sexta-feira, 10 de julho de 2026

A minha pátria é a míngua portuguesa


O corte do apoio a quem tanto nos deu é, para além de revelador de uma ignorância e de um desprezo sem paralelo pela cultura, uma atitude de gente má. Gente bem instalada, com poder de decisão, que decide apoiar os seus pares na "urgente resiliência" — empresas, instituições, clubes — e esquecer quem nos enriqueceu os sentidos e o ser. Quem contribuiu para o nosso enriquecimento cultural, que provavelmente é a única coisa em que somos ricos. 
 
A poesia pode não encher estádios, nem mover um olhar ou um gesto de políticos e agentes económicos, mas existe, e existindo permite que a Língua de Camões (que os agentes económicos e os políticos tanto gostam de assinalar nas comemorações oficiais, com fatos, gravatas e bebidas frescas) nos esclareça sobre o nosso papel no mundo e sobre a maneira como nos relacionamos. Foi Fernando Pessoa que disse: "A minha Pátria é a Língua Portuguesa". Claro que o primeiro-ministro e a chamada ministra da cultura não querem saber de poetas e de poesia para nada, mas podiam tentar perceber a importância que os poetas têm na evolução de como comunicamos. Talvez comunicassem um bocadinho melhor se percebessem isso. Não percebem. É por isso que comunicam e decidem mal. É pena.
 
Partilho um texto/apelo do meu amigo Luis Manuel Gaspar, no facebook, que elucida bem a maldade aplicada e sugere a solidariedade.
 
URGENTE
Em 2026, o Estado português cortou para menos de metade o subsídio de mérito cultural atribuído ao poeta António Barahona, de 87 anos. Recebe agora, debilitado e com graves limitações de visão, uma mensalidade de 257 €.
Enquanto não surge uma resposta por parte dos serviços da Segurança Social contactados é necessário agir. Cabe-nos a nós, artistas, admiradores, amantes da poesia, pessoas, enfim, que não se conformam com a soberba assassina dos burocratas, garantir uma vida digna a quem nos dá tanto.
Podem depositar o que vos for possível na conta
IBAN PT 50 0035 0127 0001 4771 4312 7
cujo titular é António Manuel Baptista Barahona da Fonseca; este aviso estará visível apenas quando o vosso apoio for necessário. Quem tiver alguma pergunta ou quiser deixar um recado para o poeta, envie, por favor, mensagem privada. E, se puderem, passem palavra! 
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