David Lopes Ramos morreu no dia 29 de Abril de 2011 e já não viveu para assistir à tentativa de reescrita da História por parte da direita extremista, e não só. Imagino o que teria dito e pensado se tivesse assistido ao debate televisivo entre José Pacheco pereira e o líder do Chega e à tentativa deste de colocar no mesmo patamar os 48 anos da ditadura com os excessos e desvios de 19 meses que separaram o 25 de Abril de 1974 do 25 de Novembro de 1975 — e até dos anos seguintes. Excessos e desvios próprios de qualquer revolução e que a consolidação do processo democrático foi corrigindo. Com uma irónica excepção: os únicos crimes violentos, com mortes, que ficaram sem castigo, é bom lembrá-lo, foram cometidos por grupos e movimentos de direita, como o MDLP. a que pertencia um dos ideólogos do Chega, Pacheco Amorim.
Excerto da crónica de Pedro Garcias, no suplemento Fugas, incluído no Público do dia 25 de Abril.
As crónicas de Pedro Garcias são deliciosas, um néctar em caracteres tipográficos. No passado sábado escreveu sobre o seu amigo e colega David Lopes Ramos, meu amigo também e que recordo com saudade. O David deixou-nos neste dia de 2011. Quinze anos sem ele. Mas foi muito bom conhecê-lo. É isso que fica. É isso que recordamos.
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