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ALTA ANSIEDADE | Passos
Coelho ingressou numa empresa para abrir portas. Recebeu para isso avultadas
somas. No fim das contas, veio-se a saber que afinal não abriu nem um postigo.
Ele próprio já não se lembrava muito bem porque tinha lá trabalhado e esqueceu-se
dos montantes auferidos. Miguel Relvas fez trinta por uma linha, licenciou-se sem
nada fazer para receber licença e ainda lhe sobrou tempo para ser ministro nas
horas vagas. Marques Mendes é sócio de uma empresa a que pertence também alguém
implicado nas mais recentes tramoias. Mas o comentador e ex-líder do PSD diz
que nunca recebeu de lá um cêntimo e que até pensava que a empresa já não existia. O
informadíssimo comentador, que antecipa importantes alterações na vida política
do país, não sabe o que se passa na sua própria vida. isto seria hilariante se
não fosse obsceno. Mas estes valorosos
ajustadores das finanças dos outros não estão sós. O desfile de utilizadores do
sistema em actividades de usar e deitar fora é muito frequentado. Usam a política como
capacho. O que os faz correr? Para que criam empresas e negociatas a toda a
hora? Provavelmente move-os a ânsia de dominarem tudo o que mexe. Não há
limites para a ambição. É por isso que Marcelo Rebelo de Sousa, outro mestre do
diz-que-disse, compara a realidade com um tabuleiro de xadrez. Comenta a vida
destes esforçados jogadores como se tudo se resumisse a tácticas e estratégias.
Não querem saber do país, nem da vida das pessoas para nada. Só as tácticas
empresariais e políticas contam para este descontrolado campeonato.
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