segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Antony & The Johnsons

O concerto é hoje, no coliseu, às nove horas da noite.
Calcula-se que um grande espectáculo está para acontecer.
Veremos e ouviremos. Depois falaremos.
JTD

domingo, 30 de outubro de 2005

Fim-de-semana


Jean Michel Basquiat

sábado, 29 de outubro de 2005

O homem desfocado

Foi o Luís Sequeira, no Abnegado, que me alertou para a festa de aniversário na Rua da Judiaría.
Confesso que não circulo muito pela blogosfera no dia-a-dia. Vou percebendo o que por aqui é feito de uma forma completamente arbitária. Não vejam aqui displicência. Claro que não vou alinhar naquela do professor Cavaco: não leio jornais. Tenho mais que fazer.
Leio jornais, todos os dias, apesar de ter outras coisas para fazer. Mas, por isso mesmo, dedico apenas uns quinze ou vinte minutos diários aos blogues. Também já conhecia a "Judiaría", mas este alerta vai pôr-me a ir lá com mais frequência.
Obrigado ao Luís, e parabéns ao Nuno Guerreiro.
JTD

Uri Caine



O inclassificável músico que une o Jazz com a músca erudita, esteve em Lisboa e ainda anda por aí com concertos marcados para Aveiro e Famalicão. Ontem à noite esteve na Culturgest. Ouvi-o na Fnac do Chiado, ao fim da tarde, em curtíssima apresentaçao do seu mais recente trabalho. Gostei.
Da obra de Caine conheço mais três títulos: "Live at the Village Vanguard", "Bedrock 3" e o excelente "Gustav Mahler/Uri Caine; Urlicht/primal ligt". Mas há mais coisas gravadas e estão disponíveis. Pessoalmente, o que conheço recomendo. O que ainda não conheço provoca-me uma enorme curiosidade.
JTD

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Antony & The Johnsons



Antony oferece-nos retratos de melancolia, embrulhados por uma voz tão delicadamente frágil. I Am a Bird Now. Cancões sobre dor e saudade. A voz de Antony. Tão íntima. Tão sedutora. Somos remetidos para as memórias de um amor perdido. Lembramos alguém que está longe. Choramos uma perda. Curamos as feridas deixadas pela saudade e pelo amor. Como se estivéssemos numa qualquer paisagem idílica com a linha do horizonte pela frente. Sozinhos. É uma viagem ao interior. Estamos tão perto da tranquilidade. Ao ouvir Antony, quase podemos ver as suas asas. Carlos Ramos | lecool

Como gostei deste texto de Carlos Ramos no lecool passei-o para aqui. Visitem o lecool - um excelente roteiro que divulga actividades culturais de relevante interesse.

O concerto de Antony é já na próxima segunda-feira, no Coliseu. Vamos lá, sozinhos, ver as suas asas, é o que eu recomendo também.
JTD

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Hoje há sondagens

O DN com a TSF encomendaram à Marketest uma presidencial sondagem. Em todos os cenários Cavaco ganha folgadamente.
Está mesmo rés-vés da vitória logo à primeira volta. Na TSF, ouvi declarações de satisfação da boca de outros candidatos.
Soares não disse nada; na base de "O Calado vai a todo o lado". Alegre diz que está provada a sua opção de que há vida para lá dos partidos. E há, de facto. Ele é que só agora deu por isso. Mas a declaração mais surpreendente foi a de Louçã. Do alto dos seus 5,3%, decretou o seu grande entusiasmo com as previsões. "É entusiasmante" disse. Ensandeceu? Digo eu. Com todas as previsões a colocarem a Esquerda numa hipótese de derrota histórica em termos de Presidenciais e Francisco Louçã fica muito contentinho porque a prestação do Bloco não foi muito abaixo em comparação com as últimas eleições. Parece que afinal o que interessa é a nossa festa privada. Os outros, a cidadania e o país que se danem.
Não entendo estas alegrias. Não participo neste carnaval.
JTD

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Rosa Parks


1913 - 2005
É só para lembrar que morreu uma grande senhora.

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Nicolas de Stael | António Ramos Rosa



Um mundo

É um sonho ou talvez só uma pausa
na penumbra. Esta massa obscura
que ela revolve nas águas são estrelas.
Entre aromas e cores, um barco de calcário
prossegue uma viagem imóvel num jardim.
Vejo a brancura entre os astros e os ramos.
Dir-se-ia que o ser respira e se deslumbra
e que tudo ascende sob um sopro silencioso.
Nenhum sentido mas os signos amam-se
e o brilho e o rumor formam um mundo.

António Ramos Rosa Texto
Nicolas de Stael Imagem

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Que lata

Marcelo disse ontem na habitual sessão de esclarecimento de Domingo, que não aceitou fazer parte da comissão de honra de Cavaco porque acha que enquanto comentador não deve estar envolvido directamente com uma candidatura.
Percebe-se o problema do professor. É uma questão de honestidade intelectual.
Marcelo Rebelo de Sousa prefere fazer campanha em directo, na televisão, em horário nobre, mas sem problemas de consciência. Assim é que é, sim senhor.
RR

Matthew Herbert



Um bom trabalho que vale a pena roubar-nos uns minutos, ou horas, conforme a adesão.
A minha foi imediata. Um dos bons discos de 2005. É ouvir, e ouvir de novo.
JTD

domingo, 23 de outubro de 2005

Fim-de-semana


Barnett Newman

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Isto está giro

Começou um novo regabofe eleitoral. Pelos vistos, a campanha para a Presidência da República não vai ficar atrás das autárquicas. Respondendo aos jornalistas sobre o referendo sobre a Interrupção voluntária da gravidez, Cavaco falou como Presidente da República, corrigindo de imediato para candidato. Depois disse que não sabe o que a "Assembleia Nacional" tem a dizer sobre o assunto. Assim mesmo - "Assembleia Nacional". Se calhar Cavaco queria dizer Assembleia da República, mas como essas coisas da política nunca o incomodaram, ele diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça. Ou o que lhe é mais simpático. Ao contrário do que diz o seu apoiante Relvas, a cidadania nunca o motivou. É mesmo irritante, este Cavaco.
JTD

É parvo?

