terça-feira, 8 de março de 2011



FUNERAL NA ERA DIGITAL | Não é este o título do livro, mas podia ser. Enrique Vila-Matas envereda por um território que conhece como as suas próprias mãos. Conta histórias surpreendentes de um editor reformado que vai a Dublin para tentar perceber a razão de nunca ter publicado um grande escritor. Pelo meio há fantasmas, escribas, críticos literários, mistério, humor e mais o que meteu dentro destas 264 páginas de grande literatura. O livro saiu agora em Portugal. Sugerido.

Titulo: Dublinesca
Autor: Enrique Vila-Matas
Tradução: Jorge Fallorca
Design da capa: Maria Manuel Lacerda
Paginação: Rui Miguens Almeida
Revisão: Miguel Martins Rodrigues
264 páginas

Edição: Teorema

segunda-feira, 7 de março de 2011



EXTREMISMOS | Parece que a filha de Le Pen é, segundo sondagens recentes, a favorita nas eleições em França caso se disputassem nos tempos mais próximos. Em França reina a preocupação entre quem não quer que trogloditas ditem as regras do jogo. É claro que não se devem tirar conclusões precipitadas: Sarkosy vai tentar renovar o mandato, e a sondagem não inclui a esquerda socialista que ainda não apresentou candidato. Tudo leva a crer que se vai repetir a vaga Chirac, agora com Sarkosi no leme. A história repete-se e não dá para acreditar que o pior aconteça. Mas é preocupante que tantos franceses escolham a extrema-direita para resolver os problemas da atualidade.

domingo, 6 de março de 2011

A MINHA LUTA NÃO É ESTA LUTA | Os "Homens da Luta" são uma evidente paródia aos homens da luta. Mas os homens da luta estão radiantes com a vitória dos "Homens da Luta" num festival qualquer que se arrasta penosamente há demasiados anos como se fosse uma grande coisa. A canção dos "Homens da Luta" está entre a estética da Revista à Portuguesa mais trapalhona e o nacional-cançonetismo dos tempos em que se contestava o tal festival. Esteticamente, música e visual são um gozo aos idos anos do PREC, tornando, fora desse contexto, as criaturas que esbracejam e gemem ridículas.
É isto que vai representar o País Portugal não sei onde.
Mas para que raio estou eu para aqui com esta conversa da treta, se não vejo o manhoso festival há mais de quarenta anos e nunca me passou pela cabeça perder tempo com os "Homens da Luta"?

sábado, 5 de março de 2011



REFEITÓRIO
Uma alegria para o palato fornecida pelo estúdio de
Nicolas Lemonnier
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RECEITUÁRIO
| Trabalho sério sobre histórias da História de Setúbal. Lançamento do trabalho, hoje, apresentado por Fernando Rosas. Lançamento e leitura recomendados. Até já, lá.


TELENOVELA EM VERSO | Excelente texto.
Interpretação brilhante.

sexta-feira, 4 de março de 2011



ESTUPIDEZ INTELECTUAL | Na Argentina, intelectuais do regime não querem que Mario Vargas Llosa vá à inauguração da Feira do Livro de Buenos Aires. Estes iluminados cérebros não toleram que Llosa discorde da sua presidente. A proibição é o caminho. Sempre foi o caminho dos intelectuais de regime. Dos intelectuais e dos outros.


It´s a book, stupid.

quinta-feira, 3 de março de 2011



BIG APPLE | Steve Jobs interrompeu baixa médica para apresentar o novo iPad. Aplausos emocionados na sala. Aplausos emocionados também daqui. É bom vê-lo a pé e a trazer boas notícias, senhor Jobs.


