POTNIA THERON, quer dizer, em grego antigo “Senhora dos animais”. A peça foi escrita por Hélia Correia, encenada por Maria João Luís e levado aos estrados pela encenadora e por Sílvia Figueiredo. No Dia Mundial do Teatro esteve em Palmela, no Teatro São João.
É uma interpretação da condição feminina, pela voz e corpo de duas mulheres que assumem personagens do teatro grego, como se estivéssemos num anfiteatro natural ouvindo aquelas palavras tão antigas, mas tão contemporâneas porque assentes em razões que nos fazem refletir. Percepções femininas que se envolvem nas histórias da História. As palavras que Hélia Correia alinhou são de uma beleza envolvente, de facto, que nos colocam num lugar de prazer e inquietação. Palavras que são denúncia e irónica revolta. Palavras inteligentes e lúcidas, portanto. Assistimos a uma performance que tem muito de experimental. Única, por isso. A cenografia criada por José Manuel Castanheira integra-nos nesse anfiteatro, na colina onde nos encontramos, mas aplicada pelas possibilidades de hoje. Estamos bem, nesse ambiente sofisticado de requinte visual. Música original de José Peixoto. Bela música.
Anda por ali muita gente destas lides. Até parece que Bob Wilson passou por lá e se sentou ao lado de Philip Glass. É bom termos vivido no tempo dos melhores. Lembrei-me de Jorge Silva Melo e da alegria que ele sentiria se ali estivesse. Teatro clássico e contemporâneo foram celebrados. Quem quer estar com a cultura que se inquieta e que nos desperta os sentidos assistiu a um grande momento de Teatro. Aprendemos sempre com grandes mestres. Parabéns, Maria João. Parabéns Teatro da Terra. E obrigado a todos os que nos proporcionaram este momento, também se usa.


