segunda-feira, 31 de março de 2008

Arquitectura distinguida


Jean Nouvel vai receber o Pritzker. O prémio reconhece um grandecíssimo arquitecto e, mais uma vez, prestigia-se. 

União por decreto



A Igreja Católica controlar os seus adeptos não traz mal nenhum ao mundo. Quem se põe a jeito que lide com o assunto. Agora, querer meter o bedelho na vida de todos nós, tentando influenciar o Governo, já não é reza para levar amén. O divórcio, tal como o casamento, são acordos que devem ser tratados entre as partes envolvidas. A sua permissão em absoluta liberdade não dita um fim para a instituição que une duas pessoas. Antes consolida a possibilidade de perceber o seu funcionamento. Ninguém é feliz por decreto. Procura-se a felicidade experimentando: às vezes a gente engana-se; outras não. É a vida. 
As decisões institucionais estabelecem regras. Mas, já agora, que essas regras sejam razoáveis e civilizadas. A bem das instituições.

domingo, 30 de março de 2008

Outro cromo

Paulo Portas já percebeu os motivos da agressão aos professores nas salas de aula. Tudo tem a ver com a política da Ministra da Educação. 
O problema da violência nasceu com Maria de Lourdes Rodrigues, portanto. Faz esta revelação com ar sério, irritado mesmo, ungido por toda a razão do mundo. Que escola terá frequentado o líder do PP na sua adolescência?

O regresso

António Borges, a eterna reserva do PSD, resolveu saltar para o palco da política nacional com declarações polémicas. Menezes que se cuide, já se avistam as barbatanas dos tubarões do partido. O estilo parece ser o mesmo do líder actual: andar para a frente sem olhar para o lado, e atacar sem olhar consequências.  O tubarão é um animal político perigoso: dilacera a vítima sem piedade. Todo o cuidado é pouco.

sábado, 29 de março de 2008

Cromos

Anda por aí grande desassossego por causa do horário de transmissão de uma telenovela. Uma senhora que eu já não me lembrava que existia desde os meus dez anos, tornou-se arauto da coisa. A tal senhora, ultimamente mais conhecida por apoiar Presidentes da República ganhadores, para depois aparecer na janela da aclamação no dia da vitória - aconteceu com Sampaio e Cavaco - aparece agora como porta-voz da justa luta pela difusão da "Vila-Faia" depois dos telejornais. Simone de Oliveira - é assim  que se chama a criatura - nunca encantou enquanto cantou. Foi voz da acomodação nacional-cançonetista. Agora convenceram-na das suas virtudes como grande senhora da canção. E ela acreditou. Enche noites com entrevistas e inenarráveis espectáculos de homenagem. Confunde irreverência (tabaco que nunca fumou), com indelicadeza. Chama badameco, sem meias palavras - que coragem! -, ao director de programas da RTP, José Fragoso, só porque este parece não estar disposto a satisfazer as suas impertinências. Mais uma justiceira convencida da sua imensa razão. Só não percebi a razão de se fazer de novo a porcaria da telenovela.

O grande Jerónimo

Jerónimo de Sousa aparece em todas. É herói de reformados em fúria contra o Governo. Defende, com ar pesaroso, o estado em que se encontra a dignidade dos professores. Lamenta a instabilidade no Ensino. Quem ligar as televisões, na hora a que passam os noticiários televisivos, fica com a sensação de que um incansável justiceiro zela pelos nossos direitos. Todos os cidadãos portugueses deveriam ter memorizado o número de telemóvel do grande Jerónimo. Dava jeito. A gente tinha uma aflição qualquer e pimba, ligava ao homem para ele denunciar o atropelo nos telejornais. É que, por cá, ao contrário do que se passou até há bocadinho na pátria do camarada Fidel, já há muito que o pequeno aparelho serve para comunicar. Estes valorosos democratas até reconhecem a utilidade do pequeno telefone. Mas a sua utilização é mais útil ainda quando se combate o Poder burguês e reaccionário. E a gente tem de ter paciência para isto tudo.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Pátria, morte e telemóveis

Raul Castro, o novo capataz lá da ilha, autorizou o povo cubano a comprar telemóveis. Até aqui, este luxo asiático estava vedado ao povo simples e feliz. Claro que com a intenção de evitar a degradação das mentes. A palavra de ordem tem sido "Patria o muerte". Telemóveis não estava previsto. O irmão Castro ainda vai estragar o povo com mimos.

