sexta-feira, 13 de abril de 2007

Vidas breves

Uma violenta explosão atinge o parlamento iraquiano. Morrem nove pessoas. Bush, o libertador, lamenta esta ofensa ao "símbolo da democracia".
No Iraque já não existem símbolos, nem democracia: só alvos a atingir.

Praça da raça

"As ideias não se apagam, discutem-se", informa o novo cartaz do PNR, colocado na praça mais nobre da capital. Duvido que as palavras satisfaçam estes arautos ao serviço da pureza da raça. Quais os argumentos a utilizar na discussão com esta rapaziada? Matracas? Bastões?
É uma raça danada, esta raça de gente.

Cada cavadela, minhoca

Depois de tanta tinta derramada. Depois de tanta verborreia, Marques Mendes volta à estaca zero. Agora é que quer investigar. Se calhar não tem andado por aí. Mendes reage a tudo com assinalável atraso.
Não acerta uma.

Feira com livros

O Seixal vai ter uma Feira do Livro durante este fim-de-semana.
Estuário Publicações vai lá estar com obras de Eufrázio Filipe, Celeste Cavaleiro e Mercês Araújo.
Eufrázio estará presente, hoje, sexta-feira, lá mais para as bandas da noite, para um convívio com os leitores.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Opereta

Não vi o interrogatório ao primeiro-ministro. Fui ao São Carlos ver Motezuma, de Vivaldi. Perdi com a escolha: Vivaldi e Motezuma não me convenceram. Pelo que leio nos jornais, percebo que a opereta da RTP 1 deve ter sido mais interessante. Uns asseguram que Sócrates convenceu, outros que nem por isso. Uma ópera-bufa que entretém, como é expectável, mas sem qualidade — o que é lamentável.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Regionalizanão

Medeiros Ferreira foi dispensado de colaborar no DN. Hoje também Pedro Rolo Duarte anunciou, na habitual crónica das quartas, que se vai embora. Não sei o que se está a passar no jornal. Que seja bom para estes dois opinadores são os meus votos, apesar de, como leitor crónico das suas opiniões, ter pena de perder este contacto semanal.
No texto em que se despede, Pedro apresenta-se no seu melhor.
A Regionalização é tema. Os seus receios são os meus. Aqui há uns anos, quando isto veio à baila, eu pensava exactamente o mesmo que agora. O Pedro também. Passados estes anos todos continuamos de acordo. Esteja de acordo ou não, habituei-me a ler o que vai escrevendo sempre com prazer. Quando descobrir para onde ele vai agora, aviso.
Boa sorte aos dois: ao Pedro Rolo Duarte e ao José Medeiros Ferreira.

Para ler o texto publicado hoje no DN clique aqui

Nas trevas, diz ele

Durante a vigília pascal, na Sé de Lisboa, o Patriarca Policarpo atribuiu a Deus a fonte da vida - estranha linguagem exotérica que responsabiliza o mito pela existência. É natural que o vinho das celebrações litúrgicas e a noitada na Sé de Lisboa perturbem o discernimento, mas revela enorme ignorância sobre o processo da reprodução.
O Patriarca lembra ainda que «os que não têm fé vivem nas trevas», uma clara mentira. Uns vivem em Lisboa, outros em Évora, Coimbra, Braga ou noutro sítio qualquer. Nas trevas vivem analfabetos, crentes de várias devoções e clérigos de numerosas fés.


Achei graça a esta tirada de Carlos Esperança. Está no Diário ateísta, e não posso estar mais de acordo. Se quiserem ler o resto, vão até .

terça-feira, 10 de abril de 2007

Educação precisa-se

A situação na Universidade Independente teve um desfecho sem surpresas. Mariano Gago disse o que tinha a dizer sem papas na língua. Mas ficamos com a sensação de que escondeu o lixo debaixo do tapete. Agora fica uma dúvida: e os outros estabelecimentos? É preciso haver mais trapalhadas para que se perceba a falta de educação que por aí campeia?

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Sessão de esclarecimento

Esta é a semana de todos os esclarecimentos. Mariano Gago, o ministro, vai ditar o futuro da Universidade Independente. Independência é chá que não se toma por ali. Agora até parece que não pagam a renda da casa há um ror de tempo. Não há independência que aguente tanta indulgência.
Outro esclarecimento aguardado é o de José Sócrates, primeiro-ministro, que tudo leva a crer não ter muito a esclarecer depois da intervenção do ministro. A decisão será tomada por um com o outro.
A resposta para esta crise está na primeira missiva. Uma universidade com tanto atropelo no funcionamento não fornece grande credibilidade. O Governo está esclarecido sobre todos os cozinhados e tem a faca e o queijo na mão. Esperemos que o ministro Mariano não emita um comunicado gago.

domingo, 8 de abril de 2007

A Grande Arte


Caravaggio A incredulidade de São Tomás (1601-02)

sábado, 7 de abril de 2007

Um assunto muito sério


Provavelmente aquilo não estava em situação legal. Há regras, a gente sabe. A Câmara Municipal de Lisboa mandou retirar o cartaz que parodiou a campanha xenófoba de um partido de extrema-direita. A mesma Câmara de Lisboa tão lerda em outros assuntos, aqui foi célere na decisão. O líder do tal partido de extrema-direita diz que a iniciativa dos Gato Fedorento lhes "saiu pela culatra". Claro que está enganado, como sempre. O tiro foi eficaz, certeiro. Mas não há dúvidas que a Câmara tentou evitar os efeitos do disparo. Fica~lhe mal o gesto. Mas é inútil. O "mal" já está feito. Todo o país sentiu o efeito da ideia.
O humor é um assunto muito sério.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Instituição nacional

Hoje é feriado. Nestes dias o país é assaltado por um forte pendor religioso.
Parece que a força das celebrações vai ser lá para os algarves.
O Sol é o santo padroeiro. As procissões começaram ontem, durante a tarde, rumo aos altares do sul. Seja louvado o descanso.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Nacional-parvoíce


O divertido cartaz dos Gato Fedorento já armou reboliço. Soube pelo Daniel, que Ricardo Araújo Pereira já foi ameaçado pelos grunhos que se escondem no PNR. Ninguém estava à espera que esta gentalha tivesse sentido de humor, pois não? E muito menos regras de conduta.
Quem se mete com eles arrisca-se a levar. Não uma resposta política, que eles não sabem o que isso é, mas porrada mesmo, daquela que dói.
É a nacional-parvoíce em acção.

