sábado, 31 de março de 2007

E não se pode ignorá-los?

É consensual que a tropa fandanga do PNR não passa de um bando de idiotas. Há quem diga que, em democracia, até os idiotas têm direito a voz. É verdade, têm. O direito ao disparate deverá ser proporcional ao nosso direito de nos indignarmos, argumentarmos contra, enfim, respondermos. Mas gastar tanto tempo de antena com idiotas é que já chateia. E não se pode ignorá-los?

E o Espírito Santo?

Vem no Expresso, com titulo de primeira página, que o Vaticano tem dúvidas sobre os milagres dos pastorinhos de Fátima.
Se o Vaticano, que é a voz do Espírito santo, tem dúvidas...

sexta-feira, 30 de março de 2007

Bom fim-de-semana


Albert Gleizes Imagem

quinta-feira, 29 de março de 2007

Não dar cavaco

Cavaco não convidou, para festejar a fundação da Europa, o homem que pôs Portugal a falar dela. Mais, que não descansou enquanto não meteu o País lá dentro. Agora, o Presidente do País que agradece esse gesto, não agradece, nem reconhece a quem teve a iniciativa. É o que parece ao não convidar Mário Soares para as cerimónias. Cavaco Silva ainda não é o Presidente de todos os portugueses.
Pelo menos não parece.

A revista


A wallpaper de Abril já está aí.
A ler, a ver, a ler de novo, a guardar, e a ver e ler de novo um dia destes.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Em todas as esquinas e rotundas

A freirinha das aparições de Fátima também vai ter um espaço museológico. Quem para aí estiver virado, pode dar uma salto ao convento onde a irmã Lúcia passou boa parte dos seus anos de vida em animada clausura. Se Salazar deixou as embalagens de Restaurador Olex, papelada amarelecida e outra tralha pessoal, o que terá deixado a vidente das aparições? Pacotes vazios de bolachas Maria? Embalagens de depilação para o buço? Uma colecção de santinhos lustrosos? Os museus estão na moda. Mesmo quando não há muito para pôr lá dentro, qualquer coisa se há-de arranjar. Todos nós temos algo que, num qualquer momento das nossas vidas, nos marcou: uns sapatos viajados, um fato usado numa cerimónia inesquecível, uma caixa vazia de preservativos que nos recorda momentos de agradável aconchego, enfim, cangalhada não falta, se procurarmos bem. Todos podemos ter o nosso museu, um dia. Se calhar corre o risco de ficar aberto só um dia, precisamente. Um museu efémero, como os já estafados quinze minutos de fama. O que é que alguém vai fazer a um museu de Salazar ou Lúcia, para além da prestação de uma sentida homenagem? É de Culto que falamos, quando falamos de casas-museus destas tristes figuras. A irmãzinha parece que já anda a fazer milagres. Já há registos de santidades várias. De Salazar ainda não se deu por nada. Mas haja esperança. Ele anda aí. Um dia vai voltar em doses generosas. Um Salazar em cada esquina? Força. E a irmã Lúcia, vai para as rotundas?

terça-feira, 27 de março de 2007

Já começam...

Confrontado com a vitória do ditador, o presidente da câmara de Santa Comba Dão declarou que está justificada a criação da casa-museu sobre a sua vida e "obra". O autarca, eleito por uma coligação PPD/PSD-CDS/PP, disse que a coisa vai avançar já em Maio. Deve ser para comemorar o dia 28.
O que o concurso da RTP suscitou não foi debate. Foi saudosismo puro e duro. Há brincadeiras muito sérias.

Há luz ao fundo do túnel


O Túnel do Marquês começou por ser uma promessa risível. Ninguém percebeu a insistência de Santana Lopes naquela obra. Foi uma das trapalhadas que experimentaram as primeiras emissões nos Paços do Concelho. Depois, Santana expandiu o negócio: foi para o governo, onde eram emitidas a um ritmo diário. Paralelamente, nas decisões autárquicas, a obra do túnel transformou-se num imenso buraco. Santana já lá não estava, graças ao lamentável equívoco que o levou para São Bento. Carmona, herdeiro deste enleio, tentou pôr areia no orifício, ou por outra, atirá-la para os nossos olhos. Agora, com dois anos de atraso, o empreendimento está parcialmente pronto para receber o trânsito. Parece que é em Abril. Será que vai resolver minimamente os problemas do tráfego na zona? Vamos finalmente perceber se a promessa tinha substância ou se, pelo contrário, não passou de mais uma birra do menino guerreiro.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Cuidados intensivos


