sexta-feira, 30 de novembro de 2012


quinta-feira, 29 de novembro de 2012


OS DIAS DO PAI NATAL |  | Este senhor fala como se fossemos todos pequeninos e mal comportados. Estamos todos muito mal habituados. Temos que ser pobrezinhos e honrados. E ficar caladinhos. Fartámo-nos de gastar para além das nossas possibilidades. Fomos uns gastadores em sopas, bifes, aparelhos domésticos, pão caseiro, bolos, jornais, brinquedos para os putos, arroz, massa, livros, café, vinho, papel higiénico e outros luxos supérfulos. Isto enquanto outros portugueses, mais esclarecidos, gastaram o seu dinheiro e o dos Bancos em produtos de excelência causadores de um esdrúxulo desenvolvimento económico como carros de grande cilindrada, Casas chaias de sol e quentinhas, casas de férias fresquinhas, amantes boas como o milho, viagens de sonho, e outras generosas mordomias. Este senhor decidiu que agora todos temos que pagar as despesas da festa. Somos todos culpados: os que comeram sopas e bifes como se não houvesse amanhã, e os que comeram e fizeram o que lhes apeteceu tivessem dinheiro ou não. Para que servem os Bancos? Mas este senhor é um iluminado. Acredita que podemos pagar dívidas mesmo sem ganhar dinheiro. E devemos pagar os impostos mesmo sem cheta. É um esforço que fará crescer as empresas grandes e anular as pequenas. Empresas pequenas para quê? Para meter nojo? Os grandes empresários é que sabem o que nos faz felizes. São os grandes empresários que vão fazer crescer a economia. A deles, é claro. Este senhor acredita em milagres. Provavelmente acredita no Pai Natal. Abençoado.
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SEI ONDE MORA O MANUEL MONTEIRO | Em tempos andou pelo parlamento em representação da UDP. Já publicou poesia. Sempre esteve ligado aos livros. Mais recentemente anda de feira em feira, de livros às costas, com a intenção de comercializar esses objectos que conhece tão bem. Entretanto escreveu um romance. Deu-lhe um título absolutamente notável: Sei Onde Mora o Herberto Helder. A ideia da história é um achado. Um homem como qualquer outro decide ser diferente e enceta uma actividade invulgar. Observa à distância homens com fama e proveito de serem diferentes. Começou por Salazar. Deu-se mal. A PIDE não achou graça à perseguição. Mais tarde pespegou-se à porta da sede nacional do PCP, observando um Álvaro Cunhal já reformado, mas que mantinha actividade no partido. Seguiu-se Herberto Helder. Herberto é famoso pelo sua recusa da fama. Ambientes sociais nem vê-los. Recusa nomeações e prémios. Ora, alguém dizer peremptoriamente que sabe onde mora o poeta, é pedrada na poça. A fobia acaba num convívio com Sebastião Alba, em Braga. O "poeta marginal" convive com o seu admirador em simpática relação que chega a ser de amizade. Pelo meio disto tudo deambula o gato Osborne, que também tem coisas a dizer. A militância política não larga a narrativa, como não podia deixar de ser. O escritor/alfarrabista conta a história de uma vida vulgar com comportamentos invulgares. Provavelmente  é assim a vida de Manuel Monteiro.
Nota à margem: Fazia falta a figura do revisor na ficha técnica. 

Título: Sei Onde Mora Herberto Helder
Autor: Manuel Monteiro
Capa: Hugo Neves 
Edição: Alêtheia
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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UM CERTO AR | Enrique Vila-Matas é um extraordinário escritor. Este livro está minado de ironia. A apologia do fracasso dá em rotundo sucesso. A diferença entre o falhanço e as vantagens do sucesso esbatem-se. É muito difícil atingir o fracasso assim sem mais nem ontem. Tudo se complica quando nos aplicamos em atingir um objectivo. Tudo dá muito trabalho nesta vida. Mas este romance invade-nos com a facilidade de quem procura a simplicidade sabendo o que faz. Vila-Matas é um extraordinário escritor, repito. E mais não digo. Leiam os livros dele. Este é um dos melhores que escreveu, digo eu. Boa leitura.

