domingo, 28 de dezembro de 2003

Eucaristias dominicais

PACHECO PEREIRA Está bem. não sugere livros merdosos. Fala de assuntos que nos fazem meditar, denuncia foleiradas inacreditaveis. Recomenda-se.
MARCELO REBELO DE SOUSA Ora bem. Está mal... está doente. E para isso só nos resta desejar rápidas melhoras. Mas, e o resto? Quanto aos livros, é melhor eu estar calado. Quanto ao que sobra, faz que anda mas não anda, parece de brincadeira. Ainda por cima já há quem o queira ver como candidato a Belém. Não há pachorra para tios paternalistas. JTD

quarta-feira, 24 de dezembro de 2003

Noite de paz II (esta é a sério)

Está aí o Natal. Já deram por isso com certeza. Portanto vamos hibernar submersos em bacalhau, cabrito, beijinhos, rabanadas, mensagens de boas festas no telemóvel, vinho (eu cá é mais QUINTA DA MIMOSA da minha amiga Leonor de Freitas), prendas, beijinhos, mais mensagens de boas festas no telemóvel, filhoses, mais prendas, digestivos... enfim, portem-se bem, pelo menos desta vez. Ou seja, uma vez por ano. Mas divirtam-se.
UM EXCELENTE NATAL PARA TODOS, SÃO OS VOTOS DOS CIRURGIÕES DE SERVIÇO, Neto, Estranho-Humor, Marto, Carlos e Carlos, Duarte, Viotti e Farinha.

terça-feira, 23 de dezembro de 2003

reBlogue

Televisão como ersatz da vida toda
Uma coisa que nunca tinha visto: numa festa televisiva na cadeia, é João Baião que anuncia a um grupo de presos que eles vão ser libertados. Já se namora, se casa, se vive (no Big Brother), se nasce (o ultimo filho da Ágata esteve para nascer em directo), se julga, se reconcilia parentes desavindos ou perdidos, se prende, se faz tudo dentro de um programa de televisão. Ainda não se morre porque se presume que só terá audiências a primeira vez, mas mesmo isso virá. A televisão como ersatz é o prenúncio das vantagens da virtualidade como "realidade" para os pobres. Os pobres farão tudo "virtualmente", os ricos poderão pagar a realidade. O problema é saber quanto tempo falta até sermos incapazes de distinguir.

José Pacheco Pereira Abrupto

Bom ano de 2004

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Ai entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.


Carlos Drummond de Andrade

O caminho das pedras

Já cá não está quem falou. Vinha eu a descer o Chiado com o meu amigo e colega de blogue JTD, quando deparamos com uma brigada de calceteiros a reparar a calçada na rua Garrett e na rua do Carmo. Não foi necessário contratar Tino de Rans. De uma forma discreta e eficaz o problema foi resolvido. O munícipe agradece. BN

segunda-feira, 22 de dezembro de 2003

Dei com uma velha revista...

Fui para a cama com milhares de miúdas e não me lembro do rosto da maior parte delas.
Não te digo isto para me fazer engraçado. No ponto em que estou com o dinheiro todo que ganho e todos esses lambe-botas que tenho na mão, podes calcular que não preciso cacarejar no vazio.
Digo-o porque é verdade. Tenho trinta e oito anos e esqueci quase tudo na vida. É verdade para as miúdas e é verdade para o resto.
Dei com uma velha revista do género daquelas que servem para limpar o cu e vejo uma fotografia minha de braço dado com uma gaja.
Então leio a legenda e fico a saber que a dita rapariga se chana Laetitia, Sonia ou não sei o quê, olho mais uma vez para a fotografia como quem diz: “É claro Sonia, a moreninha da Villa Barclay com os seus piercings e o cheiro a baunilha...”
Mas não. Não é isso que vem até mim.
Repito ”Sonia” como um parvo e pouso a revista à procura dum cigarro.
Tenho trinta e oito anos e vejo perfeitamente que tenho a vida numa merda. Lá em cima a tinta salta devagarinho. É só passar o dedo e são semanas inteiras no lixo. E até te vou dizer, um dia estava eu a ouvir falar da guerra do Golfo, viro-me e digo:
- Foi quando, a guerra do Golfo?


É neste estado que ficam as criaturas que só folheiam certas revistas.
Este é um pequeno excerto de um texto incluido no livro “Queria ter alguém à minha espera num sítio qualquer” de Anna Gavalda.
São doze excelentes novelas corrosivas mas com grande noção da existência humana. Personagens que se cruzam connosco a toda a hora, e personagens que somos nós próprios no confronto com a realidade, por vezes dura, que nos espera diariamente.

Cruzo-me com as pessoas. Observo-as. Pergunto-lhes a que horas se levantam de manhã, como é que vivem e qual é a sua sobremesa preferida, por exemplo. Depois penso nelas. Penso nelas o tempo todo. Revejo a sua face, as suas mãos e até a cor das suas meias. Penso nelas durante horas, anos mesmo e depois um dia, escrevo sobre elas.

