Apesar de tudo as sondagens não foram vencedoras. Foram manipuladoras. O candidato fascista não foi um destacado vencedor como era vaticinado. Claro que ele assumiu a postura de vencedor. De líder de uma nova direita. Isso já se esperava. Montenegro e Marques Mendes ou ainda não perceberam nada ou estão-se perfeitamente borrifando para o que isto vai dar, ao declararem que não vão tomar posição na segunda volta. Mais depressa do que imaginam vão ser engolidos pelo novel fascista que por acaso até saiu da mesma família política a que pertencem. Será uma reconciliação familiar? Quanto ao pernóstico liberal assim-assim, não tenho nada a dizer.
Sim, vamos cruzar-nos com gente rasca em apoio ao seu caudilho. Isto não vai ser trigo-limpo farinha amparo. O fascista vai fazer das suas. O povo de direita que nele vota é mais desprevenido culturalmente do que uma larga maioria dos eleitores da direita dita democrática. Gente rasca domina poderes. Imaginam o Palácio de Belém ocupado pelos trogloditas que rodeiam o seu caudilho chunga? Parece-me evidente também que muita gente do PSD vai estar connosco contra a chungaria. Aguardemos para ver.
RESCALDO | O resultado de Catarina Martins ficou aquém do desejado, mas não aconteceu por a campanha ter sido ruim. Muito pelo contrário: foi na minha opinião a mais séria, lúcida e esforçada campanha, acentuando o perigo do que aí pode vir. O voto útil em Seguro dividiu o eleitorado da esquerda, só isso, mas "ainda não é o fim nem o princípio do mundo, calma, é apenas um pouco tarde", como diria Manuel António Pina. Catarina Martins, na declaração do final da noite, referiu o eleitorado do Bloco que votou agora em Seguro, com um aceno a um reencontro futuro. Fez bem. E apelou de imediato ao voto em Seguro agora. Fez bem. Também fizeram bem os outros candidatos da esquerda. O muito respeitável António Filipe (em quem eu nunca votaria por mor da sua posição como deputado na Assembleia da República contra a eutanásia, a favor das touradas e mais uns pozinhos de conservadorismo moralista que me irritam seriamente) definiu de maneira assertiva o seu apoio ao candidato Seguro, referindo que apesar de se inscrever na agenda neoliberal da "moda" é agora a única maneira de não termos o fascista em Belém. Jorge Pinto foi igual a si próprio: lúcido e decente. Os restantes humoristas foram o que foram, agraciados pela falta de graça que apenas lhes permite o ridículo. Não consigo encontrar um pingo de graça nas tiradas ditas humorísticas de Manuel João Vieira. Apenas ridicularia parola, nada mais. Irrita.E AGORA? | Agora resta-nos apoiar e votar em António José Seguro. A única maneira de não nos envergonharmos do nosso mais alto representante. Nunca respeitaria Ventura como chefe de Estado. Não respeito sequer os seus eleitores e lamento ter de me cruzar com eles no meu dia-a-dia. Não conheço pessoalmente nenhum. Nem vou conhecer. Se por acaso estiver enganado peço o favor aos meus aparentemente "amigos" racistas, xenófobos, ( talvez mesmo fascistas) que me informem da sua miserável condição ideológica. Agradecido.