Houve alterações aqui na decoração das instalações. Depois do Expresso, do Diário de Notícias e do Público, também o BlogOperatório mudou. O arranjo gráfico da paginação continua a ser o que a Blogspot fornece, com direcção da stopdesign e design de Douglas Bowman. O novo cabeçalho foi concebido por nós, na DDLX, com a participação do Vitor Luis, que colabora connosco como estagiário. As cirurgias continuam a bom ritmo. Não há lista de espera. Espero que este golpe provoque melhoras e seja do vosso agrado.
Ah, é verdade, a frase de Fernando Pessoa funciona como parágrafo de uma espécie de livro de estilo. Trouxe-a da Tabacaria.
Até amanhã.

Quem quer ser salazarista?

O Público, em notícia de primeira página, revela-nos que a extrema-direita quer conquistar associações de estudantes.
Depois do que aconteceu mesmo há bocadinho, nas eleições televisivas, parece que nem tudo isto é um concurso.
Quando se jogam no terreno, ou seja, quando se encostam às estruturas representativas democráticas, estes jogos tornam-se mais repugnantes.

Que grandes portugueses!

O que levará tantos portugueses a eleger Salazar como o grande português? De entre tanta gente notável é o figurão da ditadura que ganha as tele-eleições. Os grandes portugueses, de facto, perderam.
Os compatriotas de que nos devemos orgulhar são os que fizeram avançar o país, não os que o atrasaram durante quase meio século.
Não estou de acordo que isto seja um voto de protesto. Ninguém protesta assim. Hoje vivemos muito melhor do que no tempo da ditadura.
É a Cultura e a Educação que falham redondamente. Foi essa falha que se manifestou.
É certo que concurso é coisa de sorte e azar. Mas ninguém gosta de perder. Nem a feijões, como é o caso.
A emissão acabou com uma fotografia de José Afonso a apanhar todo o écran: uma nota de muito bom gosto.
Vou-me deitar. Amanhã vou continuar a não gostar de Salazar. E vou gostar cada vez mais de viver em democracia.

domingo, 25 de março de 2007

Miséria e grandeza

Entre as cinzentas, pomposas e circunstanciais celebrações dos 50 anos da União Europeia, entendeu o nosso Excelentíssimo e Digníssimo Presidente da República excluir dos convidados de tão interessantes eventos o Dr. Mário Soares, antigo Presidente da República e, apenas e só, aquele que assinou o tratado de Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, em 1985.
É verdade que Mário Soares se escapuliu da cerimónia de cumprimentos a Cavaco Silva, aquando da sua tomada de posse como Presidente. Não o devia ter feito, por todas as razões que nos lembremos e mais ainda.
Mas este gesto de Cavaco Silva, como uma vingança mesquinha, só demonstra a pequenez com que interpreta o seu papel na história recente de Portugal, e a sua falta de grandeza ao não reconhecer as grandezas de outros, entre as inúmeras misérias de que todos somos protagonistas.
Ficou-lhe mal a ele, como pessoa, e ficou muito mal ao país, que ele representa, pois não foi capaz de honrar a quem muito deve.

Sofia Loureiro dos Santos em defender o quadrado

sábado, 24 de março de 2007

O estado a que isto chegou

Não sei quanto ganha Guilherme de Oliveira Martins, como principal responsável do Tribunal de Contas, mas lá que há trabalho, há: a denúncia está feita. Agora é preciso mudar a lei.
Autarcas a acumularem principescas remunerações são aos molhos: inventam cargos onde não é suposto que existam. Distribuem benesses. É fartar, vilanagem. Com tanto vilão à solta, não há Estado que aguente este estado de coisas.

Execrável

Estou a ver televisão. Tony Carreira e José Cid andam por todos os canais. São o máximo. As declarações dos famosos artistas nunca dispensam o disparate. O público vibra.
A cultura popular portuguesa não é só isto. Espero.

