quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Design de comunicação

 Da série Grande Capas. The New York Times Magazine.

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Receituário

PALAVRAS AO VENTO? |
As palavras definem situações, comportamentos, indignações, combates. Também definem contentamento e alegria, mas isso não é para aqui chamado agora.

Um homem chega a casa e fica sem perceber se aquela é a casa onde vive ou pensava que vivia. O que se passou entretanto? A sua mulher já não o ama? Quem é aquele patife que a abraça? Passou assim tanto tempo desde a sua partida? Esteve fora muito tempo? Interroga-se. Interroga. Tenta perceber aquele conflito em que se sente envolvido. Repete palavras, que são perguntas. Insistentemente. As palavras soam como uma sugestão de percepção de uma realidade que escapa à compreensão do homem. Jon Foss é mestre nestas retóricas. E os Artistas Unidos percebem muito bem as palavras de Jon Foss. Desde Jorge Silva Melo que é assim. Continua. Continuem. Estas cenas pisam o estrado do Variedades até domingo. Despachem-se.

𝗩𝗘𝗡𝗧𝗢 𝗙𝗢𝗥𝗧𝗘 𝗱𝗲 𝗝𝗼𝗻 𝗙𝗼𝘀𝘀𝗲 no 𝗧𝗲𝗮𝘁𝗿𝗼 𝗩𝗮𝗿𝗶𝗲𝗱𝗮𝗱𝗲𝘀 (Parque Mayer). De 4ª a Sábado às 20h00 e no Domingo às 16h00.
𝗜𝗡𝗙𝗢𝗥𝗠𝗔𝗖̧𝗢̃𝗘𝗦 | 210523631/2 ou Bilheteiravariedades@egeac.pt
𝗕𝗜𝗟𝗛𝗘𝗧𝗘𝗦 | https://bit.ly/VentoForte_bilhetes
𝗩𝗘𝗡𝗧𝗢 𝗙𝗢𝗥𝗧𝗘 𝗱𝗲 𝗝𝗼𝗻 𝗙𝗼𝘀𝘀𝗲
𝗧𝗿𝗮𝗱𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 | Pedro Porto Fernandes
𝗖𝗼𝗺 | Andreia Bento, António Simão e Nuno Gonçalo Rodrigues
𝗖𝗲𝗻𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮 𝗲 𝗙𝗶𝗴𝘂𝗿𝗶𝗻𝗼𝘀 | Rita Lopes Alves
𝗔𝘀𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗰𝗲𝗻𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮 | Francisco Silva
𝗖𝗼𝗻𝘀𝘁𝗿𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗰𝗲𝗻𝗮́𝗿𝗶𝗼 | João Pires
𝗟𝘂𝘇 | Pedro Domingos
𝗦𝗼𝗺 | André Pires
𝗔𝗻𝗶𝗺𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝘃𝗶́𝗱𝗲𝗼 | Daniel Sousa
𝗔𝗽𝗼𝗶𝗼 𝗮𝗼 𝗺𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 | Iris Runa
𝗣𝗼𝗻𝘁𝗼 | Simon Frankel
𝗔𝘀𝘀𝗶𝘀𝘁𝗲̂𝗻𝗰𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗲𝗻𝗰𝗲𝗻𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 | Diana César
𝗘𝗻𝗰𝗲𝗻𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 | António Simão
𝗖𝗼-𝗽𝗿𝗼𝗱𝘂𝗰̧𝗮̃𝗼 | Artistas Unidos, Teatro Municipal Joaquim Benite
𝗠𝟭𝟰
𝗙𝗼𝘁𝗼𝗴𝗿𝗮𝗳𝗶𝗮𝘀 © Jorge Gonçalves

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Falta de classe

O governo de Portugal vai abrir concurso para a criação de um novo passaporte digital. O governo de Portugal entende que a criação de um trabalho desta dimensão pode ser resolvido com uns jogos florais à antiga, que é a maneira de pensar do governo de Portugal. Um prémio de consolação resolve a coisa. A irresponsabilidade da atitude é também total desrespeito por profissões que o governo de Portugal não sabe para que servem. Ou não quer saber. Mas pela ignorância do Governo de Portugal já tínhamos dado conta: a constante aproximação à maneira de "pensar" do partido fascista Chega esclarece-nos.

