quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Arpad



Na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, abre amanhã, no seu espaço na Praça das Amoreiras, uma importante exposição de um dos seus patronos. Casou com Vieira da Silva e com ela protagonizou uma existência riquíssima. As obras agora reunidas constituem uma expressiva amostra do talento singular do artista. Eu gosto muito do trabalho de Arpad. E aconselho uma visita a esta revisitação da sua obra. Nós, aqui na DDLX, desenvolvemos o design de comunicação.
Do texto biográfico, redigido por Marina Bairrão Ruivo, responsável pela Fundação e por esta exposição, ressalto o que se segue:

Os anos 60 foram anos de uma discreta “consagração”: aquisições de suas obras por Museus franceses, exposições individuais em França e no estrangeiro, condecorações do Estado francês. Foram também anos de intensa produção (1960-1980), em que a exploração da atmosfera, a organização lumínica e rítmica regeram as suas pinturas, as suas paisagens imaginadas. Mais discreta, a cor também se transformou e contribuiu de maneira decisiva para criar o espaço espiritual e a luminosidade que as pinturas evocam. O branco, nas variações de cinzentos, rosas, ocres, azuis ou amarelos em fundos ou em sobreposições suaves, concentra luz e transparência. A obra de Arpad Szenes foi várias vezes referida como sendo silenciosa, evocativa e por vezes evasiva. Voluntariamente retirado para segundo plano em função de Vieira da Silva, Arpad Szenes não deixa de ser uma referência importante na arte do seu tempo. Foi um dos melhores representantes da Escola de Paris dos anos 40, apesar da discrição e modéstia que o caracterizaram.

Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva
Praça das Amoreiras, 56-58, Lisboa
Segunda a sábado - 11 | 18 horas
Domingo - 10 | 18 horas
Até 17 de Julho

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Uma boa acção

Gaioso Ribeiro é um homem de boa vontade. Pela amostra, ainda não percebeu como funciona politicamente uma autarquia. O dirigente socialista sugere um corpo de salvação que una a Direita, o Centro e a Esquerda. Seria louvável se a Câmara de Lisboa se tratasse de um agrupamento de escuteiros. É melhor explicarem-lhe que as forças que convivem na autarquia lisboeta defendem políticas diferentes. É para isso que há eleições. E é suposto escolher as políticas nesse escrutínio. Ou será que Gaioso já não acredita nessas diferenças e só vê, na sua desesperada proposta, a solução?

Escolha natural


Não percebo a necessidade que Paulo Portas tem de voltar à política. Estava tão bem a ver umas fitas e a comentar uns livros. Voltar para uma família pouco dada a ficções e que apenas pretende fazer dele arma de arremesso, não é lá grande escolha. Mas, se calhar está-lhe na natureza. Não há nada a fazer.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Tudo bons rapazes



Os cidadãos abaixo mencionados, levaram um boneco destes para casa. Martin Scorsese foi o grande vencedor. The Departed - Entre Inimigos, deu-lhe óscares para Melhor Filme e Melhor Realização. Outros vencedores foram O Labirinto do Fauno e Uma Verdade Inconveniente. Helen Mirren foi A Rainha da noite.

Melhor Filme - "The Departed — Entre Inimigos"
Melhor Actor - Forest Whitaker ("O Último Rei da Escócia")
Melhor Actriz - Helen Mirren ("A Rainha")
Melhor Realizador - Martin Scorsese ("The Departed – Entre Inimigos")
Melhor Actor Secundário - Alan Arkin ("Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos - Little Miss Sunshine")
Melhor Actriz Secundária - Jennifer Hudson ("Dreamgirls")
Melhor Filme Estrangeiro - "A vida dos outros" (Alemanha, Florian Henckel von Donnersmarck)
Melhor Filme de Animação - "Happy feet" (George Miller)
Melhor Argumento Original - "Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos - Little Miss Sunshine" (Michael Arndt)
Melhor Argumento Adaptado - "The Departed – Entre Inimigos" (William Monahan)
Melhor Direcção Artística - "O Labirinto de Fauno"
Melhor Documentário - "Uma Verdade Inconveniente"

