domingo, 15 de novembro de 2020

Teatro em tempo de pandemia


Pela primeira vez na vida assisti a uma peça de teatro às 11 da manhã. Foi ontem, no Fórum Municipal Luísa Todi - Setúbal. Experiência agradável, onde a qualidade da antiga normalidade não ficou aqui nada mal representada.

A peça tem por título A Casa de Emília, o texto é de Luisa Monteiro, a encenação de José Maria Dias, a música de Jorge Salgueiro, a coreografia de Iolanda Rodrigues e usa a cara e corpo de actores do Teatro Estúdio Fontenova e do Coro Setúbal Voz. A história passa-se em Setúbal, onde as operárias conserveiras eram as protagonistas daquele tempo. Tempos difíceis. Aquelas mulheres corriam para o trabalho sempre que a chamada era feita por sirenes accionadas pelas fábricas de conserva de peixe então existentes na cidade. Fosse a que hora fosse. Trabalho quase escravo que reunia como recompensa de horas a fio de labuta uns escassos patacos que mal chegavam para a alimentação das famílias. Tempo que alguns referem como exemplo. Tempo de miséria e ingratidão. Tempo da arbitrariedade. Do "quero, posso e mando". O texto convoca a fantasia para nos fazer cair na realidade. É excelente, este texto. Graziela Dias, a Emília que aqui representa as conserveiras que viveram nas fábricas os seus sofrimentos, sonhos e até delírios, vive agora em palco a intensidade desses contextos. Que papelão, o de Graziela. A música de Jorge Salgueiro, em registo orquestral minimalista (às vezes até parece que Philip Glass anda ali por detrás das cortinas), transporta-nos para a ousadia de querermos ser felizes para além das adversidades. Tão bonita aquela música e tão penetrantes aquelas palavras. Se adicionarmos a tudo isto a excelente interpretação de todos os actores e cantores em palco, concluímos que este pedaço de manhã se transformou num tempo memorável nestes tempos de tanto mal. Tempos que se combatem revelando que outros males já aconteceram às pessoas. Não esquecer é importante. É importante percebermos que houve quem tivesse vivido tempos piores. Com pandemias e tudo. Ainda bem que ainda há teatro. Bom teatro. Parabéns.

A CASA DE EMÍLIA | Texto: Luísa Monteiro | Encenação: José Maria Dias | Interpretação: Eunice Correia, Fábio Nóbrega Vaz, Graziela Dias, Sara Túbio Costa, Coro - Setúbal Voz, Eduardo Dias (vídeo) e José Maria Dias (voz off) | Composição Musical: Jorge Salgueiro | Coreografia: Iolanda Rodrigues | Espaço Cénico e Desenho de Luz: José Maria Dias | Sonoplastia: Emídio Buchinho | Figurinos: Maria Luís | Assistência de Encenação, Vídeo, Fotografia e Imagem: Leonardo Silva | Investigação e Entrevistas: Jaime Pinho, João Santos, Vanessa Amorim | Operação Técnica: Leonardo Silva | Design Gráfico: Flávia Rodrigues Piątkiewicz | Produção Executiva: Patrícia Pereira Paixão | Captação Vídeo do Espectáculo: Bere Cruz, Hugo Andrade e Inês Monteiro Pires | Fotografia: Helena Tomás | Confecção do Figurino (Urso): Rosário Balbi e Luísa Nogueira | Confecção do Brinquedo (Urso de lata): Simão Feito à Mão | Arranjos de Guarda-roupa: Gertrudes Félix.

sábado, 14 de novembro de 2020

Político e notório


O debate está ao rubro. O PPD/PSD defende o acordo com o partido fascista. O partido fascista não deixou de ser racista, xenófobo e anti-sistema. O sistema é um chapéu de abas largas. Os fascistas moldam-se ao que for preciso e estão encantados com este debate.

Uns comentadores incomodam-se com a atenção que é dada a um partido que, com apenas um deputado, molda a espuma dos dias. Outros legitimam a coisa. Isto é mesmo assim. Quem vai à guerra dá e leva. O que mais incomoda é a ideia que transmitem os palermas do partido do referido deputado: isto não é política, é o que deve ser feito. Como se não fosse na política que se faz o que deve ser feito. Eles estão acima de tudo. São ajustadores de irregularidades. Adeptos da justiça feita pelas próprias mãos. São políticos, mas não querem que se note. A política fascista continua a não ser bem vista porque é criminosa. Assumirem-se como fascistas é estúpido. São os arautos de uma intitulada "justiça", que é fascista, mas é bom que não se note. São uns escroques.

