Being There é um filme em que Peter Sellers desempenha o papel de um jardineiro simples e de raciocínio lento — Mr. Chance —, que passa a vida em frente à televisão e quase chega a presidente dos EUA. Não chegou. Mas Trump chegou, e não é ingénuo como Mr. Chance — é um ser demencial, convencido de que é o homem mais inteligente de sempre.
Trump, é sabido, passou e ainda passa a vida em frente à televisão, e ameaça o mundo a partir das câmaras. Agora, correu da xafarica onde lança disparates diários, com alguns canais que não lhe agradam, levando todos os jornalistas correspondentes a exercer a solidariedade profissional, deixando o estorpício a falar sozinho. Na ONU fez um discurso inenarrável. Avisa que está a pensar anular o Irão. O auto-elogio soltou-se do palanque. A farronquice foi obscena. O homem acha-se o dono do mundo. Quer mudar nomes de lugares e até sugeriu que se mudasse o nome da IA (inteligência artificial) para superinteligência. Isto apesar de nada se comparar com a sua própria inteligência, é claro. Estamos perante um alucinado destravado que insulta e ameaça com uma desfaçatez nunca vista num líder mundial. Trump é o pior que nos poderia ter acontecido. Ver os idiotas que votam no partido unipessoal de Ventura quererem importar o modelo, com aplicação pelo seu chefe incontestado, causa algum incómodo. Enquanto escrevo estas linhas, faço tele-zapping e lá está a criaturinha, muito exaltada — esta semana foi na TVI e na CNN, em entrevistas separadas. Um fartote. O mundo inteiro, com esta gente ao leme, vive uma onda perigosa que já agride e mata.
Os americanos não se manifestam? Estão todos parvos? Até quando aguentará o mundo esta gente sem pingo de vergonha, ou por outra: sem classe nem classificação?