Tanto dá até que fura

Dei pela coisa lendo a crónica semanal de Pedro Rolo Duarte, no DN. Pasmei. Apesar de muito do que por aí se vê não nos dê motivos para tanto, mas pasmei. Ainda me causam perplexidade estes episódios: é suposto haverem áreas onde a seriedade impere. A história é simples e conta-se de uma penada. Uma senhora da "sociedade cor-de-rosa" resolve ver-se livre do marido. Parece que leva aquilo mesmo a sério e o homem é morto. O enleio é descoberto e a senhora é presa.
José Castelo Branco (criatura sempre disponível para ter pena dos outros, desde que isso lhe dê visibilidade) foi visitar a presumível homicida. O horário normal da visita tinha terminado. Mas, o por certo caríssimo relógio de Branco, não marca as horas como os nossos, comuns mortais. Pois bem, nada de impedimentos. Os calabouços abriram-se em ambiente de grande acontecimento. Houve entrevista, fizeram-se fotografias, tudo vendido à imprensa do coração (nunca percebi a relação destes pasquins com a Cardiologia, mas enfim). Para a espalhafatosa criatura, estaremos perante a mais serena normalidade. Mas as autoridades prisionais, não têm nada a dizer? Nem a responder? O que falta acontecer ainda?
Aqui há uns anos, debatia-se o estado em que estávamos e a que nível chegaríamos. Falava-se na preocupação de batermos no fundo. Havia mesmo quem dissesse que já tínhamos batido. Agora, já todos percebemos que batemos. E com tanta insistência que até já furou. Provavelmente já estamos num buraco. Esperemos que não seja sem fundo.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Nova era?

Confesso que não sabia quem eram. Uns rapazolas sem graça, aos pulos, em cantoria sem trambelho, em programa de referência da RTP 1. Eram uns tais d'zrt.
Será a "hermanização" dos "gato fedorento"?

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Vergonhoso internacionalismo


Ingrid Betancourt, candidata à Presidência da República da Colômbia, foi raptada há sete anos. Gente da FARC esteve em Portugal, na Festa do Avante do ano passado. Isso envergonha quem tem vergonha. Não aquece nem arrefece quem acha que aqueles delinquentes armados são libertadores do povo. Aqui lembra-se Ingrid, que democraticamente tentou combater a corrupção no seu país. Os festivos "amigos do povo" que se lixem.

Sou o que digo


Realmente não me interessam tanto as belezas. Do que realmente gosto é de conversadores. Para mim, os bons conversadores são umas belezas porque o que adoro na realidade são as boas conversas. Mesmo a palavra demonstra porque prefiro os conversadores às belezas, porque gravo mais do que filmo. Os conversadores fazem algo; as belezas são algo. É muito mais divertido estar com gente que sabe coisas. Wandy Warhol

Este comentário está dentro de um bonito livrinho. Poderiam ser posts. Trouxe-o de Madrid. E está aqui agora porque Warhol também partiu há vinte anos. Há vinte anos, dois seres humanos extraordinários, deixaram-nos: Zeca e Drela. Duas pessoas completamente diferentes, mas ambas fascinantes.
O título do livro é "Mi Filosofia de A a B y de B a A", porque está em castelhano. É editado pela Tusquets Editores. Penso que não está traduzido para a nossa língua. É pena.

Robert Mapplethorpe Imagem

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Somos nós os teus cantores


A comemoração da morte de José Afonso não me interessa para nada. Prefiro lembrar a vida, sempre. Não me apanham em ladainhas fúnebres, passado tanto tempo. A memória que me ficou de alguns momentos que não esqueço, não mo permitem. Tive o privilégio de com ele conversar, rir, arrasar alarves, comentar músicas e trocar livros. Muitas vezes, nos dias de hoje, lembro-me do que pensaria o Zeca sobre isto ou aquilo: as coisa da nossa vidinha e da vida dos outros, ou seja, da política. Depois disto tudo, queriam que andasse para aí a chorar? Era o que faltava!