Anna Gavalda recebeu o grande prémio RTL LIRE 2000.
A Dom Quixote edita Gavalda em Portugal. A não perder. Na minha opinião, claro. JTD

Despenalização de PP

De facto Pacheco Pereira remeteu para a frase de Júlio Machado Vaz a sua posição sobre o actual estado do debate sobre o aborto. Mas é injusto colocá-lo no lado dos moralistas hipócritas. PP esteve com o projecto apresentado pelo PS na última legislatura. A sua posição sobre o assunto é inequívoca. Não estou de acordo com o meu colega BN neste ponto. Mas não é assim a democracia? JTD

domingo, 21 de dezembro de 2003

Os livros de Marcelo

O comício de hoje de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, foi transmitido em directo de Celorico de Basto. O professor foi dar o seu nome à biblioteca local, que assim se chamará porque Marcelo é praticamente o único dador de livros. E eis que começa o desfile dos livros recomendados. Se os livros que recomenda são os que envia para Celorico, melhor seria que não os enviasse. Em semanas com lançamentos de livros deveras interessantes o homem consegue sugerir as maiores barbaridades impressas. Ou não os lê, ou, se lê, tem um gosto literário muito próximo da estética do código penal. JJC

Santana e o caminho das pedras

O Bloco de esquerda tem razão, minha querida amiga MV. Santana anda a fazer que faz. É certo que você tem razão quanto à denúncia. De facto mal se vê. Então lá vai uma para exemplo. Nunca a cidade de Lisboa esteve tão carecida de calceteiros. Por toda a baixa as pedras da calçada rolam livremente pelos passeios, como pedras soltas. Há buracos por todo o lado. Como o edil Santana é tão sensível às questões do social (leia-se socialite), proponho que contrate o famoso Tino de Rans para compor o chão da cidade. Assim ficávamos com a calçada reparada e haveria concerteza muita reportagem nas revistas e estações de TV. E Tino voltaria a exercer esta interessante profissão, que nunca deveria ter trocado pelas figuras ridículas por que enveredou. Quem é amigo, quem é? BN

E o aborto é para os abortos?

Pacheco Pereira voltou a lançar sabedoria no ecran. O professor que acha que a filosofia é para os filósofos, e não para os vendedores de castanhas. como defendeu na sua intervenção televisiva umas semanas atrás. Também deve achar que a poesia é para os poetas e a política para os políticos. Ou seja os produtores de cultura e os decisores trabalham uns para os outros. Ao cidadão comum, restam-lhe umas olhadelas pelos canais de televisão. Hoje, para comentar a situação das mulheres julgadas pela prática de aborto, declarando-se cicadão comum, convocou uma entrevista de Júlio Machado Vaz, onde este culpava os poderes políticos por terem falhado na questão da prevenção e educação sexual. Júlio Machado Vaz tem razão. Só que tem uma opinião muito mais completa, enquanto que Pacheco Pereira se agarrou a esta declaração para se esquivar a comentar este insolente julgamento. Será que o sexo é para sexólogos?
Meu caro Júlio, deve ter ficado encantado com tão esclarecido comentador. BN

sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

A fazer que faz?!

(escatologia política ou agit-improp(ria) para consumo!)
 
Quem anda pela cidade leva com os cartazes do Bloco de Esquerda naquele registo clever-clever a que já nos habituaram. Se a memória me não falha dizem que Pedro Santana Lopes anda a fazer que faz. O trocadilho, trocadalho é juvenil, bem ao estilo dulcolax escatológico. Se Santana faz que faz, no mínimo tem prisão de ventre e, no limite, o que temos nós a ver com a vida realmente íntima do nosso edil? Na realidade, o que é secundário, ou seja, a graçola, tem honras de destaque, mas a verdadeira crítica, o motivo, a denúncia mal se lê, mal se percebe. Ora bolas! Ora nada! E quem não bem nada tem tendência a afogar-se.
Ai bloco, bloco que nestas matérias de comunicação com as massas, bloqueias-te todo. Pá. Ficas a fazer que fazes e a acção previsível do dulcolax prolonga-se até virar duracell e o bloco fica assim bloqueado. Coitado! MV

terça-feira, 16 de dezembro de 2003

Noite de paz...

TVs Hoje, depois de um prolongado jejum, resolvi espreitar a televisão. Ninguém é perfeito. Na 1 havia um debate sobre não sei o quê. Isto porque assim que vi o padre Vaz Pinto a botar faladura, zap, mudei logo de canal. Ainda há quem convide o padre Vaz Pinto para debates. Deve ser alguma facção anti-católica da TV. Mas foi bom. Ganhei com a mudança. Na SIC estava em plena actuação o grande praticante da Stand-Up comedy na nossa terra - Bruno Nogueira. O puto é do caraças. A graça que ele tem sem parecer dar por isso. As figuras-públicas-porque-sim, desfilam nas suas histórias como morcego na noite. É bom ver a nacional-parolada elevada à condição de divertimento. Mesmo que ele venha um dia dizer que faz-pouco deles porque os adora, como fez Herman José, a gente diverte-se na mesma. Um país patético, meu caro FM, precisa dos seus patetas. não é assim?
Um grande abraço, Bruno. BN

