Conheci Brian Eno depois dos Roxy Music. Tal como conheci David Sylvian depois dos Japan. Por ignorância minha, mas que me deu muito jeito. Gosto muito mais do que veio depois das experiências iniciais. São dois músicos que encaixaram muito bem a solo os sons que foram experimentando nos colectivos. Mas Sylvian fica para outra vez.
Brian Eno concebe sons que circulam no ar. Misturam-se com a respiração. A melodia experimentada vai surpreendendo os nossos sentidos. Está ali. Circula no ambiente. Chamaram-lhe Ambient music. Eno compõe, toca, canta, envolve-se com gente de muitos instrumentos e geografias. O seu álbum Music for Airports foi decisivo para a afirmação deste meu alinhamento com a produção do artista. Tudo o que faz a todos os níveis da experimentação artística me interessa. Como artista visual combina disciplinas — arquitectura, vídeo arte, algoritmo, e o que mais inventa — que se estendem em ambientes minimalistas, ou nem por isso, instalados com rigor técnico e entusiasmo criativo. Brian Eno é um artista do seu tempo, que instala exigência e rigor no mundo da arte que se quer (na minha opinião) frequentável. Surpreende, fascina, sugere coisas novas. É bom ouvir, ver e sentir o que faz.
É o meu elogio deste domingo desconfortavelmente quente. Esses ambientes criados por Eno dão-nos tranquilidade. A sua atitude e o seu trabalho desenvolvem-se de uma maneira extraordinária. Brian Eno é extraordinário.
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