Para além deste desabafo íntimo, que compartilho com os meus amigos, não se pode esquecer a elevação de carácter, a grande cultura e as permanentes preocupações humanísticas. Ao nível artístico, foi José Afonso quem conferiu dignidade à Música Portuguesa (assim, com maiúsculas, que é para não haver dúvidas). Nunca foi básico nem populista. Foi ele que resolveu tornar temas populares em sofisticadas entoações. Foi um grande senhor da Cultura Portuguesa. Ninguém, dos que hoje trabalham a arte de elaborar sons, o esquecem. Eu, que ando por outras "artes" também não. Continuo a ouvi-lo. Dizem por aí que morreu. Mas estas músicas, que agora ouço, parece que foram feitas ontem...

Andy Warhol Imagem

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Desarmai-vos e vinde


O primeiro-ministro britânico não quer abandonar o número 10 lá do bairro, sem que os seus guerreiros regressem do Iraque. A procura de armas de destruição massiva, nas terras do defunto Saddam, não passou de tramóia. Para a mentira ser segura, como dizia o poeta popular, e atingir profundidade, tem de ter à mistura qualquer coisa de verdade. Ora, verdade não é carta que se misture naquele baralho. Houve carta na manga. Tony Blair jogou forte. Agora quer sair a meio do jogo. Há jogadas perigosas. Mas tem que haver um fim para este jogo batoteiro.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Mercado de sobas

Também Bush se prepara para desafiar o Irão. Parece que o homem está apostado em fazer da grossa antes de se pôr na alheta.
Jardim chefia uma tribo, empoleirada numa rocha, no meio do Atlântico, contra o governo de um pequeno Estado. Vale o que vale, e não se espera que caia gente em combate. George W. Bush comanda uma seita poderosa, instalada por todo o lado, contra fundamentalismos também muito bem articulados. Há diferenças. A gente conhece-as. Bush continua a ser um perigo, mas para o mundo.

Lockout

Alberto João Jardim ameaça o Governo com a demissão do seu gang. Agora é aturar um processo eleitoral com o soba em delírio reinvidicativo. É para isso mesmo que serve este lockout da tribo que manda na Madeira: exibir a insolência contra quem, finalmente, lhe faz frente. Dos chefes do seu grupo já chegou o apoio político. Falta conhecer a reacção de Sócrates e do homem que promulgou a situação, o "senhor Silva", de Belém. É pena tudo isto acontecer já fora do período de Carnaval. Assim, sem a graça da época, não há pachorra para este desfile.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

ARCO 07


Os jornais dizem que foi um bom ano para as galerias portuguesas. Parece que sim, para as portuguesas e para as outras. Foi um dos melhores anos de sempre.

Antoni Tàpies Imagem

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Outros carnavais *


Durante os próximos dias vou andar por aqui.
Diz que é uma espécie de Feira de Arte, mas a sério.
Até quarta.

*Título descaradamente roubado à Sandra

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Socorro!

Não me levem a mal estes desabafos. Hoje jantei num restaurante do Bairro Alto, onde costumo conviver com uns amigos que misturam trabalho com conhaque. Numa mesa perto estava um conhecido e reconhecido intelectual português, nascido lá para meados do século passado, embevecido por uma jovem, parida quase no princípio deste. Nada disto seria anormal não fosse a anormalidade da criatura. Não conseguimos desligar da conversa perfeitamente idiota. O que, aliás, não era difícil, já que o homem se fazia ouvir alto e bom som. Não, não é dor de cotovelo por causa da jovem presa do distinto homem de cultura. Tenho muito mais onde ocupar o tempo. Mas faço uma pergunta ao auditório: será que em Portugal até os intelectuais são idiotas? Tirem-me daqui. Quero ser padeiro na Nova Zelândia.

