sábado, 16 de fevereiro de 2008
O fundo do túnel
O túnel do Rossio já abriu. Foi reinaugurado com pompa. Houve festa grossa e gente fina. Depois veio o rosário do costume: atraso das obras em dose excessiva, derrapagem financeira, desconfianças quanto à segurança. Em túneis, como em quase tudo, somos assim: a luz está sempre lá muito ao fundo. E dificilmente se encontra.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Grande prémio
Estava tudo combinado. O governo de Santana Lopes favoreceu o Casino de Lisboa, diz a edição online do Expresso. Um governo que apostou no Casino mas perdeu. O prémio saiu à casa.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Ruy Duarte de Carvalho no CCB
Na minha opinião, estamos perante um dos maiores escritores de língua portuguesa. É um escritor extraordinário e desculpem mas eu nestas coisas sou fanático, é absolutamente extraordinário e as pessoas têm que ler este escritor.
(...)
Este é um desses certos livros, é um livro extraordinário, luminoso nas aproximações que faz entre Angola e o Brasil, entre os fenómenos migratórios que houve do Brasil para Angola. E depois passa por aqui tudo. Passa por aqui o Antônio Conselheiro, passa por aqui o Lampião, passa por aqui a história da Rainha Ginga.
António Mega Ferreira
Ciclo Ruy Duarte de Carvalho no CCB
Fevereiro e Março | EXPOSIÇÃO “Essa maneira de convocar tudo” Galeria Mário Cesariny
13 de Fevereiro | DEBATE SOBRE IMAGE - 18H30 - Sala de Leitura
13 de Fevereiro | CINEMA "Nelisita: narrativas nyaneka" - 21H00 - Sala de Ensaio
14 de Fevereiro | CINEMA "Moia: o recado das ilhas" - 21H00 - Sala de Ensaio
14, 15 e 16 de Fevereiro | COMUNIDADE DE LEITORES - 18H30 - Sala de Leitura
17 de Fevereiro | COMUNIDADE DE LEITORES - 16H00 - Pequeno Auditório com a presença de Ruy Duarte de Carvalho
15 e 16 de Fevereiro | TEATRO "Vou lá visitar pastores" - 21H00 – Pequeno Auditório
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Bichos carpinteiros na casa de Pessoa
São dez da noite. Acabo de chegar da Casa Fernando Pessoa, onde o bicho carpinteiro José Medeiros Ferreira fez um relato da sua passagem pelos livros que não esqueceu.
É engraçado perceber que, esvaziadas as proporções, há livros inesquecíveis que vão habitando as estantes de todos nós. Medeiros Ferreira tirou da cartola Camus e Berberova.
Dois autores que já me fizeram companhia um ror de vezes. E estão aí para durar. A palestra foi notável. O que a gente aprende com quem sabe.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
O verdadeiro líder
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Outra vez futebol?
Cavaco Silva não concorda com a organização do Mundial de Futebol em 2018. Diz que não é uma prioridade para Portugal.
A hipótese de dividirmos as despesas com Espanha não o convence.
Concordo. O que aí vem não promete. Mas, mesmo que a coisa corra melhor do que se espera, não vejo como recompensa um esbanjar de emoções em dispendiosos relvados.
O Presidente faz bem em não ir em futebóis.
A hipótese de dividirmos as despesas com Espanha não o convence.
Concordo. O que aí vem não promete. Mas, mesmo que a coisa corra melhor do que se espera, não vejo como recompensa um esbanjar de emoções em dispendiosos relvados.
O Presidente faz bem em não ir em futebóis.
Vai passar a procissão
O Bispo Policarpo revelou, pelo Natal, que a falta de fé é o maior drama da Humanidade. A coisa ferveu entre quem comenta a espuma dos dias. Agora resolveu pôr água na fervura: "Quem acredita no Deus vivo e vive com Ele, não sabe imaginar a vida sem Deus, como certamente um descrente não pode imaginar o que é viver com Deus". O Cardeal Patriarca acertou. É difícil imaginar viver e amar sem o conforto do retorno. Mas adiante. "Não poder escutar a palavra de Deus é ficar limitado à luz que brota do homem, tantas vezes distorcida pelos contextos culturais e históricos". Espantoso. As distorções culturais e históricas decretadas pelas igrejas dariam para uma tal procissão que levaria a um percurso de séculos. É esse trilho que percorre o Cardeal.
Muitas vezes é tormentoso. Parece uma promessa.
Muitas vezes é tormentoso. Parece uma promessa.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Política sem poetas
Carlos do Carmo defende, em entrevista ao Diário de Notícias, que "um artista não pode ser militante de um partido". Ou seja, quem canta não pode acumular com outro tipo de voz. Não pode ser o cidadão que entender. Quanto muito vota e cala.
