quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Uma história simples


A propósito da exposição de Amadeu de Sousa-Cardoso, na Gulbenkian, uma jornalista do jornal da 2, das 22 horas, entrevista Julião Sarmento, em directo, durante a inauguração. Viram? Foi um papelinho: quais as influências, que dimensão, em suma, um rol de vulgaridades a que Julião tenta responder com simpatia. Fala da temporalidade da Obra de Arte, da relação com os seus pares, ou seja, da interferência que as expressões artísticas estabelecem no diálogo entre si, da pouca importância do espaço geográfico na Arte, enfim, foi cosmopolita e intelectualmente sincero, usando o tipo de discurso a que nos habituou.
A entrevistadora não percebeu peva. Nada de grave.
O giro mesmo foi o ar incrédulo da "pivot", Alberta Marques Fernandes, em estúdio, que, não percebendo nada, recorreu ao comentário desbragado. Exibindo um sorriso insolente ao canto da boca, foi debitando disparates compassados com excessivas e ridículas pausas.
A ignorância e a indelicadeza soltaram-se naquele estúdio.
Um bocadinho parva, esta moda de os apresentadores dos noticiários televisivos terem a mania de ser salientes.
Valha-nos Amadeu, que a partir de agora tem parte significativa da Obra em exposição na Fundação Calouste Gulbenkian.
JTD
Amadeu de Sousa-Cardoso Imagem
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