sábado, 22 de abril de 2017

QUANTO MAIS ME BATES, MAIS EU GOSTO DE TI | Vivemos tempos de acelerada regressão. Políticos apologistas do mofo e da escuridão são eleitos. Conceitos bafientos regressam. Erros de interpretação da medicina são transformados em milagres alegadamente praticados por santos mal esculpidos. O sacrifício, como maneira de "meter cunha" para atingir o céu, regressa e é levado a sério por mentes de duvidosa mentalidade. Sim, há uns crentes mais "sérios", talvez por receio de caírem na esparrela da idiotice pura, que já falam em "visões" e não em "aparições". Não se percebe na mesma como é que puseram o sol a bailar, mas sempre é um avanço. Obrigadinho pelo esforço.

Todas as manifestações conservadoras ou mesmo de acentuado regresso ao passado sempre andaram de mãos dadas com a violência real. O regresso das praxes nas universidades veio repor o decreto universal que dita: "a idade é um posto". Humilhemos os mais novos para que saibam o que é a vida. Nos campos de futebol adversários passaram a inimigos de guerra. É assim que deve ser: o ser humano precisa de deitar cá para fora a violência que guarda lá dentro. E por último falemos da violência doméstica que afinal é a coisinha mais natural do mundo. O ser humano propriedade de outro passava já a lei, para muitos. No tempo do ajustamento fascista, o grande ajustador não permitia que uma mulher saísse do país sem autorização do marido. Era lei. O clube do marido perdeu? Jorraram uns copos a mais? Porrada na mulher. E bico calado. Entre marido e mulher não há talher da sopa.

Existe uma involução das mentalidades? Está nas trombas. De quem é a culpa disto tudo? Assim de repente só me lembro de responsabilizar o povo. É o povo — sim, essa entidade abstracta onde todos cabemos — que faz a História. E nem sempre faz coisas boas. Ultimamente só faz merda.

Nota: não tenho uma justificação sociológica para esta conclusão expressa porque não sou sociólogo. Deu-me para aqui. Espero que os autênticos e ferozes representantes do povo — seja lá isto o que for — não me batam.
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