Estou a ver Miguel Relvas na SIC-N em defesa de Cavaco. À sua frente está Ruben de Carvalho. É o frente-a-frente moderado por Mário Crespo. Instigado por Ruben e Crespo, Relvas diz que as reacções de Cavaco ao governo de Santana, de que ele, Relvas, fez parte, não passam de exercício de cidadania. O governo Sócrates não tem que temer Cavaco, diz Relvas - O que está em causa nas medidas do governo é a forma como são apresentadas e não as medidas em si. É uma questão de social, logo condizente com a postura dos ex-dirigentes santanistas de que Relvas faz parte.
Ruben assinala, embora metafóricamente, a reduzida coerência das afirmações de Relvas. Este ex-governante do patético governo de Santana faz parte do mais patético staff político existente em portugal. A criatura acredita em tudo o que lhe dizem para acreditar.
Relvas é parvo, ou faz-se?
JTD

Chegou o salvador

Atenção sebastianistas: o homem já chegou. Prepara-se para um curto passeio pela avenida da Liberdade, até apanhar boleia para Belém. Está tudo preparado: Os fazedores de campanhas, os inventores de passados impolutos, os abutres do costume. Ainda houve quem achasse que estávamos perante um Chirac à portuguesa. Enganaram-se. O homem soube jogar. Deixou que um qualquer engenheiro Amaral se esturricasse quando era impossível fazer melhor contra Sampaio, e surge agora como cavaleiro da esperança. É certo que o discurso é pobre. Mas para o que o querem, serve.
Perante este cenário, começo a pensar que tudo se inverteu: provavelmente a esquerda portuguesa é a mais estúpida da Europa.
JTD

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Mudanças

O PCP colocou cartazes gigantes em todo o território nacional com uma fotografia do seu querido líder.
Não se percebendo a utilidade da acção, para quê tão despropositada campanha?
Uma coisa é certa: Cunhal nunca o teria permitido. O partido com paredes de vidro está, de facto, a mudar. Será para melhor? Duvido.
RR

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Daciano da Costa 1930-2005


A inquietação permanente de Daciano da Costa – nos projectos como na vida –, a sua capacidade para transformar os sinais desencontrados da realidade quotidiana em estímulos convergentes, a lucidez e inteligência com que encara as adversidades para as converter em agentes positivos são a lição que nos deixa a cada dia que passa. Daciano tem-nos ensinado a inquirir sempre a realidade com um olhar crítico, a alimentar, em relação a tudo quanto nos rodeia, um eterno e vital sentimento de mal-estar. Acredito também que só assim saberemos manter viva a esperança projectual – a utopia do Design –, que só assim poderemos reconhecer-nos no mundo que ajudamos a construir.

João Paulo Martins, arquitecto FA | UTL

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Kurt Schwitters | Fernando Pessoa


Basta Pensar em Sentir

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.
Viver é não conseguir.

Fernando Pessoa Texto
Kurt Schwitters Imagem

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Devoção

A revista DIA D, separata de economia do PÚBLICO, fala hoje com o economista César das Neves.
Em caixa à margem da entrevista, é feita uma descrição do gabinete de César na Universidade Católica.
Então é assim: há imagens de Bento XVI, de Nossa Senhora de Fátima e de Cavaco Silva.
São as grandes e legítimas referências de João César das Neves. Entre bentinhos e santinhos está o santo padroeiro. A cada um o seu protector e a César o que é de César. Amém.
JTD

sábado, 15 de outubro de 2005

Fim-de-semana


Jackson Pollock

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Nobel para Harold Pinter


Harold Pinter é o novo Prémio Nobel da Literatura. Fiquei contente. Em finais do ano passado fui convidado para fazer a cenografia e imagem da peça "Paisagem". Foi no TAS e a encenação pertenceu a Duarte Victor. Gostei muito do texto, o que me provocou uma imensa curiosidade pela obra publicada. Li todo o teatro, nas suas excelentes traduções - está editado em Portugal pela "Relógio d´água". Os textos de Pinter dizem exactamente o que a precisão da comunicação exige. Não existe um trejeito de linguagem a mais. O que lá está é o que quer dizer, apesar da subtil elegância da escrita.
Sobre o seu próprio trabalho disse: "Não consigo resumir nenhuma das minhas peças. Não consigo descrever nenhuma. O que sei é dizer: foi assim que se passou, foi isto o que disseram isto o que fizeram".
Harold pinter anunciou recentemente que abandonaría a literatura e o teatro para se dedicar à política - o egoísmo reaccionário dos nossos dias irrita-o.
Entretanto, um cancro tem-lhe atormentado os dias. Ontem comunicou que tencionava voltar à escrita teatral.
Os que o admiramos esperamos que isso aconteça com a maior brevividade.
JTD