quinta-feira, 17 de outubro de 2013


PRÉMIO FERNANDO NAMORAJosé Eduardo Agualusa vence prémio com o livro Teoria Geral do Esquecimento. Parabéns, Zé Eduardo.
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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A FORMIGA E O ELEFANTE | O presidente de Angola já leu o sermão: acabou a parceria com Portugal. Fê-lo com ar triunfalista e moralista. É claro que tudo isto foi motivado pelas declarações de Machete, que se portou como elefante em loja de porcelanas, apesar de não passar politicamente de uma formiga. É o chamado tiro no pé. Mas um diplomata tem obrigação de conhecer estes enleios. Machete agora só tem a obrigação de ir para casa. Já basta o que basta.
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terça-feira, 15 de outubro de 2013

OS CROCODILOS NÃO CHORAM | O que se passou em Lampedusa não é fenómeno de circunstância. Quem arrisca a vida por um futuro que se veja tem vida negra.  Os políticos responsáveis pela Europa andam numa roda viva. José Manuel Barroso foi chorar no local. Emocionou-se. Caixões com crianças dentro não o deixaram indiferente. Mas agora há que resolver o problema. Como? Varrendo o problema para debaixo do tapete. Há que impedir os que querem uma vida melhor de perturbarem os que ainda têm uma.
A atitude do poder é uma vergonha para os políticos que o exercem.
A solidariedade, em tempos tão apregoada, é hoje chão que deu uvas. Ponhamos as barbas de molho. Os senhores do mundo só pensam em varrer-nos para debaixo do tapete. Não contamos para as suas contas. Os próximos náufragos seremos nós. Seremos?
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O SEMPRE-EM-PÉ | Portas tentou vender a ideia de que havia excessivo dramatismo quando se falava nos cortes nas pensões de sobrevivência. Atirou várias vezes à cara da oposição com essa impertinência. Denunciou assim as primeiras vontades. Parecia uma criança a disfarçar um erro, e ao invés de se calar, não consegue falar de outra coisa. Se foi como ele disse, para que deixou que a corda se estendesse tanto? Não podia ter dito antes o que hoje disse? É claro que foi o intenso debate que se instalou na sociedade civil que evitou o pior. Paulo Portas pensa que nos convence com aquela verborreia arrogante. Deve pensar que somos todos parvos.
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sábado, 12 de outubro de 2013

AMADA ALICE | Escreve contos. O comité que atribui o Prémio Nobel rendeu-se aos encantos da sua desempoeirada escrita. Não há nada a mais nas histórias de Alice Munro. Nem a menos. A densidade da grande literatura envolve-nos página a página. Amada Vida, o livro que a Relógio D'Água - sua editora em terras lusas - recentemente editou, trata da vida de gente que viveu no período logo a seguir à guerra,  em meados do século passado. Há bocado, portanto.
Fiquei muito contente com esta escolha. Agora vou ali passar os óculos pelo livro. E procurar os outros todos por cá publicados. Ler e reler Alice Munro é um grande prazer. Quem ainda não conhece o que esta bonita mulher de oitenta e dois anos escreve, corra a procurar os livros. Vão esgotar. Felizmente.
Não é também para isso que serve o Prémio Nobel da Literatura?

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

PARTICULARIDADES | Dona Lagarde está preocupada com Portugal. Este país tem uma "dificuldade particular". Coisa só nossa. Originalidade lusa. Então não é que esta terra atreve-se a ter uma constituição? E um tribunal mariola que não percebe que o mundo não tem que estar sujeito a democracias e merdas do género?
Como diria o funcionário da senhora Lagarde em Portugal - o inefável senhor Coelho -, o Tribunal Constitucional dá emprego a alguém? Mas o senhor Coelho é apenas um amanuense. O problema maior está nesta senhora e noutras senhoras e senhores do mundo. A falta de vergonha atinge as instâncias que gerem o mundo financeiro, que é o mundo que lhes interessa. A política acabou. As pessoas que se lixem.
Portugal e o mundo estão bem tramados com esta gente que já não tem vergonha de nada.
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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

TEATRO DA CORNUCÓPIA | 40 ANOS | Há elites que nos estimulam. São as elites que não se rendem ao percurso da manada. Luís Miguel Cintra e o grupo de teatro que dirige são, há quarenta anos, esforçados combatentes pelo conhecimento e pela ousadia de pensar. Grandes actores. Boa gente. Hoje a sociedade que está a ser construída por quem não quer saber disto para nada, despreza-os. É contra isso que nós os celebramos. Fazem falta. Estamos fartos de "formatos". Parabéns, camaradas.
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POSSO DIZER A FRASE? | Parecia um concurso, um programa de entretenimento. Só faltou entrar um humorista/surpresa, com umas cenas divertidas, para dar àquilo um ar de talk show menos chato. As perguntas existiram, mas toda a gente sabia a regra - não há reacção de quem pergunta à resposta do actor em cena. É assim uma espécie de teatro à la carte. Logo, o actor tem tudo estudado à partida. Diz o que lhe dá na gana, sem responder coisa nenhuma. O PCP tem razão em protestar. Assistimos a campanha eleitoral pura, em horário nobre, mas em modo programa da manhã. Até Rui Machete iria ali fazer boa figura. O profissional de serviço referiu a elegância dos perguntadores. Foi mais um disfarce na farsa. Elegância não é aquela coisa. Mas percebe-se: era o papel dele. O formato existe em vários pontos do mundo, disseram os que sabem bem o que se faz por esse mundo da ligeireza. Seja. O mundo está minado de programas televisivos disparatados. Foi só mais um.
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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

