quinta-feira, 5 de junho de 2025

No país do futebol e das touradas reais

O empresário que ocupa o lugar de Presidente do Conselho de Ministros, já conseguiu reunir um número necessário de pessoas humanas para formar governo. Assim de repente parece que o objectivo foi homenagear o bom trabalho anterior.

A Saúde fica entregue a quem a quer tornar rentável, partilhando-a com outros empresários do sector. E a Cultura vai para quem está ainda mais distante da dita do que a ocupante da pasta que agora vai para de onde veio, e de onde nunca devia ter saído. A Cultura é coisa de intelectuais que não serve para nada, ou que quando existe só dá chatices. Tudo como dantes. Isto é: tudo na mesma, como a lesma, que é o que diria a minha avó. De resto, agora vamos ter uma oposição a fingir que está morta — esperemos que nem toda —, enquanto a que a gente pensava que já tinha morrido vai zurrar até que a voz lhe doa, e não vai descansar enquanto não for berrar para as cadeiras do sistema que tanto odeia.
Já agora: parece que o Presidente da República adiou uma visita de Estado para ficar a ver um jogo da bola. Isto não é um país, é um sítio com um relvado de futebol, uma arena para as touradas e um palco para os cantores manhosos. Alguém sabe onde se encontra a porta de saída?

Receituário



O SALTO DA TIGRESA | Vivienne Westwood vai estar no MUDE. Activista política e ambiental, foi uma criadora que percebeu o mundo e fez tudo para o incluir na sua actividade. Esta exposição no MUDE é uma homenagem à criadora de moda e mulher com atitude. Meia centena de peças de sua autoria ficam assim à disposição dos nossos olhares. Assim de repente parece-me iniciativa imperdível. Mas cada um sabe de si.

Novo Governo

Diz-se por aí que a jotinha Margarida Balseiro Lopes vai para a cultura. E a cultura, alguém sabe para onde vai?!


quarta-feira, 4 de junho de 2025

Democracia é quando a direita quiser

O texto que se segue é do meu amigo José Simões, "líder" do incrível blogue www.derterrorist.blogs.sapo.pt/ Sítio muito recomendável. Eu não perco pitada.

"Um terrorista-bombista não foi eleito vice-presidente do Parlamento e o taberneiro teve um choque de frente com a realidade e com a democracia, uma deslealdade para com o segundo partido, disse ele, depois de na legislatura anterior toda a sua bancada se ter literalmente cagado para a lealdade e boicotado a eleição do presidente do Parlamento, deputado oriundo da bancada maioritária. E depois foi comovente ver um bronco saído da série interminável produzida pelas jotas partidárias, alçado líder de grupo parlamentar, bem sucedido na vida à pala do cartão do partido, ao telefone com o taberneiro a alinhavarem acertos de contas com o voto privado dos deputados das respectivas bancadas. E ainda mais comovente foi ver a segunda figura da hierarquia do Estado, eleita inter pares, a explicar-se na bancada do partido da taberna no fim do plenário, depois de na anterior legislatura ter sido enxovalho, na eleição e na legislatura, pelos apóstolos do taberneiro".

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Contra os novos fascismos

Os encontros à esquerda recomendam-se e estão a acontecer. Quem quer participar o mais possível nas manifestações que se sucedem, fica de mãos atadas perante algumas situações. Hoje vai-se dar um encontro na livraria Almedina Saldanha que lança este desafio: Esquerdas: como dar a volta? Que quer dizer: como reagir a esta ofensiva ordinária da extrema-direita fascista? Mas exactamente à mesma hora vai decorrer no Chiado, muito mais perto do meu poiso diário, uma manifestação de solidariedade com a Palestina agredida pela extrema-direita fascista. Muito sinceramente acho que a malta tem de se organizar de maneira a que estas sobreposições de datas e horas não aconteçam. Mas, vamos lá caminhar para onde nos chamar mais a consciência Cidadã. O importante é participar.

Também é importante assinar a petição que está a correr de solidariedade com a Palestina. Basta ir aqui: www.emcausa.org e preencher.
Vamos lá reagir à barbárie fascista em curso. Sim, à barbárie, que está a acontecer verbalmente de forma vil e mentecapta no parlamento português, e que mata e humilha pessoas na Palestina. Não podem passar. Isto tem de acabar.
Cartaz de André Ruivo

terça-feira, 3 de junho de 2025

As evidências do almirante

A retórica é fastidiosa. Retiro da conversa da treta o que me esclareceu melhor sobre o carácter do ex-almirante para além da lustrosa vaidade disfarçada de bonomia forçada. Sandra Felgueiras refere declarações suas anteriores para introduzir o tema "serviço militar obrigatório": "Iremos defender a Europa até morrer", interrompe com um sorriso de orelha a orelha: "isso é uma evidência". Foi um dos momentos felizes, que lhe ornamentou com um luminoso sorriso a face austera de militar ajustador.

