terça-feira, 22 de setembro de 2026

Obrigado, Jorge Palma



FRÁGIL | A vida é assim: frágil, como a definiu numa das suas mais viajadas canções. Jorge Palma foi um intenso viajante, mesmo quando não saía do seu lugar. Um andarilho, como se definiu José Afonso nos seus cantares iniciais. Jorge Palma cantou em estações de metro e em ruas deste agitado mundo tão alheio às diferenças. Ele quis ser diferente. Foi um cantor de todos os protestos quotidianos. Bem preenchido de excessos. Com a liberdade a instigar-lhe o corpo e a mente. Despertou os sentidos e nunca mais ficou quieto. Este fim físico do cantor desperta-nos essa vontade de não ficarmos calados e quedos. Como cantou o seu amigo Sérgio (Godinho): «Ficar parado? Antes o poço da morte que tal sorte». Pois é — a morte, essa ceifeira de vidas, leva-nos um dos nossos artistas mais livres. Um inventor de sons, que pedia ajuda às palavras para completar ideias. A liberdade que cantou fica agora nos nossos sentidos. A nossa liberdade de criar e imaginar irá ser sempre recordar artistas como Jorge Palma. Ele ajudou-nos muito. Muito obrigado, Jorge.

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