GERAÇÃO DESENRASCADA | Nada tenho contra quem se manifesta. Acho até uma excelente maneira de se exprimirem revoltas e atitudes. Mas confesso que não percebo a adesão de Alberto João Jardim e de outros "mal comportados para todo o serviço" à manifestação de 12 de Março. Só porque é contra o sistema? E em que sistema têm andado a lambuzar-se estes revoltados abruptos? Cuidado com as companhias. Esta gente não quer saber para nada de geração nenhuma. Nunca estiveram à rasca. Desenrascaram-se.

quarta-feira, 2 de março de 2011



A FACTURA, POR FAVOR | Há eras que isto me mete confusão. Qual a razão de recebermos um talão inútil e só termos direito a um documento válido depois de expressamente solicitado? Porque é que a fatura não é naturalmente fornecida ao comprador sem mais pedidos? Parece que agora todos estão de acordo: Governo, sindicatos e patrões querem tornar o fornecimento do papelinho justificativo da compra obrigatório. Só não se percebe é porque levam tanto tempo a perceber as coisas. Já agora: para quando a obrigação de pagarmos o IVA só depois de se ter o dinheiro em caixa? Evitava problemas. Muitas vezes o IVA é pago antes do cliente - que muitas vezes é o Estado - ter feito a correspondente transferência. Isto causa grandes chatices a quem tem que ter impostos em dia. Vejam lá isso.


CONTOS DA LOUCURA NORMAL | Kadafhi diz que o povo daria a vida por ele. Não há manifestações contra a sua autoridade. Só paz e harmonia. A culpa das pequenas perturbações é toda da Al Qaeda. Os pequenos ajuntamentos nas praças levam-nos a concluir que Bin Laden tem gente com ele, mas claro que Kadafhi esconde uma maioria que sairá para o defender. Não se deve contrariar um louco?

terça-feira, 1 de março de 2011



OS HOMENS PREFEREM AS MORENAS | Morreu Jane Russell. Os homens preferem as louras? Talvez, mas as morenas também têm os seus atributos. Especialmente quando são boas atrizes e excelentes seres humanos. Jane teve uma boa vida e permitiu que muitas crianças tivessem também vidas decentes. Liderou movimentos pela adoção. Uma bela mulher que foi também um ser humano de exceção.


DD
LX | 7 ANOS | Foi assim que comemorámos: convivendo. Obrigado a todos.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011



AND THE WINNER IS... | O Discurso do Rei foi soberano na noite oscarizada de ontem. Colin Firth subiu ao merecido trono. Também fiquei contente com a entronização de Natalie Portman, apesar de ainda não ter visto nenhum dos filmes em que brilha nas salas de cinema. Visionamento urgente. Parabéns aos contemplados.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011



7 ANOS | É hoje. A DDLX faz 7 anos. O João Francisco Vilhena escolheu 7 fotografias para assinalar a data. Vamos fazer a festa a partir das 7 da tarde.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


ENSAIO SOBRE A LOUCURA
| A Líbia é comandada há muito por um doido varrido. Há muito que este louco mata o seu próprio povo. Um povo que apenas tem o direito de ver os califas enriquecerem sem prestarem contas. Há uma altura em que a paciência se esgota e o povo faz história. Kadhafi quer ficar na História como mártir. Para cumprir esta premissa, muitos mártires surgirão. Ele sabe isso. E isso não o incomoda. Nunca criou um Estado. Nunca se preocupou com o estado em que vivem as populações. Foi uma espécie de califado, com todas as exuberâncias permitidas, que criou no sítio onde quis aplicar a sua revolução verde. Um louco criminoso anda à solta no Médio Oriente. Preocupante.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011



SILÊNCIO
| Num dia assim.
José Afonso morreu há 24 anos. O humanismo militante e a genialidade não morreram. Saudade de um amigo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MAIS VALE SER UM CÃO RAIVOSO | Quero que vejam que estou em Trípoli e não na Venezuela. Não acreditem no que vos dizem os canais de televisão dos cães vadios. Disse Kadhafi, ontem. Tenho cada vez mais simpatia por cães vadios, digo eu.



GENOCÍDIO | Na Líbia é assim: quem não está com Kadhafi é eliminado. O Poder está nas mãos do filho do pulha que se governa à conta do povo há décadas. É este filho do pulha que mandou disparar sobre o seu próprio povo. Quem sai aos seus...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011



