quinta-feira, 5 de março de 2026

Homenagem

ANTÓNIO LOBO ANTUNES | Leio o escritor desde "Os Cus de Judas". Convidei-o para uma apresentação desse livro em sessão "Dois dedos de conversa com... nas conversas que ocupavam na altura as sextas-feiras ao fim da tarde no Círculo Cultural de Setúbal. Ano? 1979. 

A conversa com o escritor foi notável e memorável. Tive com ele um relacionamento extremamente simpático, que desmentiu a ideia do homem distante e dado a poucas falas. Fiquei sem perceber de onde surgiu essa ideia. A conversa marcou-me e esclareceu-me muito sobre o que é o carácter de um homem que tem a fama de ser terrível só porque se preocupa com o que se passa em seu redor. Viver em voz alta parece dar má fama, mas faz bem a quem assim vive. A obra de Lobo Antunes não tem paralelo. É um trabalho único e exemplar. O escritor é exigente com o leitor. Ler Lobo Antunes não é fácil. A expressão "lê-se como um romance" é um disparate que aqui ultrapassa o classificável. Ler Lobo Antunes torna-nos diferentes. Aprendi muito com ele e vou continuar a aprender. Como? Ora, porque vou continuar a lê-lo. Muito obrigado, mestre. Foi muito bom viver no teu tempo. Vamos continuar a viver-te.

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