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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Jardins vivos


Eduardo Lourenço chamou-lhe Jardineiro de Deus. Motivo: queria fazer um paraíso na terra.

Gonçalo Ribeiro Telles quis de facto tornar Portugal um lugar de bem estar. Ajardinado de maneira inteligente. Nem sempre teve sucesso com as suas opções. Quem sugere a diferença encontra sempre corriqueiros obstáculos. Quem quer um mundo arejado agradece a Gonçalo Ribeiro Telles. Foi bom viver no seu tempo. Muito obrigado.

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Da lucidez e da poesia


Ou a poesia como manual de entendimento da razão.

ARTUR DO CRUZEIRO SEIXAS
Obra poética-I
[Organização de Isabel Meyrelles]
Porto Editora, Junho de 2020

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Debaixo de fogo


Rui Rio deixou-se levar pela conversa de um pantomineiro reles. Tudo diz e desdiz para contentar parceiros incautos, o pantomineiro.

Agora já não é pela revisão da Constituição, nem pela redução de deputados, nem, nem, nem... Afinal é a favor de quê e de quem, o palerma? Provavelmente concordam apenas em cortar apoios sociais, os palermas. O cerco ao circo está montado. A direita que pensa não se quer chegar ao Chega!. Ainda há direita que pensa e rejeita ofensas à democracia e à decência política. Andam em polvorosa. Rio está isolado. Ainda bem.

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terça-feira, 10 de novembro de 2020

Os amigos e as ocasiões


O problema não está nas comparações. Aquilo a que se chamou geringonça foi um acordo entre partidos e pessoas que respeitam as regras da democracia e as instituições democráticas.

O grupo que Ventura dirige é contra a Constituição e apregoa mesmo o fim do regime democrático, propondo um estado autocrático e sem apoios sociais. Agora, nos Açores, Rui Rio alinhou nestas demandas. Legitimou, portanto, o partido de Ventura como aliança possível para todas as geringonças ou caranguejolas. O problema é político. É uma grave e reprovável atitude política. Ventura e os fascistas que o seguem não são gente respeitável. Não se toma nem um cafezinho com gente desta. Gente desta rejeita-se, sempre. E combate-se.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Cruzeiro Seixas


Morreu o poeta e artista visual Artur do Cruzeiro Seixas.

A homenagem que lhe vamos prestar em Setúbal será agora um acordo com a memória. Iremos relembrá-lo através das fotografias de João Francisco Vilhena, na Casa Da Cultura | Setúbal e na Casa da Avenida. As exposições abrem no dia 5 de dezembro, sábado, dois dias depois da data em que completaria os 100 anos. O trabalho singular deste singular artista vai ficar para a história do surrealismo na poesia e na pintura. Muito obrigado, senhor Cruzeiro Seixas.

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domingo, 8 de novembro de 2020

Da proximidade e do amor


O filme tem título filosófico: Amor Fati. E fala da expressão dos afectos, da comparação física e psicológica que traz a proximidade, do amor.

É a realidade que vivemos que anda por ali. Estreia na próxima quinta-feira num cinema perto de nós. Lugar seguro para estar, como nos garante a realizadora, Cláudia Varejão, em conversa com Sandra Sousa, que é a jornalista televisiva que melhor sabe perguntar, digo eu. A Cláudia deu uma entrevista a Sandra na Página 2, logo a seguir ao Jornal 2. Foi ontem, e eu fiquei ali parado a perceber o quanto ainda vale a pena ver e ouvir pessoas a conversar em televisão. Claro que agora estou mortinho por ir ver o filme. Vai estar no Cinema IDEAL, é claro.

http://www.terratreme.pt/projects/amor-fati

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sábado, 7 de novembro de 2020

Regresso a alguma decência


Não, não é a vitória de Biden que me alegra nesta tarde chuvosa. É a derrota de Trump que me enche de alegria.

