
quarta-feira, 25 de março de 2020

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022
António Mega Ferreira
Morreu António Mega Ferreira. Fim esperado (já estava muito doente), comoção inesperada. Estou sem capacidade para reagir. Sem palavras. A relação de amizade e de trabalho revela-me recordações em cadeia. A fotografia que ilustra este badalar foi feita no Frágil - José Sarmento de Matos, eu, o António Mega e o Fernando Luís Sampaio. Fomos felizes. Divertimo-nos. Mas também trabalhámos muito. O que nós trabalhámos horas a fio. Tudo se misturava - prazer e esforço. Devo muito a este homem. Devemos muito a este sonhador, que tornou sonhos em realidade. Muito obrigado, António Mega. Muito obrigado mesmo.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2022
Uma história simples
No dia 25 de Março de 2020 publiquei aqui este texto. Enviei-o ao António Mega por correio electrónico. Ele respondeu-me com um simpático e emocionado comentário. Faço-o regressar a este convívio hoje, dia em que nos vamos despedir dele.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023
Graça e Mega
Guardo como um tesouro o livro Linhas da Terra, que António Mega Ferreira escreveu em 1985 a convite de Vasco Graça Moura, o primeiro livro dedicado à minha pintura – o início de um grande reconhecimento da minha obra.
Também recordo com saudades os encontros de Sines em 2005, que deram origem ao maravilhoso livro Os Olhos Azuis do Mar. Preservo na minha memória com afecto e gratidão, o privilégio de conhecer um homem ímpar que enriqueceu intelectualmente e artisticamente este país.
Imagino-o a conversar com Dante, Camus, Proust, com todos os grandes escritores, pensadores, filósofos e artistas, em longas conversas cheias de humor e de curiosidade pelo mundo.
Dedico-lhe esta exposição, recordando as sábias palavras escritas e ditas e louvando uma bonita amizade de quase 40 anos.
Graça Morais
A Pintora Graça Morais convida-a(o) para a inauguração das exposições “Homenagem a António Mega Ferreira - Linhas da Terra/Os Olhos Azuis do Mar” e “Graça Morais. Os Rituais do Silêncio”, a realizar no próximo dia 16 de Fevereiro, pelas 18h00, no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança.
sábado, 4 de abril de 2020
domingo, 13 de agosto de 2017
Bom domingo.
Fonte Público
quinta-feira, 6 de junho de 2024
Há música e literatura nos Capuchos
O Festival de Música dos Capuchos é uma ideia de José Adelino Tacanho, que o programou e organizou até à sua morte prematura. Sempre que frequento um dos concertos desta iniciativa lembro-me dele: da sua energia contagiante, da vontade de fazer e de dar a conhecer. José Adelino Tacanho foi um ser singular que ficará ligado ao festival enquanto o Festival durar.
A fotografia que junto a este palavreado mostra José Adelino Tacanho na apresentação da 14ª edição do Festival, em 1994. Entre outros participantes figura Michael Nyman. Assisti pela primeira vez a um concerto de Nyman neste "Capuchos". Surpresa e espanto.
Este ano é homenageado António Mega Ferreira. Merecido. Para além de melómano era um entusiasta deste acontecimento. Para a homenagem foi produzido um pequeno livrinho que inclui textos dele escolhidos por amigos. Tive o grato privilégio de participar concebendo graficamente o objecto. Perdoem-me esta nota tão pessoal, mas é que tive o prazer de conviver com José Adelino Tacanho e com António Mega Ferreira. Agora recordo-os com a saudade a reavivar-me a memória. É bom conviver com seres humanos com energia criativa e vontade de a partilhar. Muito obrigado aos dois, é o que me apetece dizer. A nossa vida não seria a mesma se certos encontros não se tivessem dado.
O que está por lá a acontecer pode ser percebido aqui: https://festivalcapuchos.com/category/sobre/concertos/
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
A blusa de Matisse
Que outro vazio se esconde por detrás desta desmedida ambição de fazer História através da pequena história de acidentes e casualidades que é o destino de cada um? Apesar disso, foi um deles que disse ser a História uma "confusão cruel e imbecil", tal como o génio, disse outro, é "uma aposta estúpida". É curiosa a surdez desta espécie aos sinais que os sábios lhes enviam intermitentemente: se os ouvissem, se lhes prestassem atenção, que é uma coisa que muito custa aos humanos porque andam a ouvir-se falar, como crianças que acabassem de descobrir que o barulho que produzem com a voz suscita o deslumbramento dos outros, se prestassem atenção, dizia eu, compreenderiam como a vaidade da História e a ilusão do génio andam de mãos dadas nesta aventura demencial e impossível que é a sua ambição de glória e posteridade. A blusa romena António Mega Ferreira
A história passa-se em Lisboa, mas convoca gente de outras geografias. Ceausescu e o seu fastidioso regime são alumiados. Há um escritor competente, um «caixeiro-viajante de almas» - seja lá isso o que for -, uma rapariga que dança à volta de um varão, e muito mais gente que circula nos ambientes em que todos circulamos quando preferimos Lisboa para circular. O quadro de Matisse que empresta o título ao livro é o motivo de todos os enleios.