Esta minha preocupação foi-me despertada pelo texto que Helena Sofia Silva e Eduardo Aires escreveram para o Público de hoje, a que deram o sugestivo título de "Falta de classe". Está lá dito: "O anúncio, pelo Governo, do concurso para criação do novo passaporte permite apenas confirmar que o actual executivo desconhece ou despreza uma classe profissional: a dos designers de comunicação."
Dito e bem dito. A falta de classe deste governo permite-lhe desprezar classes profissionais que existem porque as democracias devem ser civilizadas. Este governo aproxima-se cada vez mais da extrema-direita mais tosca e ignorante. É a sua natureza.

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domingo, 15 de dezembro de 2024

A banalidade do ridículo

O livro conta a história de um homem monstruoso que manipula e faz sofrer. Mas é uma ficção, com fantasias, sustos e fanfarronices. Os autores lembraram-se de ligar a história a Trump, o farroncas americano. Se calhar porque é o manipulador mais famoso na face da terra que pratica a fantasia tentando torná-la realidade. Em janeiro o mundo vai ter um imbecil a dispôr da vida de pessoas. 
Vamos falar disto tudo com o professor David Rodrigues e com os autores desta história. O encontro  está marcado para terça-feira, dia 17, às seis e meia da tarde, na Biblioteca de Alcântara, que fica na rua José Dias Coelho, em Lisboa. Quem estiver interessado em debater ideias que sugiram o combate aos novos fascistas pode aparecer por lá. E podem levar ideias. Todas as ideias que combatam estes energúmenos fazem falta. Pelo menos ficamos melhor com a nossa realidade pessoal. Tem que se fazer alguma coisa, sempre!

sábado, 14 de dezembro de 2024

Politica diversão


Começou por brincar às "oposições". Com o pai a exercer funções na situação dominante não era muito difícil. Depois mergulhou na política mesmo (e no rio Tejo) e foi taxista para o boneco. Mais tarde inventou uma vichyssoise azeda e ainda aprendeu a morder como o escorpião. Depois foi para as televisões dar ao badalo, pronunciando-se sobre táticas políticas e absurdos culturais. Aí teve o sucesso pretendido: foi eleito Presidente da República do país Portugal graças a essas prestações opinativas. Como Presidente fez muita merda, o que o leva a dizer agora que está farto de toda a merda que fez. A política é um caso sério que deve ser praticado por todos. Quando os que chegam a lugares de decisão acabam a carreira a confessar que andaram ali só para alimentar o ego, e para se divertirem, podemos concluir que quem votou nestes protagonistas foi enganado. Ou então era espectáculo que queriam, e aí está tudo certo. Desejo as melhores felicidades a Marcelo Rebelo de Sousa. Bem longe da política. Promete-nos isso, senhor professor?

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

Eça agora?

Este governo não cairá 
porque não é um edifício,

sairá com benzina porque é uma nódoa.

Eça de Queirós em "O Conde de Abranhos"

Não sei se Eça estaria de acordo com esta insinuação em que se adapta uma sua opinião à nossa realidade. Os grandes escritores percebem muitas vezes antes de tempo o que os decisores políticos preferem, mas também não é raro os políticos ultrapassarem a ficção. O nível de cretinice dos ministros do governo de Montenegro é de tal ordem que a frase cai aqui que nem gingas.

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Sampaio da Nóvoa



Foi o meu candidato à presidência da República contra Marcelo. Fomos derrotados. Agora Marcelo vai, como Presidente, reconhecer os méritos do seu concorrente. Não há aqui estranheza nenhuma. É assim que funciona a democracia desde que é democracia. As alarves tentativas de interrupção do sistema democrático pelo novo partido fascista resvalam nestas atitudes civilizadamente democráticas. 

Sampaio da Nóvoa merece reconhecimento pela sua actividade como professor e cidadão socialmente empenhado nas boas causas. Parabéns, professor. E bom futuro. 

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ARENA | Hoje há festa n'
A Barraca. João Fazenda ilustra as crónicas de Ricardo Araújo Pereira primeiro na Visão e depois no Expresso. É Ricardo Araújo Pereira que diz na apresentação deste livro, numa demonstração de humildade que só lhe fica bem, e que não está longe da verdade: "Como é evidente quando se abre o jornal, não é o desenho do João Fazendo que ilustra os meus textos, é o meu texto que acompanha os desenhos do João Fazenda. A primeira coisa que os leitores vêem é o desenho. A seguir tentam descobrir (os que se dão a esse trabalho) de que modo é que o texto se relaciona com ele".