É a diplomacia, estúpido!

Os marujos ingleses já foram libertados pelo Irão. A diplomacia funcionou, apesar de Bush estar mortinho por fazer da grossa.
Ainda há diferenças entre a administração americana e o governo de sua magestade. No mínimo, há mais neurónios do lado europeu.

A quem o diz...

"Ter um programa com o meu nome assusta".
A preocupação pertence a Júlia Pinheiro, e vem pespegada no DN de ontem.
Quem diz a verdade não merece castigo.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Angústia do adepto antes do petardo

É já um assunto de Estado: Governo quer apurar o que se passou há uns dias num estádio de futebol. Estas arenas de convívio estão a tornar-se perigosos campos de batalha. Até já são accionados eficazes engenhos explosivos. Por este andar, os dias da prática desportiva poderão passar a ser antecedidos de despedidas da família. Guerra é guerra. Estas disputas são sempre perigosas.

terça-feira, 3 de abril de 2007

O mau estado da Nação

Quatro economistas debatem o estado da Nação, no Prós e Contras, da RTP 1. Todos sabemos que nunca acertam uma. Ex-ministros das finanças do bloco central repartem acusações. Cadilhe, que muitos já consideravam sério, esmifra-se para provar que nunca o foi. Em Frasquilho lamenta-se ter sido, em tempos, Secretário de Estado das desgraçadas finanças do País. Pina Moura é o que é, e só Campos e Cunha consegue adiar a porção de manguitos que reservamos para lhes endereçar. Percebemos, ao ouvir esta gente, que não é por aqui que nos safamos. Eles safam-se, é certo. Mas não é em nós, nem no País, que pensam quando debitam aquelas atoardas. Os números não mentem; eles parece que sim. Será por causa dos palpites destes iluminados que a União Europeia pondera limitar-nos fundos de apoio?

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Next to nothing


Em 1990 fui a Tânger para me encontrar com Paul Bowles. Os seus livros tinham-me fascinado, mas mais do que isso a sua vida. Compositor e escritor, viajante no seu tempo, alguém que procura. Em sua casa encontrei, acima de tudo, serenidade. Tardes preguiçosas à volta da lareira, apenas interrompidas por algumas visitas diárias, e calmos passeios ao mercado. Mesmo assim, estes não eram tempos pacíficos. Agora, dezasseis anos mais tarde, regressei a essa casa e a essas fotografias. Daniel Blaufuks

Daniel Blaufuks tem trabalhado na relação entre fotografia e literatura, através de obras como My Tangier com o escritor Paul Bowles. Mais recentemente, Collected Short Stories apresentou vários dípticos fotográficos numa espécie de "prosa de instantâneos", um discurso baseado em fragmentos visuais, que insinuam histórias privadas a caminho de se tornarem públicas. A relação entre o público e o privado tem sido, aliás, uma das constantes interrogações no seu trabalho. Utiliza principalmente a fotografia e o vídeo, apresentando o resultado através de livros, instalações e filmes. O seu documentário Sob Céus Estranhos foi recentemente apresentado no Lincoln Center em Nova Iorque. Algumas das suas últimas exposições foram no Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Palazzo delle Papesse, Siena, LisboaPhoto, Centro Cultural de Belém, Lisboa, Elga Wimmer Gallery, New York, Photoespaña, Madrid. (do programa)

Next to nothing Ciclo Paul Bowles
Exposição de Fotografia de Daniel Blaufuks
Até 22 de Abril de 2007
De 2ª a 6ª das 14h às 18h.
Fim-de-semana e Feriados, das 18h às 20h
Foyer do Pequeno Auditório
Centro Cultural de Belém
Entrada Livre

domingo, 1 de abril de 2007

Vaidades


A Vanity Fair de Abril tem ingredientes de sobra para momentos de boa leitura. É curiosa a abordagem ao pessoal que trabalhou com os presidentes dos Estados Unidos, de Truman até Clinton, passando por Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter e Bush pai. Os que estão no activo não são para aqui chamados, apesar de alguns serem repetentes. Sobre a cidade de São Paulo, no Brasil, são enumerados os medos e a desordem. Espantosa é a história dos Sopranos, magnificamente ilustrada com fotografias de Annie Leibovitz. Também André Carrilho marca pontos, ilustrando um artigo de A. A. Gill sobre a permanente festa de Nova Iorque. Mas há mais, muito mais, nesta edição de Abril desta feira de vaidades. Se estiverem para aí virados, não a percam.

Annie Leibovitz Imagem

A arena da SIC

Quem passa os olhos pela SIC já percebeu: hoje há festa rija — a Gala dos Globos de Ouro — na arena do Campo Pequeno. Olhando para o cartel anunciado, só com dose reforçada de paciência seria possível suportar as festividades. Claro que não vou lá estar. E não há nesga de curiosidade que me desloque as retinas para o écran. Nesta coisa de touradas, mal por mal, antes as que têm bois a sério.