What a Wonderful World


A violência, no Rio de Janeiro, está a atingir proporções incontornáveis. Em Bagdad, o martírio já é corriqueiro. Noutras paragens, a Al-Qaeda ameaça os poços de petróleo explorados pelos americanos. A violência veio para ficar. Não se vislumbram soluções. O Mundo está cada vez mais perigoso. Estes casos no Brasil, com o exercício de uma violência gratuita e bárbara, revelam a rude realidade de seres humanos a eliminarem-se um a um. Começa a ser preocupante a massificação deste conceito de violência. Não é por acaso que, nos registos televisivos, já se ouvem palavras de ordem clamando "Socorro".
Quem lhes acode?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Um Salazar em cada esquina

O pior português de sempre, no concurso do Inimigo Público, é, afinal, Salazar. O melhor português de sempre, na opinião do inenarrável Jaime Nogueira Pinto, no programa da RTP 1, é Salazar.
É claro que Salazar só se habilita a ganhar eleições de brincadeira. Mas Nogueira Pinto leva aquilo a sério. Nogueira Pinto é um produto específico do regime deposto nos anos setenta do século passado. Faz o papel de intelectual apologético. Uma espécie de cozinheiro do regime apodrecido. Tenta dar a volta à receita. Acrescenta-lhe aromáticos temperos. Mas o cozinhado está feito há muito. Os estafados argumentos em defesa do ditador já enjoam. A apologia de tão sinistra criatura já cheira a esturro.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Divinos castigos

Duas senhoras, com muito boa idade para terem juízo, encontram-se em frente à livraria Portugal, na Rua do Carmo. Justificam o terramoto que ocorreu durante a manhã: "Isto é Deus zangado com esta gente que votou a favor do aborto. É um aviso". Os desabafos continuaram em agressivas alusões a pecados mortais, pecadores imundos, expiações várias. Por fim, uma das senhoras, para dar credibilidade à coisa, convoca para a badalação a opinião do prior que, há uns minutos atrás, lhe confidenciou uma missiva do Senhor: "Deus não castiga, mas avisa". As senhoras ficaram confortadas com a demonstração de imensa sapiência revelada pelo homem de Deus. Isto existe. Não tem nada de grave, é claro. E a Igreja já não nos impinge este proselitismo de pacotilha. A gente já nem está lá para os ouvir. Mas ainda há quem os ouça. E os cite. Nem todos são cardeais patriarcas. Também há uns básicos que dão muito jeito. E andam por aí.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Importa-se de repetir?

Interrupção voluntária


Agora vem aí o dia dos namorados, logo seguido do Carnaval. Coisinhas leves, portanto. Depois de um ror de um tempo prenhe de seriedade, já cá fazia falta uma interrupção voluntária de tanta reflexão. Vai ser sol de pouca dura, é certo. Até ao verão, não vai faltar assunto para alegrar a nossa vontade de dizer coisas. Coisas leves, pesadas e assim-assim. Interrupção breve, portanto.
Jean-Michel Basquiat Imagem

Mudam-se os tempos...

É justo dizer que a vitória do "sim" não é a derrota de ninguém. Ninguém obriga ninguém contra as suas convicções. O contrário já não seria tão transparente. Percebeu~se, com este resultado, que os pruridos religiosos já não dominam as mentes dos crentes. Está muita coisa a mudar na sociedade portuguesa. Há mais transparência. É bom sinal.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

O povo é sereno

Não é vinculativo? Quem tem boca vai a Roma. Quem não participou, participasse. Um referendo sobre matéria tão sensível provoca atitudes muito particulares. Nem toda a gente está disposta a participar. Agora, a opção pelo "sim" enceta novas etapas na resolução do problema. Estamos perante um avanço civilizacional. Há muito trabalhinho para o pessoal da Assembleia da República. E as deputadas do PS apoiantes do "não", que farão agora? O trabalho que agora começa não vai encontrar a concordância nem o empenho das senhoras deputadas. Como a modernidade não clama por inércia, talvez procurarem outros assentos, não?!