O ESPLENDOR DE PORTUGAL | Somos um povo difícil de contentar. Exigimos dos nossos compatriotas mais esforçados o impossível. Infernizamos a vida de gente que muito trabalha para nós. José Penedos, por exemplo, recebia prendas como reconhecimento disso mesmo. Eduardo Catroga apressou-se a confirmar a bondade do seu amigo, confirmando a normalidade do recebimento de presentes por parte de quem exerce cargos públicos. Catroga também se fartou de receber ofertas e não vê nisso nenhum mal. O ex-ministro Dias Loureiro foi injuriado por enriquecimento ilícito, vendo-se na necessidade de se retirar para uma vida modesta num país com poucos recursos. Armando Vara, outro modesto ex-ministro, foi injuriado por ter recebido uma caixa de robalos, imagine-se. Jorge Coelho abandonou a política para se dedicar à "construção" de um país novo. Oliveira e Costa vai para o chilindró, por ter tratado de forma zelosa as poupanças dos clientes do banco que dirigiu. E que dizer de João Rendeiro? Um teórico de estudos económicos que tudo fez para que entendesse-mos os benefícios das operações bancárias? Outro grande homem a quem muito devemos, Joe Berardo, o colecionador de arte que nos "ofereceu" a sua coleção, diz agora que estamos a precisar de algo diferente: um novo género de ditadura, por exemplo. Que boa ideia, senhor comendador. Como é que ninguém se tinha lembrado disso antes? Não faltam, portanto, exemplos de gente dedicada aos seus semelhantes. Termino com o extremoso exemplo do professor Cavaco Silva, que exerce a mais Alta Magistratura em regime de trabalho voluntário, vivendo das merecidas reformas. E ainda nos queixamos.
Que raio de povo este, que não reconhece os esforços de quem dele cuida.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011



REFEITÓRIO
Uma alegria para o palato fornecida pelo estúdio de
Nicolas Lemonnier
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NESTA REVOLUÇÃO NÃO HÁ FLORES | Lara Logan, jornalista da CBS, está a recuperar, num hospital americano, de uma vilolenta agressão sexual. Tudo se passou na praça Tahrir, enquanto fazia a cobertura da revolução branca. Revolução branca?! Chiça!

GIRA-DISCOS
| Sleepwalkers. David Sylvian.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011



O DISCURSO DO REI | O treinador de futebol José Mourinho rendeu-se, há muito, às virtudes das operações bancárias. Acontece aos melhores, como sabemos. Ditames da agência que tem a conta do Millennium /BCP tornaram-no funcionário bancário. É desse balcão que anuncia: "Para mim, não há dificuldades, só desafios". O discurso condiz com a personagem. Desempenho competente. Tanta energia e talento emocionam. Mas, o pessoal que está desempregado, os empresários que se vêem "à rasca" (horrível expressão tão na moda) para pagar aos colaboradores, os recém licenciados sem perspectivas desafiadoras, os reformados que vivem com dificuldades e os trabalhadores precários sem estabilidade à vista, o que dizem ao treinador/bancário?
- Mourinho, querido, e se fosses para o caraças com a conversinha da treta?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011



REFLEXÕES DA PATAGÓNIA | Esta exposição de fotografia de Roberto Santadreu é inaugurada amanhã, a partir das 18:30 horas, na Galeria Arte Periférica, no centro Cultural de Belém.
A exposição estará patente até ao dia 10 de Março.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011



JAMES BLAKE
| O trabalho deste rapaz foi anunciado com esmerado entusiasmo. O cd foi posto à venda e os elogios sucederam-se. Parece que todos gostam de James. A amostra junto é capaz de justificar o fenómeno. Eu estou rendido. O rapaz faz-se.


APRENDER A DISCURSAR NA ERA DA TÉCNICA | Um filme que justifica a necessidade de vivermos uns com os outros. Um rei (Colin Firth) que precisa de um homem comum (Geoffrey Rush) para se safar. Um homem comum que faz o rei sentir-se um entre os outros. As debilidades humanas atingem mesmo quem manda e decide. Os poderosos também gaguejam. Isso é muito complicado quando quem decide tem que usar um microfone para comunicar. E piora quando a intenção é unir populações contra Hitler. O rei levou a melhor. Viva o "Discurso do rei".
MERCADO DE OPINIÃO | Os fazedores de opinião inscritos nos comentários escrito, falado e filmado, e servidos em doses generosas, andam numa roda viva por causa da anunciada moção de censura. Vive-se a apologia da improbabilidade. Sobra-lhes tempo...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011