INTERMINTÊNCIAS | Rita Melo é a próxima artista a expôr na Casa da Cultura, em Setúbal. O seu trabalho merece toda a atenção. Marquem na agenda. Apareçam.
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INSUSTENTÁVEL LEVEZA | Machete diz que anda aí um ataque contra a sua pessoa. Uma autêntica perseguição. Assassinato político. Querem destruí-lo. Alguém lhe devia dizer que o pessoal não quer saber da vida dele nem da sua pessoa para nada. E o primeiro-ministro devia lembrar ao senhor Machete que é ministro dos negócios estrangeiros, e não um socialite odiado por "dá cá aquela palha". E depois devia mandá-lo para casa. Só isso.
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terça-feira, 8 de outubro de 2013

NÃO HAVIA NECESSIDADE | Há quem argumente que Rui Machete não precisava nada de fazer estas figuras. Estava bem, era um senador, uma reserva moral do PPD/PSD - Reserva moral, leram bem. Quem assim pensa, pensa que a política é uma reserva onde uns certos caçadores vão praticar os seus esfaimados dotes de predadores. Nada mais certo. Rui Machete é um predador. Caçou sem saber pegar na arma. Aviou o cartuxo à tripa-forra. Logo, é um fraco exemplo de reserva moral. A política é para ele um electrodoméstico que lhe permite os maiores manjares. Leram bem - a política. Sim, porque de democracia não faz sentido falar. Machete utilizaria o que fosse preciso para se safar. Machete é o exemplo acabado do verdadeiro reaccionário. Come sem olhar para o lado. É por isso que agora se tramou. Oxalá se perceba finalmente quem é este inenarrável senador.
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

AS PALAVRAS E O VENTO | Mota Soares, o ministro do partido de Portas, muito solidário e amigo dos pobrezinhos, sobre os cortes nas pensões de sobrevivência diz: "é a introdução de uma condição de recursos". Vivemos num tempo inculto em que as palavras já não são o que eram. Os actos nada têm a ver com o que é dito. E o que é dito só serve para nos tramar. Anda um palavreado no ar que incomoda. Tudo o que vem desta gente incomoda. E revolta.
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domingo, 6 de outubro de 2013

A POLÍTICA DOS APOLÍTICOS | Passos segura Machete, dizem os jornais. O ministro dos negócios estrangeiros pede desculpa a outro país pelo comportamento da Justiça do seu, e o primeiro-ministro acha que se tratou apenas de uma "expressão infeliz". Sabemos que este governo está minado de expressões e atitudes infelizes. Deitar para trás das costas os disparates de um ministro que nos representa fora de portas é coisa pouca para um primeiro-ministro que parece permitir aos seus colaboradores comportamentos de amanuense. Tudo parece estar no seu lugar: Passos Coelho não passa de um amanuense da senhora alemã. 
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sábado, 5 de outubro de 2013


sexta-feira, 4 de outubro de 2013


PASSEIO MATINAL | Hoje, ao fazer o meu habitual passeio matinal pelos trilhos do facebook, percebi que tinha "amigos" apreciadores em simultâneo de uma qualquer coisa chamada de Causa Real e de um lamentável mural que responde por Estado Novo. Com amigos destes a gente nem precisa de inimigos. Porcarias não. Já foram corridos, como é óbvio. Chama-se higiene intelectual, acho eu.
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quarta-feira, 2 de outubro de 2013


UM CÍRCULO DE CULTURA E RESISTÊNCIA | É sabido. O regime suprimia as liberdades individuais. Não permitia convívios e debates que o incomodassem. 
A cidade de Setúbal nunca conviveu com a resignação. O Clube de Campismo e o Centro de Estudos Humanisticos reagiam ao marasmo repressor. Ali convivia quem não pactuava com a ditadura. O Círculo Cultural de Setúbal surge em 1969 com a intenção de agrupar gente interessada no debate de ideias, num tempo em que as ideias eram reprimidas. A curiosidade intelectual motivou os frequentadores do discreto segundo andar da avenida 5 de Outubro. Gente em busca do conhecimento percebeu que aqui poderia ouvir falar de outra música, de outro cinema, de outros livros. Salas a abarrotar. Uma outra cultura apontava caminhos.
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IDEOLOGIA | Obama acusa a direita do partido republicano de aplicar a intolerância ideológica. As ideologias existem e manifestam-se. Normal. A direita mais troglodita manifesta-se sempre nas ocasiões em que as populações são mais assistidas. Obama quer que todos tenham acesso à saúde. Ideologicamente vai contra os princípios da direita. Tudo deve ser pago. Quem não tem dinheiro... desenrasque-se. Cada um por si. Ainda me lembro das investidas da direita portuguesa contra certas conquistas possíveis depois de 1974. Chamavam-lhe "luxos ideológicos". O ideal era ter ficado tudo como estava. Sem "luxos". É a direita no seu melhor. Troglodita, pois.
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terça-feira, 1 de outubro de 2013

CULSETE FAZ HOJE QUARENTA ANOS | Parabéns.