É mais a derrota de Trump que me enche as medidas. A política é mesmo assim. Há pequenas vitórias que parecem grandes conquistas. A direita está a ficar excessivamente chungosa. Confinada a uma indigência intelectual sem trambelho. Trumps, Bolsonaros, Venturas, Rios e outros manhosos têm de ser combatidos. É preciso combater esta alarvidade. O mundo pode melhorar. Amanhã vai ser outro dia. Melhor.

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Design de comunicação

 Da série Grandes Capas.

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História da vida privada




Não se percebe a razão de Trump não querer regressar à sua formidável casa, adornada de lindos adereços decorativos e sem livros, que só fazem mal à cabeça.

Era tão bom que fosse pelo seu pé, sem a necessidade de as autoridades americanas terem de recorrer aos enfermeiros.

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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Cá como lá

O partido fascista de Ventura fez acordo com os fascistas do PPD/PSD dos Açores. Os fascistas nunca saíram do PPD/PSD.

Tudo isto faz sentido: Rui Rio diz que não houve fascismo em Portugal. Logo deve achar que o partido fascista de Ventura não é fascista. Ventura foi do seu partido desde há um bocadinho. Ou então acha que é mas isso agora não tem importância nenhuma. Esta gente não tem importância nenhuma, excepto quando se une e chateia. Com a saída de Trump do estrelato político - esperemos que fique para sempre confinado ao estrelato socialite, condição de que nunca deveria ter saído - pode ser que algo mude. Com esta união nos Açores muito pode mudar. Agora os eleitores açorianos do PPD/PSD sabem ao que vão quando votam na indiferença face ao fascismo.

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quinta-feira, 5 de novembro de 2020

A complicação da simplicidade


O monte de esterco que se classifica como o melhor presidente de sempre, e o mentor do "formidável" e de "coisas nunca vistas", está a instalar no país uma corrente de ódio nunca vista, de facto.

Tudo pode acontecer, quando a imbecilidade convencida se instala e exerce poder. A Casa Branca já conheceu inquilinos disparatados, mas com Trump a mentira e a falta de carácter atingem o ponto máximo. A delinquência mais primária chegou ao topo. A estupidez domina metade daquele lugar mal frequentado. Como é possível tão impressionante troglodita não ser humilhado nas urnas? Como?

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terça-feira, 3 de novembro de 2020

O princípio do fim


Desejo? Convicção? Vontade de o ver pelas costas. Só isso.

Trump ameaça, mente, ofende e atropela a decência. Isto tem de acabar. Diz-se que o que é bom acaba depressa. E o que é mau, acaba como? Acaba quando fede. Enjoa. Quando é a decência que está em causa, urge acabar com a indigência política. O dislate, a ofensa gratuita e a mentira alimentam o ódio. Um louco não pode ser presidente nem de uma colectividade de bairro. Trump tem de ir para casa. Para a aquela casa pirosa ao gosto de imperador romano fora do seu tempo. Vá para casa, pela sombra, e não volte.

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Design de Comunicação


Da série Grandes Capas. 

Esclarecimento: esta capa não é uma edição da TIME, como é evidente. É uma ironia a partir do título da revista. Mas parece-me uma ironia conseguida. Daí a divulgação. Peço desculpa por qualquer coisinha.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Novo normal


Medidas de segurança escrupulosamente cumpridas, eis que regressamos ao novo normal.

Boa semana para todos.

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domingo, 1 de novembro de 2020

Jornal da Casa


JORNAL DA CASA DA AVENIDA | NOVEMBRO 2020 |
Distribuído na galeria e no café.

Adianta-se já a informação das iniciativas de dezembro, como a homenagem a Cruzeiro Seixas que irá acontecer em Setúbal, e também se dá conta da Comunidade de Leitores com projecto concebido e coordenado por João Paulo Cotrim. Os ateliês da Festa da Ilustração - Setúbal continuam também em grande ritmo, assim como a exposição do João (de Azevedo), que ainda poderá ser visitada até ao fim de novembro. Bem vindos.

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sábado, 31 de outubro de 2020

Sean Connery


Cabia nos papéis todos.

Fazia de aristocrata, justiceiro ou reles bandido com a sabedoria dos grandes actores. Foi um grande actor. E um grande senhor.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Do terror


A pandemia não é o único mal do tempo que vivemos. Vivemos em perigo, rodeados de criminosos de várias espécies, credos e procedências.