REVOLUÇÃO BRANCA? | Quem falou em Revolução Branca para definir as enchentes egípcias? A gente sabe que por aquelas bandas a clareza de ideias não é pano sem nódoa. Museus assaltados, militares contra polícias, e mais o que está para vir, não descansam ninguém. Em terra com oitenta milhões de seres, grande parte a viver miseravelmente, sem nada a perder, tudo pode acontecer. A alegria democrática não resolve crises. Um povo sem meios, e que não vê meio de ver as coisas alteradas, é capaz de alinhar nas mais tenebrosas "limpezas". O islamismo espreita e age.
Um milhão de gente na Praça da Revolução é muito pouco em comparação com os muitos milhões que podem eleger, democraticamente, um governo repressivo islâmico.
Oxalá me engane, mas aquilo está complicado.
idoso_4.jpg

FINAIS FELIZES | Idosos que morrem na solidão das suas casas são assunto em todos os noticiários. O caso da senhora morta durante nove anos no chão da cozinha despertou o interesse pela coisa. Casos semelhantes são anunciados diariamente. Segurança Social, autarquias e tribunais não devem fazer ouvidos de mercador aos alertas das vizinhanças. Há muito a corrigir na organização da assistência aos mais velhos. Devemos proporcionar a quem teve uma longa vida um final de vida digno. Prioridade ao Ser Humano, precisa-se.
Fotografia Sebastião Salgado

domingo, 13 de fevereiro de 2011

CENSURAS | Parece que ninguém tinha percebido ainda a razão que levou o Bloco de Esquerda a decidir avançar com a moção de censura ao Governo. Entretanto o Bloco esclareceu que a dita é contra o PS e o PSD. Também foi esclarecido que não se pretende a sua aprovação. Entendido.

sábado, 12 de fevereiro de 2011



A IDADE DA PRATA | Morreu Gerard Castello Lopes. Foi um divulgador de imagens competente. Foi um grande fotógrafo do seu tempo. Muito obrigado, senhor Castello Lopes.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


11 DE FEVEREIRO SEMPRE | O ditador em exercício há trinta e tal anos no Egipto demitiu-se. Mubarak fez as malas. E agora? Bem, isto é um começo. Esperemos que a Democracia dite as regras. Sem totalitarismos religiosos. Sem novos timoneiros absolutistas.
Boa sorte, Egípcios.


REFEITÓRIO
Uma alegria para o palato fornecida pelo estúdio de
Nicolas Lemonnier
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011



O QUE É DOCE NUNCA AMARGOU| Este projecto editorial "José Malhoa, Tradição e Modernidade", foi concebido graficamente por nós, na DDLX, e acaba de vencer o Prémio José de Figueiredo 2011. O autor é o historiador de arte Nuno Saldanha. A edição é da Scribe.

A SOLIDÃO DA VELHA SENHORA
| Uma senhora morre na cozinha de sua casa e por lá fica durante quase nove anos. Vizinhos avisaram autoridades do desaparecimento. Sem efeito. Faltaram sempre autorizações para que houvesse investigação. A senhora, um pequeno cão e uns passaritos estavam mortos na casa onde faziam companhia uns aos outros. Morreram todos na maior das solidões.
A solidão é uma actividade violenta.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011



A BEM DA NAÇÃO | Confesso que não tinha dado por nada. Um milhão de valorosos patriotas quer percorrer a Avenida da Liberdade. Querem que toda a classe política se demita. Assim, sem mais nem ontem. De repente ficávamos entregues a um punhado de cretinos passeantes na avenida. Li no Facebook algumas notas ditadas pela "organização". O discurso circula entre o reaccionarismo mais básico e a debilidade mental mais pura. São tão puros e penetrados de razão, estes esforçados justiceiros.
IMAGEM JOÃO ABEL MANTA


RAPOSAS A SUL
| O blogue de António Cabrita meteu-se pelo Egipto dentro. Ficou a impressão que se segue. Ide até lá, ide.


