domingo, 30 de novembro de 2014
COMPRAI, SENHORES, COMPRAI | Cavaco foi dizer aos árabes que em Portugal há tudo em bom. Há sol — produto que por lá é coisa rara —, há mulheres bonitas e há cavalos. Excelente catálogo de produtos para venda. Ah, é verdade, e também há uns aviões de grande qualidade e muitas outras empresas a precisar de novo dono. Vende-se tudo com urgência. É que o Presidente está quase a ir para a reforma e precisa de deixar a casa arrumada. Este Presidente está ao nível de um vendedor aldrabão de objectos em segunda mão. Não tenho prazer nenhum em dizer isto, é a realidade. Ele prova-o a toda a hora.
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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

CESÁRIO BORGA NA CASA DA CULTURA | É hoje que vamos falar com Cesario Borga sobre o seu mais recente livro. Livro que mete judeus, espiões e muito mais gente que andou por uma Lisboa cosmopolita, mas reprimida. Rosa Azevedo vai falar com o autor. Vamos todos falar com Cesário e perceber o que o levou a escrever esta história de amor. A editora, Ana Maria Pereirinha, também vai marcar presença. Apareçam. Até já.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Luís Montenegro quer que todos os deputados que votaram contra o orçamento se demitam Notícia DN
A VOZ DO DONO | Pois claro. Quem não é por nós é contra nós. Os nossos desobedeceram? É preciso varrer a parada. A tropa fandanga desfila em silêncio. Endireitem a gravata, já! Todos os desalinhos serão castigados. Sentido!quarta-feira, 26 de novembro de 2014
O LÍDER EUROPEU | Este senhor representa um pequeno Estado na Europa, mas o seu discurso apela à decência da sensatez, com propostas concretas, como se tivesse sido empossado líder europeu. Se Juncker o aplaude é porque não está a perceber nada. Se a direita e a extrema-direita o aplaudem, é porque estão a assobiar para o lado. Se a esquerda não interpreta politicamente os recados, é porque está distraída. Crenças postas de lado — incluo-me entre os que não atendem a assuntos de fé extra-terrena —, teremos que reconhecer que estamos perante um grande estadista. Não um estadista vulgar, com discurso politicamente correcto e pose fotográfica. Este homem sabe o que diz porque percebeu o que se passa. Só isso. Acontece aos melhores. Notícia DN
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terça-feira, 25 de novembro de 2014
DEMOCRACIA FERIDA | Já tudo foi dito sobre a vontade de palco da Justiça portuguesa. Estão esclarecidos os exageros. Estão condenadas as prepotências. Assistimos a métodos preliminares que tudo viciam. A decisão está tomada: culpado. Fica por esclarecer o impacto que todos estes casos vão ter na sobrevivência da própria democracia. A Justiça portuguesa pouco se importa com essa gestão. Porta-se como elefante bebé em loja de cristais. Claro que todos os crimes devem ser punidos, mas nunca me passaria pela cabeça gritar "Aleluia" pela prisão de um ex-governante do meu país. Lamento-o, isso sim. Opinei há dias atrás que gostava que o caso dos vistos gold fosse um equivoco. Já aí fiquei preocupado com a gravidade da coisa. Preferia que tudo isto não passasse de um pesadelo colectivo.
Um partido fascista fez marcação a Sócrates no primeiro dia dos interrogatórios. Ainda não sabemos se o ex-primeiro-ministro merece esse elogio. Mas sabemos que o mal está feito. Os inimigos da democracia aproveitam tudo. A crise do regime está aí. E, já que estamos com a Justiça na berlinda, pergunto: tem um juiz sozinho condições para resolver tantos e tão complexos casos?
É preciso ter cuidado. Muito cuidado.
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Um partido fascista fez marcação a Sócrates no primeiro dia dos interrogatórios. Ainda não sabemos se o ex-primeiro-ministro merece esse elogio. Mas sabemos que o mal está feito. Os inimigos da democracia aproveitam tudo. A crise do regime está aí. E, já que estamos com a Justiça na berlinda, pergunto: tem um juiz sozinho condições para resolver tantos e tão complexos casos?
É preciso ter cuidado. Muito cuidado.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014

