TOLERÂNCIAS | O discurso obtuso do bastonário dos advogados aguçou-nos a vontade de discutirmos outras intolerâncias. As palavras acaloradas que alardeou contra o que acha incorrecto e contra-natura são deveras preocupantes. Como pode o representante máximo de uma ordem profissional que supostamente tem que lidar com a tolerância ser tão intolerante. Será que ainda o vamos ouvir defender a pena de morte para determinados casos extremos, como defendeu em tempos o poeta que actualmente dirige o CCB? Vamos falar sobre todas estas violências, esta sexta-feira, na Casa da Cultura, em Setúbal. O convite está aí escarrapachado. Apareçam.sexta-feira, 31 de maio de 2013
TOLERÂNCIAS | O discurso obtuso do bastonário dos advogados aguçou-nos a vontade de discutirmos outras intolerâncias. As palavras acaloradas que alardeou contra o que acha incorrecto e contra-natura são deveras preocupantes. Como pode o representante máximo de uma ordem profissional que supostamente tem que lidar com a tolerância ser tão intolerante. Será que ainda o vamos ouvir defender a pena de morte para determinados casos extremos, como defendeu em tempos o poeta que actualmente dirige o CCB? Vamos falar sobre todas estas violências, esta sexta-feira, na Casa da Cultura, em Setúbal. O convite está aí escarrapachado. Apareçam.terça-feira, 28 de maio de 2013
FINANÇAS ÀS DIREITAS | Salazar sempre teve o decoro de não transformar este dia em feriado nacional. Mas não é que agora andam por aí uns palonços que reclamam comemoração da data? É o que se chama "ir para além" de tudo e mais alguma coisa. Onde é que a gente já ouviu isto?
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
O POVO NÃO É SERENO | É já na próxima sexta-feira que Pedro Almeida Vieira vai estar na Casa da Cultura, em Setúbal, para falar do assunto que aborda no seu mais recente livro: se o povo é sereno, vou ali e já venho. Alice Brito vai opinar sobre a pena de morte. António Ganhão também vai dizer o que lhe vai na alma e vai moderar o debate. Aguardamos a presença em massa dos respeitáveis leitores.
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domingo, 26 de maio de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
MARKETING PARA TÓTÓS | Eu até estava mortinho
por chamar palhaços a uns tipos que eu cá sei. Mas como não escrevi
nenhum livro, não gravei um disco, nem produzi nenhum doce, nem nenhum
vinho generoso, nem sequer umas cavacas das Caldas, é claro
que os ofendidos não iriam incomodar o Ministério Público com o meu
protesto. É que não me lembro de nada que tenha feito que precise de uma
campanha promocional. Nadinha mesmo.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013
É mau, quando partem os bons.
Muito obrigado, senhor Moustaki.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
PROFISSÃO: PROFESSORA | Estamos sempre a aprender, diz-se. É verdade. Mas existem profissionais que gerem a nossa curiosidade com competência e dedicação. O professor Agostinho da Silva citava uma amiga analfabeta: "a escola devia estar sempre aberta, para eu ir lá perguntar o que não sei". Há professores que são como uma escola aberta. Guardo na memória um raminho deles. Isabel Monteiro ocupa lugar especial na minha memória. Foi com grande prazer que frequentei as suas aulas. Era professora de inglês. Praticava um ensino que nos colocava no centro do mundo. Saíamos da lusa tacanhez de então. Também colaborou em edições pedagógicas. Uma professora com letra grande. Em Abril de 1974 convivíamos no Liceu de Setúbal. Lembro-me de uma reunião de alunos, no ginásio. Haviam dúvidas sobre o comportamento do reitor no tempo da repressão: suspeitas de ser informador da PIDE. Isabel sobe ao estrado e opina: não podemos ser injustos. Acima de tudo é preciso apurar a verdade. O reitor deve ficar se for provado que não pertenceu à polícia política. Mas se for provado o contrário, se se provar que pertenceu, é bom que saia e depressa. Vibrante aplauso na sala. Isabel era assim. Esclarecida e destemida. Justa e culta. Muito recentemente encontrava-a num café perto da estação ferroviária. Antes de eu embarcar para Lisboa falávamos do estado a que isto chegou. Lembro-me de um dia em que estava muito chocada por Salazar ter ganho um concurso televisivo. O mais importante português, o português do século XX, ou coisa do género. Confortei-a com um "isso foi um concurso imbecil da treta. Não tem qualquer importância". Concordou. Mais tarde combinámos uma visita ao meu ateliê, em Lisboa. Dei-lhe um cartão para fixar contactos.