(Ler tudo aqui)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011



AMOR E MORTE | Esta foi a primeira página do Público de ontem. Continua-se a morrer desta maneira indescritível. O ciúme domina na maior parte dos casos o motivo. O alcoolismo convoca a "coragem". Estranha coragem esta que anula vidas humanas por amor.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011



CÓDIGOS DE TRABALHO
| Sobre a possibilidade ou não de haverem despedimentos na Função Pública já se disse de tudo. Sócrates assegura o lugar do pessoal. O senhor Picanço aproveita estas abertas e sai do ninho para dar a sua picadela no assunto: a ver vamos, debita. O líder da bancada dos liberais do PSD diz que nem pensar, tentando convencer-nos, como se fossemos parvos, que não está no horizonte das decisões do seu partido a obcecada ideia de emagrecimento do Estado, e que essa ideia passa por cortar a direito. A doutora Cristas, do partido do senhor Portas, também revela desacordo com as expulsões, mas dá uma sugestão: rescisões de contrato sim, mas com bons modos. Claro que todos são contra uma investida abrupta que empurre para situações difíceis quem trabalhou substancial parte da sua vida para o Estado português. Ninguém quer ficar mal neste retrato. A Função Pública é sagrada. As santidades resultam sempre nestas procissões.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

OLHA A NOVIDADE | Jerónimo do PCP, em entrevista a Maria Flor Pedroso, ostentando aquele ar de madre Teresa sofredora, diz que não põe de parte votar moção de censura da direita para alterar o estado das coisas. A defesa do liberalismo passa a ser letra viva no vocabulário do partido. Já agora, por falar em vocabulário, aqui há dias, ouvi o citado senhor Jerónimo preocupado com a proposta de redução de deputados. Corre-se o risco, diz, de deixar de haver - oiçam bem - pluralismo na Assembleia. Notável. O filósofo Barata, mandatário da campanha para a Presidência do senhor Lopes, tinha uma canção (ridícula, é certo), trauteada no tempo em que o homem era cantor (manhoso, é certo), em que arrasava com parva ironia... o pluralismo. Pluralismo era a pior coisa da vida, no tempo em que o Poder acenava. Agora dá jeito. Há quem diga que esta gente tem um dom que os distingue: pelo menos mantém a coerência. Têm razão: a incoerência fica-lhes tão bem, que às vezes parece coerência.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011



RECEITUÁRIO | A Monocle de Fevereiro anda aí e recomenda-se. Para além dos muitos motivos de interesse habituais, traz uma indispensável entrevista a ElBaradei, o homem que é a cara da contestação no Egipto. Como a conversa foi recolhida antes do desassossego que por lá impera, percebe-se a premonição. Mais uma edição a não perder. Avisados.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011



ÚLTIMO TANGO PARA MARIA
| Morreu Maria Schneider, lembram-se? Actriz discreta, mas de grande fôlego. Triste notícia.


RECEITUÁRIO | Pedro Chorão é um artista que vale sempre a pena visitar. Esta exposição, que hoje abre na Galeria João Esteves Oliveira, mostra os seus mais recentes trabalhos. Visita recomendada. (Clique na imagem para a ampliar)

João Esteves de Oliveira
Galeria de Arte Moderna e Contemporânea
Rua Ivens, 38 - Baixa-Chiado
1200 - 224 Lisboa

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011



COERÊNCIA REVOLUCIONÁRIA | Hugo Chavez não vai em revoluções e apoia Mubarak. O prestigiado dirigente venezuelano mantém assim a sua lendária coerência: é que estas revoluções nasceram e foram organizadas na abominável e contra-revolucionária internet. Chavez não suporta ratos de computador.
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO | Fala-se muito no efeito dominó.
As caixas deste jogo são os computadores portáteis. É aqui que nascem os manifestos. Facebook e Twitter editam os panfletos contemporâneos. A praça da revolução também passa por aqui.


EM PÉ DE GUERRA | O mundo árabe está em grande alvoroço. Depois da Tunísia e do Egito, outros territórios da zona aderiram à contestação aos governos instalados. Iémen, Jordânia e Síria juntaram-se aos protestos. O rastilho está lançado e parece imparável. Os israelitas estão geograficamente cercados. Preocupante. Esperança: analistas experimentados dizem que esta revolta não é comandada pelos islamitas. Deus os ouça. Uma coisa é certa: nada será como dantes. Esta mudança vai mudar o mundo.


