quinta-feira, 28 de maio de 2026

Receituário

 

ÓRFÃOS | "Aprendi a matar bem mais do que penso", diz personagem de uma canção de Sérgio Godinho. Esta peça do TEATRO DA RAINHA leva-nos a uma reflexão sobre o comportamento do ser humano perante a violência extrema. Matar alguém, eliminar um ser humano, não é como matar pulgas (parafraseando Sérgio de novo), mas a solidariedade com alguém que estimamos pode levar-nos a justificar um assassínio? Pode alguém que se diz não-racista a sê-lo por um apelo num instante que não consegue justificar? Em O ESTRANGEIRO, de Albert Camus, o protagonista da história mata porquê?
Este texto de Dennis Kelly é notável, as interpretações de Inês Barros, Fábio Costa e Tiago Moreira são qualquer coisa de extraordinário e a encenação de Henrique Fialho é de um pormenorizado requinte. Tudo funciona: gente em palco, cenografia, luzes, guarda roupa, imagem promocional. O teatro da Rainha está em Lisboa — Teatro Paulo Claro. Artistas Unidos — até ao próximo sábado para mostrar tudo isto que eu aqui digo e que ontem testemunhei na primeira récita na capital do reino que já o foi.
Proponho que se desloquem até lá sem demora. Um espectáculo assim não se pode perder. Eu, no futuro que se aproxima não vou perder nadinha do que esta malta anda a fazer. Vossemecês ficam sem saber o que perdem, se não seguirem o meu conselho. Vão ao teatro, pela vossa saúde (mental).
 
ÓRFÃOS, pelo Teatro da Rainha
Autor | Dennis Kelly
Tradução e encenação | Henrique Fialho
Cenografia | José Carlos Faria
Desenho de luz | Hâmbar de Sousa
Guarda Roupa | Acervo do Teatro da Rainha
Interpretação | Fábio Costa ( Liam), Inês Barros (Helen) e Tiago Moreira (Danny)
Graffiti | Ricardo Henriques
Criação de imagem e design gráfico | José Serrão
Fotografia de Paulo Nuno Silva 
 
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