sábado, 31 de janeiro de 2009

Chefe de Estado às vezes


Aníbal Cavaco Silva, Chefe de Estado, classificou o caso Freeport como um assunto de estado, como tal, ele, como Chefe de Estado, não comenta. Enfim, o costume.

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.

Ficção & Realidade - Da longa entrevista que a procuradora Cândida Almeida, directora do DCIAP e responsável pela investigação do Caso Freeport, deu hoje a Judite de Sousa (RTP), retive duas passagens muito esclarecedoras:
1. Grande parte do que passa por fugas de informação são meras invenções. Exemplo: as autoridades inglesas em nenhuma circunstância solicitaram informação sobre as contas de José Sócrates.
2. Cândida Almeida não viu (e não quer ver) o famoso DVD, o qual, aliás, não consta do inquérito. Os outros magistrados que investigam o caso também não.
Gostava de ver os jornais de amanhã a sublinhar estes pontos, por muito que lhes custe dar o braço a torcer. Afinal, foi com base neles que o Caso Freeport virou questão de Estado.
Eduardo Pitta Da Literatura


Canal história - Em 1980, ano de eleições legislativas, era então Francisco Sá Carneiro primeiro-ministro, a Oposição resvalou para a «luta policial» (em vez da luta política). O Diário, jornal do PCP, foi o primeiro a lançar a campanha das alegadas dívidas de Francisco Sá Carneiro à banca (à mistura, envolveram a sua vida pessoal e privada ao barulho) e insistiu no tema até à exaustão. Em meados de Agosto, na RTP – não haviam mais canais e tinha acabado de estrear o colorido – Sá Carneiro defendeu-se do «combate larvar» que lhe moviam. Em Outubro, a AD obteve a segunda maioria absoluta.
Tomás Vasques Hoje há conquilhas

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Receituário


Às sextas-feiras, um som com nome de gente.

Working on a dream | Bruce Springsteen
Sony music

Já está entre nós. Aos treze originais é acrescentado um dvd com o making of do trabalho.
Nada de novo a bordo, mas é o Boss. Bons ouvidos o ouçam.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Papel de embrulho

Não deixa de ser interessante perceber o "profissionalismo" com que alguma imprensa trata este caso do Freeport de Alcochete. Cavaco teve que esperar pelo fim da intervenção de Sócrates para o habitual encontro das quintas-feiras. Um jornalista da Visão, em funções de comentador na SIC-N, acreditava que Cavaco devia estar fulo por ter de esperar pelo primeiro-ministro por tão pouco entretenimento. Pouco?! De facto será pouco para quem tem de lidar com os empecilhos Oliveira e Costa e Dias Loureiro, mas a visão parece-me excessiva.
Também o agora azougado comentador Ricardo Costa, no mesmo serviço televisivo, assegura que o processo de licenciamento da superfície comercial mais famosa do momento, foi tratado com toda a legalidade, mas considera que os jornalistas que vasculham, especulam e procuram os crimes e escapadelas em que nem eles próprios acreditam, estão a desempenhar o seu papel.
Há jornalistas que se embrulham em cada papel...

Venceremos!

Ilda Figueiredo vai ser a candidata do PCP ao parlamento europeu. A confiar nas palavras de Jerónimo de Sousa e da esganiçada eurodeputada, no acto de apresentação, a revolução socialista está aí a rebentar. E é nos palcos europeus que se vai dar o evento.
Avisam com a antecedência que torne possível encontrar a porta de saída? Era simpático...
Quanto à escolha de Ilda, parabéns à prima.

Com todo o respeito

O professor António Borges, agora dirigente nacional e pelos vistos voz da consciência do PSD, diz, com incontida alegria, que o caso Freeport não lhes diz respeito: limitam-se a observar o desenrolar dos acontecimentos. Pois não diz. No que diz respeito a suspeitas de corrupção já estão bem servidos, não é verdade? Até há um "mordomo" de Cavaco "guardado" para o que der e vier. Com o devido respeito, é claro.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mais um coelho que sai da cartola


Manuel Coelho, presidente da autarquia de Sines, bateu com a porta lá no partido. Já não suportava "críticas e recriminações" que entende serem "idiotas, absurdas, insuportáveis e não toleráveis". Acrescenta ainda que o PCP "está impregnado de um conjunto de características típicas de organizações dogmáticas, com disciplina de caserna, que o tornam uma organização estalinizada, com práticas reaccionárias, envolvidas de um discurso pretensamente progressista, mas, de facto, retrógrado".
Ao fim de tanto tempo percebeu tudo isto.
Vale mais tarde que nunca.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"Como eu costumo dizer..."


