domingo, 20 de setembro de 2026

Aos domingos

ELOGIO DO EXTRAORDINÁRIO

EU QUE JÁ FUI EU | O título está bem apessoado, mas poderia perfeitamente ser este: «O que já foi ainda é». O texto de Paula Parente Pinto (curadora), na folha de sala, define trajectos. Estamos em território de reconhecimento de um passado que insiste em reinventar-se.

O que aqui se revela é o gesto da artista perante a matéria encontrada. O reaproveitamento de materiais outrora de uso útil (ou nem por isso), e a sua integração em novos suportes, dá-lhes novas formas de vida. Pequenas utilidades (ou nem por isso) são transformadas em novos símbolos, agora simplesmente visuais, sem a necessidade de responder a um uso. É da vida e dos «produtos» que a animam que falamos, quando abordamos estes trabalhos de Maria José Oliveira. O objecto muda de lugar, mas fica um lastro que denuncia outros comportamentos. Outros testemunhos de percurso. O reconhecimento que a artista acumula por esse mundo fora é testemunho da competência dessa vontade de mudar trajectos. A utilidade tem agora outra exigência, para nosso bom proveito.

Paula Parente Pinto termina o texto dizendo: «Num mundo irreversivelmente materialista, o que é surpreendente é o reconhecimento de que a sua capacidade transformativa está no gesto e na pergunta, na contínua interrogação que nos coloca: “o que pensas disto?” E é a crença na resposta humana que faz com que o mistério persista».

EU QUE JÁ FUI EU | Maria José Oliveira | MNAC — Museu Nacional de Arte Contemporânea Chiado, Lisboa.

Até 4 de Outubro de 2026.




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