segunda-feira, 17 de junho de 2013

MUITO CÁ DE CASA | No próximo sábado, à noite, autores e apresentadores deste trabalho estarão à conversa na Casa da Cultura, em Setúbal. São histórias da História de Setúbal que estarão em causa. Uma boa causa para uma deslocação ao casarão da Cultura setubalense. Convidados.
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A EDUCAÇÃO DE CRATO | Crato não desilude, porque nunca iludiu. A escola dele é de um mundo que já não existe. O mundo do mestre escola prepotente e ameaçador. Há diferenças para melhor, é claro. Diferenças que esta espécie de inspectores escolares de meia-tijela gostariam que nunca tivessem acontecido. Crato alega a ameaça à estabilidade dos alunos. É? Então resolva a situação. Dava-lhe mais jeito uma greve em agosto, com os alunos em férias? Acontece que uma greve é feita para perturbar. Para fazer valer direitos. E esta é pelo direito ao trabalho. Simples. Os alunos perceberão isso um dia mais tarde. Os que ainda não perceberam.
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sábado, 15 de junho de 2013


ERRO E TRAMÓIA | Polícias prendem por ofensas ao Presidente. Juízes condenam de imediato, sendo de imediato anulada condenação pelo Ministério Público. O primeiro-ministro informa no parlamento que se uma lei não lhe convém, altera-se a lei. As marionetas eleitas nas listas dos partidos da maioria aplaudem energicamente. Diz ainda que aqui e ali se avistam sinais de recuperação económica - visão nitidamente desmentida pelos números oficiais. Governo afronta Tribunal Constitucional alterando data de pagamento do subsídio de férias a funcionários públicos. Ministro das Finanças diz que "não foi eleito coisa nenhuma", reagindo assim à completa negação das promessas eleitorais. Secretário de Estado Rosalino não quer saber de eleições já que está lá apenas para fazer umas continhas. Há acertos a fazer. A política que se lixe. E riem, riem muito, como se estivessem num circo rico e vistoso. Há um clima de constante atropelo e ameaça. Cavaco falou em tempos de uns limites. Mas agora encoraja esta tropa fandanga em nome da estabilidade. Deve ter sido com essa caneta que preencheu em tempos um formulário da PIDE. A egoísta estabilidade pessoal sempre iluminou o agora Presidente. São estes delinquentes que governam este desgraçado país. É assim a direita no poder - egoísta, ameaçadora e aparentemente imbecil. De facto, às vezes parecem parvos. Mas não são. Nada corre como anunciado e eles sabiam disso. Estão-se nas tintas para nós, para o país, para as novas gerações. São justiceiros de ocasião preocupados com a perpetuação das coisas velhas. O caminho está traçado. Tentarão percorrê-lo nem que passem por cima dos nossos cadáveres. É bom que desandem daqui para fora, antes que isso aconteça.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013

MANUAL DE ENVERGONHAMENTO | As criaturas que se exibem nestes painéis eleitorais têm muito orgulho em ser candidatos pelo PPD/PSD. Só não o dizem assim às claras cá por coisas. Será que o PPD/PSD não vai pagar a campanha? Será que são candidaturas independentes? O cinismo é de borla e instantâneo. Basta juntar falta de vergonha.
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ESCLARECIMENTO | Informo que o visado é reformado pelo menos duas vezes. Logo este apelo não faz qualquer sentido. Respeitem as reformas de cada um.
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quinta-feira, 13 de junho de 2013

O BOM E O MAU LADRÃO | O juiz que condenou ao pagamento de mil e trezentos euros um perigoso criminoso que insultou indecorosamente o Presidente Cavaco com um violentíssimo "vai trabalhar", bem podia ser convocado para tratar do caso Oliveira e Costa e de outros simpáticos amigos de Cavaco. Era bom que a justiça começasse a ser mais célere. Este foi um excelente exemplo. Força senhor doutor juiz. Chegue-se à frente. A Justiça Portuguesa precisa de gente como o senhor.
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quarta-feira, 12 de junho de 2013

O ETERNO RETORNO DO FASCISMO | O que o capitalismo primário está a fazer ao mundo, com a ajuda ideológica do neoliberalismo, é o fim do mundo. São como os eunucos da canção de José Afonso: devoram-se a si mesmos. Para estes abutres não há humanismo nem humanidade. O que acontece na Grécia, na Turquia no Chipre e em Portugal, e um o pouco por todo o lado, são exercícios de aplicação de políticas de regresso ao fundo dos tempos. Não há respeito por nada nem por ninguém. A direita política não quer saber de adereços dispensáveis como cultura, informação, comunicação e pessoas. São empecilhos que atrapalham a economia. A política acabou. Ficou um exército de executores fiscais tão cruéis como os mais empedernidos fascistas. Os tempos que vivemos não são fascinantes, como muitos nos querem fazer crer. São perigosos. E muito, muito dramáticos. 
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OLHOS QUE NÃO VÊEM, CORAÇÃO QUE NÃO SENTE | Parece que foi por causa da troika que a televisão grega fechou. Por vontade da troika o mundo fechava. Ficavam cá eles, para galos de entrudo.
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terça-feira, 11 de junho de 2013

