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sábado, 4 de abril de 2026

Elogio do Vinho


Gosto de vinho. Gosto de ler sobre vinho. Gosto do gosto do vinho. Sempre associei o vinho a outros conhecimentos. A ligação das cepas aos seus terrenos, ao ambiente, às tradições que envolvem os trabalhos vitivinícolas. 

 
Tive bons mestres. Percebi as escolhas de José Quitério nos seus imperdíveis textos no Expresso. Mais tarde conheci David Lopes Ramos, que me ajudou em algumas escolhas e com quem tive saborosos almoços gastronómicos e coloquiais. Fui muitas vezes com o António Mega Ferreira ao Isaura, na rua de Paris, onde o dono era escanção. Aprendi lá muito. O Mega Ferreira chegou a ter uma crónica no Independente sobre restaurantes, onde associava a prosa gastronómica a livros e outros objetos culturais, onde o vinho era tratado como produto de cultura. Habituei-me a gostar de vinho sem os tropeções provocados pelo excesso alcoólico. Fiz o meu caminho. Vou bebendo e aprendendo. Aprende-se sempre. Não acho graça nenhuma à associação que se faz do vinho a cantores manhosos, por exemplo. Será que a ignorância cultural pode ser associada a um bom vinho? Cada um sabe de si. Eu não creio, mas não confirmo nem desminto. De qualquer maneira: afastem de mim esse cálice.
 
Abordo aqui este assunto por causa da crónica de Pedro Garcias no Público — Fugas — de Hoje. O Público é para mim uma academia de topo de frequência diária. Estão lá instalados os melhores cronistas que a pátria alberga. Claro que muitos já foram aqui mencionados. Alguns são até meus amigos. Não conheço Pedro Garcias pessoalmente, mas já é muito cá de casa. Aparece por aqui todas as semanas. Os sábados são dia de Fugas no jornal. As crónicas ELOGIO DO VINHO servem o precioso líquido como ele deve ser servido: envolto em ambiente exigente, com cultura, gosto e abordagem social. Hoje, o cronista resolveu falar de algo que o impressionou: a peça CATARINA E A BELEZA DE MATAR FASCISTAS. O autor arranja sempre maneira de abordar situações que vão para lá das vinhas e dos trabalhos vinhateiros. Isto anda tudo ligado. A opinião sobre o trabalho de Tiago Rodrigues escorreu para as páginas do jornal em letra de forma e de forma notável. Termina com uma sugestão ao ministro da Educação: "A peça devia ser exibida em todo o país e em todas as escolas do ensino secundário e superior. Se o ministro da Educação quiser fazer alguma coisa pela educação cívica e a democracia, já sabe". 
 
A leitura do texto de Pedro Garcias deve ser acompanhada por um bom vinho. Pode ser um alentejano, em homenagem a Catarina. Ler Pedro Garcias é um gosto. Celebremos a inteligência e a sofisticação engarrafada. À nossa.
 
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Com Catarina

Para a apresentação da minha condição de mandatário distrital da candidatura de Catarina Martins à Presidência da República, escolhemos o ambiente da Casa da Cerca, em Almada. Visitámos as excelentes exposições em exibição — Beatriz Manteigas, Jessica Warboys, Catarina Marques Domingues, João Pimenta Gomes — que tornaram a nossa manhã um agradável e reflexivo momento de fruição cultural. 
 
A Casa da Cerca, em outros tempos local de lazer de gente endinheirada, é desde finais dos anos oitenta do século passado propriedade do Município de Almada. Foi Rogério Ribeiro que desenvolveu o conceito de centro de arte contemporânea. Artistas de prestígio firmado foram por ele convidados para mostrarem os seus trabalhos neste sítio fantástico, em exposições de competente design expositivo. Hoje expõem lá na casa artistas que experimentam áreas variadas de expressão. Falámos disso tudo nesta visita, onde a localização e a arquitectura são também de extrema relevância.
 
Catarina Martins elogiou o conceito e a sua aplicação, falou da falta de debate sobre cultura nos encontros entre candidatos, e revelou ideias sobre a necessidade de se debater a relação da cultura com a política, em tempos em que são desprezadas por uma classe política indocumentada e com orgulho nessa atitude. Lembrei-me do meu amigo António Mega Ferreira que considerava a política uma extenção da cultura. O apreço ou, pelo contrário, o desprezo de certos políticos pela cultura, são sempre atitude política. Para a esquerda, a cultura, a arte, são muito importantes porque interrogam e formam consciências. Para uma certa direita (a chamada clássica) é vistoso ornamento de luxo. Para a extrema-direita é artigo dispensável. Umas e outras são atitudes políticas. 
 
