quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (8)


Também as músicas que me alegraram a alma e a mente não são dadas a azias ou outras indigestões desagradáveis. Que o lixo sonoro vá para as feiras e romarias e nos desampare a tenda.
Assim sendo, siga a marinha:

Karajan | The Legend Berliner Philharmoniker EMI Classics
Schuber | Sehnsucht Mattias Goerne Harmonia mundi
Leucocyte Esbjorn Svensson Trio ACT Company
In the house of Mirrors Hector Zazou & Swara Craw 47
Farscape Klaus Schulze | Lisa Gerrard SPV
Tindersticks Tindersticks Beggars Banquet Records
Jukebox Cat Power Matador
Med sud í eyrum Sigur rós Emi Records
Meet the Eels Essential Eels Geffen records
Story Teller Marta Hugon Digital Mix Música
Golden Era Rita Redshoes Iplay
Metafonia Madredeus e a Banda Cósmica Farol música

Sem categorização por estilos ou preferências pessoais, aqui fica a lista, que já vai longa.

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (7)


Só as leituras prazenteiras têm aqui lugar. Feita a exclusão dos desabafos de apresentadores de televisão e de argumentistas de telenovela, que não circulam neste território, a escolha fica facilitada e recai nestes contemplados:

As Benevolentes Jonatham Littell Dom Quixote
Os Detectives Selvagens Roberto Bolaño Teorema
A Blusa Romena António Mega Ferreira Sextante
A Ferver Bill Buford Sextante
O Homem em Queda Don DeLillo Sextante
Exploradores do Abismo Enrique Villa-Matas Teorema
Já cá não está quem falou Alexandre O'Neill Assírio & Alvim
O homem sem Qualidades I Robert Musil Dom Quixote
O Arquipélago da Insónia António Lobo Antunes Dom Quixote
A Gestão Segundo a Apple Jefrey Cruikshank Casa das Letras
A Faca não Corta o Fogo Herberto Helder Assírio & Alvim
Património Philip Roth Dom Quixote

E pronto, para o ano há mais. Boas leituras para todos.
Até já.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (6)


Bom
- A libertação de Ingrid Betancourt das garras das FARC.
- A nomeação de Hillary Clinton para o lugar internacionalmente mais saliente da Administração Obama.
- A manifestação de revolta do jornalista iraquiano que se descalçou para acertar em Bush.
- A suspenção das agressões entre israelitas e palestinianos.
Mau
- A eternização no poder de Robert Mugabe.
- A convocação de Sara Palin para candidata a vice-presidente dos EUA.
- A guerra na Geórgia.
- O atentado terrorista em Bombaim, na Índia.
- A falta de pontaria do jornalista iraquiano.
- O fim das tréguas entre israelitas e palestinianos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Estatuto das lamentações


O Presidente amuou por causa do já famoso Estatuto dos Açores. O Governo insistiu. O Parlamento, quase em peso, apoiou a coisa. O PSD, comandado pelo evanescente Rangel, resolveu dar o dito por mais ou menos não dito e absteve-se de responsabilidades. O PCP saltou inicialmente em grande alvoroço mas depois calou e andou. O BE assobiou para o lado e borrifou-se na opinião do Presidente. O Presidente passou-se. Em segunda investida disparou em todas as direcções. Resumindo: um amuo presidencial provoca uma balbúrdia parlamentar. Tudo isto é para lamentar.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes


Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.

O Papa quer papinha - As recentes e graves declarações do Papa Bento não lhe motivaram reacção. Foi distracção ou está a ficar muito católico. O que Ratzinger defende é contra as mais vagas noções de liberdade individual. As convicções que faz valer contradizem a realidade actual. Vá lá diga qualquer coisa.
E perdoe esta brincadeira.
Zé do Sul

Cirurgião de serviço - Não tenho que ter opinião sobre tudo o que mexe. Claro que não estou de acordo com o Papa. Mas não acho que as declarações do líder dos católicos sejam assim tão graves. São assim e pronto. O problema é mais complexo. Se os católicos estão de acordo... saúde e um queijo é o que eu desejo. É por estas e por outros que não vou em missas. As papais opiniões comparadas com as de muitos pregadores protestantes, testemunhas de Jeóvá e outras seitas ainda mais indescritíveis, são coisa de menino de coro. Quem acredita nessas "divindades" está disponível para ouvir e dar atenção aos seus guias espirituais. Seja por ignorância, seja por convicto extremismo. Aquilo, para muita gente, é a normalidade. Todos têm o direito de acreditar nas ficções que quiserem. Pela parte que me toca agradeço que bem longe. JTD

Regional - Vivo em Setúbal e acho estranho não ver aqui comentários ao que vai acontecendo. Você nasceu cá, não foi? Não conhece o que tem sido feito à volta de Bocage, António Maria Eusébio e Sebastião da Gama? Ou não quer falar disso?
Carlos Dias

Cirurgião de serviço - Tal como já disse no comentário anterior, não tenho que ter opinião sobre tudo o que mexe. E não, não estou interessado em falar nisso. JTD

sábado, 27 de dezembro de 2008

Natal 2008

O Hamas passa a vida a fazer das suas. Recentemente provocou mais umas mortezitas entre uns insignificantes israelitas. Os israelitas, que não embarcam na redutora apreciação, responderam com armas pesadas. Diz-se agora que foi excessivo. Acontece que os homens não praticam a pequena guerrilha. Quem vai à guerra dá e leva.
Só que há uns que dão com mais força. E quem sofre mais é quem menos tem. Sempre foi assim. São os males da guerra.
Tudo isto se passa nas redondezas do local onde nasceu Cristo.
Perdoai-lhes Senhor...

