo: agora podemos mentir à vontade sem que venha aquela nota que anuncia denuncia por termos publicado algo que não está consonante com os padrões estabelecidos. Não há padrões estabelecidos.
Por um lado, os padrões eram tão pouco fiáveis que às vezes as denuncias só davam para rir. Mas enfim, avancemos. O dono desta geringonça assumiu honestamente que a decisão tem a ver com a eleição do perigoso imbecil que agora vai mandar como imperador déspota lá nas américas. E os imbecis estão encantados. Agora lançam bojardas sem controle. Ou seja: agora, se escrevermos aqui mentiras, eles não serão desmentidas por nenhum poder empresarial ajustador. Sem lei nem legislador. À bruta. É o mais desbragado liberalismo a funcionar.
Exemplos: Trump é um sexista violador e obsceno e gaba-se disso entre os seus pares. Trump estimula os seus apoiantes para acções criminosas. Trump foge ao pagamento de impostos e gaba-se disso. Muitos americanos conseguiram eleger um criminoso para a Casa Branca e sabem o que fizeram. Ele só faz pela vida. A sua vida. Votaram num indivíduo ridículo que é como eles. Musk é um depravado fascista que quer fazer do mundo um quintal particular. Musk não é génio nenhum, como pensam os idiotas que o seguem cegamente. Musk é um doido varrido, sem maneiras, que compra ideias e gaba-se delas como se fossem suas. Os dirigentes da extrema-direita mundial mentem descaradamente e quando são apanhados transformam-se em vítimas de mentiras da esquerda. A extrema-direita, os novos fascistas, são gente sem maneiras e sem respeito por ninguém.
Não seria possível descrevermos aqui mentiras deste calibre anteriormente, mas agora pode-se. Estamos a assistir à normalização da anormalidade.
Nota: dizem-me aqui ao lado que estes exemplos não são mentiras, são verdades. Sim, claro, é um ajustamento aos tempos vindouros. A mentira é a verdade da extrema-direita. Chafurdam nela como recos. Com a licença dos porcos, que não têm nada que ser para aqui chamados. Coitados... dos porcos.
[O título deste post pertence a um texto de José Afonso. Achei que ficava aqui bem]
Imagens: CNN / Evan Vucci/David Zalubowski/Alex Brandon/AP
segunda-feira, 6 de janeiro de 2025
Ainda somos todos CHARLIE
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| Edição de Janeiro de 2025 que assinala o massacre de 2015 |
Foi no dia 7 de janeiro de 2015. Passam agora dez anos. Um par de energúmenos fundamentalistas religiosos atacou a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, assassinando doze pessoas e ferindo onze.
Seguiram-se os justificados lamentos mas também a tentativa de justificação do acto. Afirmámos: somos todos Charlie. Mas houve quem usasse a ironia para relativizar a barbaridade: puseram-se a jeito, defenderam. Ou seja: todos devemos ser respeitadores de tudo o que mexe, até da intolerância. Devemos andar penteadinhos e de bibe bem passado a ferro até à idade do colarinho branco e de gravata de nó bem direito ajustada ao pescoço. Não nos devemos pôr a jeito de quem não nos respeita. existe um nome para este comportamento: medo. Há quem tenha medo até da sua sombra. Os hipócritas da direita neoliberal avançaram logo com esse respeitinho que é muito bonito quando lhes dá jeito. Os cartoonistas do Charlie Hebdo há muito que despiram o bibe e alargaram o nó da gravata. Ou largaram-na, mesmo. Pelo mundo fora há artistas do desenho inteligente e humorado que sofrem ameaças. Há casos recentes de dispensas de colaborações em jornais e revistas de informação e análise política. Inqualificável.A Festa da Ilustração - Setúbal nasceu em solidariedade com esta gente corajosa que se recusa a respeitar o que não é respeitável. A intolerância não se respeita: combate-se. Em 2019 a Festa homenageou um dos assassinados: Tignous. Tivemos em Setúbal a sua mulher, Chloé Verlhac. Cristina Sampaio, que foi nesse ano a convidada nacional da Festa, era amiga do casal e permitiu esse encontro, que foi repetido em 2021, tornando-se Chloé uma amiga muito cá de casa.Os fascistas, sejam eles oriundos da politica dos comportamentos à direita, da religião intolerante ou da economia custe o que custar — não vai dar tudo ao mesmo? — não respeitam valores, nem comportamentos civilizados, e desprezam atitudes corajosas de artistas atentos, mas vencem eleições. Há um povo "respeitador" que prefere andar a toque de caixa. Um povo que prefere a "economia" ajustadora dessa gente sem jeito, ao conhecimento cultural e à indignação inteligente. Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski merecem e nosso respeito. Merecem ser recordados. Vamos lembrar-nos sempre do vosso trabalho insistente e valoroso. Fizeram-nos crescer intelectualmente. Foi muito bom termos vivido no vosso tempo. Ainda somos todos CHARLIE.