Este livro de João Fazenda é um espectáculo ilustrado. Espectáculo porque parte dos lúcidos textos de Ricardo para uma intensa liberdade criativa. O cartoon abre-nos a mente. Dá brilho à interpretação dos textos. É a grande ilustração que aqui mora. O livro é mesmo um deleite para o olhar. Parabéns, João.

ARENA
João Fazenda
Cartoons 2004-2024
Edição: Tinta da China
256 páginas

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

O Sofrimento salva? Não

Queremos morrer saudáveis. Fazemos por isso. Mas quando esse desejo não se instala, quando sabemos que vamos morrer, desejamos inverter a situação. Queremos viver. Fazemos por isso. Umas vezes temos sorte, outras não. As leis que defendem o fim assistido são uma garantia de dignidade perante o fim da vida. Só mesmo quando nada resulta temos essa lei para proteger-nos do sofrimento físico.

Em Portugal a lei foi aprovada, mas Marcelo anda a empatar a sua aplicação exercendo manobras vergonhosas. É a sua religião que o ilumina na atitude nada democrática. A direita radical aprova e aplaude. O radicalismo religioso, quando aplicado pelo poder decisor, é uma afronta aos direitos das pessoas. Marcelo não respeita as decisões do parlamento. 

"O quarto ao lado" revela uma atitude perante o drama da doença terminal. Assinala a coragem de alguém que quer morrer porque não se pode curar. Percebe-se que é o pensamento de Almodóvar, que aqui revela o que pensa do assunto Morte e das consequências para quem cá fica. Martha (repórter de guerra) pede à amiga Ingrid (escritora) que fique com ela até ao fim. Encontrou um comprimido na darknet que a mata quando ela quiser. A inicial hesitação da amiga passa a concordância. Fica no quarto ao lado, da luxuosa casa alugada para o efeito, aguardando o esperado mas doloroso desfecho. Há muito sofrimento, mas também alegria contida. Nada será como até ali. Um dia não haverá dia seguinte. A personagem de John Turturro, um intelectual que é amigo e que foi amante das duas mulheres, estabelece uma generosa ligação entre as amigas e a advogada que vai defender Ingrid. Num encontro com Ingrid revela a sua preocupação com a insistência do neoliberalismo e o crescimento da extrema-direita. O mundo não vai sobreviver a tanto abuso capitalista. Pedro Almodóvar sempre revelou lucidez na posição política e coragem na denúncia da igreja católica.

A repórter de guerra perdeu a batalha contra a morte. Morreu. Mas morreu como quis. Escolheu o seu fim e assim venceu o sofrimento e a angústia da espera. A escritora foi solidária e também ficou bem na observação daquele quadro final tão à Edward Hopper. Sofreu as ameaças de um polícia fanático religioso. Inevitável, a estupidez policial quer sempre vencer. Estranha natureza humana, esta da brutalidade policial. Grande filme, grande realizador, grandes representações. O cinema liberta-nos quando nos comove.

O QUARTO AO LADO
Pedro Almodóvar
Com Tilda Swinton, Julianne Moore e John Turturro.
Lisboa - Cinema IDEAL








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segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Dentro do covil

Marcelo vai à Holanda encontrar-se com os estropícios que estão no governo lá do reino, parece que por causa de um futuro qualquer que se anda por aí a imaginar, e que se centra na economia do mar.

Jeroen Dijsselbloem, o primeiro-ministro que lá vegetava quando nós estávamos a marcar passo por causa da troika, e que achava que os portugueses só queriam mulheres e vinho, já lá não vegeta. Foi odiar para outras paragens. Mas a sobranceria sexista continua nas mentes e gestos destes energúmenos. Os amigos de Ventura que conseguiram formar coligação para "pôr ordem" naquilo, são agora governo. Tiveram a sensatez de negociar a coisa sem que o inenarrável Geert Wilders pusesse os presuntos nos estrados do poder.
Assistimos assim à perigosa normalização da extrema-direita com assento nas cadeiras onde são tomadas decisões. Vamos lá a ver: percebe-se que os países tenham relações diplomáticas e até comerciais. Faz parte do desenvolvimento das políticas externas e assim. Mas, muito sinceramente, não seria melhor darmos preferência a sítios minimamente bem frequentados?

Fonte: Lusa



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domingo, 8 de dezembro de 2024

Pior a emenda que o soneto?