A presunção desta frase tira-me do sério. A auto-citação que se lhe segue geralmente não passa da mais ignara banalidade. Mas alguém levar-se tão a sério que se cite compulsivamente, provoca-me brotoeja. E sempre que alguém profere tamanho labéu desconfio da seriedade de tudo o que diz.
Se calhar é apenas um desses modismos que passam depressa. Ou então nada disto tem a menor importância e eu é que tenho mau feitio, como eu costumo dizer. (estão a ver?! Irritante, não é?).

Dia D

Freitas do Amaral vai hoje falar com Ana Lourenço no programa de entrevistas que a jornalista assegura na SIC-N.
Finalmente um homem de esquerda nas lides televisivas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Manual de jornalismo

Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência do Conselho de Ministros, em entrevista a Mário Crespo, na SIC, considera uma pergunta do jornalista ofensiva. Não é. Jornalista pergunta, político responde. É assim numa sociedade civilizada. Se Pedro Silva Pereira não aceita esta regra tão simples nunca deveria sair do gabinete para dar entrevistas.

Um tio de problemas


O caso Freeport tem contornos estranhos. O tio de Sócrates diz que fez uns arranjinhos. Um filho do tio de Sócrates parece que resolveu tentar tirar proveitos do amanho. Mas agora todos os presumíveis envolvidos desmentem o envolvimento. Todos asseguram que não conheceram o ministro do Ambiente da altura. Só mesmo Ricardo Costa, Francisco Ferreira e Louçã parecem saber mais que a encomenda. É o mal de ser primeiro-ministro em terra do faz-de-conta. Cada um diz o que quer. Os proveitos são para quem os apanhar.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Voz dos pacientes

Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.

Destacar as religiões islâmicas como tolerantes é o máximo. A tolerância só existe entre eles. E é se não tiveres um deslize. Os católicos são ainda assim os mais civilizados. Os protestantes não passam de fundamentalistas disfarçados e claro que não vamos contabilizar as testemunhas de Jeóvá e outros energúmenos. Esta gente acha que a Razão é um produto apenas ao seu alcance. Têm o paraíso prometido e desprezam quem não procura essa felicidade eterna. Coitados. Perdoem-lhes, que não sabem o que dizem.
Ana Coelho

Eu gostava de apanhar o cardeal dos católicos a jeito para lhe perguntar qual é o respeito que a Igreja tem pelas mulheres. Podem ser padres? Podem ter responsabilidades nas decisões das paróquias? É claro que os evangélicos Baptistas e as Testemunhas do desastre e muito fortemente os islâmicos, são uns trastes, mas não estão sós no templo.
Carla K. - Bruxelas

O debate esquerda-direita não se pode resumir às diatribes de Manuel Alegre. Alegre combateu a esquerda a que agora se alia. É um facto. Alegre sempre se afastou das decisões. Quando foi secretário de estado, de um governo socialista dirigido por Mário Soares, foi um desastre, combatido por toda a esquerda. Quando se candidatou à liderança, contra Sócrates, custou a assumir a candidatura a primeiro-ministro em caso de vitória. Nunca esteve muito disposto a trabalhar. O debate da esquerda está nas ideias que surgem e se renovam quase diariamente. A esquerda tradicional tem de tomar o pulso a essas novas preocupações. A esquerda tradicional tem muitos independentes como eu. E não deve contar com o PCP, que é um partido reaccionário, completamente agarrado a ideias passadistas e ridículas. A esquerda não tem só que criar unidades, tem que pensar a sua própria existência. Existir sem perpectivas, sem visão de futuro, não leva a lado nenhum. E a esquerda não tem que pensar na sua própria existência, tem que pensar no país e nas pessoas. O luxo da contestação por tudo e por nada, já era...
Maria de Lourdes Casalinho

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Receituário


Às sextas-feiras, um som com nome de gente.