Good job


Al Gore esteve em Lisboa. Veio explicar o que estamos fartos de saber: o Ambiente ameaça tornar-se inimigo da Humanidade. Porquê? Porque a Humanidade o tratou mal. Isto é mesmo assim: quem vai à guerra dá e leva. A conferência não foi para todos. Compreende-se. Estiveram lá apenas os "ambientalistas" que decidem o futuro do Ambiente no nosso país. Olhando a galeria de tão relevantes personalidades, ficamos descansados com a nossa irrelevância nesta matéria. Correu bem foi para Al Gore: facturou, e parece que aquilo ainda foi caro. A defesa do Ambiente é um bom negócio.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Só mais esta


ESPALHEM A NOTÍCIA, ou CHAMEM A POLÍCIA ?
Acabo de receber, por vários amigos, a notícia:
um ” blogue do não” usou nas suas páginas uma canção minha, para, em ultima análise, promover os seus pontos de vista em relação ao referendo de domingo.
Para mim, não é um assunto novo. Muitas vezes, canções inteiras foram usadas em contextos ampliados — e muitas vezes amplificados. E muitas outras se apropriaram de frases minhas para dizer — e pensar — outras coisas. Goste ou não goste (e gosto várias vezes) acho que tudo isso faz parte de qualquer acto criativo. Se não o quisesse expôr a esse risco, guardava-o na gaveta. Só que há limites, claro. Desde já, neste caso enganaram-se, não só na intenção, mas no próprio título da canção.
Em vez de “Espalhem a notícia” deviam ter posto (e postado) ”Chamem a polícia”...
A minha canção é uma elegia à qualidade da vida, e tambem à alegria consciente de dar à luz um novo ser.
Nada que se pareça com humilhação, falsas promessas de apoio a gravidezes indesejadas, sugestões de trabalho comunitário para substituir penas de prisão, e outra pérolas que tais.
E sim, sim à vida que a canção exalta e reconhece.
Espalhem a notícia.
Sérgio Godinho

Expiação de pecados

Vale Tudo! - Por falar em confusões, as últimas notícias sobre as posições dos acérrimos defensores do NÃO dizem que afinal o pessoal está disposto a propor, se o NÃO ganhar, uma alteração à lei actual. Qualquer coisa em que se retiraria a pena de prisão substituindo-a por trabalho comunitário. Afinal isto é tudo malta de boa vontade. Trabalho comunitário cheira-me a expiação de pecados. Amén.
Sandra Passos Blogue remendado

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Campeonato Nacional da Hipocrisia

Esta agora do pessoal do "não" andar muito chocado com as declarações do primeiro-ministro, sobre a decisão de a lei não ser tocada, caso o "não" vença o referendo, é de antologia.
Chamam-lhe amuo e má-vontade. Mas afinal para que serviria o referendo? Querem protagonizar todas as atitudes benfeitoras. Que gente tão generosa. Uns defendem maior penalização. Outros dizem não à criminalização. Outros dizem que é mesmo crime, mas o castigo deve ser esquecido. E ainda há os que chamam a esta salgalhada, diversidade e saudável comunhão de ideias. Se o "não" ganhar, e se entretanto não esquecerem todas as piedosas promessas, estamos prestes a assistir a uma espécie de Campeonato Nacional da Hipocrisia. Um tal Castro Caldas está em condições de organizar o evento. Laurinda Alves pode assessorar. O dr. Anacoreta até pode ir contar anedotas, nos intervalos. O dr. Gentil facultará o diploma de curso, para cartaz da iniciativa. Se outros motivos não houvessem, os comportamentos pouco credíveis destes cidadãos, justificam um grande SIM no dia 11.
Sejam hipócritas, mas não abusem. Tudo tem preceito.