Deambulatório

Dei uma passeata pelos arredores. Cruzei-me com dois novos vizinhos que merecem visita. Aqui estou eu a dar as boas vindas. 
Um faz fitas, vive em Madrid e é uma surpresa permanente.
A minha amiga Maria João Rolo Duarte, jornalista, vive aqui mais perto, no Campo Grande, nome que escolheu para o seu lugar de opinião.
Força nos dedos!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Mudanças na educação

A actriz protagonista do filme "Dá-me o telemóvel velha do caraças" e o seu realizador, vão mudar de estúdio. Ou seja, vão ser corridos da escola onde aprenderam a ser o que são hoje. Se isto é uma solução ou não, não sei. Sei que é assim como varrer o lixo para debaixo da carpete.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Não será melhor falarmos da educação dos pais?

A utilizadora do mais famoso telemóvel do país vai ser julgada. Em Tribunal de Menores, já que, como a idade não perdoa, a situação assim o exige. Claro que este caso foi eleito para servir de exemplo. Agora é a moça que se lixa com a história da divulgação do filmezinho no YouTube. Caiu nas malhas que lhe comandam a vida. Mas há uma coisa de que pouco se fala, quando se fala de violência nas escolas: então os papás e as mamãs não têm nada a dizer? Provavelmente pensamos que basta armá-los de telemóvel e largá-los nas redes de comunicação cada vez mais acessíveis. A gente compra aquela caixinha que traz o aparelho, com todas as vantagens incluídas, e pensamos que vem lá tudo: educação, conhecimento, ocupação de tempos livres e até um manual de boas maneiras. Depois é só dar um beijinho à saída e outro ao deitar, e já está.
Vamos longe, vamos.

terça-feira, 25 de março de 2008

Decidam-se, pois

segunda-feira, 24 de março de 2008

Uma aventura na sala de aula

O caso choca. Uma professora é agredida por uma aluna perante gáudio da turma. Bastou a confiscação de um incomodativo telemóvel -utensílio, como é sabido, indispensável a qualquer adolescente-, para que a rapariga de passasse dos carretos. A professora resistiu. Os alunos davam instruções à colega. Parecia uma daquelas sessões de luta americana em que tudo é a fingir. Mas aqui era tudo mais a sério. Cenas desta acontecem um pouco por todo o país. Já há quem defenda expulsões e outros castigos exemplares. O "antigamente" vem logo à baila. Como se antigamente tudo fosse exemplar. É preciso entender e reagir ao que se está a passar. Mas com os instrumentos do presente. Comecem pura e simplesmente a excluir, sem tentar perceber o porquê desta agitação, e vão ver onde vamos parar.

sábado, 22 de março de 2008


A Poesia está no CCB.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Jogo limpo

O Presidente português não vai à festa de abertura dos pequineses Jogos Olímpicos. Haverá certamente pouca vontade de apertar a mão a gente que as tem sujas de sangue. Esta olímpica chinesice será uma tentativa de polir um regime que, por muito que tente, já não convence ninguém do seu brilho. Ver o Desporto como pano amaciador é estranho.
Cavaco fez bem em não se inscrever na brigada de limpeza.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Bairro Alto com seus amores...