Título: Ar de Dylan
Autor: Enrique Vila-Matas
Tradução: Miranda das Neves
Imagem da capa: Dayanita Singh (não é mencionada autoria da capa)
Edição: Carlos da Veiga Ferreira | Teodolito
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terça-feira, 27 de novembro de 2012

O GOSTO DOS OUTROS | A gente vê Mário Crespo, no seu programa privado da SIC-N, explanar opiniões tendenciosas, em tendencioso convívio com os comentadores convidados que com ele ombreiam contra os que estão contra a normalidade ali instalada, e vê depois Ana Lourenço, em competente e civilizada conversa com os comentadores convocados, e percebe a diferença que há entre um irritante jornalista/comentador em exercício dos seus fracos dotes retóricos, e a prestação de uma grande profissional da comunicação social. E depois a gente escolhe quem quer ver trabalhar. Tão simples.
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A DÚVIDA | Nos próximos dias colocarei aqui na montra electrónica os livros que fui lendo ao longo deste ano que se despede. Ano que não deixa saudades, mas que parece não ter sido dos piores, segundo todas as previsões. Já lá vai o tempo em que o que estava para vir era embalado pela esperança. Agora desejamos que o futuro seja menos mau. Passemos à frente. A Literatura sempre interpretou as vivências e os conflitos interiores que atormentam o Ser Humano, mas que também o fazem sonhar. A Literatura melhora a realidade. Confere-lhe mais humanidade. De entre todos os escritores que me ajudaram a passar os dias deste ano, destaco Sándor Márai. Desde As Velas Ardem até ao Fim que este senhor não me larga. A Dom Quixote tem vindo a publicar outros trabalhos seus: A Herança de Eszter, A Mulher Certa, Rebeldes, Divórcio em Buda, A Ilha. Todos estes livros são literatura maior. Grande. A Ilha foi o que mais recentemente me passou pelos óculos. A dúvida, a incerteza nos  relacionamentos amorosos, a curiosidade na busca do desconhecido, a ameaça da solidão, povoam as 155 páginas desta viagem a uma intrigante ilha grega. Viagem que é uma incursão pelos trilhos da existência humana. Uma preciosidade da literatura contemporânea, passada a letra de forma em 1934. 
São assim, eternos, os grandes livros.

Título: A Ilha
Autor: Sándor Márai
Tradução do húngaro: Piroska Felkai
Revisão de tradução e linguística: Clara Boléo
Capa: Joana Tordo
Edição: Cecília Andrade | DOM QUIXOTE
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

RAÇAS INFERIORES | O soba do Funchal avisou que vai sair de cena em 2015. Que eternidade. Descreveu tudo o que vai acontecer ao pormenor em discurso arrogante e básico. O costume.  Jardim confunde a Madeira com ele próprio, descrevendo os seus adversários como gente que não merece qualquer respeito dos madeirenses. "Gente inferior", considerou. Sabemos que o líder do PSD-Madeira nunca foi um anti-fascista, revelando-se sempre, pelo contrário, um entusiasmado salazarista. Nada a acrescentar, portanto. Um fascista não acrescentaria nada ao seu autoritário e desprezível discurso. Parece que Passos Coelho vai até lá em apoio e homenagem ao seu colega de partido. Deve estar inebriado de orgulho com a prestação do soba. São todos de uma raça superior. Deus os proteja.
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domingo, 25 de novembro de 2012

O MARIDO, A MULHER E A COLHER | A Humanidade pouco evoluiu em certas atitudes. Ainda há quem ache normal aquela história do marido, da mulher e da colher. Se o marido bate, "bate no que é seu", cantava um miserável fado. Outra canção, cantada nos salões do convívio marialva, revela o requintado gosto dos seus praticantes: "Ai cá para mim não há, ai não, maior prazer do que o selim e a mulher". O selim e a mulher. Notável. Falamos da dominação de animais indefesos que servem o exclusivo prazer de quem os detém. Uns são alimentados para depois serem "tratados artisticamente" em redondéis construídos para a exibição. Outros são tratados com "arte" em qualquer dependência da casa. Comparação exagerada? Nada disso. As premissas que mencionam a tradição e a conservação da excelência das espécies não nos deixam dúvidas. A violência é exercida sobre quem previsivelmente a suporta. Porque sempre foi assim.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012