Sobre a eutanásia, é "pró vida", percebendo-se que não percebeu nada da lei em questão. E sobre a lei de interrupção voluntária da gravidez respondeu: "esse assunto está resolvido na sociedade portuguesa". Não respondeu, portanto. Porque o assunto vai voltar quando tivermos os ferozes fascistas em guerrilha "pró vida" no parlamento. Concluindo: ser "pró vida", quando a vida ainda não existe, mas defender como "uma evidência" a morte de jovens em guerras decididas por militares e políticos defensores das suas próprias orientações políticas, revela muito do pensamento deste candidato a Presidente de todos nós. Meu candidato não é seguramente, e espero que continue a espalhar-se ao comprido nos debates. Nem todos estamos rendidos aos "argumentos" desta gente convencida que vai salvar Portugal. Vão lá salvar quem os fez, e deixem-nos em paz.
A entrevista aconteceu na estação de serviço televisivo que é pertença de um dos seus mais descarados apoiantes. Já tem TV oficial de campanha, está na cara.

Temos que fazer alguma coisa

 Muita coisa. Sempre!

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Álvaro Arranja


Morreu o Álvaro Arranja. Conheci-o no tempo da nossa adolescência. Estivemos juntos em muitos encontros onde a cultura e a política se cruzavam e actuavam.

O projecto BOCAGE/BODONI, onde inventei uma relação de amizade entre o poeta Bocage e o tipógrafo/grafista Bodoni, contou com a sua participação escrita na publicação que registou em documento impresso (fotografia em anexo) a sessão que decorreu na Casa Bocage, em Setúbal.
Álvaro Arranja foi um historiador que se preocupou em contar o que se passou no movimento operário da região. Era um homem de esquerda que faz falta ao combate que se impõe contra a extrema-direita fascista. São os historiadores que contam o que aconteceu com imparcialidade e inteligência. Os idiotas da extrema-direita que dizem coisas não sabem ler nem escrever. O Álvaro Arranja sabia ler, escrever e contar. E contava as histórias da História com o rigor que exigia a si próprio. Vai fazer falta. Gente boa faz sempre falta. Muito obrigado, Álvaro Arranja. Foi bom viver no teu tempo.

domingo, 1 de junho de 2025

Resistir, sempre!

EST(H)ABILIDADE | Montenegro tem formação de Governo “em curso” e está preparado para prova de 4 anos, diz a Lusa.

Este homem é a primeira grande descoberta de Portugal no século XXI. Um farol. Um empresário que se vai esforçar pelos seus, sem limites, desinteressadamente, sem fins lucrativos, no cargo de primeiro-ministro. É um filantropo que vai ajudar as empresas que mais precisam, para que possam ajudar-nos a nós, os pobres até agora tão sedentos de apoios do Estado. O Liberalismo económico vai-nos salvar. E é um esteta que vai institucionalizar a cultura "p'ra pular". O ensino será entretenimento, sem essas secas das cidadanias. Haverá finalmente respeito pela nossa história. O 25 de Abril, essa vergonha nacional que só trouxe regalias para os que não querem fazer nada, será colocado no seu reduzido lugar. Francamente, mas então agora os pais não sabem educar os filhos em casa? Não sabem incutir os princípios cristãos e de raça preponderante nas mentes dos seus pimpolhos? Montenegro vai governar segundo os seus padrões conservadores e de respeito pelas novas maiorias. E vai ter um governo-sombra fascista, que se acha "a oposição", e que vocalizará vozeando, um "nheca-nheca" permanente como se não houvesse amanhã. Esse "nheca-nheca" só vai parar quando os fascistas estiverem à porta do palacete de São Bento. Eles já estão muito perto, mesmo ali ao lado, e não vão descansar enquanto a estabilidade do farol Montenegro não for apagada. A habilidade fascista vai dar lugar à instabilidade da democracia que assim ditará o seu fim. Culpados? Marcelo e Montenegro que, com a vontade de se aproximarem das atitudes retrógadas dos fascistas para os evitarem ao leme, estão a dar-lhes poder e a afundar isto tudo. Quando os fascistas passarem para a porta ao lado, há quem diga que vão ter em Belém um marinheiro que também nos quer salvar dos males do mundo. Tudo pode piorar a partir do próximo ano.
Que fazer quando o céu está prestes a cair-nos em cima da cabeça? Resistir, é óbvio. Vamos fazê-lo em todos os locais onde trabalhamos, conversamos, cantamos, discutimos ideias, olhamos arte com autenticidade, vemos teatro, cinema, enfim... Vamos viver com alegria e inteligência em todos os lugares onde queremos ser felizes. É aí que se constrói o futuro. Até já.