A solução, a existir, está na nossa atitude. Temos que estar atentos a vírus invisíveis e a energúmenos convencidos de que o mundo é deles e que o seu deus é soberano. É a soberania do terror. Combate-se com a inteligência e com a exigência de vivermos em liberdade. Quem vive para matar não merece o nosso respeito.

Fonte Público

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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

O mundo às avessas


Chamam ao disparate liberdade. Parece que de repente tudo ficou ao contrário.

Estes idiotas manifestam-se contra a nossa liberdade. Querem apenas a liberdade de viverem a sua condição de pobres imbecis, contra a possibilidade real de continuarmos vivos e saudáveis. Para vivermos em liberdade temos que estar vivos, seus cretinos.

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terça-feira, 27 de outubro de 2020

Até à derrota final


Trump promete fazer porcaria até ao fim. A nomeação de uma inenarrável extremista de direita para um cargo de relevo, revela o pior do seu carácter.

Sendo eleito, a senda continua até à derrota final. Sendo derrotado, quem vier a seguir tem muito trabalho pela frente para recuperar o que ainda não está perdido. Perdido, sim, porque há muito do que foi conquistado que está irremediavelmente perdido. A extrema-direita no poder faz mal à saúde e provoca cegueira ideológica. Está nos livros. 

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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O ensino da Ilustração


VAMOS CONVERSAR SOBRE O ENSINO DA ILUSTRAÇÃO | José Manuel Saraiva, ilustrador e coordenador da Pós-Graduação em Ilustração e Animação Digital da ESAD, vai conversar sobre o Ensino da Ilustração, no próximo sábado, dia 24, pelas 17 horas, na galeria da Casa da Avenida. A lotação é limitada, mas a conversa é do máximo interesse. Apareçam.

Todos os dias

 
ABERTO TODOS OS DIAS | Visite a
Festa da Ilustração - Setúbal e passe pelo
Café da Casa 
da Avenida. Agora estamos abertos todos os dias. Até já.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

É uma doença que mata muita gente, estúpido!


Trump está farto de Fauci e de ouvir falar em Covid 19. Parece que estes empecilhos não sabem falar de outra coisa, num tempo em que ele fez tudo o que de mais maravilhoso foi feito lá na terra.

Trump enfurece-se com tudo e todos. Quem repara e denuncia o seu ego desmesurado leva logo com o cognome de imbecil. Seja Fauci, a CNN ou outra voz razoável. Numa altura em que morre gente a toda a hora, o infelizmente presidente desvaloriza a doença. Um verdadeiro egocêntrico enlouquecido que não olha a meios para atingir os seus intentos. Um imbecil.

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terça-feira, 20 de outubro de 2020

Design de comunicação


Da série Grandes Primeiras Páginas. Quando o terror é notícia.

Profissão: designer



Morreu Enzo Mari. Designer. Conhecedor profundo da existência humana. Entendia o design como maneira maior de tornar a vida das pessoas melhor.

Homem de esquerda, rejeitava o ornamento fútil e a sujeição ao marketing. Era um grande homem de cultura. Um esteta culto e genial. Foi bom vivermos no seu tempo. Muito obrigado, mestre Mari.


 

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

The End, como nas fitas


A campanha eleitoral nos EUA chafurda na lama. Quem enfrenta Trump luta com um porco. Lá diz o ditado: o porco gosta e tu ficas enlameado.

O resultado é uma grande porcaria. Trump continua a ameaçar não reconhecer os resultados se perder. Alguns seus pares do partido já se demarcaram da boçalidade. Mas o infelizmente presidente não arrepia caminho: insinua, baralha, mente, espalha a discórdia e a ameaça. Ele é assim mesmo: boçal e sem trambelho. Um louco ocupou a Casa Branca. Estas eleições são importantes para o mundo. A saída da criatura daria algum alento aos movimentos que combatem o racismo e o fascismo. Poderia trazer também algum desalento à campanha do palerma fascistóide portugês candidato a Belém. Biden não é um grande candidato, mas Trump é excessivamente mau. Espero fazer um cartaz daqui por uns dias com uma imagem do maluco de costas, a sair dali para fora, com uma inscrição tipográfica com os dizeres: THE END, como nos filmes americanos. Espero.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

