quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

ENTRE A VIDA E A MORTE | Quando estas coisas vêm à baila entramos logo no território da feira de opinião do costume. Acontece com a eutanásia e acontece com tudo o que se convencionou chamar de fracturante. O moralismo religioso tenta de imediato tomar o comando do barco. Seja a interrupção voluntária de gravidezes, casamentos entre malta do mesmo sexo ou morte assistida reclamada pelo candidato a morto. A moralidade vigente nas mentes que ditam os rumos decreta: nada contra a vida. Tudo pela vida e pela "normalidade". O problema é que não é isso que está em causa. Cada um adopta a moralidade ou a normalidade que quiser. Quem só pensa em tolher e impedir tudo o que não está nos seus parâmetros de existência, não tem moral para impôr a sua moralidade aos outros. Claro que a vida está em primeiro lugar. E claro que a sociedade tem o dever de satisfazer a dignidade do ser humano enquanto ele existe. Mas quem não quer aguentar imposições da moralidade de quem decide também tem voz e tem o direito de desistir se quiser, ou não? E quem decide se quer aguentar um sofrimento é quem sofre. É só isso que está em causa. Somos donos do nosso corpo. As mentes doentias dos serôdios militantes do CDS/PP — esta nota é dirigida a todos os partidos ou seus militantes que não têm coragem de tomar posição — que assistam os seus doentes. Quem são vocês para decidir sobre a minha vida? Vivam e deixem viver. Ou morrer.
Na imagem, Ramón Sampedro
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