quinta-feira, 12 de março de 2026

Isto de estar vivo ainda um dia acaba mal

Citava eu esta frase por causa do meu aniversário, e mal sabia eu que estas palavras se iriam ajustar ao fim de  Mário Zambujal. Falámos desta frase de Manuel da Fonseca no dia em que o convidei para um "Muito Cá de Casa" na Casa da Cultura de Setúbal. Encontro num lançamento de um livro de um amigo em meados de março de 2016. Diz-me o Mário: "Pois eu, fiz um dia destes uma coisa que nunca tinha feito na vida". Então, o que foi?, digo eu, impregnado de curiosidade. "Eh, pá, então não é que fiz oitenta anos?". Risadas, mais piadas e conversa programada para dezembro desse ano.

E dezembro chegou. O encontro foi na sala José Afonso da Casa da Cultura e tive a Rosa Azevedo por companhia, como era hábito naqueles encontros. Jantámos, conversámos, bebemos, conversámos, rimos, falámos a sério das hipocrisias da política e despedimo-nos. Isto aconteceu em 2016, como já disse. Eu encontrava-me com o Mário em lançamentos de livros, estreias de filmes e outras obrigações. Lembro-me de uma vez em que estivemos à conversa com o Francisco Bélard na Cinemateca. Que conversa tão saborosa. Tenho muita pena de não estar mais vezes com estas pessoas que nos fazem crescer bem. Existe uma vida boa, sem luxos mal comportados, mas com autenticidade e alegria. Este fim deixa-me triste. Escusavas de partir no dia dos meus anos. Não se faz. Mas olha: leva lá um grande abraço e um obrigado do tamanho da tua vontade de viver. Foi mesmo muito bom conhecer-te e ser  teu amigo. Até sempre, Mário.

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