sábado, 31 de maio de 2025

Causas

Fotografia de Alfredo Cunha/emCausa

É um site de opinião que pretende reforçar a Esquerda pela via do pensamento político. A extrema-direita é contra a política. Isto é: contra a política que afronta os que não querem manifestações políticas. A extrema-direita encontrou em Portugal um líder que é pano para toda a manga. Nós não vestimos essa camisa de ruim pano.

Este sítio foi criado por quem insiste em dar opinião. Quem dá a sua opinião está a combater quem não quer opiniões. A extrema-direita quer o imobilismo. O chefe da extrema-direita quer a idolatria acéfala. Não vai dar. Vamos combater. Com palavras que são actos. Que isto é mesmo assim.
Faço parte da mobília desta casa que tem Causas lá dentro. Convidamos toda a gente a entrar. Sintam-se à vontade.
emCausa
Director: José Vítor Malheiros
Secretariado: Maria João Pica
Revisão de textos: Carlos Lobato
Design: José Teófilo Duarte / João Silva / DDLX
Webmaster: Joana Cardoso
Propriedade: Associação Causa Pública https://causapublica.org/
Conselho Editorial: Ana Drago, Carmo Afonso, Catarina Mourão, Daniel Oliveira, Désirée Pedro, Filipa Vala, Guilherme Rodrigues, Helder Verdade Fontes, Hugo Mendes, Isabel Moreira, Ivan Nunes, João Teixeira Lopes, José Reis, José Teófilo Duarte, Manuel Carvalho da Silva, Manuela Silva, Nuno Serra, Paula Cristina Marques, Paulo Martins, Paulo Pedroso, Paulo Pena, Ricardo Paes Mamede, Ricardo Sá Fernandes, Rogério Moreira.

sexta-feira, 30 de maio de 2025

O Venâncio

Conheci-o em 1990, quando eu era o director de imagem da revista LER. Trocámos algumas ideias sobre alguns assuntos, mas depois nunca mais estivemos perto um do outro. Há uns anos ele escreveu "Assim nasceu uma língua", publicado na Guerra e Paz, e eu percebi o quanto importante ele foi para percebermos a razão de falarmos esta língua tão maltratada, mas tão resistente e atraente. Morreu um homem que era uma Enciclopédia, um Dicionário, um Livro de Estilo, um Prontuário Ortográfico e um Escritor que preferiu investigar e perceber a Língua Portuguesa. Agora é lê-lo e perceber porque falamos assim. O trabalho de uma vida não é nada de deitar fora e esquecer. Muito obrigado, Fernando Venâncio.

Abjecto

LINHAS TORTAS | A SIC-N lança, pelos vistos por iniciativa de Bernardo Ferrão, o programa Linhas Direitas. Diz que é porque o país mudou. Três criaturas inenarráveis discutem os lugares da governação. Três indescritíveis malcriados espreitam para o poder agredindo a torto e a direito a Esquerda política parlamentar e as pessoas de esquerda. Será a normalização das novas linhas políticas, segundo a SIC, ou será a normalização do mal? Ou será que Bernardo Ferrão também vai lançar um programa de debate intitulado Linhas Esquerdas? Ou Linhas Tortas, vá, apesar de tudo sempre se inscrevia com alguma decência no contraditório.

A Festa do Mar

Este livro é sobre a vibração das festas populares. O encantamento, a alegria, a comoção que interfere no espirito das pessoas. Uma tese de Nuno Guerreiro Soares que passa a livro publicado pela Estuário, e desenhado pela DDLX. Um bom documento para se recordarem os bons momentos passados nesta Festa que envolve as gentes do mar, e também quem respeita quem anda no mar. O lançamento é neste próximo sábado, dia 31 de maio, às 15h30, na Igreja de São Sebastião, em Setúbal.