CESÁRIO BORGA MUITO CÁ DE CASA | Foi jornalista, durante anos correspondente da RTP em Madrid, e agora é romancista. Este é o seu segundo livro. O primeiro, O Agente da Catalunha, foi uma promessa. Ethel - Amanhã em Lisboa, é a confirmação. Cesário Borga abraça esta nova actividade com entusiasmo e tem o reconhecimento dos leitores mais exigentes. Vai estar na próxima sexta-feira em Setúbal, na Casa da Cultura. Rosa Azevedo fala do livro e fala com o autor. Cá vos esperamos.
domingo, 23 de novembro de 2014
Enfim, os praticantes religiosos em rejeição da diferença. A fé pertence-lhes. Foram ungidos. Não venham cá com modernices.
Cristo seria corrido do altar se ousasse entrar naquela igreja.
Deus vos perdoe, se estiver para aí virado.
sábado, 22 de novembro de 2014
ESPUMA DOS DIAS | Será que é a Justiça que está na moda em Portugal, ou será que é outra coisa qualquer que não se percebe muito bem o que seja? Aguardemos.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Alinhei as palavras que se seguem para o catálogo da exposição de José Mouga na Casa Da Cultura | Setúbal. Coloco aqui também algumas imagens de trabalhos do artista de diferentes fases. Conversaremos com José Mouga na próxima sexta-feira, dia 21, a partir das 22 horas. Lá estaremos, eu e o Manuel Augusto Araujo para darmos corda ao debate. Apareçam.ALEGRES CIPRESTES | Se me pedissem para escolher uma música ou um grupo musical para acompanhar a pintura de José Mouga, inclinava-me para os Penguin Cafe Orchestra. O percurso do pintor não acompanha estilos ou modas. Não se enquadra em escolas ou grupos. Nada contra os alinhamentos. As rotinas são necessárias. Mas não é disciplina que se inscreva no seu caderno de capa preta. Adivinha-se nestes trabalhos a preocupação de não estar calado. De contar o que se passou ali mesmo ao lado. De mostrar trilhos percorridos. É por isso que a pintura de Mouga é como a música do grupo de Simon Jeffes. Sem enquadramento que permita uma classificação.
Conheço-lhe o percurso desde os tempos do abstracto. Percebi o caminho para uma tímida figuração. E surpreendo-me com este novo trabalho. Estes ciprestes foram companheiros do artista e seus cúmplices.
Rui Mário Gonçalves tentou perceber o que se passou. Escreveu elogiosa opinião sobre a pintura de José Mouga. Na publicação que será apresentada para esta exposição será incluído um dos seus textos. Aliás, decidimos que esta mostra fosse também uma homenagem ao crítico e historiador de arte que recentemente nos deixou. É o nosso obrigado a quem tão bem entendeu a Arte Portuguesa.
Setúbal recebe o pintor José Mouga, na Casa da Cultura, com estes trabalhos que revelam a nova fase do artista. Chamou-lhes Notas de Viagem.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2014
terça-feira, 18 de novembro de 2014
segunda-feira, 17 de novembro de 2014

É A POLÍTICA, ESTÚPIDO | Podemos defender que as situações são diferentes. Nos Vistos Gold existem casos de alegada corrupção. Pura e dura. Paula Teixeira da Cruz, Nuno Crato e Rui Machete são protagonistas de azelhices várias, contudo pouco comparáveis com essas possíveis falcatruas. Mas em todos estes imbróglios o que se põe em causa são os envolvimentos políticos. Todas estas personagens são acima de tudo agentes políticos. Pertencem a um Governo de um país que tem, em princípio, de exigir rigor na actuação política. E, nesse aspecto, os responsáveis da educação, da justiça e da diplomacia são muito mais irresponsáveis do que o ministro que agora sai. Em qualquer governo decente, estas criaturas já teriam sido mandadas para os sítios de onde vieram. Não entende isso, senhor primeiro-ministro? É a política.domingo, 16 de novembro de 2014
LEGIONELLA | A fonte da contaminação não será divulgada? Porquê? Por causa dos processos de indemnização? Provocava crise financeira nas empresas culpadas? E as mortes? E as pessoas que ficaram sem os familiares?
Este caso trouxe-me à memória o filme deste cartaz e a actividade profissional da senhora que deu motivos para as filmagens: Erin Brockovich.
Enfim, outras geografias. É isso.
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Este caso trouxe-me à memória o filme deste cartaz e a actividade profissional da senhora que deu motivos para as filmagens: Erin Brockovich.
Enfim, outras geografias. É isso.
sábado, 15 de novembro de 2014
A BOMBA REBENTOU-LHES NAS MÃOS | PPD/PSD sacode a água do capote e empurra o vice-primeiro-ministro para a arena. Faz sentido: ouvi há pouco um entusiasmado Paulo Portas dizer qualquer coisa como "já vamos em setecentos milhões de euros", referindo-se aos fundos investidos nos agora famosos Vistos Gold. Estava tudo muito bem oleado. Tudo leva a crer que estamos perante uma rede muito bem organizada de bandidos. A falcatrua é de monta. Passos não aceitou o pedido de demissão do ministro da administração interna, amigo dos alegados prevaricadores. Passos confia sempre nos seus. Marques Mendes, também sócio de gente envolvida, anuncia que vai explicar tudo logo à noite no espaço de opinião televisivo. Aguarda-se entusiasmada performance. Parecem meninos a brincar ao monopólio.
A FALA DO OLHAR | A artes visuais conheceram novas linguagens. As tecnologias trouxeram novas abordagens. Os artistas visuais experimentaram as novas maneiras de recriar a realidade. E essas práticas trouxeram novos discursos. Recorrentemente fala-se do regresso à pintura. Mas a pintura nunca abandonou o território das artes visuais. José Mouga nunca abandonou os pincéis, as tintas e as telas. Insiste em contar as suas histórias usando os instrumentos de sempre. As pinturas que nos mostra naCasa Da Cultura | Setúbal, são testemunho dessa vontade, mas revelam a constante preocupação no acompanhamento das emoções contemporâneas. Vamos falar sobre o seu trabalho e sobre o que hoje se faz por cá. José Mouga e Manuel Augusto Araujo estarão na Sala José Afonso preparados para a conversa. Apareçam. É sempre muito agradável conversarmos sobre estas coisas. Uns com os outros.
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VISTOS GOLD | Se estas suspeitas se confirmarem a coisa vai piar fino. O português vivaço com grande capacidade para se desenrascar está muito bem representado por estes esforçados quadros superiores do Estado Português. Uma vergonha nacional que, agora sim, nos envergonha lá fora. Preferia que tudo isto não passasse de um engano lamentável. Mas não me parece. Isto é mesmo mau.
Excessivamente mau.
Notícia DN
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Excessivamente mau.
Notícia DN
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
TRATADO GERAL DAS GRANDEZAS DO ÍNFIMO
A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.
Manoel de Barros
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A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado.
Sou fraco para elogios.
Manoel de Barros
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