Catarina Martins é uma mulher de cultura que sente a importância dos projetos culturais neste tempo de entretenimento ligeiro. A nossa esquerda é culta, cosmopolita e progressista. É política.
 


Fotografias de Fernando Pinho
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segunda-feira, 14 de julho de 2025

O Jornal de Letras

Parece que o JL vai acabar. Como frequente consumidor de informação escrita, tive no SE7E e no JL os meus primeiros entusiasmos. Até ali não havia imprensa com preocupações culturais a sério. Comprei os primeiros exemplares do JL e guardei-os até hoje. As primeiras páginas eram magníficas — as imagens junto não me deixam mentir — porque eram "resolvidas" pelo mestre João Abel Manta, que estendia a colaboração pelo interior. Foi um dos jornais mais incríveis graficamente. Lembro-me de muita coisa que percebi ali pela primeira vez. 

 Também me lembro do período posterior em que António Mega Ferreira foi chefe de redação. O grande rigor estético manteve-se. Foram convocados novos artistas, foram reforçadas colaborações. Lembro-me da iniciativa "novos-novos" que dava visibilidade aos artistas emergentes. Muitos "nasceram" ali. E, claro, destaca-se o heroísmo de José Carlos de Vasconcelos, diretor desde a primeira hora, e que conseguiu manter o empreendimento até não poder mais. 
 
Toda a imprensa escrita está em crise. Os suplementos culturais vão sendo banidos dos jornais. O Público ainda vai aguentando o Ypsilon e tem páginas culturais no seu miolo. Mas parece que escrever e ler está fora de moda. Será que esta moda, como todas as modas, vai passar um dia? A ver vamos, lá dizia o cego..
Parabéns, José Carlos de Vasconcelos. Muito obrigado, jornalistas e colaboradores do JL. A Cultura vencerá.
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quinta-feira, 6 de junho de 2024

Há música e literatura nos Capuchos

O Festival de Música dos Capuchos é uma ideia de José Adelino Tacanho, que o programou e organizou até à sua morte prematura. Sempre que frequento um dos concertos desta iniciativa lembro-me dele: da sua energia contagiante, da vontade de fazer e de dar a conhecer. José Adelino Tacanho foi um ser singular que ficará ligado ao festival enquanto o Festival durar. 

A fotografia que junto a este palavreado mostra José Adelino Tacanho na apresentação da 14ª edição do Festival, em 1994. Entre outros participantes figura Michael Nyman. Assisti pela primeira vez a um concerto de Nyman neste "Capuchos". Surpresa e espanto.

Este ano é homenageado António Mega Ferreira. Merecido. Para além de melómano era um entusiasta deste acontecimento. Para a homenagem foi produzido um pequeno livrinho que inclui textos dele escolhidos por amigos. Tive o grato privilégio de participar concebendo graficamente o objecto. Perdoem-me esta nota tão pessoal, mas é que tive o prazer de conviver com José Adelino Tacanho e com António Mega Ferreira. Agora recordo-os com a saudade a reavivar-me a memória. É bom conviver com seres humanos com energia criativa e vontade de a partilhar. Muito obrigado aos dois, é o que me apetece dizer. A nossa vida não seria a mesma se certos encontros não se tivessem dado. 

O que está por lá a acontecer pode ser percebido aqui: https://festivalcapuchos.com/category/sobre/concertos/

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terça-feira, 12 de março de 2024

AS VIDAS DA NOSSA VIDA | Faço anos hoje, dia 12. O meu amigo João Paulo Cotrim completaria mais um ano de vida amanhã, dia 13. E o meu amigo António Mega Ferreira faria 75 anos lá mais para o fim do mês, no dia 25. Nascemos os três em março.

Eu ainda aqui estou, eles já cá não estão. Não sei viver sem amigos. Recordo-os porque tenho saudades deles. Eles estarão na nossa memória enquanto nós por aqui andarmos. Foi bom vivermos no mesmo tempo e no mesmo espaço durante o tempo que nos foi possível.
Felizmente muitos ainda estamos vivos. Estamos alguns aqui nos retratos. Há muitos mais retratos com outros amigos. E há amigos que não têm retratos comigo. É sempre bom ter gente amiga por perto. Temos saudades dos que já não estão entre nós. Nada será como dantes. Mas a vida continua. Até já.