segunda-feira, 15 de dezembro de 2003

Cruzes canhoto

TVs Os amigos de Carlos Cruz fizeram-lhe uma Festa de Natal. Tudo bem. Amigo é amigo. Mas é preciso que seja o disparate a vingar sempre nestes encontros? Cruz contou uma história ao telefone. Uma história banal, sem muito que se lhe diga. O pior foi o final, quando sugere aos presentes, em tom de anedota, que não beijem a imagem do menino Jesus neste Natal, não vão estar jornalistas por perto, podendo ser acusados, desse modo, de pedófilia. João Braga, no seu estilo desbragado, recontou a história e revelou uma sua preocupação: A comunicação social comunica. Também Carlos do Carmo voltou a realçar o facto de estarmos perante figuras públicas. Já não há pachorra para este fadista deslumbrado. O disparate foi rei. vou repetir aquela do "até se provar o contrário, o arguido está inocente". é mais ou menos assim, não é? Mas uma coisa é certa, Carlos Cruz, estando preso pelo que está, deveria ter mais decoro nas anedotas. De mau gosto é culpado. Quanto aos fadistas, abram a boca para o fado e deixem a comunicação para os jornalistas. Não gostam tanto de ser figuras públicas? então aguentem a bronca. JJC

domingo, 14 de dezembro de 2003

O Rei Mendigo

Outubro brilhava no parque. Eu estava sentado muito quieto, debaixo do sol, procurando prestar atenção às pequenas mudanças. Lula sorria na primeira página dos jornais. Lembrei-me dele antes de ter mandado alisar a barba e o cabelo, antes de ter suavizado a voz e as maneiras, e da justa ira com que atacava a burguesia. Os jornais também falavam na iminênciade de uma guerra. No “Titanic”, o filme, percebe-se em meio ao caos, enquanto o navio se afunda num rápido estertor, que um dos passageiros usa no pulso um moderno relógio digital. A mim, ali no parque, aquela expressão, “iminência de uma guerra”, sugeria uma incoerência do mesmo tipo. Foi então que me sobressaltou um alvoroço de asas. Ergui os olhos e vi um bando de pombos desorganizando o azul puríssimo do céu. Alguma coisa os assustara. Olhei mais atentamente e reparei que em meio às aves esbracejava um brinquedo mecânico. O estorpício soltou-se do bando, num ímpeto, e veio mansamente pousar-me aos pés. Agarrei nele. Era uma águia de plástico. A seguir surgiu um mendigo. Um sujeito de pele encardida, a cabeleira repartida em grossas tranças, comprida barba enovelada. Vinha muito direito. Muito seguro dos seus andrajos. Sentou-se ao meu lado, tirou-me o brinquedo das mãos e só então se apresentou:
“Boa tarde. Eu sou o Rei do Parque.”


Assim começa um dos contos incluidos no livro Catálogo de Sombras de José Eduardo Agualusa.
São dezoito belíssimas histórias, estas histórias que a Dom Quixote editou.
Agualusa é um escritor que merece a nossa visita frequente.
Não o perca de vista.

É também cronista, na Pública do Público. Aos domingos convida-nos a franquear as suas Fronteiras perdidas. Aqui vai um excerto da excelente história de hoje - Almas em trânsito

Sentou-se à mesa da cozinha e terminou de beber o café. Acendeu um cigarro, enquanto os seus olhos tropeçavam no aviso: “O tabaco mata”. Qualquer dia, pensou com desgosto, colocam ameaças semelhantes nas xícaras de café ou nas garrafas de vinho. A seguir cairão sobre os pastéis de Belém e os ovos moles de Aveiro-”o açucar pode causar impotência”-, e depois, porque parar?, chegará a vez do leitão da Bairrada. Ele vinha de longe, de um tempo em que os banhos de sol, em praias de águas límpidas, eram ainda um prazer sem restrições. Agora são um perigo. Nunca foi tão perigoso viver. Deviam, isso sim, colocar avisos (para os nascituros) nas salas de parto: “Cuidado, malta, viver envelhece. A longo prazo, inclusive, pode conduzir à morte”.

José Eduardo Agualusa. Grande autor da língua portuguesa. Leia-o, ele merece. E você também. JTD

sábado, 13 de dezembro de 2003

Eu é que sou a presidente da junta!