LIVRO DE RECLAMAÇÕES | No passado dia 29 de Dezembro, trouxe para aqui um problema que me estava a incomodar: falta de estacionamento, por excesso de parques pagos, e consequente inutilidade dos ditos (colocação de moeda de 2 em 2 horas), já que se não servem para colocar as viaturas das criaturas (como eu) que se deslocam diariamente para Lisboa, não servem para nada. Também referia que os parques da estação ferroviária se encontravam encerrados. Ora aí está o motivo deste novo post - um dos referidos parques está democraticamente aberto e ao dispor das viaturas de cada um. Uma freguês atento alertou-me para esta atitude civilizada. O problema é que a coisa parece provisória. É que está lá instalado um casinhoto que parece mesmo vocacionado para empregar um vigia com vista ao controle de entradas e saídas. Logo, a coisa provavelmente deverá passar a entrar nas nossas declarações de despesas, mais dia menos dia. Mas enquanto o pau vai e vem...
Quanto ao negócio do parque explorado financeiramente (na foto) e possível de utilizar em outra entrada da estação, continua tão vazio como a boneca insuflável que me ofereceram num dia de aniversário aqui há uns anos. Diferenças: da boneca já nem me lembrava; mas aquele parque vazio agredia-me a inteligência. Agora já me estou borrifando: tenho onde estacionar e o dito parque não é negócio meu. Esclarecido.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011



MEMÓRIA | Fernando Assis Pacheco faria hoje 74 anos. Ficou a memória de um homem notável. É isso que hoje se assinala.


HÁ ALTURAS PARA TUDO | Revolta emocionada no Egipto. As ruas vão continuar cheias de gente. Tanta gente que não quer continuar a viver sem voto na matéria. Tanta gente que quer acreditar num futuro. Já não há palavras para descrever o que por ali se passa. Tudo soa a lamechice. A normalidade vai chegar com a mudança. O mundo só tem a ganhar com essa mudança.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011



HÁ ALTURAS PARA TUDO | Há uma altura em que as pessoas se fartam de aturar pulhas. Nesses momentos os pulhas ficam bravos e estrebucham. O desespero leva-os a atirar sobre quem está farto de ver os pulhas a viver à grande. Para os pulhas não há povo nem preocupações com o seu bem estar, mas apenas pagadores dos seus privilégios. Na Tunísia e no Egipto a coisa está a mudar. Há alturas para tudo. Chegou a altura de a Democracia se instalar por ali. Aos pulhas resta zarparem dali para fora.


RECEITUÁRIO | Conversa com o designer italiano Gaetano Pesce, com moderação da directora do MUDE, Bárbara Coutinho, no próximo dia 3 de Fevereiro, às 16 horas. Este encontro é aberto ao público em geral e destina-se, em particular, a designers e estudantes de design, arquitectura e artes plásticas.
Para assinalar a visita deste importante criador, o MUDE vai apresentar, no centro da sua exposição permanente (Piso 0), um núcleo com todas as peças da sua autoria que integram o espólio do museu.
Gaetano Pesce é considerado um dos expoentes máximos do Design Radical. Os seus trabalhos de arquitectura e design privilegiam o significado em detrimento do funcionalismo, tornando-o num ícone do anti-design. Mais recentemente, colaborou com a Melissa, dando continuidade ao projecto que a marca brasileira tem vindo a desenvolver com grandes criadores da actualidade, como Vivienne Westwood, irmãos Campana e Zaha Hadid.
(Texto promocional enviado pelo MUDE)


MUDE - Museu do Design e da Moda | Colecção Francisco Capelo
Rua Augusta, 24
1100 - 053 Lisboa
Portugal

sábado, 29 de janeiro de 2011



RECEITUÁRIO | Mesmo que não vá ao lançamento, não perca o livro de vista.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011