Na primeira fotografia está o José Sarmento Matos, também já desaparecido, eu, o António Mega e o Fernando Luís Sampaio, que está vivo e recomenda-se.
Na segunda fotografia estou eu, o António Araújo, o João Paulo e o Bruno Portela. O António Araújo e o Bruno também estão por aí e não param de surpreender. 
Na terceira fotografia, para além de mim e do João Paulo está o João Silva e o Jorge Silva. 

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segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

A saudade não se esvai

Foi nesta altura do ano que os meus amigos João Paulo Cotrim e António Mega Ferreira deixaram de estar connosco. Respectivamente em 2021 e em 2022. A saudade não se esvai. Nem vou falar disso agora. O poema de Herberto Helder diz tudo. 

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Receituário

O ESTADO A QUE AQUILO CHEGOU | Muitas vezes, quando hoje nos queixamos do estado em que as coisas estão, esquecemo-nos de que já foram muito piores e sem direito a reclamação. Albérico Afonso Costa conta-nos o que se passou, aqui neste pedaço de terreno à beira-mar instalado, nos tempos do fascismo de Salazar e Caetano, esses dois grandes estadistas que só deixavam governar-se aqueles que deles dependiam. Ou seja, aqueles a quem Miguel Esteves Cardoso, em texto carregado de humor e verdade, classificou de lambe-cus.
O lançamento deste novo livro cá da casa é na próxima quinta-feira, na Biblioteca Municipal de Setúbal, às nove da noite. Apareçam.
A Estuário tem o privilégio de publicar grande parte de trabalho de investigação histórica sobre Setúbal e arredores. Gente da História e da curiosidade histórica como Luísa Tiago de Oliveira, Diogo Ferreira, Albérico Afonso Costa, António Cunha Bento, Inês Gato de Pinho, Maria João Pereira Coutinho, João Pedro Santos, Jaime Pinho, Alberto Alves, Madureira Lopes, Alberto Pereira e Eduardo Silva têm volumes colocados nestas estantes. Mas também outros autores, de outras áreas da escrita, por aqui têm passado: Luiz Pacheco, Miguel de Castro, David Mourão-Ferreira, António Mega Ferreira, António Carlos Chaínho, Eufrázio Filipe, Jorge Molder, Margarida Rios, José Bandarra, Manel Bola, entre outros, escreveram contos, poemas, introduções e outros sermões de elevada elegância e assertividade.
Estamos em balanço. Em tempo de mudança. Vamos editar e reeditar mais. O que for soará. Até já.

segunda-feira, 22 de maio de 2023

EXPO'98

EXPO'98, 25 ANOS DEPOIS | As coisas começaram antes, muito antes, andámos numa roda viva. Foi um cansaço e um divertimento. Um cagaço também. "Então, isto faz-se?", perguntavam as pessoas na rua. Com razão, a coisa parecia que não andava. Mas andou. Andou, fez-se e fez história. Aquela zona ficou frequentável. Foi muito bom trabalhar ali. 

Recordo António Mega Ferreira, o homem que desenvolveu a ideia, nesta segunda-feira, dia 22, data em que abriu a Expo' 98 há 25 anos. Agora, em Lisboa, vai ser homenageado por amigos. Nome de rua, doação da sua biblioteca à cidade e espectáculo no Teatro Camões. Hoje vamos agradecer-lhe desta singela maneira. Mas vamos recordá-lo sempre.

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sexta-feira, 24 de março de 2023

António Mega Ferreira


Completaria neste sábado, 25 de março, 74 anos. O seu reconhecimento pelo conhecimento mergulhava-o numa profunda curiosidade intelectual. Queria conhecer tudo. E inventava conhecimento. Imaginou que Casanova teria passado por Lisboa, e essa história imaginada permitiu que mergulhasse profundamente na geografia italiana. Escreveu livros sobre Itália. Roma era a sua cidade depois de Lisboa. Mas era sobretudo um lisboeta apaixonado pela sua cidade. Considerava a política um departamento da cultura, e ignorava os políticos que a desprezam. Infelizmente são muitos, os maus políticos. Foi um ser humano excepcional, goste-se ou não se goste dele. Eu gostava muito dele. 

quarta-feira, 8 de março de 2023

Les mots



As palavras armazenam-se como torrões maduros
São flexíveis à memória são marinheiros em terra
Acontece dizer: levantem-se e caminhem
Mas quem somos e que hábito envergamos?
As palavras entontecem
Quando dispersas levantam rumos vários
José Afonso