SETÚBAL Junto ao portão de entrada dos alunos da escola secundária de Bocage (ex liceu), existia um abrigo, colocado pela associação de pais, que protegia os alunos da chuva. Existia, digo eu, porque já não existe. Foi mandado retirar pela actual presidente da junta, ou pela Cãmara, ainda não está muito bem percebido, por razões de ordem estética. Agora, os alunos que tenham que aguardar por transporte, esperam à chuva. Razões estéticas, dizem eles. Isto numa cidade onde os atropelos à estética deveriam ser objecto de investigação judicial, e num lugar onde a construção é inacreditavelmente medíocre (o edifício da escola parece ser a única excepção).
Já aqui referi, uns textos mais abaixo em A Fama dos Padrinhos, as minhas suspeitas sobre o afecto dos actuais autarcas pela cidade que dirigem. Mas as crianças, senhores... JTD

Reforços precisam-se

José Pacheco Pereira precisa de reforços na sua cruzada contra a hipótese de Santana Lopes em Belém.
Quem nos alerta para tal descuido é Luis Delgado, no DN de sexta-feira. JPP dirige uma campanha isolada, diz ele.
Como é possível que ninguém se tenha apercebido de tal evidência?
Será que alguém está interessado em assistir aos lançamentos dos livros de Carlos Castro na casa cor de rosa?
Ou à promoção da "pintora" Rita Caneças nas paredes do palácio?
Ou a festas em homenagem a sua mãe e outros pindéricos socialites?
O que me faz falar assim é a inveja. Não é José Castelo Branco?
Perante tão nefasto panorama, vamos deixar JPP sozinho em casa, exercitando o seu espelho electrónico, escrevendo crónicas, emitindo opiniões televisivas para o vazio?
Obrigado Luis Delgado. O seu alerta acordou-nos.
A partir de agora, novas vozes se juntarão ao arauto JPP. Tenho a certeza.
Também Eduardo Prado Coelho foi contemplado pelo teclado de Luis Delgado. Meu caro EPC, então continua a duvidar das prestimosas intenções de Bush no Iraque? Parece impossível. Não vê que numa próxima reeleição do actual presidente americano, poderemos deliciar-nos com as francas opiniões de Luis, mas já como porta voz do governo? O americano, claro. BN

sexta-feira, 12 de dezembro de 2003

Cavalos de Tróia

E que cavalões. Azevedo e Amorim afinal não são rivais, isso foi a imprensa que inventou, diz Amorim. Tudo está resolvido. Tróia tem futuro. Casino, dinheiro a rodos, putas finas, labregos com gravatas coloridas, plumas espapanantes, maminhas ao léu, saltos altos, pensamentos baixos. Sim senhor, agora é que vai ser. Ora retoma lá esta, que assim é que se recuperam economias e o país anda p'rá frente. Quem não tem dinheiro fique em casa. A Natureza é do mundo e o mundo é dos ricos. Mas para se ser rico é preciso ser assim? Afinal já não quero! JJC

terça-feira, 9 de dezembro de 2003

Chic, not geek (again)

Apple, Julho de 2003



IBM, Dezembro de 2003




Dr. Estranho-Humor

Review: Criação 1.0 Beginning-of-Time Edition

A Criação tem bugs como o raio. Seguindo a sugestão de JPP na sua Eucaristia Dominical na SIC, passei os olhos pelo livro A Bíblia em Citações, e eis que identifico de imediato um grande bug. Um enorme bug relacionado com o momento da Criação. Assim como um Big Bug que a tudo dá origem.
Passo a descrever: Deus cria tudo e mais não sei quê em 6 dias ou lá o que é (sim, é aqui que o leitor percebe que não li nada o livro, apenas o usei como justificação para me dedicar a este assunto). A seguir, Deus cria/coloca (?) uns arcanjos a tomar conta da Terra. Aqui interrompo para mencionar que talvez não seja um bug mas pelo menos é má programação: então não havia nada, Ele cria a Terra e depois vai-se embora para onde? É que se deixa um arcanjo a cuidar da Terra é porque ele, perdão, Ele foi algures, onde não podia tomar conta da Terra, logo a) Ele não é omnipresente e b) Ele criou qualquer outro sítio (provavelmente melhor que este, senão não abandonaria este, ainda que por momentos) onde teve de ir e do qual não podia utilizar a sua, perdão, Sua capacidade cognitiva omnipresente.
Embora este momento do filme da Criação seja um pouco complexo e de difícil compreensão, vou fingir que faz sentido e sigo em frente...

Momento seguinte: Há um arcanjo que fica a tomar conta da Terra. Os arcanjos são assim como que uns anjos melhores. Uns anjos que andam cá há mais tempo (se ainda há 6 dias atrás era tudo trevas, escuro como o breu, porque raio era precisa uma hierarquia tão complexa de ajudantes?). Este arcanjo recebe como missão tomar conta da Terra (!). Para quê tomar conta da Terra se não havia ainda o Mal? O que podia acontecer à Terra e ao Homem se o Mal ainda não tinha aparecido???