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BOM APETITE | De uma escura e sombria carvoaria nasceu um luminoso restaurante. Da antiga utilização do espaço já Lisboa não se lembra. O Fidalgo abriu em 1971. Logo se transformou em referência entre os lugares da grande gastronomia do Bairro Alto. Uma legião de exigentes frequentadores tornou-o lugar de culto. Em 2010 deu-se reforma arquitectónica. O trabalho de remodelação foi temperado pelo ateliê CMDias e a imagem gráfica foi modificada pela DDLX. O sítio ficou mais arejado e agradável. Os clientes continuaram fiéis. Nunca abandonaram os famosos pastéis de massa tenra, o arroz de pato, o bacalhau à Brás e as outras iguarias altamente recomendáveis. Garrafeira bem composta. Uma refeição no Restaurante Fidalgo fica na memória de qualquer comensal que se preze. Bom apetite.
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Pour José Afonso, revoir le concert live sur... por Mediapart

HOMENAGEM | José Afonso recordado no Théâtre de la Ville, em Paris.

FUNGÁGÁ DA BICHARADA | O bispo de Roma é um homem determinado. Depois de ter decretado o fim do limbo, vem agora acabar com a participação da bicharada no presépio. A retirada do Limbo até achei bem. Aquele penar sempre me meteu muita impressão. Mas esta agora anulou de vez a minha já pouca vontade de tentar encontrar a Fé. Gente que coloca animais ao abandono causa-me repulsa. E em termos logísticos a coisa também não é assim tão simples: o que é que o pessoal faz às figurinhas que agora sobram do presépio?
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

CLUBE DE CINEMA | O FILME DA MINHA VIDA | A Experimentáculo propôs a iniciativa: convidar pessoal para sugerir e comentar o filme da sua vida. Hoje vou eu apresentar o filme que achei que deveria apresentar. Confesso que não sei qual é o filme da minha vida. Vejo cinema com frequência. O cinema ilustra viveres e sentires. O nosso dia-a-dia. Convoca a literatura para aperfeiçoar a realidade que interpreta. O Declínio do Império Americano é uma história de vidas que se cruzam e convivem com a intensidade das grandes amizades. Andam por ali afecto, sexo, traição, ingenuidade, amor, sexo, traição, cultura, debate, amizade sincera, sexo, traição...
Gostei deste filme e considero-o um excelente pretexto para um debate sobre a vida das pessoas na actualidade. Apareçam.

O DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO
DENYS ARCAND
Casa da Cultura | Setúbal
22 | Novembro | Quinta-feira
21:30 horas



ANDAM AÍ À SOLTA... | O FMI quer que se corte, reduza, elimine. Um reduzido raminho de sinistras criaturas decide o que os seus representantes locais devem impor aos seus cidadãos. As ditaduras unipessoais deixaram de ser necessárias. Agora, as atitudes ditatoriais são executadas por eficazes grupos de decisão. Os novos impositores são multiraciais e usam coloridas gravatas, mas não deixam de representar o regresso das coisas velhas.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O ESPELHO DE NARCISO | A troika avalia-se. Os seus parceiros em Portugal cumprem. Os resultados anulam vidas e prolongam sofrimentos. Nada acrescenta esperança à vida das pessoas. Mas tudo está previsto. Alguém disse que não havia miséria em Portugal. Alguém que tem "obra" e voz na prática da caridade. Claro que não é de miséria que falamos, quando falamos das privações que se vivem. Falamos de pobreza, essa valorosa instituição que tanto orgulha os nossos esforçados governantes. Parabéns a todos.
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domingo, 18 de novembro de 2012