AS PALAVRAS | Parto de um poema de José Afonso para esta experiência fora de portas. Sair da zona de conforto para encontrar outro conforto. O que vou fazer em Montpellier instala-se no território da instalação — adoro pleonasmos — e convoca outras disciplinas da comunicação visual. Não sei o que lhe chamar. A Ana Nogueira, que explica a coisa pelas palavras a colocar na publicação que vai acompanhar a viagem, irá dizer de sua justiça. O Tito Lívio, que prepara o terreno lá na zona, também. E vocês, os meus amigos que vão acompanhar tudo por perto ou à distância, vão também fazer o vosso julgamento. Eu limito-me a trabalhar. Todo este trabalho tem referências, que são literárias e literais: cinco amigos, recentemente retirados do nosso convívio, são referenciados: José Afonso, João Paulo Cotrim, Fernando Sobral, Jorge Silva Melo e António Mega Ferreira. Devo-lhes muito, quase tudo, e eles merecem tudo. É para eles este trabalho, que é uma carga de
 trabalhos, mas que me vai dar muito prazer. Ou quase. Até já.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Graça e Mega

Guardo como um tesouro o livro Linhas da Terra, que António Mega Ferreira escreveu em 1985 a convite de Vasco Graça Moura, o primeiro livro dedicado à minha pintura – o início de um grande reconhecimento da minha obra.

Também recordo com saudades os encontros de Sines em 2005, que deram origem ao maravilhoso livro Os Olhos Azuis do Mar. Preservo na minha memória com afecto e gratidão, o privilégio de conhecer um homem ímpar que enriqueceu intelectualmente e artisticamente este país.  

Imagino-o a conversar com Dante, Camus, Proust, com todos os grandes escritores, pensadores, filósofos e artistas, em longas conversas cheias de humor e de curiosidade pelo mundo.

Dedico-lhe esta exposição, recordando as sábias palavras escritas e ditas e louvando uma bonita amizade de quase 40 anos.

Graça Morais


A Pintora Graça Morais convida-a(o) para a inauguração das exposições “Homenagem a António Mega Ferreira - Linhas da Terra/Os Olhos Azuis do Mar” e “Graça Morais. Os Rituais do Silêncio”, a realizar no próximo dia 16 de Fevereiro, pelas 18h00, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Uma história simples



No dia 25 de Março de 2020 publiquei aqui este texto. Enviei-o ao António Mega por correio electrónico. Ele respondeu-me com um simpático e emocionado comentário. 
Faço-o regressar a este convívio hoje, dia em que nos vamos despedir dele.

Imagens: fotografia do João Francisco Vilhena feita no tempo em que António Mega Ferreira dirigia os destinos da Orquestra Metropolitana de Lisboa. E capa do livro Caixas Chinesas, primeiro trabalho dos muitos que fiz com ele, num tempo de amizade que durou trinta e cinco anos.
Quem quiser (e estiver para aí virado) pode ler o texto completo aqui: https://blogoperatorio.blogspot.com/search?q=António+Mega+Ferreira

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

António Mega Ferreira


Morreu António Mega Ferreira. Fim esperado (já estava muito doente), comoção inesperada. Estou sem capacidade para reagir. Sem palavras. A relação de amizade e de trabalho revela-me recordações em cadeia. A fotografia que ilustra este badalar foi feita no Frágil - José Sarmento de Matos, eu, o António Mega e o Fernando Luís Sampaio. Fomos felizes. Divertimo-nos. Mas também trabalhámos muito. O que nós trabalhámos horas a fio. Tudo se misturava - prazer e esforço.
 Devo muito a este homem. Devemos muito a este sonhador, que tornou sonhos em realidade. Muito obrigado, António Mega. Muito obrigado mesmo.

Morre precisamente um ano depois do nosso comum amigo João Paulo Cotrim. Que dia, este.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Livros, livros e mais livros