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Parolos ao governo

O vigarista de bairro foi indigitado. O Presidente recordista nas dissoluções fez-lhe o inesperado convite. São tão giros, estes políticos de pechisbeque. Teve muita graça o autómato Pinto Luz, hoje, no Jornal 2. Diz que falam com todos. Todos, todos, todos. A coisa pegou. É pano para todo o fato. O manteigueiro Pinto Luz está disponível para servir o país, diz, sem pingo de vergonha.

A chamada comunicação social está em polvorosa. Quer encontrar o chamado líder da oposição. Não há um líder da oposição, caríssimos. Há lideres da oposição. Querem saber nomes? Eu digo: Rui Tavares, Paulo Raimundo, Mariana Mortágua e mais quem for para líder do partido socialista. Assim, dito de repente, é o que se pode arranjar. O fascista que saiu do partido do governo não é oposição - é farinha do mesmo saco. Ele e todos os que o acompanham. São biltres fascistas. Esclarecidos?!
Entretanto o almirante parolo apareceu em apresentação da inesperada candidatura a Presidente. Fato assertoado, em dia de sol abrasador, em pose parola de quem não sabe estar, em sala cheia de parolos. Diz que ama este país, e desata em bojardas de bradar aos céus. O desalinho verbal é de uma evidente inabilidade retórica. O grafismo apresentado nas paredes da sala é parolo como o candidato.
Já agora: o desfile de parolos do partido fascista nas televisões anda servido em doses generosas. O "chefe" e seus adjuntos andam num reboliço de canal em canal. O colo continua. SIC e TVI são esgotos a céu aberto.
Somos um país de parolos? Provavelmente sim, mas é melhor começarmos a sair deste terreno contaminado. Somos diferentes. A nossa diferença tem que ser assumida. Agora mais do que nunca. Não somos parolos: somos contra eles.

Contra a tristeza fascista


É uma peça de teatro que conta histórias das pessoas que faziam a ditadura estremecer. Situações de denúncia e militância política entusiasmaram os associados nestas colectividades, onde a resistência ao fascismo era a programação cultural. No distrito de Setúbal abundavam.

José Afonso circulava de terra em terra em sessões de esclarecimento sonoro, chamemos-lhe assim para facilitar. Em Setúbal foi um dos fundadores do Círculo Cultural (na altura instalado na avenida 5 de Outubro e posteriormente na casa que é hoje a Casa Da Cultura). O Círculo fez cócegas ao fascismo. A PIDE andava sempre por perto. No Barreiro também fervilhava a actividade colectiva. Eram contadas as mais incríveis histórias de corajosas sessões decorridas nos ambientes barreirenses. Muito devemos a esta gente. Claro que nem todos se apercebem destas coisas. José Afonso apercebeu-se: "Há quem viva sem dar por nada, há quem morra sem tal saber", escreveu e cantou. Esta peça relembra e homenageia as pessoas que viveram e deram por isso.Tiveram a coragem de resistir. Resistir com inteligência e alegria. Sim, lutamos pelo direito à alegria, contra a tristeza fascista.
A peça é uma criação de Isabel Mões e vai estar em cena nos Penicheiros nos dias 31 de Maio e 1, 6, 7 e 8 de Junho. O título parece desafiar o crescimento dos que querem que tudo ande para trás. Não é uma proposta de recuo, é uma interpretação de um passado que não queremos que regresse. O futuro não pode ser tão sombrio.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Viva a Lia Gama



A Lia Gama faz hoje anos. Estreou-se cedo com os grandes actores e encenadores nos teatros lisboetas. Faz televisão e cinema. Lembro-me de a ver em peças nos Cómicos, Teatro da Graça. Trabalhou com encenadores como João Lourenço, Jorge Silva Melo, Luís Miguel Cintra, Ricardo Pais, Jorge Listopad, Fernando Gusmão, João Mota e Juvenal Garcês. Lembro-me de a ter visto em "Kilas" e de ter ficado fascinado pela belíssima actriz e pela personagem. Também a vi na Comuna, na Cornucópia e no Teatro Aberto (penso que ainda se chamava grupo4 e funcionava na Praça de Espanha). Conheci-a pessoalmente por causa da obsessão de Jorge Silva Melo em divulgar a grande poesia bem dita. Com outros actores dos Artistas Unidos foi a Setúbal divulgar poetas e poemas. A sala José Afonso, da Casa da Cultura, passou a ser o ponto de encontro para esses momentos de fruição literária. Lembro-me bem das leituras que fez com a Maria João Luís e com o Luís Lucas. Recordo os animados jantares e as saborosas conversas. Continua a dar-nos o prazer de a vermos fazer o que faz tão bem. Não desiste dessa vontade de interpretar o mundo, e nós só temos que lhe agradecer. Continua a estar connosco, Lia. Queremos estar contigo. Vamos juntos combater os novos fascistas que tanto nos irritam. É tão bom ver-te e ouvir-te. Parabéns pelo teu aniversário. Para o ano há mais. Até já.

