Isto anda tudo ligado [Eduardo Guerra Carneiro]
Temos estado a assistir a uma extravagante subida da extrema-direita (vulgo: novos fascistas). Os povos já os escolheram em vários países: Orbán, Fujimori, Erdogan, Bolsonaro pai, Milei e, cereja no topo do doce, Trump no país mais relevante para o sistema capitalista selvagem. E Trump é um selvagem no seu trono. Um bandido corrupto que só pensa em lucro pessoal e da sua family.
Todos os acima citados são apologistas do lucro de quem manda contra quem é mandado. Na segunda metade do século vinte havia alguma vergonha em assumirem-se desavergonhados, mas a defesa do crime passou a ser usada como quem muda de camisa. São as camisas de colarinho branco que escondem corpos capazes de tudo. Isto porque esses corpos têm no cimo uma espécie de cabeça que só pensa em dar cabo de tudo o que cresce, excepto o seu próprio crescimento económico.
São todos bandidos que deveriam estar a responder por crimes. Crimes económicos, domésticos e sexuais. Também há assassinos e defensores de assassinatos. Temos estado a assistir à subida desta gente nas escolhas do povo, essa abstracção que provoca o bem e o mal conforme lhe dá na gana. É a democracia, e contra isso nada a opôr.
A democracia é o pior dos sistemas de governo, à excepção de todos os outros que já foram experimentados. [Winston Churchill]
Acontece que estes escroques sem princípios, nem réstea de dignidade ou decência, são como os ratos do navio que se afunda. O bandido que se candidatou ao Planalto ainda contestou o resultado eleitoral. Táctica trumpista que adoram, mas aquilo não deu certo. As evidências puseram até os seus apoiantes fora da cena. O bandido deixou eleitores de bandeiras no chão e o próprio pai na prisão e pôs-se literalmente a milhas. Passou pela Argentina liderada por outro bandido seu amigo e ala que para a frente é que é a América. Diz que tem passaporte italiano. Faz sentido: as máfias dão muito jeito aos bandidos. O bandido americano já saudou a decisão do bandido brasileiro. É bem-vindo, esclareceu. E viverão felizes para sempre.
Ainda há esperança. Este recuo da extrema-direita (vulgo: novos fascistas) a que estamos a assistir anima-nos. Esperemos que em Portugal se dê também esse abrir de olhos. Esperemos que os bandidos que se sentam no lado extremo do parlamento português comecem a definhar já nas próximas eleições. As sondagens valem mesmo o que valem. Ou seja: muito pouco, enquanto estivermos dispostos a não nos calarmos e insistirmos em sair sempre em defesa da democracia que permite a nossa participação. A democracia não se pratica só de quatro em quatro anos. Que se lixem os deputados da extrema-direita (vulgo: novos fascistas); vamos cumprir as palavras de José Afonso:
Seremos muitos. Seremos alguém.