Eduardo Nery


Eduardo Nery inaugura hoje uma exposição dos seus mais recentes trabalhos. É na galeria São Mamede. Nós, na DDLX, fizemos o site do artista. Passe por lá, pelo site, e apareça na galeria. O trabalho de Nery merece uma visita.
www.eduardonery.pt

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Gato escaldado...


O pequeno filme que aborda a hipocrisia marcelista foi dos mais vistos de sempre na blogosfera: Ricardo Araújo Pereira é notável no arremedo. Anda por aí grande alarido por mor do programa dos "gato fedorento". Houve em tempos um ministro de Santana que se irritou com a falta de contraditório nas alocuções domingueiras de Marcelo Rebelo de Sousa. Desta vez, são os defensores do "não" que se queixam dessa falta. É assim: quem tem vida visível, ou não tem opinião, ou se a tem e a revela, deve convocar qualquer coisa que a contrarie nos instantes seguintes. Seria a proclamação da uniformidade. Todos de acordo, sempre. O que incomoda os afanosos defensores do "não", é o pecado dos "gatos" na defesa do "sim". Não gostam de brincadeiras com o que defendem, mas sim com o que ofendem. Só que o humor não é isso. E, em democracia, as pessoas têm opiniões. Ora, os homens dos "gato fedorento" também são gente. E gostam de o ser. É só isso.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

É já no domingo

Já recebeu a sua medalha?

Souto Moura, o homem que na procuradoria fez o que pode sem se perceber se fez alguma coisa de jeito ou não, foi condecorado pelo Presidente da República. Em país de condecorados, não é por mais um que o gato vai às filhozes. Aliás, por este andar, não haverá cão nem gato que não ostente medalha pendurada na coleira. Com o brioso perfil de Moura, não falta por aí quem mereça semelhante condecoração. Cavaco empenha-se no desenvolvimento da indústria nacional da medalhística. Visto pela lente do desenvolvimento económico do sector, poderá constituir um bom alento.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Veja as diferenças

Os participantes espontâneos no programa da RTP Os Grandes Portugueses são, na sua maioria, apologistas da figura de Salazar. Apesar de Salazar não ter sido grande apreciador de grandes discussões e verborreias, estes seus defensores têm saudades suas e manifestam-no. Tanta vontade de intervir leva-nos a crer que, caso vivessem no seu tempo, por certo gostariam que o ditador os deixasse dar ao badalo. Ora, seria melhor que tirassem o cavalinho da chuva: com Salazar este programa não existiria; sem Salazar até é possível ser salazarista. Há diferenças. Obviamente para melhor.

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Marcelo humorista


Maria Flor Pedroso, no único momento verdadeiramente interessante do programa, indagou o professor sobre a paródia de Ricardo Araújo Pereira no Gato fedorento do passado domingo. Marcelo, sempre magnânimo, diz que gostou. Gostou e louvou o pluralismo na RTP. Flor recorda-lhe que é o filmezinho de humor mais visto na internet.
O professor reage de imediato: que não, que os mais vistos são os dele, no seu site, afiança. Fugiu-lhe a boca para a verdade? E nós a pensarmos que aquilo era a sério.