Parece que a Junta de freguesia do Bairro Alto quer que os cozinheiros lá da zona se deitem com as galinhas. A ideia é preservar o descanso dos velhotes que lá moram. Mas será esta a solução que porá cobro ao pouco descanso actualmente existente? Não creio. O Bairro Alto é um lugar de divertimento nocturno que precisa de requalificação. Precisa de cuidados estéticos e éticos. As inscrições murais, os assaltos e a venda de droga não são flor que se cheire. E o sono dos ocupantes diurnos deve ser preocupação da Junta, de facto. Mas, fechar as cozinhas dos restaurantes às dez da noite, sem se ter em conta os desenvolvimentos dos últimos anos, é matar a zona. Se calhar há quem ainda se lembre com agrado dos tempos da prostituição e dos desacatos em pleno dia. Convenhamos que não é por aí que se requalifica coisa alguma. A ocupação das cidades deve ser feita por todos. A vida das cidades é a vida de todos nós. Lisboa tem de contar com todos. Em princípio todos deveremos ter direito à felicidade, onde o acharmos possível. Para isso é preciso pedir aos causadores da violência e do mau-estar actualmente existente que se retirem. Não será fácil gerir um papelinho destes, reconheço. Mas é para pensar em soluções e trabalhar no sentido de resolver os problemas que os autarcas são eleitos. Cortar a direito, sem perceber consequências deveras desagradáveis, não me parece a melhor resposta, nem para o divertimento, nem para o descanso do pessoal.
Serão os próprios velhotes a ter saudades do tempo em que havia animação, aposto.

terça-feira, 18 de março de 2008

Quem tem vagar...

Proibir piercings e tatuagens, a quem está autorizado a fazê-lo, é parvo e contraproducente. Já estou a ver a correria às "clínicas" clandestinas.
O apetite para a transgressão que as proibições despertam é tão vulgar como a necessidade que certa gente tem de proibir tudo e mais alguma coisa. Não podemos andar por aí a fazer a apologia da extinção de tudo o que não apreciamos. Nem mesmo quando somos deputados e estamos em posição de impor leis. Não dá.
O senhor deputado não terá mais nada para fazer?

Cinemateca mexe

O Pedro Mexia foi nomeado número dois da Cinemateca. Mexia não é homem de aparelhos. Também não é tido como um cinéfilo empedernido, daqueles que acham que tudo começa e acaba nas salas de cinema. Pedro Mexia consome e divulga a Cultura como objecto de prazer. Sem obsessões militantes. Sem imposições de gosto. Isso é bom. Esta aquisição para a Cinemateca é saudável.

Só visto

O Daniel Oliveira foi condenado por chamar palhaço a Alberto João Jardim. Chamar palhaço a quem não se mete com ninguém. Insultar alguém que é senhor de uma conduta correctíssima e invejável. Só tu, Daniel.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Festejar o quê?

O soba do Funchal celebra 30 anos de exercício do seu poder. Há trinta anos que faz chantagem com o Governo da República, insulta, insinua, não paga dívidas, persegue adversários, entroniza o dislate.
Fez estradas e outros utensílios públicos civilizados. Preço elevado. Mas, em trinta anos, é suposto nada ser feito?
A festa é rija. O seu amigo Berardo, que na Madeira se anicha ao PSD e aqui a quem estiver no Governo, já lançou os foguetes: Essa coisa de não haver Democracia é treta, claro. No fim das contas, a Democracia só serve para empatar. A "obra" faz-se por cima de toda a folha.

