ACONTECIMENTO: Debate entre o professor e o fascista. O professor foi professor e o fascista foi fascista. Quem ganhou? Um debate não se ganha ou perde, isso é no jogo da bola. Mas o fascista e os seus seguidores idiotas acham-se todos vencedores. O fascista até bolsou esta: 25 de Abril, "essa revolução miserável". Na sua crónica de ontem no Público, Pacheco Pereira defende-se de quem acha que com esta gente não se discute. Eu, que defendi aqui que é assim mesmo: com um porco não se luta, percebo a razão que o levou a convocar o duelo. Mas eu não consigo ouvir o fascista de maneira nenhuma. É verdade, resisto sem réstea de curiosidade. Não vi, nem vou ver o debate. Diz-se por aí que fascista foi fascista, o professor foi professor, mas a aula não era para meninos bem comportados. O professor não levou um par de orelhas de burro para colocar na mona do fascista, como se usava nas escolas no tempo que o fascista tanto elogia, mas era merecido. Ou talvez não, lá está: o que é que os porcos e os burros têm a ver com um gajo que até andou na escola mas porta-se pior que qualquer animal?
ESTÁ DITO: Cristina Ferreira faz parte da trupe de "comunicadores" que transformaram a televisão em Portugal. Para pior, é claro. Agora até já se justifica disfarçadamente, como quem não quer a coisa, o crime de violação. Mas não há aqui novidade. Na nova mentalidade e vontade de comunicar já passaram pelas televisões, em entrevista de vida, nazis encartados, com provas dadas e acabadinhos de sair da prisão, em grande apologia de bom comportamento como pais de família tradicional. É tão giro ser pai tradicional nazi. A cruz suástica tatuada no peito fica-lhes tão bem.
ZAPPING (1): Aconteceu-me. Há poucos anos, num dia em que fiquei em casa de manhã e precisava de ver qualquer coisa de informação geral, iniciei a prática de escolher o canal que me desse a notícia pretendida. Paro e fico estupefacto quando oiço um homem, entrevistado num programa da manhã desses de defesa do estalo e puxão, dizer, sem mais nem ontem, mais ou menos o seguinte: "Eu queria dizer a essa Catarina Martins que não gosta dos Comandos que eu uma vez, na guerra, sozinho, despachei de seguida trinta e tal turras". O auricular deve ter instruído a rapariga que interrogava o criminoso para o tirar rapidamente do ar. Assim foi. Não sei se o homem foi entretanto incomodado pelas chamadas autoridades por estar a apelar ao crime de guerra. Se fosse hoje, provavelmente seria elogiado pelo partido daquele lado extremo, pela voz do chefe, que diria que foi uma grande atitude na defesa dos valores cristãos, na ânsia de darem novos mundos ao mundo. Hitler, Mussolini, Salazar e Trump poderiam ter retratos afixados nas paredes destes gabinetes.
ZAPPIG (2): A curiosidade mórbida levou-me a permanecer em antena. Num debate com psicólogos e ex-agentes policiais, comentava-se uma agressão entre duas pessoas que viviam uma relação homossexual. O comentário do policia famoso sugeria um tipo específico de violência. Os casais de homossexuais estão sempre sujeitos a este problema. São muito ciumentos, e a agressão dá-se a toda a hora. Faltou ir lá o fascista justificar que as mortes resultantes da violência doméstica faz mais mulheres vítimas porque há mais casamentos heterossexuais. Com a legalização do casamento gay a coisa só pode piorar. Existe ali um tipo de violência específico. Veja-se que estatisticamente, naquelas 24 horas, a violência doméstica foi entre gente do mesmo sexo. Naquele dia, naquele programa de informação e debate, os especialistas em tudo e até em violência doméstica provaram que isto é mesmo assim. Os apresentadores, os comentadores ex-policias, os psico-qualquer-coisa, e outros frequentadores de painel especializados em generalidades, conseguem justificar tudo o que não nos passa pela cabeça. Os arautos da ignorância e da estupidez com papel passado transmitem o seu douto saber a um vasto auditório caseiro. Índices de popularidade? Upa upa.
RESUMO DA MATÉRIA DADA | Resta dizer que fulanas e fulanos do partido com nome de detergente passam a vida nas televisões a defender o indefensável, em debates que arrepiam e ferem as inteligências mais sensíveis. Todos assumem a tática do chefe: falar por cima do inimigo esquerdalho. A confusão, o ruído fica-lhes a matar. E há quem goste. Bom domingo, sem fascistas.
Imagem: publicada por volksvargas. José Pacheco Pereira usou-a para ilustrar o seu texto no Público.