Hoje comemora-se o livro. O livro como objecto de desejo, companhia e vontade de saber coisas. 
Pela parte que me toca o desejo de possuir um livro é revelado pelo chamamento da capa. Faço capas para livros há muitos anos. Não me lembro de ter feito capas para maus livros. E espero que os autores não tenham ficado desagradados com o meu trabalho. Confesso que já me vi tentado a comprar um livro seduzido pela capa. Também me acontece nos discos de música — A ECM é irresistível. Este estado mental dissipa-se com a entrada em cena da spotify, mas eu mantenho a nostalgia, e às vezes ainda tenho recaídas. Confesso: sou consumidor, ainda frequento as estantes. Voltemos aos livros. Também consumo, e não encontrei alternativa nos suportes ditos muito inteligentes ligados por fios ou por wireless. Mantenho a ligação profissional: concepção de layout, capa, edição e divulgação. A minha vida nesta vida começou com o convite de António Mega Ferreira para vestir livros do Circulo de Leitores. Depois a moda estendeu-se a outras editoras. E a vida continua.
Neste dia mundial do livro é da gente do livro que me lembro. Escritores, editores, revisores, designers, agentes literários, impressores, promotores, livreiros, leitores. Tenho muitos amigos em todas estas actividades. Bons amigos. Os melhores. E tenho saudades do convívio directo com a malta da Snob, da abysmo, da Culsete — editores e livreiros que insistem na independência e na qualidade e surpresa da inovação — e da Casa Da Cultura | Setúbal, e de todos os leitores e animadores culturais que me animam os dias.
Resolvi colocar aqui na montra algumas capas que fiz para livros que gostei muito de ler. Reli agora passagens. Os dois primeiros exemplares aqui retratados esclareceram-me dúvidas neste tempo de bem-estar duvidoso. Os outros reli para esclarecer recordações. Adorei reviver momentos que me fizeram, em outro tempo, avivar sentimentos e atitudes. E não é para isto que vamos às livrarias e temos bibliotecas pessoais?
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sábado, 4 de abril de 2020





MUITO CÁ DE CASA | AUTORES EM CONVÍVIO COM LEITORES
As conversas na Sala José Afonso da Casa da Cultura

Já passaram pela Sala José Afonso os maiores nomes da escrita e das ideias que exercem os ofícios em Portugal. Tivemos até um estrangeiro. A iniciativa dispõe-se a trazer a Setúbal autores que lançaram recentemente livros ou publicaram algo que se notabilizou nas áreas da Literatura, da História, ou da Política. Já são muitas dezenas de nomes maiores da nossa cultura e intervenção cívica.

Afonso CruzJosé Eduardo Agualusa, Ana Zanatti, António Mega Ferreira, Gonçalo M. Tavares, Irene Pimentel, Fernando J. B. Martinho, Hélia Correia, Helder Moura PereiraJosé Nobre, Paulo José Miranda, Mário Zambujal, Ana SendasAntónio CabritaJoão Gobern, Fernando Rosas, Mariana Mortágua, António Oliveira e Castro, Jorge Costa, Alice Brito, Cristina CarvalhoDulce GarciaTeolinda Gersão, Ana Maria Pereirinha, Helena VasconcelosAntónio De Castro CaeiroInês Fonseca SantosAlbérico Afonso Costa AlhoDiogo FerreiraFrancisco BorbaTomas VasquesFrancisco LouçãMamadou Ba, Fernando Dacosta, Henrique Manuel Bento FialhoFernando Luis SampaioSérgio Godinho, Rui Zink, José AnjosLuiz Fagundes DuarteValério RomãoLuís Gouveia Monteiro, António Araújo, Eduardo PittaEduardo Paz FerreiraJoão SantosAna Cristina LeonardoAlfredo BarrosoAna Cristina Silva, Onésimo Teotónio de Almeida, Nuno Domingos, Fátima Ribeiro de MedeirosJoão Paulo Cotrim, José Simões, Viriato Teles, Viriato Soromenho-Marques, Jose Luis Peixoto, Pedro Almeida Vieira, André GagoLuísa Tiago de Oliveira. Almada Contreiras, Manuela Paraíso, Luís Cardoso, Paulo MoreirasLuís OsórioHelena LebreCláudia Marques Santos, Fátima Rolo Duarte, Sérgio Cardeira, Possidonio Cachapa, Luís Afonso, Jorge Silva Melo, Rui Simões, António Costa Santos, Rui Cardoso Martins, Fernando Sobral, Cesário Borga, Sérgio Gonçalves do Cabo, João Madeira, Paula Cortes, Nuno Miguel Guedes, Alex Cortez, Duarte Pereira, Filipe Lopes, Ana Mouta Faria, João Freire, Maria Alexandra Lousada, Jorge Silva, Cristina Sampaio.
O músico e escritor brasileiro Vitor Ramil lançou aqui  livro A Estética do Frio e brindou-nos com uma impressionante performance musical. Um luxo.
A mais recenete convidada Muito Cá de Casa foi Ana Margarida de Carvalho. O Estado de Emergência entretanto decretado ditou o adiamento, mas não a anulação. Em breve estaremos com a escritora ao vivo.

As sessões foram moderadas por António Ganhão, Rosa Azevedo e por mim. São animadas e têm os públicos dos autores, o que as tornam de assistência diversificada. 

Muito cá de casa é a expressão que encontrámos para definir a proximidade dos autores com os seus leitores. A Sala José Afonso é a nossa sala. Até breve.
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