Ai Tibete

O Dalai Lama chamou-lhe "Genocídio cultural". Enganou-se. Esse tormento já acontece há muito tempo. O que houve agora foi genocídio mesmo, daqueles com gente morta e tudo. Os dirigentes chineses continuam a torturar e a matar sem respeito pela dignidade humana. Até vão organizar o maior evento desportivo do planeta. Claro que todos vão participar. Ninguém vai virar costas a esta oportunidade. Quem vira costas a um gigante? E o gigante económico continua a ser o maior marcador.

domingo, 16 de março de 2008

Cinco anos

Houve uma cimeira convocada à pressa. Foi nas Lages, nos Açores. Daí a uns dias começou a guerra. Passados cinco anos e muitos mortos, não se encontra utilidade no confronto. Uma reportagem de televisão, sobre os sem-abrigo nos Estados Unidos da América, dá mais uma achega a esta realidade bem triste: muitos dos que vivem na rua são veteranos de guerra. Foram devolvidos sem esperança nem futuro. Poderosas depressões afastaram-nos das famílias. Há quem veja vantagens nesta guerra. Bush, por exemplo, viu. Agora, vai-se embora, encantado com a proeza.

sábado, 15 de março de 2008

O mundo a seus pés


A garrafa à direita da fotografia tem lá dentro um vinho a que foi atribuído um importante prémio, em França.
Sou testemunha da excelência destes conteúdos. Depois de fotografada, a garrafa que aqui figura foi consumida cá pelo rapaz. Um vinhão, só vos digo.
Os peritos franceses consideraram-no um dos melhores do mundo. Coloco-me humildemente de acordo.
Parabéns ao Jaime Quendera, o enólogo, e a Leonor Freitas, responsável da Casa Ermelinda de Freitas, que me ofereceu as garrafas do retrato, que tanto prazer me proporcionaram. Nunca as mãos lhe doam.

sexta-feira, 14 de março de 2008

A grande barafunda

O baronato do PPD/PSD continua em demanda com a actual liderança. Dias Loureiro lembra que a actual direcção poderá controlar o que se passa entre paredes, mas não vai convencer o país em 2009. Acho que Loureiro tem razão. Mas, com esta gente, o país precisa de ser convencido de quê?

quinta-feira, 13 de março de 2008

Fraquezas humanas


Foi esta rapariga que "lixou" o governador democrata de Nova Iorque. E, dando ouvidos ao que já por lá soa, ainda vai estragar a campanha de Hilary. Enfim, o homem revela-se perante estas fraquezas. Fraquezas?!
A imagem vem no Público.

terça-feira, 11 de março de 2008

Rogério Ribeiro



Foi meu professor. Foi meu amigo. Estive com ele há poucos dias. Estava doente, é certo, mas não imaginei que fosse a última vez que o via. Foi. Fica a obra, que não é coisa pouca, e a saudade.
Assim de repente não me ocorre dizer mais nada.
Até amanhã...

segunda-feira, 10 de março de 2008

De luto!?

Ouvi hoje, na rádio, um professor do sindicato, eufórico com a atitude de os seus colegas se apresentarem de luto nas salas de aula. Provavelmente é verdade. E é ridículo.
Este braço de ferro entre os professores e a ministra vai encetar, com um texto a publicar brevemente, a minha participação no aeiou.
Depois faço a ligação aqui no B'O.
Até já.

A paleta e o mundo

As coisas não correm de feição para Sarkosi. O homem é obsessivo e baralha tudo à sua volta. Ora parece um bom estadista, ora parece um doido varrido. Quem começa a perder a paciência é o pessoal que o atura: os franceses. As eleições deste fim-de-semana já o demonstram. E não é Carla Bruni que lhe vai valer. Muito pelo contrário. Em França, como em todo o mundo, quem deve fazer vender as revistas cor-de-rosa é quem vive nesse mundo tranquilo. Os políticos devem ter outras preocupações. Nem sempre o presente de quem vota é pintado de cores vivas e alegres. Para muitos, o presente não é a cores e o futuro espreita negro. Sarkosi vive em tons de rosa, e borra a pintura toda quando mistura as tintas.

domingo, 9 de março de 2008

Bom vento


A esta hora, são dez da noite, parece que Zapatero já tem a vitótia assegurada. Os enleios da direita e dos católicos mais serôdios foram desfeitos. Espanha está a mudar. E parece que os espanhóis não querem que a mudança pare. Fiquei contente com esta festa da liberdade. Mas não devemos esquecer quem não pode participar no foguetório; o ex-autarca assassinado pela ETA.
Há muito trabalho na mesa de Zapatero. A Democracia dá muito trabalho. Na ditadura tudo é muito mais fácil: funciona só para alguns.