A expressão pertence a Bocage e ilustra muito bem o que quero trazer para aqui. Quando Assad pai morreu, era suposto o seu filho varão assumir o poder. Um acidente de viação inviabilizou esse entronamento. O desaparecimento do filho mais velho levou Assad mais novo ao poder, resgatado da sua pacata profissão de oftalmologista exercida em Londres. Estas substituições alinhadas com uma certa ideia de corte monárquica são sempre lamentáveis. 

Bashar al-Assad foi a cara de um endurecimento sem justificação razoável. Regime autocrático é ditadura. Ora, as ditaduras estimulam revoltas e as revoltas endurecem as decisões ditatoriais. É uma pescadinha de rabo na boca. Morreu muita gente inocente. Morre sempre. Com esses desentendimentos são sempre os mais vulneráveis que sofrem. Os líderes resolvem tudo a partir das poltronas dos palácios dos governos, e, as oposições, a partir das tendas do radical descontentamento. Mas sempre longe da eliminação física. 

Claro que o regime foi tirânico. A tirania nunca é escolha. A democracia em liberdade é o único tipo de regime compatível com a luta pelos direitos humanos, pelos direitos sociais, pela liberdade, pela igualdade e pela possibilidade de felicidade. O novo poder a instalar-se na Síria é liderado por gente que já pertenceu às mais radicais organizações fundamentalistas. Vários grupos vão lutar pelo poder. A ideia de democracia por aquelas bandas não corresponde ao que nós entendemos sobre o assunto. A alegria que inunda as ruas de Damasco pode ser de pouca dura. Jovens mulheres saúdam o novo poder sem saberem muito bem o que aí vem. O que aí vem pode ser a anulação do seu futuro. Os fundamentalistas não prezam a democracia, nem a liberdade. O terrível regime de Bashar al-Assad instalou o terror e o despotismo. Mas agora, a guerra civil pode ser o futuro que se aproxima. A revolta bem sucedida de hoje pode cumprir a frase de Bocage. Sim, pode ser pior a emenda que o soneto. Oxalá eu esteja redondamente enganado.

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sábado, 7 de dezembro de 2024

As palavras

As palavras de José Afonso mudaram a minha vida. A música ajudou, mas foram as palavras com mensagem escondida que me revelaram "que não há só gaivotas em terra, quando um homem se põe a pensar". Fizeram-me pensar. Mostraram-me outros fumos, outras maneiras de olhar para o mundo.
O mundo passou a ser já ali. Sofisticaram-me o gosto. Puseram-me a olhar para a música feita em Portugal. Nem tudo era serôdio e triste, como até aí. Havia esperança. José Afonso ainda é a voz da esperança. A sua música é intemporal. E genial.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Antifascista

Este cartaz é dedicado a Mário Soares, hoje tão lembrado porque faria 100 anos. Devemos acima de tudo a Mário Soares essa intensidade política contra o fascismo. Agradecemos a coragem e a determinação de um político que o foi de corpo inteiro. Assumidamente político, tão longe dos actuais políticos anti-política.

Santana no Chega

Santana Lopes nas jornadas parlamentares do Chega

O antigo primeiro-ministro e ex-líder do PSD, Pedro Santana Lopes, vai participar num debate nas jornadas parlamentares do Chega, em Coimbra, dedicadas ao tema da corrupção.

O Público dá a notícia. O sempre desejado no PPD/PSD Santana Lopes vai dar uma mãzinha a André Ventura. O Chega passa assim a ter dois candidatos a Belém que lhe são simpáticos: este traste Santana e o cromo incomensuravelmente vaidoso Gouveia e Melo. A extrema-direita já está servida. Bem servida. Bom proveito. 

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Narciso só percebe o espelho

Macron vai escolher um novo primeiro-ministro. Como não conhecemos o seu conceito de democracia, já que não respeita as escolhas de maiorias, ficamos sem saber se escolherá alguém com o tom da tinta que usa para o cabelo, que use fatos com o seu corte preferido, ou que goste de ir para o cinema comer pipocas. 

