A Galeria Vera Cortês vai fechar no final do ano. Lisboa perde. Nós todos perdemos. Como referia Deleuze, em relação ao seu ofício da Filosofia, ela tem que existir mesmo que não seja muito frequentada. Existir permite o desenvolvimento do pensamento, mesmo com a frequência de poucos. Estar é ser. E isso é fundamental para a humanidade. A Arte existir (mesmo que a maioria confunda Arte com habilidade), permite o debate e o crescimento das ideias artísticas. Permite o desenvolvimento humano. Repito: com este encerramento todos perdemos.
A
galeria vai fechar portas, mas enquanto esse fim não é concretizado,
ainda nos vai proporcionando encontros felizes. Somos felizes neste
consumo visual. O texto de apresentação desta exposição de Ana Vieira
esclarece que a curadoria foi desenvolvida por Antonia Gaeta, e que
"reúne duas obras que sintetizam a tensão entre o interior e o exterior,
a representação e a realidade".
Fazer uma visita a esta galeria que faz parte da história contemporânea da cidade é sempre um prazer. E revisitar o trabalho de Ana Vieira é sempre um gosto muito grande.