AMORES SECRETOS | Vá lá a gente perceber os americanos. Um general laureado é penalizado porque prefere fazer o amor em vez de fazer a guerra. Ou será que acumulou funções? Ok, entendido: há uma indústria a manter. O material de guerra não pode apodrecer nos armazéns.
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O Governo recuou na sobretaxa do IRS, mas vai apertar a carga fiscal dos subsídios de refeição: os valores pagos em dinheiro que excedam os 4,27 passam a pagar IRS e Segurança Social. As gratificações declaradas pagarão sobretaxa. DIÁRIO DE NOTÍCIAS

O DRAMA DOS CANASTRÕES | Os actores políticos que pisam o palco da governação já experimentaram a farsa e a comédia. Agora estão noutro patamar da representação. Ligaram as luzes da sala, sentaram-se no estrado, e parece que gozam com o pessoal que paga o ingresso. É um novo tipo de representação, digamos assim.
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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

COSMÉTICA RASCA | Os dois líderes dos dois partidos da coligação fingem que ganham uma guerra com Vítor Gaspar. A proposta de redução em meio ponto percentual da sobretaxa aplicada ao IRS, é apresentada como grande vitória da vontade dos partidos que votaram o orçamento de Estado. Uma grande atitude em defesa dos contribuintes. Vítor Gaspar deve ter estremecido perante esta corajosa exigência dos seus parceiros. 
O ridículo não mata. Se matasse...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

É pela solidariedade e não pela austeridade sem fim que os objetivos da redução dos défices serão alcançados.
François Hollande

TODOS JUNTOS | Somos cada vez mais a pensar assim. Merkel não pode impor a sua destruidora austeridade a uma Europa em completo declínio. A austeridade deve ser acompanhada de solidariedade. 
A vida das pessoas não pode andar à mercê de atitudes de polícias fiscais. Não temos que morrer todos para satisfazer as ideias neoliberais de Merkel, Coelho e Gaspar. Há mesmo outros caminhos. Tem de haver.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

METAMORFOSES | Passos Coelho foi hoje trabalhar numa fábrica que transforma porcos em salsichas. Parece que vão lançar salsichas de coelho. É verdade, não estou a brincar. Provavelmente em homenagem ao senhor Passos. Cavaco, depois de dias e dias sem se dar por ele, resolveu declarar que hoje trabalhava. Logo hoje. Que bom para eles. Têm trabalho. É que enquanto eles brincam aos sucessos políticos, cá fora, na realidade, o desemprego bate records. O PIB naufraga. 
Nada a assinalar. Governo reconhece empobrecimento e recomenda emigração. Passos Coelho confirma austeridade e felicita quem foi trabalhar. Imperturbável. Senhor de si. Alheio às vozes, cada vez em maior número, que contestam esta política criminosa. Estas criaturas ficarão para a história como os autistas do memorando devastador. Uma má memória.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

A GRANDE SURPRESA | O Banco de Portugal avisa que a recessão em 2013 vai ser mais grave do que previsto pelo Governo. O consumo das famílias cai a pique. O investimento também. Fiquei espantado com esta surpresa. Vitor Gaspar também deve estar de queixo caído. Depois de tanto esforço orçamental, de tanto rigor fiscal, de tanta austeridade, um resultado destes. Quem diria.
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Alguém tinha dúvidas?
EUROPA À RASCA | A Greve Geral de dia 14 agrupa gente de outros países europeus. É a Europa que está em empobrecimento. São os europeus que devem fazer frente à sua decadência imposta. 
Seremos muitos, pois claro.
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

LEMBRETE | Senhora dona Merkel, não é bem vinda por todos nós. Presumo que só mesmo pelos ministros deste governo e pelos deputados que não tiveram problemas em votar a favor de um Orçamento de Estado assassino. Portanto, os outros, nós todos, estamos de luto para protestar. Vá.
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domingo, 11 de novembro de 2012

