quinta-feira, 16 de maio de 2024
Da lucidez
segunda-feira, 13 de maio de 2024
O libertino passeou por aqui
Oximoro
Paulo Rangel recusa genocídio, mas diz que catástrofe humanitária exige condenação.
domingo, 12 de maio de 2024
A origem do mal
Depois de um ataque racista a pessoas que dormiam tranquilamente em suas casas, e depois de declarações racistas legitimando esse ataque pelo repugnante líder dos fascistas portugueses, e pela inenarrável procuradora geral da — dizem que é — justiça, uma manifestação fascista é autorizada. Foi no Porto, que a manifestação autorizada pelo braço armado do Chega — não podemos esquecer que o partido fascista tem a PSP e a GNR no bolso — e pelo presidente da Câmara, Rui Moreira, aconteceu.
sábado, 11 de maio de 2024
José Afonso poeta
Encontrámo-nos para falar da poesia de José Afonso. Falámos de poesia, música, vida. Ouvimos Jorge Abegão contar os enredos que o levaram a encontrar poemas publicados na imprensa e por lá esquecidos. Ouvimos Filipe Fialho em interpretações para as soluções encontradas pelos músicos para as melodias. Ficámos a perceber melhor como casam as melodias com as palavras. Tivemos o gosto de ter presente Zélia Afonso. Percebemos com ela onde foram escritas certas músicas e ao que aludem. Foi na Casa Da Cultura | Setúbal. Foi muito bom estarmos ali uns com os outros. Aprendemos muito. Aprendemos sempre muito. Obrigado a todos.
Confiança na finança
Agora apresentou medidas para resolver o problema da habitação. Percebe-se assim de repente que a especulação imobiliária é encorajada. A selvajaria é solicitada. A liberalização de ocupação dos solos é todo um programa de intenções. Apoio a quem precisa não existe. Apoio a quem especula quer-se como lei. Mas há aqui apenas intenções, nada de decisões. Ainda bem, estas intenções transformadas em decisões podem dar em nada. Se calhar a ideia é essa: não acontecer nada. Este governo não acontece. É constituído por um grupo de parolos sem consistência intelectual. Nem intelectual nem técnica.
sexta-feira, 10 de maio de 2024
Casos e casinhos
As terminologias matam. Os casos e casinhos do PS levaram ao derrube do governo por um Presidente hiperactivo direitista e uma procuradora songamonga que só procura a instabilidade com vontade de imposição política. A política deixou de ser aplicada pela imodéstia dos casos e casinhos. Agora são os casões que contam: incompetência, alarvidade, acusações vis, silêncios torpes e ódio ao serviço público minam as mal ilustradas meninges desta gente. São grunhos calados e acanhados perante a desenvoltura verbal e esbracejante do grunho falante. Não tarda aliam-se. A bem da nação deles. São gente a preto e branco, sem nuances nem estilo, como o retrato incluso.
CICLO DE CONVERSAS 50/25 - 50 ANOS DO 25 DE ABRIL
quinta-feira, 9 de maio de 2024
Da decência mínima
quarta-feira, 8 de maio de 2024
Benefício da ignorância
O grunho falante do partido fascista utiliza a ignorância dos seus apoiantes como ferramenta de trabalho. Claro que não diz o que pensa porque não pensa nada nem coisa nenhuma. Diz coisas. Alega o que for preciso para instruir os incautos e ruins. Agora acusa o Presidente de traição à pátria. Claro que não acha nada disso. O contexto internacional está minado de estadistas que pediram desculpa pelas ocupações, violações e expropriações colonialistas e trataram de devolver bens roubados. O grunho falante atreve-se a puxar pelos galões de jurista, como se tal condição profissional lhe garantisse credibilidade. O partido dele está submerso em justiceiros trogloditas. Ele é um jurista fruste que pretende iludir o seu séquito — infelizmente já vasto — de seguidores. E é um cidadão que usa o que for preciso — manipulação, mentira descarada e falta de vergonha evidentes — para iludir os imbecis que o seguem. Imbecis e escroques da pior espécie. Ele é como jurista um manhoso fruste e vil, e como cidadão é um vulgar escroque.
Conto aqui dois episódios que tentam enquadrar este tipo de gente. Na zona onde actualmente vivo, o partido fascista teve excelsa votação. Maioria mesmo, diga-se assim que é para causar arrepios. Senti que tinha que reagir. Quero envolver-me na vida colectiva. Resolvi participar numa acção de formação teatral promovida pelo Centro Cultural da zona. Na primeira sessão esclareci ao que me levava ali. Participar na vida da terra. Perceber o que nos trouxe a esta situação de javardice política. A formação foi excelente. Aprendi os antecedentes da criação de personagens. Fizemos improvisações no estrado que me causaram grande gozo pessoal. Na última sessão deu-se o inimaginável. Uma criatura participante, incomodada desde o início com as investidas verbais ali verberadas contra o partido fascista Chega, avança do nada com esta pérola: "eu até percebo as pessoas que votaram no Chega". Claro que se percebe logo a tendência da criatura e em quem votou, mas ela resolveu esclarecer melhor: "eu sou contra a abertura de fronteiras", e "até há cientistas que dizem que a Terra não é redonda", ou seja: a criaturinha até coloca a hipótese de podermos ir para além das normas defendidas pelo partido fascista. Correcções precisam-se, sempre. Vamos lutar contra o conhecimento em prol da vontade de ser do contra. Os outros, os que não são como nós, devem ser sempre excluídos e combatidos. Nação valente.