Depois de ter assistido à criação do Homem por Deus, o arcanjo encarregado pela Terra e ciumento(!) por Deus ter dado ao Homem algo que os anjos não tinham (o livre-arbítrio), escolhe(!) tornar-se mau e corromper o Homem... Ajudem-me lá nisto, mas como é que alguém que não tem a capacidade de escolher ESCOLHE fazer algo? Se Deus criou os anjos (ou arcanjos ou lá o que é que até eu já estou perdido no meu raciocínio!) sem essa capacidade, como é que um deles a adquire? Só se esse anjo for omnipotente é que conseguiria criar algo que não lhe foi dado pelo seu próprio Criador. Mas, para além desta baralhada toda, como é que o arcanjo em questão - que virá a ser o Criador do Mal - cria o Mal? Como pode ele sentir um dos pecados mortais - a vaidade - antes de existir o Mal? Como é que ele resolve trair o seu Criador antes de haver a inveja, a ambição, a sevícia?!... Para além disto e para confundir ainda mais, como é que Deus pode ter dado o livre-arbítrio ao Homem antes de haver escolha? Não é a escolha o fruto da avaliação que individualmente fazemos do consideramos bem e mal? Que opção há num mundo sem... huh... opções?!

CONCLUSÃO: A Criação, pelo menos esta versão, é um flop cheio de bugs. Demora a instalar, é pesada e não funciona como devia. O interface é foleiro e pouco intuitivo. Para estragar ainda mais as coisas, esta versão demora demasiado tempo para salvar!

Pontuação Final: 1 / 5

Dr. Estranho-Humor

segunda-feira, 8 de dezembro de 2003

reBlogue

O riso do prof. Marcelo
Primeiro passaram aqueles livros todos no ecrã, mas isso já não nos faz rir. Porém, aquele riso incontido no final, aquela dificuldade de o controlar, aquele sem-nexo das frases, tudo isso anunciou, sem querer, que o prof. Marcelo tanto podia estar a falar da revisão constitucional como dos bombeiros de Celorico. É, portanto, o fim de uma era.

«O!, that a man might know
The end of this day's business, ere it come;
But it suficeth that the day will end,
And then the end is known.»
[Shakespeare, no Júlio César]

Francisco José Viegas Aviz.

domingo, 7 de dezembro de 2003

Odete, Daniel e Helena

Uma história simples
 
Por esta ordem:
Odete fez-se à fotografia, em pose, entre paredes, rendas e plumas que lhe saíam da cabeça, um decote suficientemente generoso e as carnes espartilhadas no fato de cetim fulgurante. Pintada, exagerada, travestida de actriz, tal como a actriz que sempre desejou ser e não é nem nunca foi. Levamos com aquela imagem nos olhos e a graça que não tem vem de todo aquele ar a armar ao grácil que fica entre o grotesco e sobras de infância, revivida, agora, que isto do tempo é obra, deixa marcas, tem um lugar. Este: Odete, simbólica representante do Partido Comunista Português, não desconstrói a sua identidade nem a do Partido, não quebra leis algumas de conveniência alguma, por um cruel e real motivo: Odete, tal como o Partido, tem uma presença pesada, mascarada, supostamente disrupta e ousada, que poderá até ser genuína mas que chega tarde, a desoras e da forma desajeitada (ou desesperada?) e parva (no sentido do que é pequeno, diminuto) que está à vista. Bate tudo certo. As plumas, o vestido espartilhado, o papel de Louca. Daí a estranheza e desta ao patético vai um salto. Seria interessante saber porque a escolheram para interpretar a Louca. Odete representa o passado.
Daniel Daniel Oliveira Barnabé reagiu ao que viu com um humor atravessado de melancolia. Daniel, jovem ex-militante do Partido Comunista Português, fala do que estão a fazer à herança que considera ser também dele. Está certo na desilusão. Está certo quando se sente como «filho» dessa boa gente onde a reserva era cultivada. Está certo e está crescido. Cresceu e o que vê não é mais do que a idealização passada a ferro pela realidade. Daniel, assume, de igual para igual com Odete, a profunda tristeza que a imagem encolhida de Odete lhe provoca. Porque é disso que ele fala quando fala. Da imagem de um Partido que está a perder força, que envelheceu e que pela mão de Odete se apresenta como a personagem triste que ela representa. Entre outros assuntos delicados, é também disto que Daniel fala. Do grande espaço que se tornou tão pequeno. As palavras de Daniel estão atravessadas de uma exemplar e sentida tristeza. Daí o humor necessário para suportar o que é insuportável. Daniel representa o presente mas também o futuro.
Helena saltou da cadeira e escreveu contra Daniel. Chama-lhe herdeiro sem perceber o significado da palavra herança nas palavras de Daniel. Escreve que o blog Barnabé é misógino, machista e egocêntrico mas é ela quem afirma: «Tivesse Odete Santos as medidas e a idade adequadas e até poderia nem representar. Bastava-lhe desfilar com a roupa de um qualquer criador para benificiar desse sacrossanto estado de graça das? bonitas a valer/ camaradas nada dogmáticas/ intelectuais interessantíssimas?». Ou seja, é Helena quem alude ao facto de Odete ser o que está à vista. É Helena quem fala como quer e, vá-se lá saber porque o quer, daquilo que Daniel não fala. É Helena quem, de uma forma misógina, descobre na beleza um problema grave: o de poder ser belo. Helena representa o presente que se confunde com o passado e em dificuldades com o futuro.
No fundo, uma história simples que tem origem na forma como as pessoas se encontram consigo através do que vêem nos outros. Do que lhes aparece pelo caminho enquanto vão, vida fora, à descoberta. Marta Viotti