Vim a saber pouco depois que estava doente. Era coisa má, mas sempre pensei que sem motivos para grandes preocupações. Um dia destes, em conversa com um dos filhos, o João, perguntei-lhe pela saúde da mãe. Foi a surpresa e o choque. Como é que eu não soube de nada? Como é que uma pessoa tão importante para tanta gente parte assim? É injusto. Queria tanto que ela fosse ao meu ateliê. Não tive oportunidade de me despedir. Faço-o agora. Gosto muito de si, senhora professora. Muito obrigado por tudo. Muito obrigado mesmo.
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Vim a saber pouco depois que estava doente. Era coisa má, mas sempre pensei que sem motivos para grandes preocupações. Um dia destes, em conversa com um dos filhos, o João, perguntei-lhe pela saúde da mãe. Foi a surpresa e o choque. Como é que eu não soube de nada? Como é que uma pessoa tão importante para tanta gente parte assim? É injusto. Queria tanto que ela fosse ao meu ateliê. Não tive oportunidade de me despedir. Faço-o agora. Gosto muito de si, senhora professora. Muito obrigado por tudo. Muito obrigado mesmo.
terça-feira, 21 de maio de 2013
TODOS IGUAIS | Carlos Abreu Amorim chamar magrebinos aos benfiquistas é um problema dele. Revela puríssima ignorância. É fácil perceber que um clube como o Benfica, com adeptos em todo o mundo, contará nas suas fileiras com um ou outro simpatizante no Magrebe. Mas decerto não tem inscrita uma maioria daquela região africana. Agora a sério. O problema é outro. Amorim entende que os magrebinos são gente inferior, pretendendo com esta atoarda insultar os adeptos do clube lisboeta. Carlos Abreu Amorim, sendo um político com ambições de liderança, deputado da nação e candidato a uma autarquia pelo partido dito social-democrata, não pode ser descuidado. Amorim é, portanto, um inclassificável racista. Esta gente não presta para nada. Mesmo.
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domingo, 19 de maio de 2013
CHAMAVA-SE CATARINA | Naquele tempo morria-se por pedir trabalho. E era um qualquer cabo de esquadra que assim decidia. Catarina Eufémia foi assassinada por um guarda que entendeu que ela não deveria continuar a viver. Era uma miúda. Tabalhava desde que as forças o permitiram. Não se deve morrer tão jovem, só porque um filho da puta qualquer assim o entende. José Afonso emocionou-se com este caso. E fez uma das mais emocionantes canções da música portuguesa. Que nunca mais se morra desta maneira.
Isto aconteceu em 19 de Maio de 1954. Portugal era assim. Pedro Almeida Vieira, no seu mais recente livro, Crime e Castigo - o povo não é sereno, comprova que a violência sempre existiu nas mentes destes decisores de ocasião. É um tempo anterior a este, o que ele retrata, mas a mentalidade perdurou e vingou na ditadura. Matava-se por dá cá aquela palha, como então se dizia.
