Sofia Corradi é carinhosamente tratada por «Mamma Erasmus» por quem aprecia o desenvolvimento da Educação. As impossibilidades que lhe criaram no regresso a Itália, depois de ter estudado fora do seu país, com o apoio de uma bolsa, levaram-na a lutar para que outros jovens não viessem a sofrer os mesmos atropelos no seu percurso e no seu futuro. Sofia Corradi é a grande obreira desta ideia magnífica.
Como consultora científica, elaborou o documento que serviria de base à criação do programa Erasmus. Nele se defendia a possibilidade de um estudante realizar parte do seu curso no estrangeiro, com a garantia de equivalência e de reconhecimento dos créditos no seu país de origem. A ideia avançou e foi consolidando estruturas. Hoje, é um auxiliar precioso para muitos jovens que, graças a este programa, podem conhecer mundo e preparar o futuro.
Foi Jacques Delors quem acarinhou a ideia e a fez crescer. A educação na Europa deve muito a este homem, um visionário que soube interpretar o que fazia falta e tomar decisões para o concretizar. mas a aprovação não foi unânime. A extrema-direita sempre reagiu contra estas iniciativas. O nacionalismo serôdio não os deixa sair dos buracos onde se alojam, nem querem que mais ninguém cresça. O imobilismo e a ignorância ficam-lhes a matar. E hoje, numerosamente representados nas estruturas de decisão, fazem o que podem e não podem para minar o terreno de incultura e mesmo de ignorância pura.
Esta é, portanto, uma ideia que devemos defender com unhas e dentes, como dizia o povo, mas também com o coração, que «pulsa dentro da cabeça», como defendia Cruzeiro Seixas — precisamente onde está o cérebro, que tanta falta faz aos defensores de novos salazares e afins.
Lembrei-me de falar nisto porque está a decorrer, em Lisboa, um encontro onde se debate e se procura esclarecer o futuro do projecto.
Boa sorte! A juventude que pisa o terreno europeu agradece. É o futuro da Europa e do mundo que beneficia destes esforços.