O fadista ganhou um prémio em Espanha e agora não para.
A retórica pedagógico-maçadora inunda jornais e televisões.
Com este prémio inchou. O discurso balofo virou instituição.
De Manuel Alegre diz que "é um poeta e os poetas são os poetas.
Eu consigo mais ver o Manuel como um poeta do que como um político, é curioso".
É curioso, digo eu: não vejo nem uma coisa nem outra.
O fadista ganhou um prémio em Espanha e agora não para.
A retórica pedagógico-maçadora inunda jornais e televisões.
Com este prémio inchou. O discurso balofo virou instituição.
De Manuel Alegre diz que "é um poeta e os poetas são os poetas.
Eu consigo mais ver o Manuel como um poeta do que como um político, é curioso".
É curioso, digo eu: não vejo nem uma coisa nem outra.
Prémio e castigo
Manuel Alegre continua a pôr-se em bicos de pés, insistindo em existir politicamente. Como poeta até parece que recebeu um prémio da Casa de Mateus. De facto, poeticamente poderá considerar-se uma espécie de Mateus rosé - uma escrita desenxabida, sem corpo nem cheiro, que convoca vagos heroísmos.
António Guerreiro, em comentário à distinção, no Expresso de ontem, não pode ser mais claro: "Manuel Alegre vai ao arquivo dos significados 'poéticos' cristalizados e constrói com eles um edifício de metáforas e símbolos vazios, bem mortos. Esta poeta-metaforização que se quer fazer passar por poesia - mas não passa de mera imitação de poesia - é um logro tão grande como a grandiloquência do vate presumido".
E mais à frente: "Mas, com meios que não vão além de simbolismos de pacotilha e euforismos de salão, bem pode Manuel Alegre invocar o mar, convocar tempestades, e evocar ondas que nem a mais leve brisa por aqui passa".
Nem mais.
António Guerreiro, em comentário à distinção, no Expresso de ontem, não pode ser mais claro: "Manuel Alegre vai ao arquivo dos significados 'poéticos' cristalizados e constrói com eles um edifício de metáforas e símbolos vazios, bem mortos. Esta poeta-metaforização que se quer fazer passar por poesia - mas não passa de mera imitação de poesia - é um logro tão grande como a grandiloquência do vate presumido".
E mais à frente: "Mas, com meios que não vão além de simbolismos de pacotilha e euforismos de salão, bem pode Manuel Alegre invocar o mar, convocar tempestades, e evocar ondas que nem a mais leve brisa por aqui passa".
Nem mais.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
LVT 7
A primeira revista LVT deste ano já por aí anda. Neste número destaco o texto de Fernanda Câncio sobre os comerciantes da Baixa que não querem vender. Mas há mais: David Lopes Ramos foi até à zona de Palmela perceber o que por lá se come e bebe. Carla Maia de Almeida falou Com Ana Teresa Vicente, presidente da autarquia. Carla Amaro falou com José Eduardo Carvalho, presidente da NERSAT - Núcleo Empresarial de Santarém. Guto Ferreira e Pedro Soares fizeram os retratos desta gente toda. Nós, na DDLX, tratámos da edição e imagem.
Os textos podem ser lidos aqui
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Ignorância internacional
Um estudo de opinião, feito no Reino Unido, informa que 23% dos ingleses não acreditam que Winston Churchill tenha existido. Já 58% dos inquiridos garantem que Sherlock Holmes andou por lá a investigar crimes. A ignorância não é privilégio apenas do pessoal cá do burgo que abre os telejornais aos gritos. Os súbitos pouco informados de sua majestade são tão brutinhos como os nossos.
Por cá, já se ouviu alguém asseverar, em entrevista de rua, para uma estação de televisão, que o primeiro-ministro empossado logo após o 25 de Abril de 1974 foi Salazar. Seja como for, não estou a ver alguém pintar o ditador com as cores da ficção. Digo eu, mas não garanto nada.
Provavelmente estamos quites. A ignorância é universal.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Je t'aime... moi non plus
Nicolas Sarkosi e Carla Bruni já não são os príncipes encantados do conto de fadas francês. Os franceses não estão para assistir sentados ao foguetório lançado dos lados do Eliseu. Tanta paixão e felicidade despertou antipatia. O Presidente nunca esteve tão em baixo nos testes de popularidade. Claro que não está em causa o seu desempenho político. Cá para mim é inveja.
