Um partido fascista colocar um juiz num
tribunal que protege a democracia porque vivemos em democracia e o
partido fascista ficou em segundo lugar na competição legislativa,
parece a coisa mais normal do mundo. Será?
Normal
é, são as regras. O que não é normal é haver tanto anormal a votar em
fascistas. O partido fascista desistiu de meter no Tribunal
Constitucional um fascista encartado, com provas dadas, porque o
discurso do homem é do tempo das cavernas. Notava-se muito. Dizem agora
que o novo nome proposto — segunda escolha, porque a primeira foi como
que a atirar o barro à parede — é um senhor conservador, mas moderado:
nada de elogios a salazares, ultramares e outros azares. Acrescenta o
instrumento de comunicação extremamente conservador — Observador — que
tanto poderia ser sugerido pelo partido fascista (lá no Observador não
lhe chamam assim) como pelo PPD/PSD. Ah, bom, assim sim. Ainda bem que
avisam. Ficamos muito mais descansados.
Imagem: Capa desenhada por José Brandão para o álbum CORO DOS TRIBUNAIS, de José Afonso.