Foi no dia 7 de janeiro de 2015. Passam agora dez anos. Um par de energúmenos fundamentalistas religiosos atacou a redacção do Charlie Hebdo, em Paris, assassinando doze pessoas e ferindo onze.
domingo, 5 de janeiro de 2025
O mundo a seus pés
O indivíduo que se ocupa da profissão de "homem mais rico do mundo" aliou-se ao que vai ter o título de "imbecil mais influente do mundo" e agora tentam alastrar a moléstia que os atormenta por todo o lado.
O mais rico já se anda a meter directamente na política do Reino Unido, apoiando o cretino que lidera a extrema-direita local, e criticando o primeiro-ministro, que não é para o rico homem flor que se cheire. Estes lideres fascistas — sim, fascistas, ou será que só são fascistas os inscritos no partido de Mussolini, no tempo em que ele mandava em Itália? — querem lançar lastro pelo mundo todo. O acérrimo neoliberalismo é democrático quando quer parecer civilizado e tolerante, e é criminoso quando for preciso. Mussolini, o inspirador do actual poder político italiano esclarecia: se não der com pezinhos de lã, vai pela força. O que é preciso é pôr a economia deles a funcionar. As pessoas que se lixem. Esta dupla que agora vai traçar rumos para o mundo a partir da Casa Branca, vai colocar o mundo que conhecemos em risco. E o mundo que eles conhecem e querem impor é uma empresa que explora e mata pelo lucro desenfreado, sem regras. As regras impõem eles. Um mundo sem cultura, sem arte, sem curiosidade intelectual, sem solidariedade entre as pessoas. Um mundo sem valores humanos. Somos apenas números, para estes apologistas da aritmética capitalista selvagem. São selvagens com vestimentas e gestos ridículos. Mas não são palhaços. Os palhaços fazem rir. Estes são ridículos mas perigosos. E não têm graça nenhuma.
sábado, 4 de janeiro de 2025
Choninhas & songamongas
O choninhas da Câmara ficou muito contentinho com a decisão do Tribunal Constitucional que inviabilizou a realização de um referendo sobre alojamento local na cidade: “é uma grande derrota para a esquerda radical apoiada pelo PS”, disse o choninhas.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2025
Sem noção
Ainda a procissão vai no adro, mas já se ouvem os arautos do proselitismo populista. Um grupo de maçónicos quer o almirante e formou frente para o convencer a avançar. Também hoje começaram os debates com os supostos candidatos.
Na SIC-N agitaram galhardetes a candidata do partido fascista ADN — o líder deste partido sugeriu mandar para o Tarrafal quem não concordasse com ele —, e o professor que arregimentou professores para a sua batalha supostamente reivindicativa. Esta gente faz o que for preciso para aparecer e tentar ter influência. Não os incomoda a triste figura que fazem. Bem sabemos que a falta de vergonha e a gritaria da extrema-direita vieram trazer alento a estes trastes, mas não estarão a ir longe demais? Tino de Rans demitiu-se destas parvoíces? Esta pernóstica e este lélé da cuca estiveram hoje na FOX à portuguesa em animada prestação sem noção. Só visto, contado não tem graça.
DDLX 2025
Entramos em 2025 assim: trocando ideias, escolhendo tipos de letra, cores, novos rumos. Rejeitamos o bafio. Insistimos na experiência criativa, seja lá isso o que for. Mau não é, desde que seja autêntico e intelectualmente honesto. Há vida para além das cores, das letras e de outras maneiras de olhar. Mas foi esta que nos calhou em sorte. Sorte a nossa. Bom 2025. Até já.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2025
Receituário
ARTE NOS NOSSOS DIAS | São as primeiras exposições do ano na Casa Da Cultura | Setúbal. Miguel Navas expõe os seus mais recentes trabalhos de pintura. Catarina Real mostra obra gráfica, resultado de uma permanência em residência artística em Nova Iorque. Escolheram a nossa Casa para mostrarem estes surpreendentes objetos visuais. O privilégio é nosso. Continuamos no território da exigência artística. É sempre bom convivermos com os melhores. Apareçam.