Amigos para sempre
Sabemos que José Miguel Júdice não se desloca para beber nem um cafezinho com Marinho Pinto. Agora vem garantir que o novo bastonário da Ordem dos Advogados dá ares a Mussolini e a Chávez. Ou seja, é uma espécie de demagogo populista. As denúncias de corrupção que disfere são irresponsáveis apesar de corresponderem a um estilo com possibilidades de futuro. Futuro que, segundo Júdice, pode levar Marinho Pinto a candidato da Esquerda contra Cavaco, nas próximas presidenciais. Não creio que tal pesadelo nos possa apoquentar. Não me parece que seja um populista o candidato escolhido pela Esquerda para Belém. A não ser que seja para "queimar". Mas, até lá, e percorrendo trilhos tão arriscados, o bastonário ficará provavelmente esturricado.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Eles querem comer tudo...
Dezenas de detentores de cargos políticos tentaram ocultar as suas declarações de rendimentos. Num tempo em que os rendimentos de todos nós estão em permanente análise, em que um ligeiro atraso no pagamento de impostos está sujeito a multas e o seu não cumprimento à exposição pública, esta gente propõe uma ousadia destas. Nada tenho contra as normas que vigiam os nossos comportamentos nesta matéria. Mas, ou há moral ou comem todos, lá diz o outro.
Bem disse José Afonso: "eles comem tudo e não deixam nada".
O Tribunal Constitucional é que não deixou que a trafulhice se instalasse nas instituições financeiras.
A Política é demasiado importante para ser deixada à mercê dos políticos.
Bem disse José Afonso: "eles comem tudo e não deixam nada".
O Tribunal Constitucional é que não deixou que a trafulhice se instalasse nas instituições financeiras.
A Política é demasiado importante para ser deixada à mercê dos políticos.
Eles comem tudo
As associações patronais querem despedir a torto e a direito. Os motivos são de uma desumanização básica: basta que o patrão queira renovar quadros porque sim. O empregador chega um dia ao local de trabalho e percebe que aquela gente já anda ali a meter nojo. Acciona os mecanismos que a lei lhe permite e "ala que se faz tarde": tudo para o olho da rua. Embora aí arranjar gente nova que já não posso olhar para a cara destes trastes.
Os direitos das pessoas são para estes usurpadores despudorados exigências sem sentido.
Tal como dizia José Afonso "eles comem tudo e não deixam nada".
Pelo menos tentam.
Os direitos das pessoas são para estes usurpadores despudorados exigências sem sentido.
Tal como dizia José Afonso "eles comem tudo e não deixam nada".
Pelo menos tentam.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Autoridade secreta
O responsável máximo da Judiciária diz que "houve uma certa precipitação" ao constituírem os pais de Maddie como arguidos no processo. Parece que foi o que muita gente achou na altura.
A polícia Judiciária acha agora precipitada a decisão.
Mas esta polícia despacha em cima do joelho?
Será que estamos bem aqui?
A polícia Judiciária acha agora precipitada a decisão.
Mas esta polícia despacha em cima do joelho?
Será que estamos bem aqui?
Nigth and day
Telmo Correia ter assinado 300 despachos na noite antes de bazar, não nos deve tirar o sono. Provavelmente foram autorizações para comprar canetas e assim. O homem não quis que o seu sucessor achasse os serviços do ministério uma piolheira. Fez bem. Mas o que é que ele terá feito durante o dia todo?
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Está tudo doido?
O Presidente da República foi homenagear o rei morto há cem anos. A festa foi em Cascais e meteu estatuária e tudo. Cavaco lamentou: "Quis o destino que D. Carlos enfrentasse tempestades. Quiseram os homens que lhe não fosse dado tempo para as superar". Será que o Presidente se refere aos crimes da monarquia? Serão essas as tempestades que incomodaram o rei? Mas qual a razão do lamento de Cavaco? Será o Presidente monárquico? Ou será que está tudo doido?
Pessoas
Francisco José Viegas vai sair da Casa Fernando Pessoa. Vai voltar a dirigir a revista LER, que assim volta a ser publicada. Colaborei nas primeiras edições. Era ainda director António Mega Ferreira. Fui director artístico desde o primeiro número. Depois, com o Francisco ao leme, a colaboração continuou. Foi nesse tempo que criei a Estuário, para editar livros de bolso e oferta. Foi o Francisco José Viegas que me sugeriu o nome, por a sede da editora ser então em Setúbal, junto ao estuário do Sado, portanto. Pareceu-me uma boa ideia. Aceitei a sugestão. Entretanto saí do projecto LER. O Francisco continuou. Saiu mais tarde. Agora vai regressar. Espero que lhe dê um bom rumo. Mas também espero que a Casa Fernando Pessoa mantenha a animação encetada.
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