sábado, 6 de dezembro de 2003

País patético

Já serve a indigência cultural de motivo para legitimações feministas (vide artigo de Helena Matos no Público). A parolice não tem sexo e, em nenhum caso, deve ser digna de respeito meu caro JTD. Aliás, neste país assiste-se ciclicamente a um fenómeno de justificação do injustificável. Quando a pedagógica Ana Benavente lançou o novo programa de Português que quase proibia o ensino da literatura, a coisa passou mais ou menos despercebida e foi apoiada por uma impagável Associação de Professores de Português que o defendeu como uma coisa do género propaganda de escola de condução: pedagogicamente ultra inovador e possibilitador de aprendizagens enriquecedoras, ligadas ao meio e modernizantes. Leia-se: ensino de ignorantes medíocres que detestam ler e que acham a literatura uma maçada e que encontram apoio e justificação no penoso ocultismo das ciências da educação. Como a generalidade dos indígenas está neste nível de mediocridade televisiva, a bernarda só rebentou por causa do manual do Big Brother. E a esquerda cantante cai em cima do Ministro que permite estes desaforos, e o Ministro aflito por causa das contradições com o que dissera quando era oposição e, sobretudo, das indemnizações às editoras e a prometer que daqui a não sei quantos anos (ainda lá estará?) garante que volta a pôr o Camões, mais o Camilo e mais o Eça e todos os outros para as criancinhas aprenderam. Mas agora estamos descansados: sai o regulamento do Big Brother e entra o de um outro concurso qualquer. Ufa! Felizmente tudo se resolve em bem, a contento de todas as partes e lá continuaremos no melhor dos mundos possíveis. Odete Santos, estás safa: deixa a revista e passa a fazer uma sitcom com o Camilo de Oliveira e com o Artur Garcia (ou com o Toy). Valentim Loureiro, junta-te ao Narciso Miranda e ao Luís Filipe Menezes para fazerem um novo Flashback com a Maya ou com o Carlos Castro. Gabriel Alves, podes finalmente realizar o teu mais íntimo desejo e recitar metade da obra completa de Florbela Espanca (desculpa lá, mas a outra metade fica por conta do Pinto da Costa). País patético! FM

reBlogue

OS SINAIS DA RETOMA
Manuela Ferreira Leite cobriu o défice da Madeira.
Os GNR’s que pediam uns trocos nas estradas voltaram ao activo.
Os assessores de Paulo Portas ganham seis mil euros por mês. Daniel Oliveira Barnabé

Poesia de Fernando Assis Pacheco

Desengaçar a alegria
do chato amável mundo

Respiração Assistida é o título escolhido por Abel Barros Baptista, organizador da obra, para o baptismo do mais recente livro de poemas de Fernando Assis Pacheco. E justifica-se: "Não cabendo senão um título do próprio Assis Pacheco, valeu o recurso ao procedimento óbvio: escolher entre os títulos dos poemas. Respiração Assistida impôs-se cedo, por motivos que o leitor atento não terá dificuldade em compreender. Demais, sendo o poema epónimo um dos dois datados de 27 de Novembro de 1995, quem sabe se não terá sido esse o último título inscrito por Fernando Assis Pacheco?"

No posfácio, excelente texto que Manuel Gusmão assina, pode ler-se: "A poética oficinal de Assis Pacheco joga-se e desdobra-se como discreta mas inapagável memória de tradições da poesia, como trabalho e jogo que se exercem sobre usos coloquiais da língua e sobre a matéria, verbalizada ou verbalizável, que é a experiência singular e partilhável do mundo e da vida, esse complexo de afectos ou afecções, de desejos, medos e fantasmas.

E agora o primeiro soneto do livro.

Por uma cona assim eu perco o tino
e tudo o mais desamo que não faça
como rata em soneto de aretino:
a um caralho dar frequente caça

porque essa cona tem da melhor raça
a traça que se diz "donaire fino"
se rosto fora ela e não conaça
onde o tesão divino toca o sino

com uma cona assim aquel' menino
Cupido troca as setas pela maça
martela meus colhões num desatino
que do Rossio ecoa até à Graça

ela é a melhor rata que dá caça
a este meu javardo de inquilino

Lisboa. 28-XII-81
Assirio & Alvim

JTD

quinta-feira, 4 de dezembro de 2003

Wallpaper 2013

2013? Será gralha? Não senhor. É que este número da Wallpaper é mesmo do futuro.
A fantástica revista inglesa que nos limpa a vista, e nos reconcilia com o instinto de beleza do ser humano, já está aí.
Na capa, em letra de forma, pode ler-se DECEMBER 2013. Mas outra data posterior não lhe ficaria mal. O futuro está aqui. No estilo, nos ambientes, na moda, em tudo o que as pessoas procuram para colorir a sua vida. Absolutamente imperdível.JTD

Arquitectura e disciplina

EDUARDO SOUTO MOURA, é sabido, faz parte da primeira linha de arquitectos da actualidade. Assim, sem complexos de bairro ou pátria. É bom, ponto. Em entrevista ao MIL FOLHAS/PÚBLICO-22/11/2003, revela algumas das suas preocupações, que lhe conferem a dignidade de pessoa do seu tempo. Uma entrevista notável, conduzida por Jorge Ferreira e Ana Vaz Milheiro.

