POLÍTICA - A Greve Geral foi uma Greve Geral. Os políticos que não a queriam tentaram submergi-la, alegando que era política. Ou seja: o que os políticos que são sempre contra as greves que os incomodam fazem não é política, deve ser filantropia. Esta Greve Geral não deveria estar contra as políticas que querem colocar quem trabalha no século dezanove. Em vez de pararem em protesto, os trabalhadores deviam ir de avental e boné de pala pedir aos patrões que os deixassem vender doces regionais e artesanato lá na empresa, para compensar os atropelos que vão ter que suportar com as aplicações políticas do pacote laboral. Aliás: trabalhadores, não, agora é colaboradores que se diz, como já advertiu um dos deputados do partido de extrema-direita. Dobrem a língua, em sinal de respeito por quem vos quer pôr a trabalhar, perdão: a colaborar, sem direitos nem garantias de futuro.
O MINISTRO BONZINHO - Porque disse o óbvio — os imigrantes não estão cá para cometer crimes, mas sim para trabalhar —, muita gente acreditou que Luís Neves como ministro ia ser uma espécie de Robin dos Bosques dos comportamentos policiais - Bater nos ricos para proteger os pobres. Parece que afinal o homem não alinhou nessa bondade, como era expectável em polícia que foi para ali para proteger o seu patrão — Montenegro está safo — e para mandar a polícia bater nos de sempre com muito orgulho. Ele disse-o. Mais: políticos de direita em geral, ministro dos polícias em particular, comentadores ao serviço dos políticos de direita em geral e deputados de direita e de extrema-direita (cada vez mais próximos), tentaram fazer do fim do dia de Greve Geral o grande acontecimento da Greve Geral. Estão todos bem uns para os outros. Deus lhes dê muitas hóstias sagradas, para alimentarem a maldade que já nem disfarçam.
REVISÃO, SIM OU NÃO? - Foi gira a dança entre o líder da extrema-direita (mostrando os louros da vitória) e o líder da bancada parlamentar do partido do governo (desvalorizando a estética loureira) na pista onde se vai dar a destruição da Constituição aprovada pelos deputados eleitos pelos partidos fundadores da democracia. Dançam mal, estes pés de chumbo que querem espezinhar tudo o que de democrático e com laivos de progresso foi inscrito na lei fundamental. Todos nos lembramos de que foi dos partidos do governo que transitaram para o partido de extrema-direita muitos dos deputados que agora berram lá na Casa da Democracia. Sempre lá estiveram, digo, só não tinham ensaiado os ruídos guturais.
ARTES - Uma visita ao MAAT vai ser o motivo do meu elogio de amanhã. Até amanhã. E até lá... Bom sábado