Erros meus, má fortuna

O comentário transcrito do der terrorist, no passado dia 4, pecava por imprecisões que já foram esclarecidas pelo seu autor. Coloquei aqui o texto integral porque as declarações do ex-deputado, se fossem verdadeiras, eram graves. Não eram.
O José Simões fiou-se em fontes inquinadas. Acontece. Errar é humano, e corrigir o erro é honesto.
Apesar de as minhas culpas serem por tabela, também peço desculpa aos atingidos por este erro, em especial ao André Machado, que reagiu de imediato. O post fica, para que a coisa fique documentada.

Bom vento

A ETA voltou a matar. Os criminosos atacam quando a Democracia se manifesta.
A melhor resposta é a participação nas eleições que tanto os atormentam.
Mas a resposta não é dar a vitória ao papamissas do PP.
Espero que Zapatero continue como primeiro-ministro.
Até logo.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Próxima paragem: Gaia

Já ninguém aguenta Menezes. A preocupação inicial prendia-se com o pendor para o populismo. Já não se fala disso. O que sobrou desse susto é bem pior. Uma tão grande inabilidade e falta de senso ultrapassam tudo o que é explicável. Já não há quem tente perceber o fenómeno. Todos o querem ver pelas costas.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Barrigada de histórias

Um livro de histórias do Alentejo. Do Alentejo profundo. Do Alentejo rural. Nesta hipótese de História, o que se pode encontrar são relatos de acontecimentos individuais, singulares, únicos. Quase sempre esquisitos. Extravagantes. Isolados e excêntricos, porém, apenas na aparência. No seu conjunto, na relação que entre si se propõe, formam tais episódios um curioso corpo. Perfazem um todo do qual sobressaem as mais poderosas dicotomias que enraízam uma certa portugalidade. A revolta e a resignação. A indignação e a indiferença. A fé e a incerteza. O subtítulo lança o aviso: Crença e insubmissão no Alentejo do século XX. Sendo que esta «crença» tanto se pode materializar na devoção religiosa propriamente dita como na ilusão, na alucinação, ou no logro que sempre acontece quando é farta a abundância de utopias políticas ou de prodígios sobrenaturais e, até, extraterrestres. Resta referir que estas são reportagens históricas, umas vezes mais lúdicas, outras mais etnográficas, outras mais documentais. São artigos que, no seu todo, consubstanciam uma grande reportagem sobre uma certa «História do Alentejo rural».

Paulo Barriga - Jornalista free-lancer, nasceu em Beja em 1968. Começou a carreira nas rádios locais. Trabalhou nas redacções do Diário do Alentejo, O Independente, Correio da Manhã e Visão. Foi fundador das revistas Imenso Sul, Alentejo Terra Mãe e A Outra Margem, da qual foi director. Entre 1995 e 1998, participou no projecto EXPO'98, primeiro como redactor do Expo Informação (do Público) e depois enquanto redactor do Diário da Expo (Diário de Notícias) e da Agência Expo de Informação. Publicou reportagens em órgãos como o Expresso, o Sol, a Grande Reportagem ou a Focus. É crítico literário do Diário do Alentejo e cronista do Correio Alentejo. Publicou livros no campo da reportagem histórica e da etnografia, entre os quais Castro Verde 20 Anos – A Revolução Transparente (1997) ou Campos de Concentração – O Envolvimento Português na Guerra Civil de Espanha (1999).