Deambulatório

Aos sábados, opiniões escolhidas entre as publicadas nas redondezas.
Limpinho - Manuel Alegre diz que quer tudo limpinho: “Que as forças conservadoras se assumam e que a esquerda seja esquerda.” Nada mais simples. O retrato desse mundo vem nos manuais, explicado com clareza e ilustrado por esquemas providenciais que mostram duas cores distintas – a da esquerda e a da direita. Infelizmente, essa realidade a duas cores está longe do espectro em que as pessoas se movem: aqui e ali contam mais as tonalidades, as sombras, os declives e até as aparências. Geralmente, queremos que os outros sejam como achamos que eles devem ser. Mas o problema é que a realidade, muito sacana, vem atrapalhar tudo e encher a vida de surpresas. No caixote de lixo da história e da política há bastantes desses manuais feitos para gente simples; alguns nem para reciclar são úteis.
Francisco José Viegas A Origem das Espécies

Porque lutam os professores? - Nestes dias, vésperas e dias de Natal, percebe-se melhor do que em qualquer outra altura o significado da luta dos professores. Os hospitais estão cheios de médicos, enfermeiros e outros trabalhadores que não podem passar a consoada com os filhos, com os pais, com quem vivem; os hotéis estão cheios de recepcionistas, bagageiros, empregados de mesas; como os hospitais e os hotéis, as estações de serviço; restaurantes, transportes públicos, táxis; e por aí fora. Ganhar acima da média, sair cedo e ser promovido em função do decurso do tempo e não do mérito são privilégios a que os professores se habituaram. É pela manutenção desses privilégios que os professores lutam, se mobilizam, se manifestam. O resto é conversa fiada.
Tomás Vasques Hoje há conquilhas

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (4)


Bom
- José Luís Rodriguez Zapatero ganha as eleições em Espanha e continua como primeiro-ministro.
- George W. Bush vai-se embora dia 20. Provavelmente nada será como nos últimos anos. Esperemos que não volte.
Mau
- Putin arranja um presidente à sua vontade e continua os atropelos à democracia, mas como primeiro-ministro. As trocas de gabinete são para continuar, pelos vistos.
- Berlusconi regressa ao Governo italiano.
- Pedro Santana Lopes insiste.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (3)


Bom - Há vinhos que marcam: os de Ermelinda de Freitas já nos habituaram às melhores referências. Este Syrah de 2005 chegou para vencer. Foi o que achou o júri de um concurso que decorreu em França no passado mês de Março. "O Melhor Vinho do Mundo" decretou quem sabe. Pelo menos para o concurso daquele mês foi. Mas, é claro, a escolha mais competente é nossa. Enquanto houve garrafas por abrir lá em casa andei por perto da opinião do tal júri. Agora já outros aromas e paladares me animaram as pupilas. Bebamos. À nossa.

Mau - Harold Pinter morreu ontem. Aos 78 anos desaparece um dos grandes nomes da literatura mundial. Em 2005 recebeu o Prémio Nobel da Literatura.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (2)


Bom - A recuperação das Minas da Aljustrel com a correspondente manutenção dos postos de trabalho.
Mau - O encerramento da Faiança Bordalo Pinheiro por falta de encomendas. Triste.
Imagem Faiança Bordalo Pinheiro

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008 (1)


Bom - A eleição de Obama para o cargo mais influente do planeta.
Mau - A lamentável escolha de um pastor evangélico obviamente muito reaccionário para botar faladura na tomada de posse do homem com o cargo mais influente do planeta.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Deambulatório | O melhor e o pior de 2008

É hora de balanços. Nos próximos dias alumiarei aqui o que de bom me pareceu ter acontecido no decorrer do ano. O que não convenceu também será referido e devidamente vaiado. As candidaturas circulam pela Cultura, Política e outras atitudes. As escolhas são pessoais. Existe livro de reclamações neste estabelecimento.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Voz dos pacientes

Aos domingos, as opiniões dos pacientes que vão chegando via correio electrónico.
A Blusa romena - Tenho a ideia que este é o melhor livro de Mega Ferreira. Tem humor, cosmopolitismo e Vida Literária. Mas considero que o seu melhor ainda está nas crónicas. Não dispenso a leitura dos seus textos naquela revistinha que vem com o DN aos sábados.
João Carlos Malheiro Tropa