O TEMPO, ESSE GRANDE ESCULTOR | Yourcenar usou a frase como título para um livro notável e avisador. O tempo molda e corrige. Muitas vezes ultrapassa todas as previsões. É sereno e agreste. Daí haver o bom e o mau tempo. O tempo dá para muita coisa. Quando não sabemos o que dizer numa conversa de circunstância, falamos do tempo. Há um tempo para tudo. O ministro Gaspar, queixou-se em tempos de um desenho mal esgalhado. Agora queixa-se do tempo. O tempo tramou-lhe os planos na construção. Todos nós sabemos como é importante a construção em Portugal nos tempos que correm. Gaspar, o construtor, teve que guardar as ferramentas e esconder-se do mau tempo. O tempo, esse grande estupor. Não há tempo que aguente esta falta de engenho.
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sexta-feira, 7 de junho de 2013

RICARDO CRISTA | A exposição já abriu. A inauguração foi concorrida e interessada. Vai estar na Casa da Cultura até à primeira semana de Julho. Depois será José Nova o artista convidado. Vão aparecendo. Bom fim-de-semana
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quinta-feira, 6 de junho de 2013

ERROS HUMANOS | O FMI arrepende-se do que fez em outras intervenções. Admite erros graves. Em Portugal, os seus parceiros em funções no governo, insistem na bondade do memorando e nem lhes passa pela cabeça outro caminho. As empresas entram em falência? O desemprego alastra? O poder de consumo dos cidadãos é inexistente? Aguentem. Estamos a corrigir excessos. Não há outro caminho. E caminhamos. Cantando e rindo.
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quarta-feira, 5 de junho de 2013

FANTÁSTICO, MELGA | O fala-barato do retrato está em terapia de auto-elogio, na Amadora, junto de um grupo de pouco exigentes ouvidores. Há gente para tudo. Comemora dois anos no governo. As notícias televisivas confortam-nos: Portugal é mais credível, apesar do desemprego, da recessão e assim. Ou seja: vivemos no pais ideal para quem está lá fora. É tudo mais barato, ganhamos pouco e levamos um pontapé no cú logo que os rapazes da seita do fala-barato achem que somos excessivos. O fala-barato acha que tudo isto é extraordinário. E gaba-se. O fala-barato bem podia limpar as mãos à parede. Parabéns à prima.
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terça-feira, 4 de junho de 2013


segunda-feira, 3 de junho de 2013

NO ATELIÊ DO ARTISTA | António Jorge Gonçalves vai ter os seus desenhos expostos - Bem dita crise -, na Casa da Cultura, até à próxima quinta-feira. Sexta-feira abre nova exposição. Ricardo Crista mostra pinturas recentes. Assunto sério. Voltaremos a falar de Ricardo e do seu trabalho. Mas ficam para já avisados: estas pinturas são para ser vistas.
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domingo, 2 de junho de 2013

AS COISAS SÃO COMO SÃO | Há dois tipos de poetas: os que dominam a palavra de tal forma que nos mostram a outra forma das coisas, as cores do mundo, a água limpa, o desejo, o fim. E há Herberto Helder.
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sábado, 1 de junho de 2013




MALDADE HUMANA | O Muito cá de casa recebeu Pedro Almeida Vieira, para a apresentação do seu livro Crime e Castigo, o povo não é sereno, seguido de um debate sobre a pena de morte.
O moderador António Ganhão (colaborador literário do PNet Literatura), realçou a importância do romance histórico num país cuja história (sobretudo durante o Estado Novo) foi responsável por gerar toda uma série de mitos. O romance histórico ao contextualizar os factos históricos na sua época e, dentro de uma lógica temporal, não os submetendo à moral dos dias de hoje, transforma-se num grande desfazedor de mitos.
A jurista e escritora Alice Brito falou-nos da violência do estado que deve ser sempre balizada, sendo a Constituição o mais forte instrumento da limitação desse poder. Falou-nos de justiça e de como a pena de morte, sendo irreversível, não é solução para o combate ao crime.
Pedro Almeida Vieira deixou-nos a sua reflexão sobre a maldade humana e como, cedendo nós a um Estado que nos garante mais segurança à custa dos nossos direitos, estamos a caminhar para um retrocesso civilizacional.
Foi uma sessão participada não tendo havido lugar a castigos finais. Para os que faltaram, o maior castigo foi mesmo o de terem perdido o debate.

António Ganhão