O QUE NASCE TORTO... | Jorge Salavisa demitiu-se da direcção da OPART, o organismo que gere o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado. As condições que tem hoje, são exactamente as mesmas que tinha na data de posse, disse a ministra Canavilhas. Pois é, acredita-se. Mas uma coisa é certa: o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NADA DE MISTURAS, MAS... | Aquela tropa fandanga que gosta de desfilar ornamentada por adereços funerários, anda em grande furor reinvidicativo. Esta recalcitrante malta não quer misturas entre ensino estatal e particular, rejeita em absoluto intromissões, e defende até à morte (os caixões já eles têm) o principio de que pagar é o melhor. Mas a rejeição tem limites, porque receber umas verbas estatais, retiradas dos impostos de todos nós, para aliviar as exigências dos "piquenos", já é outra conversa. São tão miseráveis, estes ricos.
O CIRCO VOLTOU À CIDADE | A palhaçada está na arena. O jornalista que entrevistou Silvino também já é vedeta dos noticiários televisivos. Acabamos por saber que Bibi não queria dar a entrevista, mas percebemos também que assim que se apanhou com o homem da imprensa à frente, pôs a boca no microfone e disse o que agora se sabe. A imprensa não se cala. Os advogados de defesa dos acusados não saem de cena. A Justiça está em polvorosa. O País não percebe o que se está a passar, mas espera vir a perceber. Já chega de circo. Resolvam as coisas como gente crescida. E já agora com alguma rapidez. É que já é tarde.


No âmbito da exposição "Sementes, Valor Capital", o MUDE - Museu do Design e da Moda, Colecção Francisco Capelo, apresenta um ciclo de debates sobre o tema das sementes, sua importância e diferentes utilizações, integrando a perspectiva de especialistas em várias áreas.
A exposição, que pode ser visitada até 20 de Março, e em que se mostram cerca de 500 sementes plantadas em Portugal, pretende sensibilizar para a biodiversidade agrícola, a importância da diversidade alimentar, e a preservação da semente.
(Texto promocional enviado pelo MUDE)


RECEITUÁRIO | Poesia de Henrique Segurado em edição de grande qualidade. O lançamento é hoje. O livro estará à disposição dos leitores nas livrarias. É para vender. E para comprar.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011



O CASO DO CASO CASA PIA | Não sei se é para levar a sério, mas afinal parece que Bibi, o famoso abusador confesso do caso, mentiu com todos os dentinhos que tem na boca. Nada do que disse diz que se passou. Só conhecia de vista todos os denunciados e ofendidos. Afinal em que ficamos? O homem passou-se, ou está passado há muito? Vai tudo voltar ao princípio?
FUNERAL DO ENTRUDO | Pais e alunos de "estabelecimentos de ensino" particular, usaram caixões para manifestar desagrado por um corte infringido nos apoios pelo Ministério da Educação. Que falta de gosto. E de educação. Bem merecem o corte nos apoios.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011



DENNIS OPPENHEIM | A escultura, a pintura, a arquitectura, a fotografia, o corpo e a ironia andaram de mãos dadas com este artista norte-americano. Morreu no sábado. Viverá a obra.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PACHORRA | Já não há paciência para as reportagens sobre as declarações dos candidatos, as declarações propriamente ditas, as análises dos comentadores de serviço, as curiosidades pouco curiosas da campanha, o mau ganhar de Cavaco, a vitória dos que perderam, a penalização do que ganhou com a menor votação de sempre, e mais o diabo que os carregue. Já chega, não? Daqui a cinco anos há mais. Se lá chegarmos.
RESUMO DA MATÉRIA DADA | Até já há quem fale nas próximas eleições presidenciais. Pelos vistos não ficaram satisfeitos com a dose. O ofício de comentar tudo e mais alguma coisa, em canais televisivos, quando o assunto se esgota, leva a alguns exageros. E dá para tudo. Há quem não perceba que o capital político de Fernando Nobre não aguenta o desgaste do tempo. Até porque Nobre não tem capital político. Nobre político acabou ontem, ponto. O Coelho da Madeira já é apontado como preocupação para Alberto João Jardim. Jardim, se os ouve, deve estar em delírios de humor. E desta com razão. Também Lopes, grande vencedor da noite eleitoral, orgulhoso com o número de votos obtidos, possíveis de o fazer eleger para uma junta de freguesia, é apontado pelos comentadores como uma surpresa. Surpresa? Sim, parece que afinal é humano e sensível. Pensariam, antes de a campanha arrancar, que se tratava de um símio em animação circense? Haja paciência.