Deambulatório

Dei uma passeata pela blogosfera e decidi fazer umas alterações na relação de clínicas privadas, ali ao lado. A Sandra Passos resolveu meter mãos ao teclado: escolheu um nome para o blogue, baseado no título de Luíz Pacheco "Diário Remendado", mas o nome já existe e é um muito interessante sítio do Pedro Nunes. A Sandra resolveu alterar o nome para Blog remendado.
O Pedro Rolo Duarte, no seu programa diário Janela indiscreta, escolheu como blogue da semana A gaveta do Paulo, de Paulo Kellerman. Fui lá e também gostei. Há portanto três novas entradas: Diário remendado, Blog remendado e A gaveta do Paulo. Passem por lá.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

O humor é bom conselheiro


Winston Churchill, para além de grande estadista, foi também um ser humano fascinante. É isso que se percebe nas várias edições que sobre ele vão saindo. Este pequeno livro relata ocasiões em que o político britânico esbanjou humor. Era uma das suas facetas. E, quem aqui as conta, andou lá por perto, ouviu e agora vem contar tudo neste curioso livro. Aí vai um cheirinho:
Enquanto fazia campanha em 1900, conta-se que, no meio de uma acção de rua, o jovem Churchill se terá aproximado de alguém que lhe disse: "Votar em si? Foge, preferia votar no diabo!" "Compreendo" respondeu Churchill. "Mas no caso de esse seu amigo não concorrer, posso contar com o seu apoio?".

A Sabedoria e o Humor de Winston Churchill é o título
Dominique Enrignth compilou as histórias
Pedro serras Pereira traduziu
Neusa Dias fez a capa
Silvina Sousa fez a revisão do texto
Casa das Letras editou
Preço de editor: 18,00 euros

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Último tesão



Alombo contigo há uma porção de anos
e vou-te dizer és um chato
não tens ponta de paciência
para a vida nem para ti próprio

já te ouvi discursos a mandar vir
já te carreguei às costas
bêbedo como um Baco de aldeia
mijando as ceroulas
és um adolescente retardado
faltou-te sempre a quadra do bom senso

vez por outra um livrinho
de versos vez por outra nada
qualquer um do teu tempo
está bastante melhor do que tu
deputado administrador de empresa
ministro da maioria
puta (alguns chegaram a isso)

só tu meu inocente brincas com a neta
açulas o cão pedindo
à família que te ature
o tipo um dia destes morde-te
que é para aprenderes

mas aqui entre amigos
vou-te dizer também
uma coisa importante não cedas
à tentação de mudar
fica nesta pele que é tua

como é que tu escrevias
merdalhem-se uns aos outros

o país mete dó

guarda o último tesão
para mandares
meia dúzia de canalhas à tabua

Fernando Assis Pacheco Texto
Júlio Pomar Imagem

Já o tempo se habitua


Cristina Branco vai cantar José Afonso, no São Luiz. Começa hoje. Gosto do Zeca, gosto da Cristina...
Vamos lá a ver...

sim

Estou há quase um mês a escrever um post sobre o aborto. Está a ficar cada vez mais pequeno. Há-de acabar aí com umas três letrinhas.
João Pedro Henriques Glória fácil

Pequena campanha

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Unidos "não" vencerão

Há quem se choque com as declarações de Helena Pinto, deputada do Bloco de Esquerda, a propósito da participação da extrema-direita na campanha do "não". De facto, não se percebe a razão que leva a deputada a tomar tão indignada atitude. Olhando em volta, e ouvindo os argumentos dos seus mais ladinos representantes — de Aguiar Branco a Laurinda Alves, passando pela viúva Sousa Franco e pela clinico-fadista Kátia Guerreiro — os opinadores do "não" parecem cozinhados no caldeirão das direitas mais retrógadas. A extrema-direita limitou-se a entrar na cozinha para engrossar o caldo.
Se se sentem lá bem, todos juntos, deixá-los.

A vida é bela

Estou de acordo com José Pacheco Pereira acerca da utilização de malta miúda na discussão sobre o aborto. Não havia necessidade. Também não percebo a utilidade de uma ruidosa campanha festiva. Gritar palavras de ordem, em alegres desfiles, não me parece adequado ao que se debate. Fala-se de dignidade na vida. Mas isso não tem que ser um permanente festejo.
O processo exige serenidade. E seriedade.
A vida nem sempre é uma festa.
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