segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Ponto alto. Ponto de partida

O meu amigo Luís Filipe Sarmento celebra hoje mais um ano de vida. A celebração faz-se em pleno trabalho. Parte hoje para Paris, para apresentar na Sorbonne o seu notável COMMEDIA. O escritor está traduzido e aplaudido num ror de países. Mas, regressado a esta pátria à beira-mar implantada, vai ter muito trabalho pela frente. Esse, porém, é outro ponto, que será esclarecido a seu tempo, digamos assim.

Resolvi chamar outro escritor para celebrar a amizade. É Alexandre O’Neill (escolho sempre os melhores) quem nos vai «cantar» aqui os «parabéns». Ouçam-no:

Parabéns a você
nesta data querida,
muitas felicidades,
muita gente na vida.

Mas, como tenho a sorte de ter Luís Filipe Sarmento como amigo, acrescento à comemoração outro poema de O’Neill, que se refere à derrota da solidão conquistada pela amizade. É este:

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O'Neill. "No Reino da Dinamarca"