A hora dos Bandidos



Osmani Simanca é o ilustrador estrangeiro convidado da
Festa da Ilustração - Setúbal
2020. O texto que se segue é a minha opinião sobre o seu trabalho. Está publicado no jornal da Festa, disponível em todos os espaços expositivos. Diz assim:

A década de setenta do século vinte foi decisiva. Havia uma sensação de evolução. Direitos com deveres. Fim de descriminações. Combate vigilante ao regresso do autoritarismo. Temos Canções, filmes, livros e performances visuais que documentam o debate e o avanço civilizacional. Nada parecia conquistado, mas o retorno às velhas políticas parecia impossível. Mais recentemente, um presidente de origem africana é eleito nos EUA. No Brasil, Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva inscreveram o país no mapa do mundo que avança. Tudo parecia estar a correr bem. De repente tudo muda. Um mundo incrédulo acorda um dia com Trump presidente do país mais influente. No Brasil foi o que foi. E está a ser. Pelo mundo anda uma onda de “correcção” assustadora. Steve Bannon, o fascista que delineou a estratégia de Trump, percorreu o mundo em apoio às mais sinistras políticas. Até Portugal, país que se orgulhava de não ter extrema-direita no parlamento, já experimenta a ousadia fascista. Percebemos então que as más políticas ficaram entranhadas nos políticos que sempre percorreram o tapete principal da política. Não podemos desistir. Temos mesmo que insistir. É que as ideias velhas estão a querer passar por novas. O combate às ideias velhas faz-se todos os dias. Osmani Simanca é um soldado nesta guerra. Vestiu a farda de guerrrilheiro/ilustrador, empunhou o bico-de-pena como arma, põs as tintas de colorir no burnal, e aí vem ele, armado de talento e coragem. O seu trabalho tem repercussão mundial. O mundo precisa de pessoas assim, que vêm nas pessoas e na subtração dos seus direitos e anulação de vontades, motivo para o combate. A imaginação é em Simanca um mapa esclarecedor. Denuncia os trilhos dos candidatos a ditadores. Ridiculariza-os com sucesso. Ficam rídiculos. Mas alerta para os males que provocam. Existe muita maldade na vontade política de muitos dos dirigentes actuais. Precisamos de gente como Osmani Simanca para percebermos melhor, com humor e inteligência, essas vontades “superiores” que tanto nos agridem. Os desenhos de Simanca são ferroadas nas canelas dessa gente sem livros, sem ideias, sem preocupações sociais, sem trambelho. Mas ele sabe que estes empecilhos fazem mossa. Não matam, mas moem. Perdão, não matam? O que é que eu estou para aqui a dizer? Pois é, tenho de ir ali rever os desenhos de Osmani Simanca. Ele sempre disse que Bolsonaro não passava de um bandido. Agora já todos o sabemos, mas ainda há quem não acredite. Bandidos tomam conta do mundo. Resistir é indispensável.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Memorizar o futuro






O Museu de Setúbal está instalado num antigo convento. Foi agora reaberto com justificada pompa. É o monumento mais digno dessa designação na cidade. Tenho deste lugar mágico as melhores recordações. Passei lá bons momentos da minha juventude. 

Ali assisti — nos claustros — a invulgares representações teatrais. Recordo A Barraca, com D. João VI, em que Mário Viegas, Maria do Céu Guerra e Orlando Costa mostraram talento e Helder Costa experimentou adaptar o ambiente monumental à encenação e cenografia com excelente resultado final. Representação incluída no Festival de Teatro de Setúbal. O teatro era inquilino frequente dos claustros. O saudoso festival, concebido por Carlos César, mostrava no estrado as melhores companhias. Tão bom teatro testemunharam aquelas pedras. O verão em Setúbal era teatro e cinema de excepção. Depois do teatro, chegavam as fitas. Literal: as bobines eram levantadas na estação rodoviária pouco antes de passaram na máquina. Era no mês seguinte, e era a única maneira na altura de vermos filmes pouco divulgados nas salas. Qualidade, rigor na escolha. Era Pompeu José que liderava. Eu dava uma ajuda na imagem e no grafismo. Graficamente participei em muitos outros trabalhos para a galeria.