O outro episódio não presenciei, mas observei pelas televisões. Aqui há uns tempos, em manifestação do Chega contra essa ideia para eles estapafúrdia de que o racismo existe, os jornalistas de serviço perguntam aos participantes o que os motiva a estar ali. "É para eles saberem que aqui não mandam nada", e "vão para a terra deles" e " não sou racista, mas cada um deve estar na sua terra". Enfim, o povo fascista é assim mesmo. Valente e imortal. O grunho falante ainda não tinha ido tão longe como os seus apoiantes, mas agora, perante os ataques criminosos a pessoas imigrantes residentes na cidade do Porto, a compreensão desses actos surgiu no dia seguinte. Reacção revelada no dia seguinte aos ataques. Ao contrário da costumeira improvisação no momento. O grunho convocou jornalistas, e, em pose de governante, acusou os atacados de possíveis atacantes. Para o povo fascista que o segue essa acusação é lei. Os ataques estão justificados. Os grunhos defendem milícias contra a diferença. Afinal, essa estratégia até já foi aplicada pelo antecessor movimento fascista MDLP de que fizeram parte um actual vice-presidente da Assembleia da República e o pai da ministra da justiça. Estamos no bom caminho.
terça-feira, 7 de maio de 2024
segunda-feira, 6 de maio de 2024
Senhor Cultura
Morreu Bernard Pivot. Habituei-me a persegui-lo desde Apostrophes e Bouillon de Culture, programas televisivos literários que passaram as fronteiras de França. Uma vez, no Bouillon, ficou de olhos esbugalhados quando alguém disse que Fernando Pessoa era um dos grandes poetas de sempre. Virou-se para Eduardo Prado Coelho, na altura adido cultural em Paris: Est-ce vrai ?, pergunta atónito. E os olhos ficam ainda mais esbugalhados quando Eduardo confirma a genialidade de Pessoa. Tornou-se entusiasmado admirador do poeta. Também se dedicou a opinar sobre vinhos. Fez muita coisa. Foi um ser humano de excepção. Único. É um autêntico centro cultural que deixa de existir.
domingo, 5 de maio de 2024
Frank Stella
Arriscou. Quis surpreender. Criou novos ambientes artísticos. Dizem que o minimalismo surgiu com ele. Ou cresceu. O seu trabalho cresceu muito. Deixa uma obra impressionante. Foi muito bom viver no seu tempo.
sábado, 4 de maio de 2024
Imigrantes em perigo
sexta-feira, 3 de maio de 2024
A escolha de Montenegro
O tablóide tal&qual informa-nos de alguns assuntos de particular interesse: o Presidente avisa quando estiver chalupa. Será que um chalupa reconhece essa sua nova situação? Outra manchete: filho do Presidente tem tendência para ser "influencer". Quem sai aos seus... E ainda: Carlos Alexandre quer mandar nas secretas. Olha a novidade!
Mas a grande surpresa é a escolha de Montenegro para a presidência da Câmara de Sintra. Montenegro passou de vendedor de banha-da-cobra para vistoso artista de variedades. Parece que o novel primeiro-ministro aposta em Manuel Luís Goucha. A sério? Não dá para acreditar. Será que José Castelo Branco não foi convidado? Será que não aceitou? Ou será que a escolha prendeu-se com a real possibilidade de as decisões camarárias passarem a ser transmitidas pela TVI, em directo, com direito a prémios e promoções comerciais? O efeito Trump tem seguidores. Montenegro está atento à política espectáculo. afinal o tatibitate das Finanças não é impreparado. Aquilo é performance.
quinta-feira, 2 de maio de 2024
Outras faces
Abriu hoje a exposição TEMPOS INCERTOS, de Miguel Navas, na galeria Santa Maria Maior. Andam pelas paredes da galeria grandes formatos — pinturas em papel coladas em tela —, médios e pequenos formatos, onde se destacam pela surpresa pontual os auto-retratos que já são imagem reconhecida no trabalho de Navas. José Sousa Machado diz na folha de sala: "(...) nos auto-retratos de Miguel Navas, o carácter deixa no rosto as marcas das palavras não ditas e das intenções não realizadas". De facto aqueles auto-retratos olham-nos com preocupação. Será carácter, será vontade de comunicar algum pessimismo. São revelações de um rosto atento a realidades que nos agridem ou comovem. Os rostos que aqui se apresentam têm voz, mas não querem falar. Preferem não dizer intenções. Percebe-se um possível pessimismo. E percebe-se a lucidez.
quarta-feira, 1 de maio de 2024
Miguel Portas
Recordo aqui que o Miguel nasceu no dia 1 de Maio de 1958. Recordo-o hoje, no dia em que se assinala o seu aniversário, porque não o esqueço, e porque acho que não deve ser esquecido.
A morte surge num dia assim
Em dia de celebrar quem trabalha, deixa-nos Paul Auster. Um trabalhador que sabia colocar as letras nos sítios certos. Morreu um dos meus escritores. Confesso que às vezes me imaginava a conversar com ele sobre as suas invenções literárias. Sobre aquela maneira de dizer as coisas que tanto me agradava. Marcou-me. Sentia-o aqui tão perto. E estava. Agora vai-se embora. A tristeza é muita. Ainda esperava tanto dele. Vou reler tudo o que escreveu. Não tenho outro remédio. Obrigado, Paul.





