CRIME E CASTIGO | No próximo dia 31 do
presente mês, iremos demonstrar com toda a seriedade e sem ferir ninguém
que os alardeados brandos costumes atribuídos ao povo português são uma
treta. Pedro Almeida Vieira estará em Setúbal, no casarão
da cultura, para apresentar o seu mais recente livro - Crime e Castigo,
O Povo não é Sereno. Vai ser ajudado no debate sobre a pena de morte
por Alice Brito, jurista e escritora, autora do excelente Mulheres da
Fonte Nova. Para moderar o debate convidámos António Ganhão, crítico do
site Pnet Literatura.
Encetamos assim colaboração com este prestigiado e interventivo meio de
comunicação online. Agora só falta a vossa presença. É dia 31. Não se
esqueçam.sábado, 18 de maio de 2013
POESIA PORTUGUESA HOJE | A poesia de Helder Moura Pereira
foi dissecada por um rigoroso cirurgião. O professor Fernando J. B.
Martinho deu-nos a honra da sua presença na Casa da Cultura, em Setúbal.
Foi brilhante a análise que fez do mais recente
livro do poeta. Assistimos a uma verdadeira aula de Poesia
Contemporânea Portuguesa. E ouvimos Helder Moura Pereira com o imenso
gosto dos reencontros. Mais uma luminossa sessão Muito Cá da Casa.
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sexta-feira, 17 de maio de 2013
DA DESORDEM AO PROGRESSO | Hoje foi aprovado algum humanismo no Parlamento. Claro que, para além de alguns deputados, pelos vistos verdadeiramente social-democratas, inscritos no chamado Partido Social Democrata, toda a direita troglodita votou contra este avanço. Por vontade desta gente, as mulheres ainda ficariam em casa em dia de eleições. E os homossexuais deveriam ser tratados como perigosos doentes contagiosos. Ainda vão havendo boas notícias. Apesar de tudo.
HELDER
MOURA PEREIRA NA CASA DA CULTURA
É logo à noite, na Casa da Cultura. O professor e crítico Fernando J. B. Martinho vai apresentar o mais recente livro do poeta. Helder Moura Pereira falará deste livro e de outras coisas. Apareçam.
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É logo à noite, na Casa da Cultura. O professor e crítico Fernando J. B. Martinho vai apresentar o mais recente livro do poeta. Helder Moura Pereira falará deste livro e de outras coisas. Apareçam.
ARMAI-VOS E IDE | Os estimáveis políticos
europeus andam todos a folhear o mesmo catecismo. Como não têm
soluções, apontam para a fronteira. É assim uma espécie de "quem está
mal muda-se", mas dito com bons modos. Cá na terra fica quem manda, quem
não tem dedos que vá tocar viola para outra freguesia. E não se pode
exterminá-los?
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
PORTUGAL DOS PEQUENITOS | Cavaco não tem confiança nas cidades. Nas urbes habita o pessimismo. Mas há lugares onde as mensagens optimistas nos inundam de esperança. O interior profundo recupera em nós o orgulho produtivo e a vontade de acreditar. É a fé na virgem, com toda a certeza. E confirma-se: depois daquele dia de maio, que comemora a aparição que tanto agradou a uns ingénuos pastorinhos, tudo se alterou: a troika aprovou - com a ajuda divina, é certo -, mas avaliou e andou. Isso é que interessa. O futebol entusiasmou - nem tudo são rosas, mas faz-se o que se pode. E o fado encantou e vingou. Esse entranhado género musical regressou em triunfo e é frequentado de novo pelos mais influentes cérebros da nação. E depois vem aí o verão e o regresso do exuberante e colorido espectáculo taurino. E há concursos fantásticos, onde o curioso público pode ver os seus ídolos em cuecas. É a saudável convivência nacional que tanto agrada às lideranças. O que é nacional é bom. Pobretes mas alegretes, pois.Claro que há vida para além desta alegria. O verão traz ambientes musicais universais. Leva-nos às excelentes praias lusas. Traz-nos a vontade de conhecer outras paragens. Fornece-nos ócio. Sugere-nos leituras que nos despertam. Mas aguentar esta merda até lá... é fodido. Pobre país este, que prefere a apologia da trampa à curiosidade exigente.
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