sábado, 11 de abril de 2026

Quando a corja topa da janela

São o que for preciso. Uns apoiam Trump, outros Putin, outros Trump e Putin e outros não sabem muito bem o que fazer para ter apoio e palco. O palco é a uma tentação que lhes dá visibilidade e que lhes poderá dar poder, pensam (pouco e mal, mas pensam). Todos são contra a imigração. Todos são por "nós primeiro" e os outros todos que vão para longe, para a terra deles, que cada um nasce onde nasce porque foi deus que assim o quis.
Há os mais discretos e há os espalhafatosos. Avançam e recuam em discursos de ódio, conforme recomendam os barómetros eleitorais. Ainda respeitam esses condimentos democráticos, mas só pensam em acabar com esses empecilhos ao restabelecimento da nova ordem fascista. Trump está a tratar disso lá na terra dele. Tudo está a fazer para condicionar o voto democrata, e até já fala em continuar ao leme mesmo depois do permitido, mas sem dizer o que tenciona fazer para manter a embarcação nestas águas turvas. A maçada das eleições pode dar lugar ao descanso da ditadura.
O fim da democracia dava muito jeito. Meloni não quer imigrantes. Meloni quer imigrantes. Em que ficamos? Ficamos com os imigrantes que nos servirem, os outros que vão morrer longe, no mar, quando tentam salvar a pele e matar a fome. Solidariedade? Humanidade? Que marcas são essas? Podem comercializar-se?
Em Portugal calhou-nos o maior dos pantomineiros. Utiliza a opinião como quem usa um lenço de papel que depois deita fora com a opinião lá assoada. Um nojo. Responde com mentiras e pergunta mentido. Tudo pode mudar de manhã para a tarde, e, se o dia for longo, ainda faz serão. A mentira e o dislate podem ser usados quando o homem quiser.
Nas chefias das extremas direitas sempre existiram os corruptores e os corruptos. Trump, por exemplo, não imagina que existam diferenças entre gerir uma firma e governar um país. Governa os EUA com se fosse uma empresa imobiliária e de serviços com sede na sua propriedade. Toda a sua família faz negócios a partir da Casa Branca. Estes espécimes inventados por um qualquer deus menor foram agora apoiar o seu corrupto amigo húngaro. Motivo: está em maus lençóis. Os que detêm o poder querem mantê-lo e os que têm sede e querem chegar ao pote (Lembram-se desta tirada magnífica?) fazem o que for preciso para lá chegar. Se for preciso até partem o pote. E se o pote for de petróleo... Venha a nós. O filho mais novo do candidato a ditador americano que o diga. Resumindo: a alternativa na Hungria não é flor que se aproxime de nariz mais sensível, mas é o que os húngaros têm para já no mercado eleitoral como alternativa ao candidato a poder perpétuo. Saiu do mesmo ninho de víboras, mas diz que vai ser diferente. Eles dão-se como as cobras porque são maus como as cobras. Há ali uma vontade reptiliana de atacar, matar, eliminar. Estão organizados em bandos de malfeitores. São malfeitores.
O Sérgio (Godinho) convidou os seus amigos Adriano, Fausto e José Afonso para participarem no seu álbum Campolide (1979), escrevendo e cantando uma quadra (ao gosto popular, como às vezes se diz) da autoria de cada um. José Afonso escreveu e cantou esta: "Disse-me um dia um careca/Quando uma cobra tem sede/Corta-lhe logo a cabeça/Encosta-a bem à parede". Enfim, metáforas.

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