Ameaças - O JTD refere em postagem publicada no passado dia 9 que tem recebido ameaças. É normal que hajam ameaças ideológicas, do tipo daquelas que aquele barão da política utilizou em tempos - quem se mete com o PS leva, lembra-se? Claro que para lá da parvoíce da ameaça percebe-se que é uma resposta política. Do mal o menos. Mas quando você fala de ameaças físicas, fala exactamente de quê? Ainda há quem queira impor o medo? Ainda há quem não consiga viver sem esse conceito de perseguição e repressão? Que tristeza!
Maria João Morais

cirurgião de serviço - Já respondi quando informei do destino dessas tropelias. As ameaças cobardes nunca chegarão a incomodar o sossego de quem aqui se desloca. Estejam descansados. "Lixo para o lixo", parece-me uma boa palavra de ordem. Obrigado. JTD

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Somos todos suburbanos


Oscar Mourave nasceu no Brasil, mas curiosidades várias levaram-no a conhecer mundo. Já correu Seca e Meca. Agora está em Portugal. Conheci-o há pouco. Ficámos amigos. Aqui há uns dias comunicou-me que se vai instalar em Pamplona. Até quando não sabe. Resolveu então brindar nuestros hermanos com um livro de poesia que reúne dois títulos que nunca publicou. Por isso lhe chama, com a ironia que o abraça permanentemente, ANTOLOGIA. Este "suburbanos" chegou agora por e-mail para me matar a curiosidade e aguçar o apetite para o repasto que o Oscar vai publicar na Estaleiro editora. Aguardemos.

Suburbia IV

Ao contrário do centro da cidade
o subúrbio não tem um ponto
nevrálgico, um epicentro

o subúrbio é um poema sem núcleo
espalha-se

não é como a semente do pêssego
de arquitectura fechada e silenciosa
e tampouco se parece com a gema
de um ovo, aberta e radiosa

o subúrbio é descontínuo
- e descontinua na vida dos seus habitantes

são 18h47 no vermelho digital do relógio
abre a janela, porque o subúrbio começa
a viver.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

...e o voto é secreto


Eis uma "ironia" que se inscreve na perfeição naquilo a que o João Gonçalves chamou a versão Manuela vai com as outras.
Imagem via câmara corporativa.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O melhor bacalhau à Brás de Lisboa


O Restaurante Fidalgo não é uma casa para todos. Há mesmo quem não se sinta lá bem. Não se pense com isto que, para fazer jus ao nome, a fidalga arrogância conquistou o lugar. Nada disso: Fidalgo é nome de família. Os eugénios - Eugénia e Eugénio Fidalgo - são os anfitriões: ela na cozinha; ele a dar ao badalo na sala. Dito isto: o Fidalgo existe e recomenda-se apenas para quem gosta de comer bem. Quem quiser mastigar qualquer coisa arranjará com certeza onde abancar; no Fidalgo não. É por isso que as suas portas são diariamente franqueadas por conhecidos e exigentes gastrónomos. Jornalistas, escritores, artistas, empresários pequenos, médios e grandes, gente de cá e de "lá de fora", vão entregar a sua comensal vontade aos méritos desta equipa que sabe misturar o bem cozinhar com simpatia. A produção é regional, sem a falsa modernidade das confecções em "seus mantos de não sei quê" e "em cama de coisa nenhuma".
É autêntico o que se come ali. E também não se bebe nada mal. A garrafeira da casa não esqueceu nenhum canto de Portugal. É o patriotismo gastronómico a içar a bandeira vinícola.
Está-se lá bem, quando se quer comer bem e passar um momento agradável.
Está-se mal, quando não arranjamos um bocadinho para ir até lá.
E hoje há bacalhau à Brás.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Morrissey


Diz que vai haver um "novo Morrissey" em Fevereiro. Oxalá. Mas enquanto não se confirma o anúncio, vou ouvindo o que já cá canta. Tudo começou com os "The Smiths". Quando o homem se fartou de trabalhar com o grupo, desfez a sociedade e estabeleceu-se com negócio próprio. Depois do trabalho unipessoal apresentado, já se percebeu que o ofício não foi perturbado pela demanda. Um clássico. Off corse.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A nova velha Esquerda

Há aqui qualquer coisa que ainda não percebi. Manuel Alegre agora é da Esquerda o mais à esquerda possível? E é alternativa ao Poder? Finalmente tem "ideias"? Será que está farto de descansar nas bancadas de São Bento? E será que os seus novos amigos se esqueceram do tempo em que o poeta foi Poder? A que se deve este inusitado flirt?
O Tomás Vasques lembra alguns pequenos promenores.

Reconhecimentos


Bush anda a dar as últimas. Foi ao Iraque despedir-se dos iraquianos. Um jornalista, em sinal de reconhecimento, resolveu oferecer-lhe um par de sapatos. Com o entusiasmo, por pouco não lhe acertou no toutiço. Claro que o ainda presidente mas pouco dos EUA não está propriamente precisado de uns vulgar sapatos. Para o homem sair de cena, o que dava mesmo jeito era um par de patins. Era o que os eleitores americanos lhe deveriam ter oferecido logo após o primeiro mandato. O jornalista iraquiano fez o que pôde. Foi generoso. Mas chegou tarde.