"Sei que não sou um desconhecido, mas também não sei se sou do star-system,
porque não fiz nada para isso. Mas acho que o star-system tem algumas vantagens,
não acontece por acaso. Implica uma vida de dedicação ou, então, transforma-se
- e penso que não é o caso dos arquitectos portugueses - numa hipocrisia, um vedetismo bacoco.
Portanto, obriga a uma qualidade, a uma intensidade de trabalho."

"Pode-se levantar outra questão que não tem nada a ver com arquitectura; Devem fazer-se estádios? Aceitei o de Braga, mas como cidadão há coisas mais importantes. Devem chamar-se os Gehry?s? Prefiro que o Gehry faça o parque Mayer do que este seja entregue a algum curioso. Mas como cidadão acho que Portugal tem outras necessidades mais emergentes. Uma coisa é a qualidade intrinseca da disciplina e a outra é a disciplina inserida no ambiente social, cultural e urbano?JTD

quarta-feira, 3 de dezembro de 2003

Como ver pelas costas testemunhas de Jeová

Como todos sabemos, as testemunhas de Jeová são aqueles seres lamentáveis que andam a adivinhar o fim do mundo desde o princípio do séc XX.
Costumam atacar disfarçados de senhoras de meia-idade (seja lá isto o que for). Às vezes trazem umas criancinhas pela mão, para a gente pensar que são humanos.
Também aparecem com outros disfarces; tipo vendedor de utilidades fúteis, com fato maconde dos saldos. Mas é óbvio que são extra-terrestres. Já não conseguem convencer-nos do contrário. Basta ver a relação que têm com o sangue. Não podem receber transfusões. Logo se conclui que não é sangue que lhes corre nas veias mas sim um outro qualquer líquido que lhes vai perpetuar a existência, após o fim do mundo, que está para breve.
A abordagem aos cidadãos incautos é muito perigosa. Geralmente perguntam se conhecemos a palavra do Salvador. A quem responde: -Salvador? não conheço. Salvador quê!? é dado de imediato um valente e secativo sermão. Ele há pessoas que ficam irremediavelmente sem dizer coisa-com-coisa. Passam a não dar os parabéns aos amigos que festejam o seu aniversário, recusam-se a comer galinha de cabidela ou sarapatel, recusam as origens da espécie dizendo que o Homem não é um animal, mesmo quando corrigimos para animal racional. Que não, que o Homem é um ser superior e os animais que se danem. Conviver no Natal? nem pensar. Essa é uma das grandes ofensas à fé cristã. Enfim. É uma gente que faz uma interpretação das escrituras, da história e da ciência que não condiz, em nada, com a dos seres humanos.
Portanto, livremo-nos destes seres oriundos sabe-se lá de onde.
Para tal, se duas criaturas de pasta na mão (andam sempre aos pares) se pespegarem defronte da sua porta, convide-as em primeiro lugar a entrar para apreciarem a sua árvore de natal e o presépio. Se isto não as fizer zarpar instantaneamente, diga que o seu cão é tão esperto que mais parece um animal racional. Se mesmo assim não tiver sucesso, assegure-lhes as qualidades do seu frango de cabidela, que está ao lume. Se mesmo assim não resultar, mande-os pregar para um raio-que-os-parta. Porque, na grande maioria dos casos, os toscos só percebem conversas toscas.JTD

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CULTURA GERAL Eu não concordo com a ideia de Freitas do Amaral, defendida ontem na Visão sobre a inclusão (que suponho imaginária ? só pode) de uma cadeira de cultura geral no ensino Secundário (a tese vem de Hirsch, por exemplo). Mas, como quase nunca concordo com Freitas do Amaral, distingo uma ideia sua que me parece premonitória: daqui a uns anos, pelo caminho que as coisas levam no Secundário, talvez passemos «da cauda da Europa dos 15 para o terço inferior da Europa dos 25».
A ideia da Cultura Geral, de qualquer modo, pode fascinar algumas pessoas ? pelo seu carácter «democrático», suponho. O problema é que a cultura geral verdadeira não é uma especificidade mas uma generalidade que resulta do interesse pessoal; esse interesse vem da frequência das «disciplinas do Cânone». O apelo constante para ceder à mediocridade na escola, na televisão, nos jornais, na vida política, é que destruiu a cultura geral. Saber onde fica Vilnius, onde desagua o Tâmega, qual a nacionalidade de Ibsen ou quem foi Tucídides, é uma coisa que se aprende num trivial pursuit ? mas que se procura saber mais profundamente se a escola, a televisão, os jornais e a vida política não desvalorizarem quem tiver interesse em saber isso (a não ser no «Quem Quer Ser Milionário», naturalmente...).Francisco José Viegas Aviz.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2003