Um bom romance que anuncia novas ideias do seu autor. Lê-se com prazer e fornece boa disposição. Gostei muito.
Título: A blusa romena
Autor: António Mega Ferreira
Design: Atelier de Henrique Cayatte com Susana Cruz
245 páginas
Editor: Sextante editora
segunda-feira, 9 de maio de 2005
Gustav Klimt | António Mega Ferreira
Porque a realidade, aqui, é como uma dor difusa, tu sabes como é, um incómodo ainda não localizado, que progressivamente se vai definindo e acertando, até que, insuportavelmente nítida, a sua imagem se nos impõe como uma evidência. A minha dor é que eu comecei a amar-te, sem o saber, durante aquele breve período de tempo em que sair de casa era a promessa reconfortante de ver-te e falar contigo. Eu não sabia, repito, mas o tempo ajudou-me a definir essa pequena dor, tão secretamente pavorosa: cada vez que estou contigo (cada vez mais, meu amor, cada vez mais) é como se a minha vida se virasse do avesso. E é verdade, é cada vez mais verdade, que, quando penso nas coisas que ainda me falta fazer na vida, é em ti que penso. E tenho medo, como um animal que instintivamente foge do que sabe não poder atingir.
António Mega Ferreira Texto
Gustav Klimt Imagem
quarta-feira, 27 de abril de 2005
Richard Diebenkorn | António Mega Ferreira
Esquece-te de mim, Amor,
das delícias que vivemos
na penumbra daquela casa,
Esquece-te.
Faz por esquecer
o momento em que chegámos,
assim como eu esqueço
que partiste,
mal chegámos,
para te esqueceres de mim,
esquecido já
de alguma vez termos chegado.
António Mega ferreira Poema
Richard Diebenkorn Pintura
terça-feira, 12 de março de 2024
Eu ainda aqui estou, eles já cá não estão. Não sei viver sem amigos. Recordo-os porque tenho saudades deles. Eles estarão na nossa memória enquanto nós por aqui andarmos. Foi bom vivermos no mesmo tempo e no mesmo espaço durante o tempo que nos foi possível.
Felizmente muitos ainda estamos vivos. Estamos alguns aqui nos retratos. Há muitos mais retratos com outros amigos. E há amigos que não têm retratos comigo. É sempre bom ter gente amiga por perto. Temos saudades dos que já não estão entre nós. Nada será como dantes. Mas a vida continua. Até já.
segunda-feira, 27 de novembro de 2023
Receituário
sábado, 4 de abril de 2026
Elogio do Vinho
Gosto de vinho. Gosto de ler sobre vinho. Gosto do gosto do vinho. Sempre associei o vinho a outros conhecimentos. A ligação das cepas aos seus terrenos, ao ambiente, às tradições que envolvem os trabalhos vitivinícolas.
quarta-feira, 15 de junho de 2005
Edward Hopper | António Mega Ferreira
NIGHTHAWK, 1942
Está tudo dito - o vestido
vermelho e
a tensa indecisão
da mulher que o veste -
a imprecisa circunstância,
por estar ali, porque há-de
estar ali, do que jogou
à roleta russa e ganhou
o direito ao purgatório eterno
da insónia -
e o que está com a mulher
ruiva, ele de chapéu,
perguntando-se se alguém está
com alguém
no campo iluminado deste quadro.
Só não se disse a cegueira
fatal da fachada mesmo em
frente
como o que está diante
daquele que não se vê
as amplas escuras janelas
(entreabertas?)
deixando que o mais negro
da noite
as ilumine, coisas
estáticas (mortas?)
na imobilidade geral
da cena
tão naturalmente irreal
que ninguém, é certo,
a não ser o olhar de Hopper,
fixamente á espera que
alguma coisa mexesse
na trágica serenidade que
o mundo encerra.
Este poema pertence ao mais recente livro deAntónio Mega Ferreira, pubicado pela Assírio & Alvim.
Um livro que convoca memórias, instantes, amizades, passagens pelo tempo - "O Tempo que nos cabe", é o título.
Um belíssimo trabalho, (capa com polaroid de Ilda David) com belíssimos poemas lá dentro.
Uma obra que merece ser lida e onde apetece voltar, como quem volta aos lugares bons, onde aconteceram coisas boas.
Um bom livro, portanto. JTD
Pintura de Edward Hopper


