The Crying Light | Antony and the Johnsons
Rough Trade

Já está à venda e recomenda-se.

António Mega Ferreira vai continuar à frente do CCB.
Um excelente trabalho é reconhecido.
Um grande projecto que continua.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O ouvidor

António Borges, aquela ex-reserva luminosa do PSD, diz que TODOS os portugueses ouvem o Presidente da República excepto o primeiro-ministro. Até concordo que há muitos portugueses que dão atenção ao que Cavaco diz. Não tenho é a certeza se todos o percebem. Naquela contenda sobre o Estatuto dos Açores, nem o grupo parlamentar do partido do dr. Borges o entendeu muito bem. Que se saiba, Sócrates e Cavaco continuam a encontrar-se todas as semanas em Belém. Se o primeiro-ministro tem problemas de audição devia ser-lhe aconselhada consulta da especialidade. E quando o dr. Borges fala em TODOS, baseia-se em que dados? Olhe que anda aí muito surdo.

O guerreiro sem descanso


Os primeiros passos do Presidente Obama na Casa Branca teve momentos de brilho e outros menos luminosos. Não, não vou falar da lamentável prestação do orador evangélico protestante na tomada de posse - Orou e andou. Nem dos numerosos bailes em tempos que recomendam pouca festança. Mas vale a pena realçar a pressa em resolver Guantanamo. Assim como o comedimento nas regalias dos seus colaboradores. E ainda a preocupação em contactar os responsáveis pelos desatinos no Médio Oriente. De negativo, para já, só mesmo a "contratação" de um secretário do Tesouro que em tempos tentou ludibriar as Finanças lá do sítio. O homem desfez-se em desculpas e assumiu as culpas. Tudo bem: só falta recolher ao sossego do seu anterior emprego. Mas quem sou eu...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Substância procura-se

Manuel Alegre diz que leu na diagonal a moção que o seu partido apresentou. Mas, porque é um homem de esquerda e está sempre na luta, vai avançando umas desconfianças: não lhe parece que as propostas cheguem para que ele as compreenda e aprove. A ligeireza alegrista vem de longe. Manuel Alegre lê sempre tudo na diagonal. Nota-se à légua, não precisa de acrescentar desculpas.
Manuel Alegre é politicamente irresponsável.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

good Luck


Aqui o senhor do retrato incia hoje uma nova vida. O mundo espera que a vida lhe corra bem. Chega de festa. É tempo de arregaçar as mangas. O anterior ocupante da sala onde a partir de agora vai trabalhar, deixa-lhe um ramalhete de sarilhos. Claro que Bush não é o culpado de todos os males que vieram ao mundo, mas esforçou-se. Há despedidas boas, que não deixam saudades. É nessas alturas que as boas vindas são mais saborosas.
Boa sorte, senhor Barak Obama.

I Love you baby


A Sofia Loureiro dos Santos resolveu instituir ela própria um prémio para os blogues de que mais gosta. Chamou-lhe precisamente "Deste, gosto mesmo!", e, num acesso - e excesso - de simpatia, contemplou este vosso dedicado amigo.
Vindo de quem vem é uma honra subir à tribuna para receber tão distinta condecoração.
E como as regras são para cumprir, cá vão os quinze que me fazem agitar o rato do computador todos os dias.

A barbearia do senhor Luís

A la Gauche
Ana de Amsterdam
Bandeira ao vento
Defender o quadrado
Der Terrorist
F World
Geração de 60
Hoje há conquilhas
Jardim assombrado
Jugular
Origem das espécies
Pedro Rolo Duarte
Portugal dos pequeninos
Terceira noite

Há mais uns quantos, mas estes são mesmo os diários. Entretanto, outro dasafiado, o José Simões, também me desafiou a mim. Tanto mimo estraga-me. A resposta vai para os dois, que aqui nomeio também.
Obrigadinho a todos.