terça-feira, 27 de maio de 2025

Morreu a Maria João Duarte

Conheço a Maria João desde os meus primeiros tempos de actividade. Ela foi a primeira jornalista a recomendar-me, nas páginas do então Diário Popular, onde escrevia notas sobre cultura e afins. A fotografia que associo a esta homenagem foi por mim tirada durante a abertura de uma exposição/lançamento de O TEODOLITO, de Luiz Pacheco, em edição da Estuário. Eu e a Fátima Rolo Duarte, sua filha e também minha amiga, fizemos uma intervenção estética que decorreu na Galeria de Exposições Temporárias do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, em novembro de 1990.

A Maria João Duarte foi pioneira do jornalismo em Portugal. Primeira mulher a escrever sobre desporto, estendia o seu conhecimento e cultura a muitas outras áreas. Foi uma autora competente de peças jornalísticas de desporto, música, humor, publicidade, artes visuais e muitas mais vidas.
A Maria João Duarte foi uma mulher excepcional. Estar com ela era um prazer e uma aprendizagem. Esta morte surpreendeu-me. Pensava muito nela, Falo muito nela e nas suas histórias, mas nunca imaginei este fim, que me dói muito. Tanto. Tristeza imensa que me inunda a cabeça de recordações de vidas passadas com outros amigos. Os filhos que lhe morreram. Um deles, o Pedro, meu amigo de tanta conversa e convívio líquido. Resta-me dar um abraço apertado à Fátima. Dias sombrios, estes. É muito triste perdermos alguém assim. Mas foi tão bom viver no seu tempo. Muito obrigado, Maria João.

Não há morte nem princípio

Chamava-se Mariana. Foi minha mãe. Passam hoje oito anos sobre a sua morte. As nossas origens nunca se esquecem. E é assim que deve ser. Quem teve como preocupação primeira a nossa existência merece ser recordado. Não por demonstração pretensiosa da nossa parte — é claro que não merecemos tanta atenção —, mas por respeito por quem tem essa preocupação primeira. Mesmo que eu fosse ladrão, a minha mãe estaria sempre ali, preocupada com tudo o que me pudesse acontecer. Não dei em ladrão, sempre me preocupei em ser honesto e em apreciar os melhores comportamentos. Em respeitar todos os outros. Todos mesmo, incluindo os animais, que percebem bem quando são respeitados. Os pais têm valores que passam aos filhos. É assim que deve ser. Foi o que aconteceu comigo. Espero não ter desiludido, e, eternamente reconhecido, agradeço-lhes esta possibilidade de estar aqui. Viver é bom. Viver com atitudes e valores ainda é melhor. Obrigado.

Notas: o título deste comentário pertence a Mário Dionísio, claro está. Uma vida é sempre um prolongamento de outra. Continuo a sentir a vida dos meus pais quando me revejo em gestos e vontades. Acontece tanto.
O registo fotográfico foi feito no natal de 1999, em minha casa. O cão era o Bob. A minha mãe gostava muito dele. Sempre tivemos animais lá em casa.

segunda-feira, 26 de maio de 2025

Ilustrar a Fraternidade


Está a acontecer no Município de Grândola com entusiasmo e muita participação. As exposições GRAFISMOS EM LIBERDADE, com materiais do Arquivo Ephemera e Biblioteca Silva, e OLHARES DO ANDARILHO, mostra redesenhada sobre a importância do design gráfico na obra de José Afonso, foram seguidas de esclarecedores debates em que participaram José Pacheco Pereira, Jorge Silva e Ana Nogueira, na conversa sobre a primeira exposição, e Henrique Cayatte e novamente Ana Nogueira na exposição sobre as capas dos discos de José Afonso. Fui o responsável pelo design expositivo e moderei os debates. Sinto-me um privilegiado por isso. O que a gente aprende a ouvir a a conversar...
E vamos continuar.