Poema

Este é um dos poemas que mais me impresionou. Um dos poemas da minha vida. Li-o pela primeira vez em 1989. Foi escrito muito antes de Cristo por um anónimo chinês e passado para português por Gil de Carvalho. A edição é da Assírio & Alvim, integrado no livro UMA ANTOLOGIA DE POESIA CHINESA.
Vou partilhá-lo convosco. Ora ouçam.JTD

Nasce o sol trabalhamos
Põe-se o sol descansamos.
Cavamos um poço, para beber,
Lavramos um campo, p´ra comer:
O imperador e o seu poder
- Queremos lá saber!

A cidade é o mundo inteiro

"Nós temos que falar cada vez mais na cidade mas no mundo inteiro, e o facto de em Portugal agora se discutirem os problemas da cidade é muito positivo. Acho que está na hora de começar um movimento a favor da cidade."

"Tem que haver uma relação afectiva entre o cidadão e a cidade. Aliás, eu não gosto das pessoas que não gostam das suas cidades."

Jaime Lerner. Presidente da União Internacional dos Arquitectos / ex-prefeito de Curitiba.
Expresso. 8/11/2003

A fama dos padrinhos

O Padrinho I
A câmara de Setúbal, penso que por iniciativa da vereadora da cultura, resolveu atribuir padrinhos às escolas do concelho. Estamos perante uma das ideias mais inúteis e disparatadas do executivo camarário. Aliás a ideia de conferir padrinhos aos jovens da região, parece-me, para além do disparate, absolutamente reaccionário. Nem Supico Pinto (Do salazarento movimento feminino), tão amiguinha dos desprotegidos, se lembraria de tão arrojada iniciativa.

Quando me falam em padrinhos lembro-me de imediato das famílias sicilianas. Deve ser deformação de cinéfilo, mas associo sempre a protecção por alguém muito poderoso. Contudo a ideia é mesmo essa. Ainda ninguém sabe ao certo para que servem os padrinhos, mas já se sabe que são "famosos". Têm o poder da fama. Ou seja, a nossa edilidade alistou-se na baboseira nacional do quanto-mais-apareço-na-televisão-melhor.

O Padrinho II
Senhores da câmara, os nossos filhos devem ter como exemplo pessoas com conhecimento e não pessoas conhecidas só porque dizem, fazem e cantam idiotices nos canais televisivos. Os exemplos para os nossos filhos não podem ser a confrangedora boçalidade de Toy. Também a trapalhice da vidente do jet-set Maya não é registo que se apresente como exemplo. E os apresentadores de lixo televisivo? para que servem? -Para apresentar lixo na TV. Os exemplos para os jovens que estão no ensino deve ser de qualidade. E há gente de muita qualidade no nosso país com muito para dizer aos nossos jovens.

Sei que muitos professores não acham gracinha nenhuma a esta parvoíce.
Também muitos alunos estão de costas para isto.
Cabe aos educadores e pais, com o apoio de políticos com perspectivas de futuro, encontrar soluções para o gravíssimo estado em que se encontra o ensino em Portugal.
O governo, pela voz do ministro, acha inevitável o chamado manual do “big brother”.
Os autarcas arranjam padrinhos ”famosos” como solução para os problemas das escolas.
Será que não podemos contar com estas duas modalidades de políticos?

O Padrinho III
Esta administração camarária ou não tem ideias, ou para as ideias que tem, era bem melhor que não as tivesse.
Tal como Jaime Lerner, acho que as cidades devem ser discutidas mas no mundo inteiro. Os cidadãos de uma cidade devem ser cidadãos no mundo. Como tal não me incomoda que os políticos que gerem uma cidade venham de outras terras. Mas também como Jaime Lerner detesto pessoas que não gostam da sua cidade. Se os senhores da câmara estão tão isentos de ideias que já não sabem fazer política, porque insistem em atitudes primárias e de gosto duvidoso?
Se não gostam desta terra porque já têm a vossa, porque não se vão embora?
Para que queremos nós vereadores da cultura incultos?
E politicos inábeis?
Para que queremos nós autarcas de esquerda, que mais parecem de direita?
Ou será que a política e a cultura morreram às garras do pato-bravismo ligeiro, não havendo lugar para quem quer dar cor e sentido às ideias?
Recuso-me admitir algo tão verdadeiramente mau.JTD

Dilemas

O ridículo mata; o sentido do ridículo empobrece.
Ora, quem é que quer morrer pobre?

O sol queima; o mundo avança.
A vanguarda é o privilégio de arder primeiro.

Porquê dizer mais, se o que está dito chega?
E se não chega, dizer mais ajuda?

António Mega Ferreira. O QUE HÁ-DE VOLTAR A PASSAR. Assírio & Alvim
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