Terra Vermelha - Crença e Insubmissão no Alentejo do Século XX
Autor:
Paulo Barriga
Prefácio:
Francisco Camacho
Edição:
Guerra e Paz
112 Páginas
Colecção: O Passado e o Presente
Preço: 13,30 €

quarta-feira, 5 de março de 2008

Parabéns ao Público

Eu tinha vinte e oito anos quando o Público saiu pela primeira vez. Iniciámos então uma amizade que dura até hoje. Mantemos uma relação permanente. Diária. Tenho amigos entre quem o faz e nem sempre estou de acordo com o que é opinado. Tal e qual como com os amigos. Mas a melhor opinião está lá. São os meus amigos que têm as melhores opiniões, mesmo quando não têm as melhores opiniões. Exactamente por isso é que são meus amigos.

No primeiro dia em que o jornal saiu, um amigo meu, então já na casa dos oitenta, assegurava-me: "finalmente temos um jornal diário decente". O decreto era creditado pela sua longa vida profissional. Foi jornalista, em França, durante o período da guerra. Trabalhava para uma das principais agências noticiosas da pátria de De Gaulle. Chamava-se José Abreu. Era um prazer conversar com ele. Recordo-o neste dia em que o jornal que o acompanhava diariamente comemora mais um feliz aniversário. A ele com saudade. Ao Público com esperança.

Os descamisados

Rui Marques, um bom rapaz que usa a sua imensa vontade de ser saliente para gostar muito de desprotegidos, resolveu agora montar um novo partido. Esteve a contar os objectivos da coisa a Ana Lourenço, na SIC-N. A prestação foi notável: ele é excluídos, ele é bom-senso, ele é pontes de boa-vontade, ele é esperança... Esta é aliás a palavra do meio do novo movimento - MEP. Mas o novel dirigente político não se assoa a qualquer lenço. O seu posicionamento no espectro partidário é ao centro. Não, não é para afastar a malta de Portas das luzes da ribalta. O centro para ele é entre o PS e o PSD. No centro do poder mesmo. Mais uma inscrição para o chamado centrão. De resto, o discurso balofo, ao nível das declarações de concorrentes a miss Universo, é tão poucochinho que só se pode encaixar num espaço político inexistente. Insistiu muito na metáfora de "uma mesa para todos" para justificar o seu lugar nos salões. Esta gente às vezes safa-se. Esperemos que não seja o caso. Uma Evita de fato e gravata é o que menos falta nos faz.

terça-feira, 4 de março de 2008

Adivinha


Foi o José Simões que divulgou esta anormalidade.

Qual foi o ex-deputado qual foi, que, em debate decorrido esta tarde no Liceu de Setúbal, organizado por uma turma de Humanidades, e que contou com a participação de ex-deputados do PS, PSD e PCP, afirmou perante um auditório completamente cheio de alunos e professores, entre outras coisas, que, ao contrário do que por aí se diz, não acha que os jovens de hoje leiam e escrevam pouco, porque comunicam de outras formas, por sms, no msn, ou no hi5; por exemplo. E que acha uma seca ter de estudar Gil Vicente e Eça de Queiroz, por terem coisas que não interessam nada; e que não é grave os alunos não terem contacto com as obras dos autores portugueses, porque, mais cedo ou mais tarde, acabam por encontrar citações desses mesmos autores na net.
Uma dica: é do PSD

Qual a razão de se convidar um apologista da ignorância para falar a alunos de uma escola secundária?
Vá lá, vá lá que é ex~deputado. Haverá por lá mais gente desta? Huuuuummm.

