quinta-feira, 23 de abril de 2015

ERA UM PULVERIZADOR E UMA VASSOURA, SE FAZ FAVOR | Qualquer tentativa de apresentação de alternativa a esta política de ajustamento financeiro vai logo com a água do banho. É limpinho. Em terra do faz-de-conta, onde as palavras já não têm o significado original, os "ajustadores" apresentam-se como a única escolha fiável. Verdade é mentira. Desenvolvimento é empobrecimento. Direitos são luxo. Não há volta a dar. Nada pode ser de outra maneira. Chamam "reformas necessárias" para o ajustamento e para o crescimento económico ao fim do Serviço Nacional de Saúde, à redução das pensões, à desvalorização do trabalho, resumindo, ao empobrecimento da classe que produz.
Mas a manada está minada. Tal como na Grécia, também aqui é preciso acabar com quem se opõe à entrega dos países aos agiotas sem pátria e sem rosto. Ontem não perderam tempo. Mal o Partido Socialista acenou, os comentadores oficiosos surgiram de imediato, saídos lá dos buracos onde estão atentos às ousadias da esquerda, para darem o amém às reacções dos partidos governamentais. São os "valet de chambre" neste quartinho que instalaram no regime.
Outras propostas surgirão. Os outros deputados, dos outros partidos da oposição, também são gente. Os partidos e os eleitores que representam — que são evidentemente a maioria no país — também têm propostas a apresentar. Mas a maioria que insiste em ajustar à sua maneira não desarma. Não largam o pulverizador da austeridade. Não descansam enquanto não estivermos todos de rastos.
Serão eles que terão que ser ajustados. À nossa maneira.
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