Bom fim-de-semana


David Hockney Imagem

sexta-feira, 23 de março de 2007

Doutores e engenheiros

Agora, o grande caso da nação é a licenciatura do primeiro-ministro. Como não sou engenheiro e, sinceramente, acho os engenheiros uns chatarrões, não me incomoda nada se José Sócrates o é ou não.
Preocupado fiquei quando percebi que Che Guevara até apreciava uns fuzilamentozitos: tive que deitar fora os posters que exibiam a sua fotografia em pose de desafiante valentia. Sócrates não é engenheiro? Estávamos bem governados, se fosse esse o nosso grande problema.

Ainda a gente se queixa da Justiça

Uma juíza alemã compreendeu as razões de um homem acusado de maus tratos à mulher. Segundo a magistrada, na cultura do réu é razoável um homem agredir a sua cara-metade. Não se percebe, portanto, a que aludia a queixosa, sabendo, desde o casamento, que as que caiem no chão é que se perdem?
Responsáveis religiosos já vieram garantir que não é bem assim. Só que a gente sabe o respeito pelas mulheres que é praticado por quem abraça aquelas convicções. Da ausência de respeito a umas traulitadas vai um passinho. A juíza é que sabe: ela é que estudou o processo.

quinta-feira, 22 de março de 2007

BlogOperatório em antena


O Pedro Rolo Duarte convidou-me para dar ao badalo, para o programa de entrevistas com malta dos blogues, que é transmitido aos domingos, das onze ao meio-dia, na Antena 1. Já está gravado. Passa no próximo domingo. O que for soará.

A realidade do artista


Os Livros Cotovia distribuiram pelos expositores das livrarias este conjunto de reflexões de Mark Rothko.
Já conhecia estes textos de Rothko. Comprei a edição americana numa qualquer viagem, não me lembro por onde. A Yale University Press publicou-os, em 2004, em livro de uma extraordinária apresentação gráfica da autoría de Daphne Geismar. A capa reproduz a folha da frente dos textos originais de Rothko. O miolo é cuidado com requintes. Uma publicação belíssima. A edição portuguesa não é tão bonita, contudo, a tradução da responsabilidade de Fernanda Mira Barros é honestíssima. Logo que recebi o texto promocional que Mafalda Azevedo, dos Livros Cotovia, muito simpaticamente me enviou, fui à Rua Nova da Trindade, onde fica a casa da editora, adquiri-lo. Já ali está, lido e arrumadinho ao lado do seu primo americano.
Do texto de Mafalda Azevedo, ressalto estes dois parágrafos:

O silêncio é o mais acertado. Era desta forma que Mark Rothko, um dos artistas mais importantes do século XX, respondia quando lhe pediam para falar das suas pinturas. Temia que as suas palavras paralisassem a mente e a imaginação do espectador. Acreditava que uma imagem abstracta representa directamente a natureza fundamental do drama humano. Daí que seja de uma inequívoca importância histórica, além de teórica, a publicação de A realidade do artista de Mark Rothko.
(...)
A realidade do artista, agora publicado pelos Livros Cotovia, resulta da descoberta recente de um manuscrito de Mark Rothko, no qual o pintor reflecte sobre temas que vão do Renascimento à arte contemporânea, do mito ao belo, passando pela verdadeira natureza da arte ou pela crítica e pelo papel da arte e dos artistas na sociedade. A par da exposição do seu pensamento, Rothko transmite claramente ao leitor a intensidade da sua demanda artística, o esforço doloroso e constante para aprofundar questões que, para ele, seriam do domínio do inefável.

A realidade do artista Filosofias da arte.
Foi escrito por Mark Rothko
Fernanda Mira Barros traduziu
Tem 300 páginas
e custa 20,00 euros

quarta-feira, 21 de março de 2007

Dia do Mundial da Poesia

Volta e meia há um dia que comemora qualquer coisa: ele é o dia do pai, ele é o dia da mãe, ele é o dia do orgasmo, ele é o dia do idoso, enfim, fiquemos por aqui que o comércio vai longo. Hoje é o Dia Mundial da Poesia. Ora aqui está um produto a que dou uso com frequência, logo, não vejo necessidade de comemorar esta especificidade.
Bom dia, na mesma.