A notícia revela uma crueldade estúpida. Até parece mentira de gosto mais do que duvidoso, mas é verdade. É verdade que as companhias de seguros se distanciam de culpas evidentes para não pagarem reparações de acidentes automóveis — sei do que falo, já me incomodaram, mas fui justiçado em tribunal —, mas este caso do elevador é de um cinismo de elevada delinquência. É que morreu gente.
A vítima é acusada de ser culpada pela sua própria morte por saber que corria riscos? Todos temos de saber em profundidade os riscos que corremos, mesmo quando parecemos seguros? E a seguradora aceitou fazer o negócio sabendo das condições daquele meio de transporte? E a conhecida empresa de advogados que justifica o descuido da vítima não sabe que uma empresa seguradora também corre riscos e que, em princípio, também existe precisamente para resolver as coisas quando correm mal? Ou será que esta gente toda só pensa em angariar chorudos lucros para os accionistas e faz tudo o que for preciso para os obter? E as pessoas? Mas há pessoas aqui? Essas que vão morrer longe...
Tudo isto pareceria uma história antiga, de um tempo que pensávamos já não existir — e, ainda assim, de excessivo mau-gosto —, se não fosse uma atitude de inacreditável desresponsabilização, que desacredita a actividade desta empresa de angariação de lucros para os accionistas. Serão estas empresas, seguramente, autênticas burlas legais?