Um “achista” à solta

O Pedro Rolo Duarte achou o mesmo que eu ao visionar a intervenção desta criatura no último Prós e Contras.
E eu não resisti em fazer passar para aqui o achado:

Lá estão de novo a debater o tema da educação. Hoje numa perspectiva enriquecida pelo olhar de sábios como João Lobo Antunes e António Câmara. O debate não corre mal.
Mas às tantas vejo levantar-se e falar Carlos Coelho, o homem que os media elegeram para se pronunciar sobre marcas, logótipos, imagem, marketing (Portugal tem esta característica quase risível, porém verdadeira: de vez em quando descobre um “especialista”, fixa-lhe o numero de telemóvel, e ei-lo a fazer jus à ideia do “cair em graça”...).
Carlos Coelho é um bom profissional – mas não é tão bom quanto ele se julga. É um excelente vendedor de si próprio, mais do que dos produtos que lhe pedem visibilidade. Não percebo o que pode acrescentar a este painel sobre educação – nem ele, pelos vistos, dado que debita em escassos minutos um conjunto generoso de baboseiras sem nexo, apelando ao apaziguamento da crise entre professores e Ministra. Estou a tentar concentrar-me no que diz, mas não consigo porque não percebo onde quer chegar. Ele também não percebe, enrola-se nas palavras, evoca os filhos que estudam no estrangeiro mas não explica porquê, e às tantas elogia a escola portuguesa pela “sensibilidade” (??). Enfim, parece um espontâneo que entrou sem convite no auditório da RTP.


Para ler o resto vá até ao blogue do Pedro

Não matarás

A violência é assustadora. Estes recentes casos são chocantes. O desprezo pela vida humana, revelado em tanta crueldade, deixam-nos uma sensação de impotência face a um agressor sem rosto. Uma cobardia que nos indigna. Poderemos não estar perante algo organizado, mas não estamos habituados a demonstrações tão sucessivas de criminalidade aparentemente impune. Gostaríamos de andar por aí mais descansados. Quem o garante?

segunda-feira, 3 de março de 2008

Amplas liberdades

Simpatizantes do PCP manifestaram-se, sábado passado, pela liberdade. Oportuna iniciativa. Não é com certeza pela liberdade em Portugal, que existe e recomenda-se. O PCP defende o "internacionalismo proletário". Internacionalmente as coisas não estão nada bem. Há problemas e uma esperança em Cuba. Ingrid Betancourt está injustamente presa há um ror de anos, estando actualmente bastante doente. Na Coreia, que Bernardino declarou democrática, a Democracia não está com muita saúde. Na China, o capitalismo sem regras desafia as regras do comunismo. E os saudosistas das liberdades soviéticas negam as insuficiências que decretaram o fim do "socialismo científico". Com tanta limitação, é natural que surja a indignação. Foi o que agora aconteceu ao PCP: fez jus aos seus desígnios e lutou pela liberdade. Em liberdade, claro.

Processo em cima

Paulo Portas e Jaime Silva andam de candeias às avessas. Um problema de branqueamentos está a causar um certo mau-estar entre os dois políticos. As insinuações de ordem pessoal, quando lançadas dos púlpitos públicos, não são grande atitude. Jaime Silva foi desbragado na resposta às injúrias de Portas. Este, por seu lado, resolveu convocar uma conferência de imprensa onde anuncia que vai processar judicialmente o Ministro da Agricultura. tudo isto é lamentável, mas o ministro tem uma certa razão. Com a escuridão que paira sobre as decisões que nortearam na recta final o governo a que Portas pertenceu, não admira que hajam tentativas pouco saudáveis de branqueamento. Mas terão de ser os tribunais a aclarar estes comportamentos?

domingo, 2 de março de 2008

Erros meus, má fortuna


No post do passado dia 25, sobre a festa do cinema, errei de forma imperdoável. Já recebi os castigos devidos, via mail. Fui justamente acusado de ignorante por ter colocado o nome de Daniel Day-Lewis no lugar de Tommy Lee Jones, quando me referi ao filme realizado pelos manos Cohen. Já cumpri o castigo e remediei o erro.
As postagens às três da manhã, sem rede nem apelos a memórias mais consistentes, têm destas coisas. Algumas das críticas foram de uma elegância que só as imagino lavradas por quem obviamente nunca erra. Tanta competência assusta. Nem quero conhecer quem tanto saber irradia. De qualquer forma as minhas humildes desculpas.
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