VOU-ME EMBORA por uns tempos. Não, isto não é um pedido de socorro. Não fui raptado por nenhuma seita, nem religiosa, nem política. E também ainda não é desta que me vou prantar numa ilha grega para perceber o tempo e olhar o infinito, que é o que parece existir além do mar, depois do horizonte.
Vou continuar a ler jornais e revistas, a ler livros (impressos em papel), a olhar para o que vai sendo feito por artistas e intelectuais, tão odiados por cretinos neofascistas e até por antifascistas aparvalhados, que também os há, apesar de em menores algarismos.
Que o imobilismo não vença. E que a gente se divirta no combate à imbecilidade neofascista, que cresce como cogumelos venenosos. A alegria é indispensável para o combate aos apologistas da ignorância que querem toda a gente ignorante. Não podemos desistir de ter voz. Eu vou só até ali olhar e sentir "A Alegria da Criação" — José Afonso, sempre. Vou viver com a autenticidade que me for permitida, embriagado pela curiosidade intelectual. Vou demorar. Depois volto. Até...