POBRE GENTE RICA | Isabel Jonet está na berlinda. Declarações num programa de televisão colocaram a senhora na boca de cena. Os ataques, os pedidos de demissão e a divulgação de outras declarações infelizes da banqueira alimentar fervilham nas redes sociais. Estou perante uma situação em que não concordo com nada do que é dito e pedido. Não concordo com Jonet, é claro. Mas pedir que se demita não é flor do meu bouquet. O problema é ideológico. Estas organizações são sempre coordenadas por pessoas sem dificuldades que gostam muito de ajudar quem está em dificuldades. São os chamados "bem nascidos" em prática de caridade. Fernando Ulrich, um dia que se reforme também poderá inscrever-se nas acções de ajuda às portas dos supermercados. Borges também. Eugénio Fonseca, muito indignado, em defesa da doutora Jonet, avançou com a certeza de que não há um único governo que resolva os problemas da pobreza sem as ajudas destes voluntariados. Podiam simplesmente reconhecer o erro e corrigi-lo. Mas não. A falta que os pobrezinhos fazem para sermos bonzinhos. Nas redes sociais não falta quem saia em defesa de Jonet  e da ideia protectora dos pobrezinhos como coutada privada.
Esta feira de comentários, parecendo razoável vinda de quem gosta muito de ajudar, não o é. São chocantes vindas de quem dirige estruturas públicas. Repito: o problema é ideológico. A direita nunca esteve interessada em combater a pobreza. É a sua natureza conservadora. À direita interessa este estendal. É por isso que eles acham que o povo aguenta o que aí está e muito mais. Estas pessoas são assim e é nestes lugares que dão brilho à sua bondade íntima. Nada a alterar. Pobre gente rica.
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sábado, 10 de novembro de 2012

ELEIÇÕES NA ALEMANHA | A senhora Merkel alastra a campanha a toda a Europa. Segunda-feira vai subir ao estrado em Lisboa. Os recursos utilizados para a segurança pessoal da candidata parecem estar ao nível do estado de sítio. Com Merkel a coisa não se faz por menos. Isto ainda nos vai sair caro, não vai?
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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

QUE FAZER ENTÃO?! | Depois de se enganar na aritmética, o FMI vem agora temer a contestação. Quer dizer: eles enganam-se e tentam enganar-nos, e depois assustam-se com a inevitável insustentabilidade provocada por tanto atropelo. Uma grande chatice. E soluções, há? Claro. Passos disse logo a abrir que não seria permitida desordem. O ministro das polícias já disse que a contestação poderá ser identificada e provavelmente punida. O ministro da justiça já identificou os comentadores políticos como perigosos agitadores. Falta pôr uma dona Jonet em cada esquina para justificar as virtudes da pobreza sem miséria. Depois é esperar pelos resultados. Não chegaremos lá. Provavelmente já estaremos todos mortos ou presos, mas eles sabem o caminho para o sucesso. O deles, é claro.
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Amador sem coisa amada

Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.

Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.

Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.
António Gedeão

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

  
            Eu, quando choro,
            não choro eu.
            Chora aquilo que nos homens
            em todo o tempo sofreu.
            As lágrimas são as minhas
            mas o choro não é meu.

                 António Gedeão. Movimento perpétuo.

Cristina Carvalho vai estar amanhã, na Casa da Cultura, em Setúbal. Apresentará o seu mais recente livro:
Rómulo de Carvalho/António Gedeão, Principe Perfeito
uma biografia que é uma interpretação muito pessoal da vivência com o poeta. O debate será bem vindo. Daí também ser muito bem vinda a vossa presença.
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VAMOS BRINCAR À CARIDADEZINHA | Não há miséria em Portugal. Há pobrezinhos que têm de se habituar a ser isso mesmo: pobrezinhos. E é tão bom haver pobrezinhos que é para a gente gostar muito deles...
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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

BOA SORTE.
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terça-feira, 6 de novembro de 2012

SENHOR POETA | É já na próxima sexta-feira. Apareçam.
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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

HISTÓRIA TRISTE | Passos Coelho, em festa aconchegada, entre amigos, no fim do verão, avançou com 2013 como o ano do fim das maiores adversidades. Pouco tempo depois anunciou mais austeridade, tendo Borges e Ulrich em esforçada ajuda. Agora, vem a patroa de Passos, a senhora dona Angela de Berlim, dizer que afinal a crise é para durar mais cinco anos. Enfim, esperemos que o senhor Passos e a sua inspiradora líder não pisem tanto tempo as alcatifas do poder. Com tanta incerteza e falta de consideração pelas pessoas, serão precisamente as pessoas a não aguentar. Não somos cobaias das políticas neoliberais. Somos gente contra estes autómatos de calculadoras em punho. 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