Sabemos que Macron não vai respeitar a democracia. Pôr a esquerda a governar não é colher para a sua vichyssoise. Respeitar maiorias que dele discordem não é atitude para a sua vaidade extrema. Estes convencidos egocêntricos são o que for preciso. Até se sujeitam a eleições, fingindo que são democratas. Não o são. Este pipi da tabela não é mais perigoso porque França não é a Rússia. França é uma democracia onde se percebeu mais do que uma vez que as pessoas são capazes de se unir para combater os fascistas de extrema-direita seguidores de Marina Le Pen. Lá como cá, é preciso não dar descanso a esta gente nefasta que cada vez mais atinge cargos com poderes que afetam a vida de todos nós.  

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Para acabar de vez com a cultura

Woody Allen fez ficção e deu este título a um livro seu. Dalila Rodrigues ultrapassa a ficção. Como boa ministra de um governo de direita quer acabar com as "gorduras" da cultura. Acontece que a direita considera gorduras o que a cultura tem de melhor. 

É quase sempre assim. Uma instituição cultural bem gerida faz cócegas aos defensores de uma certa cultura. A ministra, ressabiada, quer "corrigir" políticas dos seus antecessores. O afastamento por Dalila de Francisca Carneiro Fernandes da presidência da administração do Centro Cultural de Belém está a dar que falar. Por cá a contestação está ao rubro e já chegou a importantes instituições culturais europeias. Os elogios a Francisca contrastam com os ataques a Dalila. Claro que Dalila sabe que os tempos lhe estão de feição e não quer saber para nada do que as pessoas da cultura pensam. Ela é que sabe e tem um primeiro-ministro que também sabe muito. Sabem ambos o suficiente para acabar de vez com a cultura. Ora, à cultura que faz falta esta gente não faz falta nenhuma.

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terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Os marinheiros aventureiros


VAMOS MORRER ONDE TIVERMOS DE MORRER? Fale por si, senhor almirante. É o senhor que se vai chegar à frente na batalha, ou vai mandar à força jovens resgatados a um futuro que merecem, atirados para ali como carne para canhão? 

Que se saiba, os almirantes ficam na retaguarda para depois, bem vivinhos e bem vividos, receberem as medalhas de um pretenso heroísmo que lhes é alheiro. Será que as pessoas que pretendem votar neste almirante de águas turvas já se esqueceram daquele almirante que não dizia coisa com coisa mas que, chegado a Presidente, permitiu que um ditador criminoso fizesse trinta por uma linha? O discurso desta criatura agrada-lhes? 

Este homem, com este ar de tio sonso, apresenta-se contra os partidos. Isto é: contra a democracia representativa, contra o sistema que por enquanto é democrático. Há apenas um partido que flutua nestas águas. Sabem qual é, não é verdade? Flutue, senhor almirante, flutue para longe. Aqui faz tanta falta como a água salobra.

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João Abel Manta vai estar até dia 20 deste mês no Palácio Anjos, em Algés. Exposição a não perder de um mestre do cartoon que inscreveu uma marca na opinião ilustrada. Excelente ocasião para percebermos os desenvolvimentos gráficos que documentaram o nosso tempo mais fascinante. Exposição fascinante, concebida por Jorge Silva.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

A escolha acertada


Mas, não há ninguém que jeito tenha?! Que país tão pequeno para tamanhos egos. Egocêntrico por egocêntrico, por mim avançava o Bruno, mas não sei se conseguirá as assinaturas. Escolha difícil, esta.

Será que temos de ir à DECO?

domingo, 1 de dezembro de 2024

Primeiro de dezembro


Este dia já não é o que era. Vera Lagoa animava a avenida com o seu folclore revanchista. Era uma grande festa da extrema-direita existente na altura. Um diabólico jornal era o orgão oficial  impresso. 

Os actuais  folgazões limitam-se a ilustrar a sua comemoração com cartazes ridículos. Ridícula é sempre, esta gente. O palanque oficial foi ornamentado por um representante dos fascistas que se sentam em São Bento. A perguntas dos jornalistas sobre a reconquista de Olivença, o ministro Melo diz que é uma pena andar tanta ignorância à volta da coisa. Ignorância de quem? Não percebi, juro. Importa-se de repetir? Será que o ministro percebe o que diz?



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Coro dos Tribunais

Este álbum de José Afonso foi gravado nos estúdios Pye, em Londres, entre 30 de novembro a 8 de dezembro de 1974. Completam-se agora cinquenta anos. Foi o primeiro trabalho de José Afonso gravado depois de Abril. Esta fotografia faz parte do embrulho do disco e representa os músicos participantes. A capa é do José Brandão. O disco é genial e foi recentemente reeditado. José Afonso, sempre!