domingo, 8 de fevereiro de 2026

Venceu a democracia e a decência

Há quem já considere que o biltre vai ser primeiro-ministro um dia. O pesadelo pode acontecer, mas recuso-me a imaginá-lo. Nunca respeitarei fascistas. Estas eleições foram um teste a essa hipótese, mas o objectivo não era a vitória. Os comentadores esqueceram um facto importante: o candidato do partido unipessoal fascista teve menos cem mil votos na primeira volta do que o partido fascista nas legislativas. Isto revela que afinal o partido fascista tem mais votos do que o fascista que o dirige.

A segunda volta uniu-nos. Os democratas que viveram os últimos cinquenta anos como os melhores das suas vidas não querem um enérgico líder autoritário, egocêntrico, mentiroso compulsivo e possuidor de uma incomensurável e ridícula vaidade em Presidente de uma República com uma Constituição solidamente democrática aplicadora de um civilizado estado de direito. Nem em Presidente da República, nem em primeiro-ministro. É normal que assim seja. Quem quer um cretino que é contra a democracia participativa, e que luta contra a participação das pessoas na democracia, ser instalado nos lugares de Presidente da República, primeiro-ministro, juiz absoluto, polícia de costumes e senhor todo poderoso de todos os poderes locais e internacionais? Três salazares? Ele quer ser uma resma de salazares. Ninguém quer estar nessa. Só mesmo grandes otários anseiam inscrição nessa coletividade. Claro que os otários são muitos. Mas nós somos mais. Pelo menos por enquanto. Sim, senhores comentadores que se incomodam com a nossa preocupação anti-fascista, insistiremos em lembrar: Ventura nunca. FASCISMO NUNCA MAIS.