MENSAGEM | Senhor Presidente da República, está aí? Era só para perguntar se este Orçamento que a sua rapaziada aprovou define os limites para os sacrifícios, ou se ainda vão pedir-nos para aguentarmos mais. É que este combinado de extorsões vai muito além do que era pedido quando o senhor manifestou a sua indignação. E parece que os seus meninos não encontraram ainda o fundo da coisa. Diz que querem experimentar mais. É só para ficarmos mais descansados.
TÃO POUCOS CONTRA TANTOS | Foram estes deputados que aprovaram, com toda a convicção, o belo do Orçamento de Estado que nos vai tramar a todos. É a estes senhores e senhoras que iremos perguntar o que lhes passou pela cabeça, se é que têm uma. 

Abel Baptista (Viana do Castelo, CDS-PP), Adão Silva (Bragança, PSD), Adolfo Mesquita Nunes (Lisboa, CDS-PP), Adriano Rafael Moreira (Porto, PSD),Afonso Oliveira (Porto, PSD), Altino Bessa (Braga, CDS-PP), Amadeu Soares Albergaria (Aveiro, PSD), Ana Oliveira (Coimbra, PSD), Ana Sofia Bettencourt(Lisboa, PSD), Andreia Neto (Porto, PSD), Ângela Guerra (Guarda, PSD), António Leitão Amaro (Lisboa, PSD), António Prôa (Lisboa, PSD), António Rodrigues (Lisboa, PSD), Arménio Santos (Viseu, PSD), Artur Rêgo (Faro, CDS-PP), Assunção Esteves (Lisboa, PSD), Bruno Coimbra (Aveiro, PSD),Bruno Vitorino (Setúbal, PSD), Carina Oliveira (Santarém, PSD), Carla Rodrigues (Aveiro, PSD), Carlos Abreu Amorim (Viana do Castelo, PSD), Carlos Alberto Gonçalves (Europa, PSD), Carlos Costa Neves (Castelo Branco, PSD), Carlos Páscoa Gonçalves (Fora da Europa, PSD), Carlos Peixoto (Guarda, PSD), Carlos Santos Silva (Lisboa, PSD), Carlos São Martinho (Castelo Branco, PSD), Clara Marques Mendes (Braga, PSD), Cláudia Monteiro de Aguiar(Madeira, PSD), Conceição Bessa Ruão (Porto, PSD), Correia de Jesus (Madeira, PSD), Couto dos Santos (Aveiro, PSD), Cristóvão Crespo (Portalegre, PSD),Cristóvão Norte (Faro, PSD), Cristóvão Simão Ribeiro (Porto, PSD), Duarte Marques (Santarém, PSD), Duarte Pacheco (Lisboa, PSD), Eduardo Teixeira(Viana do Castelo, PSD), Elsa Cordeiro (Faro, PSD), Emídio Guerreiro (Braga, PSD), Emília Santos (Porto, PSD), Fernando Marques (Leiria, PSD), Fernando Negrão (Braga, PSD), Fernando Virgílio Macedo (Porto, PSD), Francisca Almeida (Braga, PSD), Graça Mota (Braga, PSD), Guilherme Silva (Madeira, PSD), Hélder Amaral (Viseu, CDS-PP), Hélder Sousa Silva (Lisboa, PSD),Hugo Lopes Soares (Braga, PSD), Hugo Velosa (Madeira, PSD), Inês Teotónio Pereira (Lisboa, CDS-PP), Isabel Galriça Neto (Lisboa, CDS-PP), Isilda Aguincha (Santarém, PSD), Joana Barata Lopes (Lisboa, PSD), João Figueiredo(Viseu, PSD), João Gonçalves Pereira (Lisboa, CDS-PP), João Lobo (Braga, PSD), João Paulo Viegas (Setúbal, CDS-PP), João Pinho de Almeida (Porto, CDS-PP), João Prata (Guarda, PSD), João Rebelo (Lisboa, CDS-PP), João Serpa Oliva (Coimbra, CDS-PP), Joaquim Ponte (Açores, PSD), Jorge Paulo Oliveira (Braga, PSD), José de Matos Correia (Lisboa, PSD), José de Matos Rosa(Lisboa, PSD), José Lino Ramos (Lisboa, CDS-PP), José Manuel Canavarro (Coimbra, PSD), José Ribeiro e Castro (Porto, CDS-PP), Laura Esperança(Leiria, PSD), Lídia Bulcão (Açores, PSD), Luís Campos Ferreira (Porto, PSD), Luís Leite Ramos (Vila Real, PSD), Luís Menezes (Porto, PSD), Luís Montenegro (Aveiro, PSD), Luís Pedro Pimentel (Vila Real, PSD), Luís Vales (Porto, PSD), Manuel Isaac (Leiria, CDS-PP), Margarida Almeida (Porto, PSD), Margarida Neto (Santarém, CDS-PP), Maria Conceição Pereira (Leiria, PSD),Maria da Conceição Caldeira (Lisboa, PSD), Maria das Mercês Borges (Setúbal, PSD), Maria João Ávila (Fora da Europa, PSD), Maria José Castelo Branco (Porto, PSD), Maria José Moreno (Bragança, PSD), Maria Manuela Tender (Vila Real, PSD), Maria Paula Cardoso (Aveiro, PSD), Mário Magalhães (Porto, PSD), Mário Simões (Beja, PSD), Maurício Marques (Coimbra, PSD), Mendes Bota (Faro, PSD), Michael Seufert (Porto, CDS-PP), Miguel Frasquilho (Porto, PSD), Miguel Santos (Porto, PSD), Mónica Ferro (Lisboa, PSD), Mota Amaral (Açores, PSD), Nilza de Sena (Coimbra, PSD), Nuno Encarnação (Coimbra, PSD), Nuno Filipe Matias (Setúbal, PSD), Nuno Magalhães (Setúbal, CDS-PP), Nuno Reis (Braga, PSD), Nuno Serra (Santarém, PSD), Odete Silva (Lisboa, PSD), Paulo Batista Santos (Leiria, PSD), Paulo Cavaleiro (Aveiro, PSD), Paulo Mota Pinto (Lisboa, PSD), Paulo Rios de Oliveira (Porto, PSD), Paulo Simões Ribeiro (Setúbal, PSD), Pedro Alves (Viseu, PSD), Pedro do Ó Ramos(Setúbal, PSD), Pedro Lynce (Évora, PSD), Pedro Pimpão (Leiria, PSD), Pedro Pinto (Lisboa, PSD), Pedro Roque (Faro, PSD), Raúl de Almeida (Aveiro, CDS-PP), Ricardo Baptista Leite (Lisboa, PSD), Rosa Arezes (Viana do Castelo, PSD), Sérgio Azevedo (Lisboa, PSD), Telmo Correia (Braga, CDS-PP), Teresa Anjinho (Aveiro, CDS-PP), Teresa Caeiro (Lisboa, CDS-PP), Teresa Costa Santos (Viseu, PSD), Teresa Leal Coelho (Porto, PSD), Ulisses Pereira (Aveiro, PSD), Valter Ribeiro (Leiria, PSD), Vasco Cunha (Santarém, PSD) e Vera Rodrigues (Porto, CDS-PP).
Através de DerTerrorist

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

ANTÓNIO GEDEÃO EM SETÚBALCristina Carvalho, que neste caso acumula ao ofício de escritora o papel de filha do poeta homenageado nesta exposição, vai estar presente para apresentar o seu livro biográfico e conversar sobre o relacionamento com António Gedeão. Oportunidade para convivermos com o lado mais individual do autor de Pedra Filosofal. Cristina Carvalho é uma simpática e excelente conversadora. Já agora, à laia de curiosidade, neste cartaz, Rómulo de Carvalho e sua Mulher, Natália, aparecem fotografados no claustro do Convento de Jesus. Gedeão, em 1947, em Setúbal. Agora vai voltar. Bem vindo, querido poeta.
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