Também a música adicionou histórias à História do Convento de Jesus. Fausto, Sérgio Godinho, José Afonso e muitos outros deram ali concertos memoráveis. José Afonso referia mesmo esse concerto como um dos seus melhores. Recentemente foram reveladas fotografias inéditas do espectáculo, no roteiro publicado sobre a passagem do músico pela cidade. Foi Maurício Abreu o jovem e entusiasmado fotógrafo. Pessoalmente, sinto-me ligado a este convento desde que passou a espaço de animação na cidade. Organizei exposições na galeria de exposições temporárias. Reencaminho para aqui um texto que fiz em tempos sobre a exposição de Rogério Ribeiro: Foi meu professor. Foi meu amigo. No início dos anos oitenta do século passado, fez uma grande exposição de pintura na galeria de exposições temporárias do Museu. Ajudei-o a escolher as obras. De vez em quando perguntava-me: achas que este pode interessar às pessoas de Setúbal? Dizia isto com sinceridade. Sem falsas modéstias. Não queria desiludir. Desenhei graficamente o catálogo. Um dia fui lá com o José Afonso, que ficou impressionado com a mostra. Apresentei-os. Ficaram amigos. Quando terminou a exposição ofereceu-me dois desenhos que tenho ali emoldurados. Tão boa, a exposição do Rogério. Também fiz na Galeria de exposições temporárias uma instalação visual (em colaboração com Fátima Rolo Duarte e Luís Filipe Cunha) para o lançamento de O Teodolito, de Luiz Pacheco. Trabalho de grande subversão e loucura momentânea. Uma loucura, pois.

O monumento onde se aloja o Museu de Setúbal/Convento de Jesus foi agora recuperado. Esteve anos a fio em lume brando. Tudo começou há muito, muito tempo. Anteriores executivos tudo fizeram para que as coisas avançassem. O actual executivo camarário acabou por ficar com a batata quente na mão. Também tudo tentou e agora resolveu. Trabalho autárquico de gabarito que nos provoca uma interrogação: Se aqui foi assim, o que aconteceu então com outras desgraças que povoam a cidade? Já lá vamos. João Luís Carrilho da Graça encarregou-se de desenhar o futuro do espaço. Trabalho excelente. Tive a oportunidade de ali entrar em Maio do ano passado. Confesso que senti emoção ao olhar os interiores das salas e os arranjos dos tectos. Soluções estruturais surpreendentes.Os arranjos exteriores são assinados por João Gomes da Silva, homem da paisagem que soube colocar as ervinhas alinhadas em harmonia com o espaço envolvente. Percebe-se que os tempos memoráveis dos bons tempos dos claustros não voltarão. Tudo tem um tempo. Tudo tem preceito. Mas a vida que se adivinha promete o melhor, percebendo a fantástica equipa de trabalho que ali mora. Não tirem os olhos deste lugar.

O entusiasmo que esta intervenção me causou leva-me a perguntar: como é que um executivo camarário que aprova um projecto como este e como o da extraordinária recuperação do antigo quartel do 11, da autoria da arquitecta Teresa Nunes da Ponte, aprova outras frustes "recuperações" que escurecem a cidade? Não sou um observador feliz desses lugares de envergonhamento, onde impera um delirante mau-gosto visual inebriado de uma evidente indocumentação exclusora dos princípios fundadores da arquitectura e do design. Aplicações hediondas eivadas da mais profunda ignorância. Profundo desconhecimento da eficácia da cor. Profundo desconhecimento de design de equipamento e de produto. Os edifícios perpetrados por esta atitude obtusa ficam confinados e tristes, remetidos para uma existência que não merecem, numa terra onde não abundam grandes exemplos da excelência arquitectónica. A cidade fica confinada e triste, arrastada por esta onda de incompetência visual e gosto duvidoso. Pratica-se aqui o anti-design e o desprezo pela arquitectura. A desnecessária "recuperação" da Casa da Cultura, onde participo como colaborador, é um desastre. A cor recentemente usada no exterior é triste e reduziu o edifício a um vulgar casinhoto. A tipografia que sinaliza e designa o lugar, aplicada na referida parede, marimba-se na imagem que o meu ateliê concebeu e que é utilizada todos os dias na divulgação da excelente programação da Casa. É triste, isto. E isto dito, renovo a pergunta: como é que isto acontece? Será que agora, com a reabertura do Museu da cidade ao público, a preocupação com o rigor estético vai regressar ao terreno? Acredito que sim. Acredito que o actual executivo camarário vai terminar o mandato com a cara limpa, perdão, com a cidade limpa e alegre, como merece uma cidade solar como Setúbal. Acredito mesmo. Esta penúria visual não pode durar sempre. Isto vai ser corrigido. O que está mal é sempre corrigido. Não tenho dúvidas disso.