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
segunda-feira, 30 de dezembro de 2024
Os insubstituíveis
Montenegro não encontra ninguém que jeito tenha para ocupar lugares no governo. Lembrou-se deste lustroso e bem pago ajustador, com larga experiência em ajustes dos rendimentos dos outros. Quem melhor do que este Rosalino para acertar preceitos a justificar ideias ao eleitorado fascista do Chega? Era assim uma espécie de Elon Musk à portuguesa. Para isso é preciso muito dinheiro. O homem ía receber o seu peso em ouro. E olhem que ele está gordinho. Esta gente tem que ser sempre muito bem paga, mesmo quando a intenção é fazer correcções ideológicas. Sim, é disso que se trata. Ajustar a economia ao neoliberalismo mais feroz precisa de economistas de topo. Do topo da falta de vergonha contra a decência. O lustroso e bem pago ajustador teve uma atitude razoável. A coisa não correu bem. Nem todos temos que ser tomados por parvos. Não vai trocar de lugar. Fica a fazer porcaria lá no lugar de onde nunca deveria ter saído.
sábado, 28 de dezembro de 2024
Ensiná-los, para quê?
Governo retirou o apoio ao acesso à leitura — cheque-livro — aos meninos filhos de imigrantes. Diz que é uma medida "segura" e "centralizada". É assim: os meninos filhos de quem não é de cá sentam-se em banquinhos ao lado dos meninos de cá, mas não têm nada que andar para aí a gastar o dinheiro do Ministério da Educação de cá em livros e leituras.
Provavelmente o governo Montenegro quer reeditar a ideia de Salazar que permitia existirem cidadãos de segunda categoria.Não tarda nada deixamos de estar preocupados com o aconchego do governo Montenegro ao partido fascista de Ventura. O petulante fascista salta logo em gáudio reivindicativo das medidas. Tudo serve para o colocar nos palanques. Já nem precisa disputar eleições. Parece já estar no governo.
Montenegro não está a fazer fretes a Ventura. O governo Montenegro está preocupado em agradar ao eleitorado da extrema-direita porque é de extrema-direita. Este governo do partido que se diz social-democrata não é social-democrata. Este governo de incompetentes é de extrema-direita, ponto.
Receituário
UMA JIBÓIA DE TRÊS CABEÇAS | Foi Gonçalo Frota que chamou assim ao projecto encetado por Óscar Silva a que se juntaram Ricardo Martins e Mestre André. Foi no Ypsilon, do Público, que partilhou a conversa que teve com os três artistas e deu a competente classificação de 4 estrelas. Outras geografias ilustram este mapa. O apetitoso e assertivo texto de Frota espreita com deleite para este planisfério de sons e ambientes. É de muito bom ambiente que falamos quando damos conta de que estamos a ser ilustrados musicalmente por este trio de gente da comunicação visual. A componente estética e visual aperta este projecto de braços abertos, por assim dizer. Os músicos são designers. Óscar Silva trabalha comigo. É o outro DDLX. A música está presente no nosso dia a dia. Há aqui rigor visual e musical. Ah, é verdade, e quem quiser pode dançar. Nós dançamos, com letras, cores e objetos coloridos e divertidos. Frequentem esta dança. Eles merecem que os ouçam.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
quinta-feira, 26 de dezembro de 2024
A saudade não se esvai
É triste, este dia que vem logo a seguir às festas que se querem felizes. É dia de uma tristeza imensa, que convoca a saudade e nos reforça esta certeza de percebermos o quanto importante foram para nós estes amigos.
Fomos todos amigos. Partilhámos muitas vontades, emoções, muitas dúvidas e poucas certezas. Tenho saudades das conversas. E tanta conversa que havia por encetar. Tenho saudades de estar com eles. É por isso que aqui estou a recordá-los. É uma espécie de maneira de os ter por perto. Meus queridos João Paulo e António Mega. A saudade não se esvai.






