Parabéns pois a João Luís Carrilho da Graça e à sua equipa. Parabéns ao executivo municipal, pela decisão política e pela preclara decisão que aprovou tão competente projecto arquitectónico. Quanto ao resto, vejam lá isso. Nem todos temos que nos render a gostos pessoais de duvidosa expressão e à esdrúxula ignorância dos inenarráveis decoradores convocados.

Muito obrigado. Muito obrigado mesmo.

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Casa de Cultura


Estamos com a 
Festa da Ilustração - Setúbal, a grande festa da ilustração e dos ilustradores. 

Agora encerramos à segunda-feira, dia em que todas as galerias estão encerradas. O domingo é também um bom dia para visitar a Festa e vir ao Café da Casa. Até amanhã.

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domingo, 11 de outubro de 2020

Mapa crítico




Há quem associe a crítica a mau feitio. Coisa de velhos do Restelo ressabiados que só dizem mal de tudo o que mexe. De maneira que, quando aparece um meio de comunicação em que a crítica é exibida como combustível fundamental da democracia, a nossa inteligência ilumina-se e aguarda o próximo exemplar.

Foi o que me aconteceu quando dei por este MAPA. É um jornal que comunica (como deve fazer um jornal), mas com ideias, opiniões, rigor na análise e crítica embrulhada em bom ambiente tipográfico, ao invés dos jornais que preferem grafismo de folheto de supermercado ou de boletim de paróquia. Este excelente meio de comunicação é editado por uma associação — Mapa Crítico —, dirigida por Guilherme Luz, e distribui responsabilidades por Ana Guerra (Editora), Frederico Lobo (subdiretor), Inês Oliveira Santos (direcção adjunta).

A ilustração também é aqui tratada como forma adulta de comunicar. Esta edição tem ilustrações de
Gonçalo Duarte
(capa) e Ana Farias (páginas 35, 36, 37).
Vai no número 28. A periodicidade é trimestral. Custa 1,5 €.
Comprei este exemplar na
Culsete
.
Recomendo procura.
Bom domingo.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Vida de João de Azevedo

Vamos conversar com o escritor Fernando Cabral Martins e com a editora sobre a vida e obra de João de Azevedo, na próxima sexta-feira, dia 9, às 22 horas.

Quem quiser pode jantar connosco, às 20 horas, no café. Marcação pelo telefone: 265 237 054 ou pelo endereço electrónico casadaavenidacafe@gmail.com
Exposição integrada na
Festa da Ilustração - Setúbal
.
Conviver é fundamental. Mesmo com as devidas distâncias a que estamos sujeitos. Marquem. Apareçam.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020


Claro que não existe o risco de voltarmos atrás. Já basta o que basta.

Mas é de bom tom recordarmos o que de bom ainda foi acontecendo neste rectângulo onde até idiotas encartados foram coroados. Democracia com república é sempre melhor. República, sempre.
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domingo, 4 de outubro de 2020

Temos Festa





A Festa da Ilustração - Setúbal abriu e continuará a brilhar durante todo o mês de outubro, com prolongamento até ao fim do ano.

As aberturas foram bonitas e esclarecedoras. A Feira da Festa é uma excelente oportunidade de trazermos para casa os melhores produtos de comunicação e imagem. Todas as exposições têm um apontamento de homenagem a Quino. São dias de festa, estes dias. Consultem o convite anexo. Até já.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

QUINO

Quem não sabe ler vê os bonecos, dizia-se.

Quem vê os desenhos de Quino lê mesmo sem saber ler. A Mafalda educou-me. Menina lúcida e informada que lança assertividade em cada quadradinho. Quino é um grande senhor da cultura mundial. Foi bom vivermos no seu tempo. Muito obrigado, amigo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Desenhos em festa



A Festa da Ilustração - Setúbal abre no próximo sábado.

As exposições estão em fase de montagem. Antecipamos visualizações das excelentes mostras de André da Loba, Osmani Simanca e João de Azevedo. Vale sempre a pena sermos surpreendidos pela excelência artística. Até já.